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Educação Artística - Vestibular 2006
As provas de aptidão para o curso de Educação Artística serão realizadas somente em Campinas, de 23 a 26/01/2006

1. Introdução
O curso de Educação Artística / Habilitação em Artes Plásticas não tem como objetivo somente a formação de artistas plásticos, na medida, inclusive, em que nenhum curso pode ter a pretensão de formar um artista - trabalho para uma vida inteira de estudos e dedicação ao ofício. Sua finalidade é, sim, desenvolver a sensibilidade estética do estudante para com formas visuais e cores, habilitando-o, paralelamente, para a utilização de técnicas de desenho, pintura, escultura, modelagem etc., bem como capacitá-lo para empregar os conhecimentos adquiridos, como professor de artes plásticas, seja de crianças, jovens, ou mesmo de adultos.
Como, porém, não se pode “partir do zero”, é necessário que o candidato e futuro aluno demonstre já possuir uma habilidade mínima para o desenho e a criação plástica, assim como conhecimentos básicos acerca das artes plásticas e de sua história, além de demonstrar interesse pelos estudos teóricos e práticos a serem desenvolvidos no curso. Daí a necessidade de um exame de aptidão que possa avaliar, ainda que genericamente, se o candidato tem essas qualidades fundamentais para acompanhar plenamente as disciplinas que constam da grade curricular do curso.

2. Programa
As provas de aptidão para Educação Artística - Habilitação em Artes Plásticas, em número de três, constarão de:

I - História da Arte
A prova de História da Arte será dissertativa. São dois os grandes temas: arte européia da segunda metade do século XIX aos anos 60 do século XX, e arte no Brasil no século XX, também até a década de 60. Os temas tratados estarão restritos à pintura e à escultura.

O primeiro grupo engloba os seguintes itens:
- Impressionismo;
- Pós-Impressionismo;
- Expressionismo;
- Cubismo;
- Futurismo;
- Dadaísmo;
- Surrealismo;
- Bauhaus;
- Construtivismo;
- Abstrações;
- Arte Pop.

A arte no Brasil engloba, em linhas gerais, os seguintes itens:
- O século XIX;
- Semana de Arte Moderna;
- Modernismo nos anos 30 e 40;
- As Bienais e o surgimento das Abstrações;
- Arte Concreta e Neoconcreta;
- Abstração Informal;
- Arte Pop.

II – Desenho / Expressão Gráfica, Formas e Cores
Será avaliada a capacidade do candidato de compreender e representar graficamente formas, cores e volumes.
Os candidatos deverão trazer obrigatoriamente os seguintes materiais:
- lápis preto ou lapiseira/grafites HB, 2B e 4B;
- caixa de lápis de cor aquarelável com 12 cores;
- compasso;
- estilete;
- régua e esquadros;
- tesoura;
- cola bastão.

III - Entrevistas
Apresentação obrigatória de porta-fólio.
Amostragem específica da produção e vivência na área das Artes Plásticas. Recomenda-se limitar as dimensões dos trabalhos apresentados a 70 X 50 cm. Trabalhos de maior dimensão poderão ser apresentados através de fotografias.

3. Objetivo e Concepção da Prova
I - História da Arte
Muito mais que a simples memorização de datas, movimentos artísticos e seus principais representantes, a prova de História da Arte visa avaliar, grosso modo, a capacidade do candidato de sintetizar as concepções estéticas das diversas tendências ou escolas artísticas, localizando-as no panorama histórico geral de sua época. Nesse sentido, limita-se a sua abrangência tão-só aos séculos XIX e XX, já que o principal interesse é verificar a visão histórica de mundo do candidato e a sua habilidade para construir e expressar raciocínios referentes aos temas propostos.
Importante ainda é notar que, na divisão efetuada entre a arte no Brasil e no exterior, com questões obrigatórias de uma e de outra, procura-se enfatizar e avaliar o conhecimento do candidato relativo à sua própria cultura e à arte nela produzida.

II - Desenho
Uma das provas centrais para a seleção de ingressantes no curso de Educação Artística, a prova de Desenho procura detectar as habilidades mais básicas para o futuro profissional das artes plásticas. Deste modo, por seu intermédio busca-se avaliar, no candidato, a capacidade de perceber, em objetos, uma composição tridimensional através de linhas, planos, volumes e sombras. Tal percepção deve se revelar por meio da habilidade do candidato em registrá-la graficamente num desenho realizado com instrumentos adequados (em geral, grafites de diferentes graus de dureza aplicados sobre o papel).

III – Expressão Gráfica, Formas e Cores
Complementar à de Desenho, esta prova visa fundamentalmente avaliar o potencial criativo do candidato através da sua capacidade de sintetizar formas e aplicar cores. Para tanto, o candidato deve demonstrar habilidades para organizar uma composição bidimensional, adequando formas geométricas e valores cromáticos em termos de tonalidades e contrastes de cores, valendo-se dos mais diversos materiais e instrumentos, como lápis de cor, giz de cera, canetas hidrográficas e papéis-cartão coloridos.

