03/09/2013 / Em: Clipping

 


USP tem palestras gratuitas sobre os livros da Fuvest  (Revista Caros Amigos – Agenda Cultural – 02/09/13)

Começa na semana que vem (9/10), mais uma edição do ciclo de palestras sobre literatura e política voltada para alunos de cursinhos populares que prestam a Fuvest 2014. Quem irá ministrar as palestras sobre os livros serão os professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) especialistas nos livros exigidos. O ciclo começou a ser organizado por um grupo de estudantes em 2007, durante a greve e ocupação da reitoria da USP, com o objetivo de fomentar a discussão política entre os vestibulandos e ajudar a promoder a democratização do acesso à universidade. Os debates serão realizados por representantes dos movimentos sociais e intelectuais, como militantes do Movimento Passe Livre (MPL) e a socióloga Maria Victoria Benevides. O evento é aberto a todos e não é necessária inscrição prévia. As pelestras e os debates acontecerão no auditório da Escola de Aplicação, na Faculdade de Educação da USP, e na segunda semana de setembro e segunda semana de outubro.



A evasão no magistério público    (O Estado de S.Paulo – Opinião – 03/09/13)

A conjugação de baixos salários com condições precárias de trabalho e falta de perspectiva de ascensão na carreira está levando parcela expressiva do professorado paulista a abandonar o magistério público estadual. A cada dia, 8 docentes concursados desistem de lecionar nas escolas estaduais paulistas por falta de motivação. Entre 2008 e 2012, a média de exonerações foi de 3 mil por ano.  É um número muito alto, apesar de as autoridades educacionais afirmarem que ele representa apenas 1,63% do quadro de docentes efetivos do magistério paulista. A rede pública de ensino fundamental e médio do Estado de São Paulo tem 232 mil professores, dos quais 120,8 mil são concursados, 63 mil são contratados com estabilidade e 49 mil são temporários. Uma parte dos docentes que desistiram do magistério público no Estado de São Paulo, abrindo mão da estabilidade no serviço público, migrou para colégios particulares, cuja maioria assegura boas condições de trabalho, ou para as redes municipais de ensino que pagam salários mais altos. A outra parte simplesmente deu adeus às salas de aula, buscando emprego em outras áreas da administração pública ou no setor financeiro, em empresas e até em academias de ginástica.”A questão-chave da educação é o professor. Mas é preciso ter atratividade de carreira, boa formação, retenção e avaliação”, diz Romualdo Luiz Portella de Oliveira, titular do Departamento de Administração Escolar da Faculdade de Educação da USP.



Melhores médicos   (Folha de S.Paulo – Editorial – 03/09/13)

A poeira levantada pela guerra dos médicos com o governo Dilma Rousseff obscureceu outra questão que precisaria ser discutida: a qualidade do serviço de saúde pública no Brasil no longo prazo, e não só em 2014, o horizonte habitual da Esplanada dos Ministérios.  O conflito está em fase de impasse. Pelo governo, seguem acelerados os preparativos para atuar no front eleitoral, com o reforço de 4.000 profissionais cubanos. O Planalto se deu conta de que a falta de médicos tem grande ressonância eleitoral. Fixou-se nesse ponto e tirou da manga o programa Mais Médicos. Como quase tudo neste governo, um plano improvisado, sem visão estratégica. Entidades da classe médica, mal habituadas pelas restrições do mercado de trabalho, se aferram à noção de que não faltam profissionais. O problema, de sua ótica, está na distribuição. Ambos estão certos e errados. É evidente que faltam profissionais. Graduados em medicina encontram emprego sem dificuldade (a taxa de ocupação é de 97%). O salário médio está entre os mais altos do país, na faixa de R$ 8.500 para o período 2009-2012. Por outro lado, a proporção brasileira entre médicos e população está longe de ser ruim. Com 201 milhões de habitantes, temos 1,88 médicos por grupo de mil pessoas –taxa comparável à de países como Coreia do Sul (2,02) e Japão (2,14). Mas é claro que a carência de serviços de saúde em geral, e não apenas de médicos, é muito maior por aqui, como mostra uma série de reportagens desta Folha. Não é sequer preciso ir a verdadeiros rincões do país para notar as dificuldades. Sobral, por exemplo, a terceira maior cidade do Ceará, tem de pagar táxi aéreo para que os profissionais saiam de Fortaleza e atendam na região. A ineficiência e as distorções do sistema de saúde também são patentes. Há 4,29 empregos médicos por grupo de mil habitantes no Sudeste, mas apenas 1,86 por mil na região Norte. O desequilíbrio é similar na repartição de postos de trabalho entre o SUS (clientela de 144 milhões de pessoas) e o setor privado (47 milhões): respectivamente, 1,95/mil e 7,8/mil. O governo federal aposta suas fichas em multiplicar cursos de medicina. Está nos seus planos criar 11.477 vagas de graduação até 2017. Ora, a expansão das vagas, que já dera um salto de 68% de 2000 a 2011, ocorreu predominantemente em escolas privadas, onde a evasão é maior e quase nunca há hospital-escola com a estrutura adequada. Se prosseguir formando profissionais de cuja qualidade a própria classe médica duvida e empregando-os nos convênios de saúde particular, em detrimento do SUS, o país se verá num impasse similar ao da educação: um sistema público cada vez pior, do qual fogem todos aqueles que conseguem pagar por serviços privados. O Planalto pode até conseguir trazer mais médicos para o país. Ainda fica a dever, no entanto, um plano para garantir melhores médicos e mais saúde –para todos.