02/02/2018 / Em: Clipping

 

‘Acho até que estudei pouco’, diz jovem de 20 anos aprovada em medicina na USP (G1 – Ribeirão e Franca – 02/02/2018)

Júlia Ribeiro conquistou uma das vagas na universidade mais concorrida do país pelo Sisu. Jovem aproveitou bolsas de estudo em cursinhos para se dedicar 100% aos estudos.

O sonho de cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP) se tornou realidade para a estudante Luana Juliano Ribeiro, de 20 anos. Moradora de Franca (SP), a jovem foi aprovada no curso para o campus de Bauru (SP) por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e mesmo com a rotina 100% dedicada aos estudos, se mostra modesta com o feito. “Acho até que estudei pouco, porque o pessoal estuda bastante para o vestibular de medicina”, diz a estudante. De família simples, Luana cursou o ensino médio integralmente em escola pública, um dos pré-requisitos para conseguir a vaga. Há dois anos, concluiu a etapa, mas não foi aprovada no curso desejado, apesar de todos os esforços. “Eu tive uma base muito boa no ensino médio. Apesar de ser uma escola pública, ela me deu a base de muitas matérias e foi uma oportunidade muito grande estudar lá. As escolas públicas têm muitas dificuldades”, diz. Determinada, a jovem conseguiu uma bolsa de estudos em um cursinho particular, foi aprovada na primeira fase da Fuvest em 2016, mas encontrou dificuldade na redação da etapa seguinte. No Enem, se deparou com o mesmo conflito e obteve nota 600. “O texto, principalmente, me travou muito a prova. E esse ano foi muito importante eu ter a oportunidade de fazer um curso. Me ajudou bastante, não só pra eu escrever na redação mesmo, mas na prova de português.”

Preparação

Preocupada em melhorar a marca, Luana se convenceu de que precisava ir além, e dedicar mais tempo à escrita. O empenho da jovem acabou conquistando a confiança da professora Regiane Pedigone, que concedeu uma bolsa de estudos em um cursinho de redação e língua portuguesa. “Existem muitos casos, como a da Luana, de meninos que são incríveis e o que falta mesmo é uma oportunidade de poder fazer um curso que complemente. Foi o caso da Luana. Teve todo o histórico dela de boa aluna e de saber que ela poderia, sim, ter uma oportunidade de ter um divisor de águas na vida dela”, afirma Regiane. A preparação levou Luana a fazer a redação do Enem, em 2017, com mais segurança e o resultado foi certeiro: ela obteve 980 pontos. A nota alta ajudou a estudante a elevar a média final para o Sisu, que ainda exigia o mínimo de 700 pontos em cada uma das provas de matemática, ciências da natureza, ciências humanas e linguagens para concorrer a uma das vagas. Na segunda-feira (29), ao consultar os resultados divulgados pelo Sisu, Luana diz não ter acreditado no que constava na tela do computador: a tão esperada aprovação. A estudante conquistou uma das vagas do segundo curso mais concorrido do vestibular da Fuvest em 2018, com relação de 105,9 candidato/vaga. “Eu não imaginei que eu pudesse passar após dois anos de cursinho. Eu estou impressionada, ainda mais porque eu consegui uma universidade pública, como a USP. Eu estou muito feliz, parece que eu estou vivendo um sonho. Desde o ensino médio eu sonhava com esse momento e é muito boa a sensação.”

Orgulho

Ao ver o nome da filha na lista dos aprovados e após acompanhar anos de sacrifícios, que incluíram noites em claro de estudo, recusa para passeios e choro por muitas vezes ter que ajudar no caixa do mercadinho da família ao invés de estudar, o pai de Luana estampou o orgulho no sorriso. Com a voz embargada pela emoção, disse que chegou a ter pena da jovem por causa do esforço. “Foi muito grande. Eu cheguei a falar pra ela ‘vamos sair. Vamos passear um pouquinho, porque você se esforça demais’. Ela não ia. Ficava estudando até uma hora da manhã. Isso foram muitas e muitas vezes. Eu cheguei a ficar com pena dela, mas agora eu estou vendo que valeu a pena. Agora ela vai colher os frutos desse esforço”, diz o comerciante Júlio Ribeiro. Aliviada com o futuro se desenhando da forma como sempre planejou, Luana se prepara para encarar a mudança de Franca para Bauru, quer colocar as séries de TV em dia e dá a dica para quem, assim como ela, não desistiu do sonho. “A pessoa tem que seguir feliz, mesmo com as dificuldades. As oportunidades, mesmo que simples, devem ser aproveitadas ao máximo. Mesmo na rotina do cursinho, a gente estava sempre rindo, conseguindo ver uma alegria naquilo. Às vezes, a gente fica naquela amargura de estar fazendo cursinho porque queria ter passado logo no 3º ano. Mas, é importante. É um momento de amadurecimento e eu vejo o quanto está sendo importante pra mim eu ter passado por todo esse processo.”