IV – Entrevistas
Através das entrevistas efetuadas individualmente com os candidatos por uma banca composta por três professores (em geral das áreas de História da Arte, Artes Plásticas e Artes Gráficas), procura-se aprimorar a avaliação já realizada através das provas anteriores de História da Arte, de Desenho e de Expressão Gráfica, Formas e Cores.
Assim, ao apresentar um pequeno porta-fólio contendo seus principais trabalhos, o candidato possibilita uma avaliação de seu percurso no campo das artes plásticas, em termos de interesses, cursos e estudos já realizados, podendo-se verificar ainda outras habilidades técnicas e criativas eventualmente não detectadas nas provas específicas.
E, por fim, as entrevistas fornecem também informações complementares acerca da maturidade do estudante, bem como de sua visão do que seja a universidade, o curso de educação artística, a profissão que pretende seguir e de seus projetos dentro dela.

4. Critério de Avaliação
Há que se ressaltar, inicialmente, a dificuldade de se estabelecerem critérios objetivos de apreciação e avaliação no campo das artes, dado seu alto grau de subjetividade e incerteza. Por exemplo, na história do mundo, é elevado o número de artistas (desenhistas, pintores, escultores, músicos/compositores, escritores etc.) que viram suas obras rejeitadas, criticadas negativamente e mesmo escarnecidas por críticos, professores, editores, especialistas e até pelo público maior, obras que foram posteriormente redimidas e até aclamadas como exemplos geniais de criatividade e inovação. Assim, o que se procura neste exame de aptidão é o estabelecimento de alguns critérios gerais de avaliação e a sua aplicação por diversos professores do curso, de modo a se poder chegar a um consenso, o mais amplo possível, acerca das qualidades e defeitos exibidos pelos candidatos individualmente. Deste modo, tem-se, a seguir, prova a prova, os critérios gerais estabelecidos pela Comissão para os Vestibulares.

I – Prova de História da Arte
a) Demonstração de um conhecimento factual mínimo sobre o tema proposto.
b) Bom desenvolvimento e clara argumentação acerca do tema em questão, o que, obviamente, implica um domínio da língua portuguesa.
c) Capacidade para relacionar artistas, obras, estilos e movimentos estéticos situando-os no tempo.
d) Capacidade elementar para efetivar análises de obras e artistas em termos de características formais e temáticas por eles demonstradas.

II - Provas de Desenho e de Expressão Gráfica, Formas e Cores
a) Adequação ao tema proposto, especialmente na segunda prova, o que implica a capacidade de entendimento da proposta e o conhecimento de certos conceitos pertinentes também às artes plásticas, tal como o nome de figuras geométricas e de seus componentes (polígonos, trapézios, diâmetros, raios, diagonais etc.).
b) Uso correto do material exigido (grafites, lápis de cor e papéis).
c) Respeito às proporções relativas dos modelos no desenho de observação.
d) Demonstração de que possui noções de volume, de perspectiva e de luz e sombra no desenho de observação.
e) Limpeza no trabalho apresentado, o que implica ausência de marcas do uso de borracha, ausência de borrões, de impressões digitais e de amassados no papel.

III- Entrevista
a) Interesse do candidato pela área de artes plásticas, verificado através de sua história pessoal, em termos de cursos feitos, de trabalhos executados, de seu porta-fólio e de sua expressão verbal acerca do tema.
b) Maturidade demonstrada pelo candidato em relação ao campo das artes, seja em seu trabalho exibido no porta-fólio, seja em sua capacidade de comentar verbalmente o trabalho de artistas plásticos contemporâneos e/ou antigos, segundo sua preferência pessoal.
c) Opiniões do candidato a respeito do que seja uma universidade e do que trata o curso que pretende seguir; sua verbalização, em linhas gerais, dos projetos, sonhos e expectativas que possui no âmbito da futura profissão.

Indicações Bibliográficas
ADES, Dawn. Arte na América Latina: a era moderna, São Paulo: Cosac & Naify, 1997.
AMARAL, Aracy. Artes Plásticas na Semana de 22, São Paulo: Editora 34, 1998.
ARANTES, Otília (org.). Obras Completas de Mário Pedrosa, São Paulo: EDUSP.Vol. 1 – Política das Artes, 1995, parte II; vol. 3 – Acadêmicos e Modernos, 1998, partes II e III.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna, São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
FERREIRA GULLAR. Etapas da Arte Contemporânea, Rio de Janeiro: Editora Revan, 1999.
GOMBRICH, E. H. História da Arte, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 1979.
PECCININI, Daisy. Figurações Brasil Anos 60, São Paulo: EDUSP; Itaú Cultural, 1999.
STANGOS, Nikos (org.). Conceitos de Arte Moderna, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000.
ZANINI, Walter (Coord.). História Geral da Arte no Brasil, São Paulo: Inst. Walter Moreira Sales/Fund. Djalma Guimarães, 1983, 2 vol. (esta obra não se encontra à venda, mas disponível em bibliotecas.)
ZANINI, Walter. A arte no Brasil nas décadas de 30 e 40, São Paulo: EDUSP; Liv. Nobel S.A., 1991, pp. 19-88 (“Introdução ao Movimento Modernista em sua nova fase”).
ZÍLIO, Carlos. A Querela do Brasil: a questão da identidade da arte brasileira, Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.
(Esta bibliografia não é obrigatória. Trata-se apenas de sugestões para consulta).

 

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