As expectativas óbvias são que o candidato siga as orientações
contidas no enunciado e que, ao fazer isso, considere os elementos fornecidos
pela coletânea. As orientações que ele deve seguir
são:
a) que escreva a um parlamentar
contrário à criação da ANA;
b) que argumente a favor
da criação da ANA;
c) que sugira pontos de
um programa a ser cumprido pela ANA.
A coletânea lhe fornece pelo menos os seguintes elementos (ora são
informações, ora, posições relativas a algum
tipo de controle da água), a partir dos quais pode argumentar:
a) há discussões
de âmbito mundial, envolvendo governos nacionais e entidades supragovernamentais
(como a ONU), que favorecem formas de controle, efetuado através
da cobrança, alterando assim o estatuto da água (por exemplo,
passa de produto natural a commodity);
b) há um movimento,
no Brasil, que envolve autoridades, especialistas e “militantes”, que favorece
a criação de uma Agência Nacional que coordene a política
do setor;
c) estão em curso
(em fase de avaliação e debate), estando para ser votados,
projetos cujo objetivo é disciplinar o consumo e controlar a qualidade
da água e dos mananciais;
d) a votação
de alguns projetos está sendo retardada e eles são objeto
de pressões;
e) os textos mencionam concretamente
fatos e dados que justificariam uma mudança na atual política
em relação ao consumo da água.
Além disso, nada impede que o candidato leve em conta outros conhecimentos
que eventualmente tenha a respeito do tema, nem que se utilize de alguma
forma de outras informações úteis que aparecem na
coletânea dos outros temas, e mesmo nos enunciados das questões.
Em relação à posição do parlamentar,
espera-se que o candidato explicite que conhece (eventualmente, que respeita)
sua atual posição, mas que espera - com base nos argumentos
que exporá, ou, quem sabe, ameaçando mais ou menos claramente
dar seu voto a outro candidato em futuras votações – convencê-lo
a mudar. Esse apelo pode ser formulado de forma mais ou menos sutil. Isso
depende de que imagem o candidato constrói do parlamentar (pode
representá-lo como mais ou menos íntimo, mais ou menos preocupado
com a próxima eleição, mais ou menos envolvido com
questões ambientais, mais ou menos engajado com as gerações
futuras, mais ou menos preocupado com seu sucesso popular, mais ou menos
interessado em novos cargos, etc).
Em relação à sugestão de um programa para a
ANA – fundamental para quem escolher este tema – o candidato poderá
propor, entre outros, pontos como os seguintes (que são apenas alguns
exemplos):
a) cobranças de taxas
maiores do que as atuais – por exemplo, de empresas que consomem grande
quantidade de água ou de pessoas e empresas que desperdiçam
água; pode sugerir quotas mínimas para consumo, por categoria
de consumidor, ou sugerir preços progressivos, proporcionais ao
consumo;
b) cobranças de novas
taxas – por exemplo, de quem não cria nenhum sistema de tratamento
ou de quem polui;
c) redução
de taxas – por exemplo, para quem faz da água um uso mais inteligente
(economiza, trata, substitui por outro insumo, etc);
d) redução
de impostos para quem – empresa ou pessoa física – cria condições
ambientais para que a quantidade de água produzida não se
reduza, ou até aumente (reflorestamentos, por exemplo);
e) realização
de campanhas de esclarecimento, que conscientizem os usuários em
relação à gravidade do problema e sugiram formas de
diminuir o consumo; as campanhas poderão fornecer dados objetivos,
seja sobre a quantidade de água disponível, seja sobre os
domínios nos quais o consumo tem aumentado (irrigação,
por exemplo), para que as campanhas não sejam apenas punitivas. |