 


Enem pode ser reformulado até 2020 (Agência Brasil – Notícias – 01/02/2018)

 

O Brasil poderá ter um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em dois anos. A intenção é que, acompanhando o novo ensino médio, o Enem seja reformulado até 2020, disse a ministra interina da Educação, Maria Helena Guimarães. “Isso vai precisar ser muito discutido. Parte da avaliação abordará aquilo que compõe a base comum do ensino médio, e parte do exame, a parte flexível, abordando tanto itinerário técnico quanto o itinerário formativo”, afirmou a ministra. Pelo novo ensino médio, sancionado no ano passado, parte do currículo da etapa de ensino, o equivalente a 1,8 mil horas deverá ser destinado ao conteúdo da Base Nacional Comum Curricular [BNCC], ainda em discussão. Segundo Maria Helena, uma nova versão da BNCC será encaminhada para análise do Conselho Nacional de Educação (CNE) em março. O restante do tempo, que varia de acordo com a rede de ensino, será destinado à formação específica. Os estudantes poderão escolher entre o aprofundamento em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico. De acordo com a ministra, a intenção é que a formação dos estudantes seja mais fluida e as disciplinas, cada vez mais integradas. O desafio do Ministério da Educação (MEC) será avaliar esse estudante. “É possível ter itinerário formativo que aborde conhecimento de história, arte e matemática. Por que não?”. O novo Enem deverá ser discutido em um seminário que o MEC realizará neste mês com entidades privadas e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Além do Enem, o seminário debaterá a proposta de base nacional para o ensino médio. A ministra interina da Educação adianta que a formação geral do aluno na área de linguagens, de matemática, de ciências da natureza e humanas “será muito importante no novo Enem”. O exame é usado atualmente como uma das principais formas de acesso ao ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas e financiamento no ensino privado pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Maria Helena participou hoje (1º) de bate-papo ao vivo pelo Facebook do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A conversa, mediada pela Agência Brasil, contou também com participação do diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria (Sesi), Rafael Lucchesi. Segundo a ministra , mesmo sem ter ainda uma base nacional aprovada para o ensino médio, algumas redes de ensino já começaram a implementar as mudanças. Uma das ênfases é na formação técnica. Para Lucchesi, esse é um dos pontos centrais da reforma, que vai qualificar a formação dos estudantes. “Hoje 82% dos jovens não vão para universidade. Seguramente, uma educação mais flexível vai ser melhor para o jovem e para o país. Isso melhora a produtividade e impacta na possibilidade de gerar emprego”, afirmou. Lucchesi ressaltou que, enquanto em países desenvolvidos cerca de 50% dos jovens têm formação técnica no ensino médio regular, esse percentual é inferior a 10% no Brasil.

Ensino médio noturno

A formação técnica deverá ser fortalecida no ensino médio noturno, destacou Maria Helena. “Não faz mais sentido a pessoa já com mais idade, que gostaria de concluir o ensino médio com formação técnica, seguir o [ensino] regular quando já tem experiência de vida.” A intenção é que o noturno tenha um currículo mais enxuto, mas que leve os estudantes “a desenvolver as mesmas competências mais gerais.” Segundo a ministra interina, cerca de 20% dos 6,7 milhões de matrículas no ensino médio em escolas públicas são noturnas. Parte desses estudantes poderia cursar o ensino médio regular diurno. De acordo com Maria Helena, a intenção é que o noturno seja voltado aos estudantes que trabalham e não têm condições de cursar a etapa regularmente.

