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História - Vestibular 2007

Desde 1987 a Unicamp vem pondo em prática profundas alterações em seus exames vestibulares. Evidentemente, tudo que se refere a esses exames tem sido avaliado para que os resultados se aproximem cada vez mais das expectativas que a Universidade tem em relação àqueles que pretendem fazer parte dela. Por isso, antes de você começar a se preparar para a prova de História do Vestibular Unicamp, sugerimos uma consulta às provas anteriores. Você vai notar uma diferença em comparação às provas de história tradicionais. Ao invés de se valorizar a capacidade de memorizar datas, fatos, nomes de personagens, etc, procuramos avaliar principalmente a capacidade do vestibulando em relacionar conceitos e analisar situações históricas através da interpretação de textos. A própria quantidade de informações - que pode até facilitar a argumentação - deixou de ser fundamental para a aprovação no exame de História.

Isso quer dizer, por exemplo, que é conveniente e necessário você saber que a data em que se registra a Independência é 7 de setembro de 1822, mas, no exame, nada semelhante vai ser perguntado. Por essas razões, as diferenças introduzidas na prova de História do Vestibular Unicamp não se localizam na ampliação ou redução do programa oficial adotado pela escola de ensino médio. Embora estejamos conscientes de que esse programa requer uma avaliação crítica numa primeira fase, o que se pretende é a reorganização de seu conteúdo, concentrando-se a avaliação naquilo que consideramos fundamental para o desenvolvimento do conhecimento histórico.

A forma tradicional dos programas de História se caracteriza pela insistente sucessão cronológica de situações, fatos, acontecimentos que vão da pré-história aos nossos dias.

Da mesma forma, este programa acaba por constituir, em compartimentos estanques, várias “histórias” - a história da Europa, a história das Américas, a história do Brasil -, como se essas e outras unidades não estabelecessem entre si uma intrincada rede de influências, troca e determinações. Essa sucessão cronológica e a compartimentação dos conteúdos dificultam a compreensão do tempo histórico, criando pelo menos três tipos de dificuldade na resolução de provas como as do Vestibular Unicamp. Em primeiro lugar, mal se percebe a existência de diferenças entre diversas culturas e diversas sociedades. Por exemplo, considera-se que a cultura indígena vale menos que a cultura “civilizada”; a cultura das elites vale mais que as culturas populares; que o mundo moderno é superior ao antigo.

Em segundo lugar, não se dispõe de elementos para estabelecer relações entre situações de épocas históricas diversas ou até mesmo entre situações de um mesmo período histórico. Por exemplo, relacionar - buscando diferenças - o trabalho servil e o trabalho assalariado, às vezes situados em épocas históricas diversas, às vezes convivendo em um mesmo período histórico.

Em terceiro lugar, vêm as dificuldades em perceber que você próprio está inserido no tempo histórico, e que as concepções de história no mundo em que você vive estão determinadas pelos sistemas de valores, crenças e conhecimento do seu tempo. É por tudo isso que não há uma versão definitiva da história e que as suas interpretações variam continuadamente, uma vez que cada indivíduo aprende o passado e o presente a partir de determinados sistemas de valores e de conhecimentos.

Dessa maneira, a prova de História deverá ter um caráter essencialmente dissertativo, diferenciando-se de provas que adotam critérios do tipo “verdadeiro/falso”. Entender e interpretar a história é saber expor argumentos, confrontar opiniões, estabelecer correlações e realizar sínteses.

É com essas preocupações que você deverá organizar o estudo crítico dos conteúdos a seguir apresentados. Além de fazer parte dos programas escolares oficiais, são tratados, em sua totalidade, nos livros didáticos e paradidáticos adotados no ensino regular de história. As unidades temáticas foram estabelecidas para facilitar procedimentos didáticos e para evitar um absoluto e imediato rompimento com os arranjos tradicionais de periodização histórica, onde esses esquemas foram consagrados.

Unidade Temática I
Antiguidade Ocidental
Grécia: formação política, social e econômica (do Período Homérico ao Período Clássico).
Roma: formação política, social e econômica (da Monarquia ao Baixo Império).

Unidade Temática II
História Medieval
Migração dos povos bárbaros e desagregação do Império Romano Ocidental.
O feudalismo europeu: formação e desenvolvimento.
O imaginário cristão.
O poder da Igreja Católica.
Expansão do comércio intraeuropeu.
Formação das monarquias.
A crise do feudalismo na Europa.

Unidade Temática III
História Moderna
Expansão marítima européia: a Península Ibérica.
O Renascimento: fundamentos artísticos e científicos; o humanismo.
Religião: a Reforma, a Contra-Reforma, a Inquisição.
O Estado absolutista no Ocidente: Portugal, Espanha, França e Inglaterra.
Mercantilismo e colonização.
O mundo do trabalho na Europa e nas colônias.
Iluminismo: liberalismo econômico e político; enciclopedismo; despotismo esclarecido.
A Revolução Inglesa (1640-1688).
A Independência dos EUA.
A Revolução Industrial na Inglaterra.

Unidade Temática IV
História Contemporânea
Revolução Francesa; Império Napoleônico.
Fortalecimento do Estado burguês e as revoluções do século XIX.
As guerras de independência colonial e a formação das nações da América Latina.
Política, mundo do trabalho e produção da riqueza nos EUA nos séculos XIX e XX.
As doutrinas socialistas do século XIX.
Unificações italiana e alemã.
Processos de urbanização no Ocidente.
O imperialismo europeu - expansão industrial e nova partilha colonial (Ásia e África).
A I Guerra Mundial.
A Revolução Russa.
Vanguardas artísticas modernistas européias.
Movimento operário europeu: partidos e sindicatos.
A crise de 1929 e a planificação das economias nacionais do Ocidente.
Os regimes totalitários: nazismo, fascismo, franquismo e stalinismo.
A II Guerra Mundial.
A Revolução Chinesa.
Militarismo na América Latina.
O contexto da guerra fria e as zonas de tensão internacional.
Cultura de massas no Ocidente. Dos movimentos alternativos da década de 60 aos dias de hoje.

Unidade Temática V
História do Brasil
Sistema colonial: economia de exportação - o engenho e o trabalho escravo.
A interiorização da colônia, mineração, bandeirismo e urbanização.
Sistema colonial em crise: rebeliões locais e tentativas de emancipação.
Transferência da corte portuguesa para o Brasil e o processo de independência.
Tensões políticas do período imperial: I Reinado e Regência.
II Reinado: política, cultura e sociedade.
Crise do sistema escravista e imigração.
A crise do Império e a instalação da República.
Origens da industrialização e urbanização (a formação do trabalhador assalariado: greves, partidos e sindicatos até os anos 30).
O movimento modernista.
Crise política e institucional dos anos 20 e 30.
Do Estado Novo à Redemocratização.
Trabalhismo e nacional-desenvolvimentismo: Vargas e J.K.
Declínio do populismo; Período Jânio, o Golpe de 1964.
Militarização e autoritarismo pós-1964.
Movimentos culturais e artísticos dos anos 60/70.
O sistema político atual.

 

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