03/04/2009 / Em: Clipping

 


O vestibular funciona, mas deve acabar. E isso é bom  (Revista Veja – Última Edição)

Ao contrário do que pensam alguns, os nossos vestibulares são impecáveis para a tarefa de selecionar os melhores candidatos. Como nos países de educação séria, buscam identificar os alunos que melhor dominam os conteúdos do ensino médio. Há sólida evidência de que barram os mais fracos e aprovam os mais sabidos, escolhendo assim os que terão mais probabilidade de sucesso nos cursos superiores. Sua administração é ágil, sem fraudes e mostra resultados rapidamente. Coisa de país sério. Várias nações do nível do Brasil não têm nada comparável. Ora, se são tão bons assim, por que o MEC anuncia sua iminente decapitação?  Em contraste com pretéritos acessos de burrice, desta vez o MEC está coberto de razão. Embora descubra e selecione os melhores, o vestibular atual é inconveniente para os candidatos. E, pior, massacra o ensino médio.  Para um aluno genial – e que sabe disso -, basta escolher seu curso favorito e fazer o vestibular correspondente. Mas os outros têm todo o interesse em fazer tantos vestibulares quanto logisticamente possível. A maioria não sabe nem onde nem em que vai passar. Portanto, suas opções aumentam se fizer muitos vestibulares. Contudo, essa operação é penosa e, sobretudo, cara. Há múltiplas taxas a pagar e mais os deslocamentos entre cidades. Sofre a equidade, pois muitos não têm recursos para isso.



Em SP, fórum vai debater mudanças nos vestibulares da USP, Unesp e Unicamp  (Globo.Com – G1 Vestibular – 02/04/09)

Foi proposta nesta quarta-feira (1º) em reunião do Conselho Estadual de Educação (CEE) a criação de um fórum para discutir os vestibulares das universidades estaduais paulistas. A ideia, sugerida pelo representante da Secretaria de Ensino Superior, Carlos Vogt, foi bem recebida pelos representantes das Universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e Estadual de Campinas (Unicamp) presentes à reunião.  O fórum reuniria representantes das universidades, das Secretarias da Educação e Ensino Superior e do Conselho de Reitores das Universidades Paulistas. “O objetivo é propor modificações que representem um passo objetivo para a necessária integração dos níveis educacionais do Estado”, disse Vogt. Representante da Secretaria da Educação, Maria Inês Fini sugeriu que o fórum discuta a unificação da primeira fase do vestibular das estaduais. “Essa discussão só tende a trazer benefícios. Para o ensino médio de São Paulo seria maravilhoso, 70% dos alunos fazem as três provas.” A proposta é semelhante à apresentada pelo Ministério da Educação de usar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para substituir o vestibular nas federais. A proposta não foi votada, mas as estaduais puderam justificar mudanças que serão feitas em seus exames. A diretora da Fundação Vunesp, Tânia Azevedo, e a pró-reitora de Graduação da USP, Selma Garrido, garantiram que o conteúdo do programa dos exames não será alterado.



A polêmica das cotas para negros   (Jornal da Tarde – Opinião – 03/04/09)

No mês passado, parlamentares do Senado passaram horas debatendo, em audiência pública, o projeto de lei que dispõe sobre cotas para negros e alunos oriundos de escolas públicas nas universidades. E, mais uma vez, a questão racial foi o centro da polêmica. Durante o debate, o que mais se ouviu foi o argumento de que as cotas para negros gerarão conflitos e que, se aprovada, a lei acabará criando uma divisão racial no País. Outro argumento recorrente foi o de que a lei vai voltar a criar a figura jurídica da raça que, supostamente, não existiria mais. Apesar de já conhecidos, os argumentos surpreendem. Não pelo teor, mas pela tentativa de tornar invisível o que é óbvio.