03/09/2012 / Em: Clipping

 


Unicamp divulga lista de beneficiados com desconto na taxa do vestibular  (EPTV – Virando Bixo – 31/08/12)

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) divulgou nesta sexta (31) o resultado dos pedidos de desconto de 50% na taxa de inscrição do Vestibular 2013, que custa R$ 135. Este benefício é concedido aos candidatos que atendam aos critérios estipulados pela lei estadual nº 12.782. Para efetivar a inscrição no vestibular, os beneficiados precisam preencher o Formulário de Inscrição específico, que está disponível no site www.comvest.unicamp.br, além de recolher a taxa de R$ 67,50 até o dia 14 de setembro. Este concurso oferece 3.444 vagas em 68 cursos da Unicamp e dois cursos da Famerp (Faculdade de Medicina e Enfermagem de São José do Rio Preto). As inscrições foram abertas no dia 20 de agosto e seguirão até 14 de setembro. A 1ª fase será realizada em 11 de novembro, e a 2ª, nos dias 13, 14 e 15 de janeiro. Esta edição mantém o formato dos últimos anos.



Universidades para todos  (Folha de S.Paulo – Editorial – 03/09/12

Circula hoje com esta edição um caderno especial com o pioneiro Ranking Universitário Folha (RUF). Foram oito meses de trabalho para levantar informações sobre pesquisa, qualidade do ensino -na opinião de cientistas e de executivos do mercado de trabalho- e capacidade de inovação em 191 universidades e 41 centros ou faculdades. Dados de centenas de publicações acadêmicas foram analisados. O Datafolha ouviu quase dois milhares de pesquisadores de alta produtividade e profissionais de recursos humanos. O resultado expressa de forma sistemática, em números, algo que já se intuía. No âmbito global, isto é, considerando tanto a dimensão da pesquisa como a do ensino, as melhores universidades são instituições públicas bem financiadas nos centros mais desenvolvidos. Elas ocupam as 30 primeiras posições, entremeadas por apenas três instituições privadas vinculadas a igrejas. Das dez universidades particulares mais bem colocadas, a última delas no 58º lugar no ranking geral, oito são confessionais -sete católicas e uma presbiteriana. Instituições de larga tradição, que não buscam lucro e estão em áreas de grande demanda por ensino. O quadro geral sofre alteração mais profunda quando se considera apenas a avaliação de cursos pelo mercado de trabalho. Despontam aí várias instituições privadas, confessionais ou laicas, em posições mais elevadas. Das 50 mais pontuadas, 22 são particulares, num claro indicativo de que é possível oferecer ensino adequado às necessidades de empregadores mesmo sem produzir boa pesquisa. A Constituição de 1988 consagrou o dogma de que são indissociáveis a pesquisa e o ensino nas universidades. Professores envolvidos com investigações científicas de alto nível têm, a princípio, mais condições de ofertar formação qualificada a estudantes. Mas isso não implica que universidades mais voltadas para o ensino não tenham um papel a desempenhar. Produzir pesquisa científica de qualidade internacional é algo muito caro, nem sempre rentável. Não por acaso, depende de pesado financiamento estatal, em quase todo o mundo. Seria útil para o país, portanto, admitir que prosperem diferentes tipos de universidades -as de pesquisa, voltadas à investigação de ponta e à formação de quadros que formarão quadros, e as de ensino, especializadas em diplomar bons profissionais de nível superior.

Federais e USP lideram o 1º ranking universitário  (Folha de S.Paulo – Especial – 03/09/12)

Este caderno traz o primeiro ranking de universidades brasileiras, uma iniciativa de avaliação sistemática do ensino superior no país. Ao longo de oito meses, a Folha levantou dados de publicações acadêmicas e, com o Datafolha, ouviu centenas de cientistas e profissionais de Recursos Humanos para compor o RUF (Ranking Universitário Folha). Nele estão representadas 191 universidades -que operam com pesquisa, ensino e extensão- mais 41 centros universitários ou faculdades, dedicados sobretudo ao ensino e onde há pouca pesquisa. A USP figura em primeiro lugar, seguida pelas federais de Minas (UFMG) e do Rio (UFRJ). Entre as instituições não universitárias destacou-se a ESPM, com a melhor formação em publicidade, único curso que a USP não lidera, considerando-se os 20 maiores do país. Até então, o Brasil dependia de classificações globais ou, no máximo, continentais, que citam poucas instituições brasileiras e desconsideram características nacionais. A metodologia geral do RUF foi criada pelo grupo liderado pelo cienciometrista (ciência que estuda a produção científica) da USP Rogério Meneghini, em conjunto com a Redação da Folha.

