Dança
Além da estética
Refletindo e transformando a visão
da arte
O projeto inicial do curso de graduação em Dança do Instituto de Artes da Unicamp
foi idealizado por Marília Antonieta Oswald de Andrade que, juntamente com um
grupo de profissionais da área da dança, concretizou o seu início em 1985. Ao longo
destes 25 anos procurou-se perseguir um ideal, presente no projeto inicial, que é o
de conferir à dança o status de área de conhecimento inserida na universidade.
Técnicas, danças do Brasil e ateliês
Nas disciplinas de Técnicas de Dança há ênfase no desenvolvimento técnico-artístico
do corpo integrado à expressividade e à criatividade. O objetivo desta visão é formar
um corpo consciente, capaz de uma resposta criativa, através da sensibilidade
sinestésica e do domínio técnico do movimento. O aluno será estimulado a
constantes investigações, na procura de um movimento espontâneo assim como
de pesquisa orientada. As técnicas tradicionais são utilizadas, não como modelo,
mas como instrumento e estudo dos princípios básicos do movimento. Espera-se
uma resposta corporal individual e centrada no potencial criativo de cada estudante,
estabelecendo um vínculo com as correntes da dança que vigoram na atualidade,
possibilitando a inserção do aluno no panorama vigente.
Nas disciplinas de Dança do Brasil, concebe-se a dança como forma expressiva de
criação artística cuja realização leva em conta os valores da cultura onde se encontra
inserida, bem como a história dos indivíduos que dela fazem parte. O objetivo é
contribuir para a formação mais ampla do profissional em dança, com perfil para
a atuação social e transformadora da realidade na qual exerce sua profissão. As
disciplinas propõem fundamentos corporais alicerçados nas manifestações culturais
da diversidade brasileira. Busca-se construir conhecimento através da experiência do
convívio plural, na validação de uma identidade rica em dramaturgia e movimentação
corporal. Seja no âmbito do ensino ou da pesquisa, o aluno é levado a explorar
o contexto social e cultural no qual se encontra inserido. Trata-se, portanto, de
comunicação numa perspectiva histórica e artística, de uma estética fundada na
realidade cotidiana, na convivência com o outro.
Nos Ateliês, de estruturas mais flexíveis, encontram-se integradas estas duas
tendências. Trata-se, portanto, de unir as habilidades técnicas às competências
de refletir e compreender criticamente os fundamentos que organizam um
conhecimento específico. Trata-se de um saber das artes, entendido como tecido
artesanal, construído gradativamente através da aprendizagem do sensível, do olhar
focado não só no corpo que dança, mas na sua relação com o mundo. Os Ateliês
abrangem os conteúdos de improvisação e composição coreográfica, trabalhados
em métodos que propiciam diferentes leituras corporais. Os Ateliês estão articulados às disciplinas de Técnicas de Dança e às de Dança do Brasil, sempre buscando
trajetórias prático-teóricas na área artística integradas ao ensino da dança.
O exercício da alteridade permeia a construção de uma dança que o aluno deverá
vivenciar em seu corpo. Esta dança passa a refletir e a discutir as questões ligadas
ao movimento, de modo a caminhar junto com as idéias políticas, sociais e culturais
do seu tempo. Na estrutura do curso constam disciplinas nas áreas biológicas tais
como anatomia, fisiologia e cinesiologia. Nas áreas das ciências humanas e sociais,
a história, a antropologia e a psicologia, dentre outras.
O amadurecimento e a experiência do curso de graduação em Dança possibilitam
não só gerar a integração entre conteúdos do projeto pedagógico, como também a
integração entre as distintas áreas artísticas, no âmbito do Instituto de Artes. Assim
foram criadas disciplinas comuns a todo o Instituto tais como os fundamentos
filosóficos da arte-educação.
Se, por um lado, o curso permite a formação do aluno como intérprete e/ou como
professor de dança (de acordo com a sua opção), por outro, dada a possibilidade
de escolha própria sobre quais disciplinas eletivas cursar, terá a responsabilidade
sobre sua própria formação, ampliando o campo de saber e aumentando as relações
dentre os mais diversos espaços da universidade. Busca-se, assim, o vôo, onde novas
tendências irão despontar.
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