 


Enem já pode ser usado em 28 instituições de ensino em Portugal (Guia do Estudante – Enem – 01/02/2018)

Universidade Católica Portuguesa é a mais nova conveniada ao Inep

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), anunciou o convênio com mais uma instituição de ensino superior de Portugal. Com isso, chega a 28 o número de universidades e institutos do país que aceitam as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de ingresso. A partir de agora, os estudantes brasileiros que fizerem o exame poderão também participar do processo seletivo da Universidade Católica Portuguesa. O acordo interinstitucional favorece a comunicação entre as universidades e o Inep para conferência dos resultados dos participantes que pretendem utilizar as notas do Enem para obtenção de uma vaga.

Estudar fora do Brasil

O primeiro convênio interinstitucional foi realizado em 2014, com a Universidade de Coimbra. De acordo com o Inep, as instituições portuguesas que usam o Enem têm liberdade para definir qual será a nota de corte para o acesso dos estudantes brasileiros aos cursos ofertados. Em seu site, o Inep informa que os convênios interinstitucionais não envolvem transferência de recursos e não preveem financiamento estudantil por parte do governo brasileiro. O órgão acrescenta que a revalidação de diplomas e o exercício profissional no Brasil dos estudantes que cursarem o ensino superior em Portugal estão sujeitos à legislação brasileira aplicável à matéria.

 


Escolas públicas: 11,6% dos alunos não concluem a alfabetização até o 3º ano (Correio do Estado – Brasil – 01/02/2018)

 

Dados do Censo Escolar 2017 mostraram que 11,6% dos alunos são reprovados ao fim do terceiro ano do ensino fundamental nas escolas da rede pública; período em que termina a fase básica de aprender a ler, a escrever e a fazer contas de Matemática. Para a ministra substituta da Educação, Maria Helena de Castro, a repetência mostra um “fracasso”.  A situação é “grave” também na conclusão do ensino fundamental, o fim da 9.ª série, quando 11,1% dos estudantes são reprovados, e na etapa escolar seguinte. Dos estudantes do ensino médio, 28,2% dos estudantes já passaram da idade ideal de completar os três anos dessa fase. Sem minimizar os problemas de capacitação de professores e de infraestrutura das escolas, Maria Helena de Castro reclamou que há uma “cultura” de reprovar estudantes, com impacto na vida escolar e na autoestima. “Os professores são influenciados pela cultura da reprovação”, avaliou. Ela disse que as taxas de reprovação na rede pública brasileira não ocorrem, por exemplo, nos países vizinhos da América do Sul ou na Ásia. “Ninguém apresenta taxas de reprovação tão preocupantes como a nossa”, disse. “Com a reprovação, o aluno se sente muito mal e fica com a autoestima péssima. É inútil reprovar e não mudar o que a escola vai ensinar. É um fracasso da escola.” Para Maria Inês Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Institucionais (Inep), a pasta “de maneira nenhuma” incentiva professores a aprovar alunos que não sabem ler e escrever, mas também reclamou dos altos índices de repetência. “Há uma crença de que a reprovação agrega conhecimento. A reprovação contamina a cultura escolar.” Carlos Moreno, diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, afirmou que a preocupação maior é a repetência do aluno do 3.º ano do ensino fundamental, que deveria estar na faixa de 8 anos de idade. “É um dado muito negativo, pois trata-se da etapa que finaliza o ciclo de alfabetização”, avaliou.

Queda de matrículas

O número de crianças e adolescentes nas escolas públicas e privadas brasileiras caiu nos últimos quatro anos. O Censo mostra uma queda global de 45 milhões para 43,7 milhões de matrículas na comparação com 2013. Na avaliação do MEC, os dados de acesso ao ensino acompanham a dinâmica demográfica. Mas o ministério comemorou os resultados da expansão, ainda tímida, do ensino integral, considerado uma prioridade pelo ministro Mendonça Filho. O levantamento registrou um aumento de 9,1% para 13,9% nas matrículas em escolas de tempo integral.

Deficiências

O Censo Escolar mostrou ainda deficiências dentro das salas de aula. Dos docentes da educação básica, 15% não têm curso superior. As deficiências aparecem também na estrutura física. O levantamento mostra que 61,1% das creches não têm banheiro adequado à educação infantil. No ensino fundamental, o estudo registrou escolas sem vasos sanitários (8,2%), salas de leitura e bibliotecas (45,7%) e laboratórios de ciências (88,5%). Há deficiências tanto na rede pública quanto na privada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.