DESTAQUES
Dos quatro aspectos analisados na lista geral do RUF (pesquisa, ensino, reputação no mercado de trabalho e inovação), a USP apenas não é primeira colocada em termos de inovação, indicador que a Unicamp lidera. Outro resultado que chama a atenção é a boa avaliação das escolas privadas pelas empresas. Entre as 15 instituições mais citadas como melhores por profissionais responsáveis por contratação, seis são pagas. Os cientistas têm visão diferente: só citaram uma particular, a PUC-Rio, entre as melhores. Entre as dez primeiras universidades na lista geral, cinco estão no Sudeste; três no Sul, uma no Centro-Oeste e uma no Nordeste. A melhor universidade do Norte, a federal do Pará, aparece na 24ª colocação do ranking. Informações como essas são importantes para orientar políticas públicas, alunos, professores e empregadores, pois mostram as instituições de destaque no país e as que estão com defasagem. Países como EUA, China, Alemanha, Bulgária, Cazaquistão e Vietnã já fazem rankings nacionais. O Ministério da Educação brasileiro faz uma avaliação de instituições, chamada de IGC (Índice Geral de Cursos). A metodologia, porém, não prevê um ranking de instituições de ensino superior, apenas as classifica em grupos. O levantamento do governo considera a nota dos estudantes em uma prova (o Enade); a proporção de docentes com doutorado e as notas dos programas de pós-graduação. Não havia, até agora, um indicador que abrangesse a visão do mercado de trabalho e a produção científica das instituições.

Unicamp é a universidade brasileira que mais cria  (Folha de S.Paulo – Especial – 03/09/12)

Se é papel das universidades desenvolver produtos para o mercado, não há consenso. Mas, hoje, 5 dos 10 maiores patenteadores do país são instituições de ensino. Por isso, um dos indicadores do RUF são os pedidos de patentes ao Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Intelectual) na última década. Levantamento do órgão mostra que a Unicamp pediu a exclusividade de exploração comercial para 272 inovações de 2004 a 2008 (o pedido pode ser negado; a análise leva até oito anos). Só perdeu para a Petrobras. Na sequência da Unicamp, figuram entre os dez primeiros lugares a USP e as federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), além de duas fundações estaduais de amparo à pesquisa (veja na página ao lado). Isso acontece, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha, por dois motivos. De um lado, há uma movimentação das universidades para inovar mais, registrar mais patentes e fazer parcerias com o setor produtivo. Do outro, existe uma apatia do setor produtivo brasileiro, que, sozinho, desenvolve poucas novidades para o mercado consumidor. “Fazer patentes é importante para a universidade”, disse à Folha o reitor da Unicamp, Fernando Costa. “Mas as universidades não podem carregar sozinhas o peso de ser as grandes patenteadoras do país.” Para ele, o problema é que as empresas brasileiras ficaram muito tempo protegidas pela garantia do mercado consumidor interno, já que a importação era dificultada. Por isso, elas não precisavam inovar para competir. “Isso está mudando. Daqui a alguns anos, as empresas serão as grandes inovadoras do Brasil”, diz Costa. Isso não significa, porém, que a Unicamp quer perder o bonde. A ideia, diz o reitor, é ter cada vez mais pesquisas em parcerias com empresas. A universidade está até construindo um parque tecnológico para abrigar laboratórios de empresas que queiram fazer pesquisa em parceria com seus pesquisadores. As universidades do topo da lista no quesito inovação do RUF são aquelas que criaram recentemente escritórios, dentro do campus, voltados para o assunto. A pioneira nisso é a UFMG, cuja coordenadoria voltada para inovação já tem 15 anos. USP e Unicamp vieram depois, com suas agências de inovação criadas em 2003. Esses escritórios, inspirados em modelos que existem há décadas nas grandes universidades dos EUA, têm profissionais especializados em escrever pedidos de patentes e em introduzi-las no mercado por meio de licenciamento a empresas. No escritório da UFMG há cerca de 50 funcionários fazendo esse tipo de atividade. De acordo com o reitor da universidade, Clélio Campolina Diniz, eles são responsáveis pelo aumento no número de pedidos. Foram 75 no ano passado. Em 2001, eram 20.

VACINA E TÊNIS
Entre as patentes da UFMG comercializadas recentemente estão a de uma vacina contra leishmaniose e a de um tênis de alto rendimento. Na Unicamp, já foi licenciada até uma máquina para detectar combustível adulterado. Hoje, pesquisadores brasileiros são avaliados por órgãos como a Capes e o CNPq apenas por sua produção científica (como a quantidade de artigos publicados). O número de patentes por docente não entra na conta, mas isso já foi cogitado. “Universidades não devem ser avaliadas por patentes. É um erro. Quem tem de fazer inovação são as empresas”, diz o físico e professor emérito da Unicamp Rogério Cezar de Cerqueira Leite.