04/07/2013 / Em: Clipping

 


Pasquale Cipro Neto ‘Nunca’ ou ‘sempre’?   (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 04/-07/13)

Dia desses, trafegando por uma rua da zona oeste de São Paulo, vi algo que me chamou a atenção. No portão da garagem de uma casa, foi “desenhada” a placa de trânsito que indica a proibição de estacionamento. Como o leitor já deve ter suposto, trata-se do conhecido “E”, cortado por uma barra diagonal. Até aí, nenhuma novidade, em se tratando de um país como o nosso, em que muitas vezes o teoricamente desnecessário se torna lamentavelmente necessário ou até obrigatório. Refiro-me à desnecessidade de pintar no portão de uma garagem a placa de trânsito que estabelece o óbvio, que, obviamente, só é óbvio quando o povo é civilizado. Pois bem. Sob a “placa” pintada, havia uma palavrinha, um advérbio. Sabe que advérbio é esse, caro leitor? Lá vai: “NUNCA”, assim mesmo, em letras maiúsculas e grandinhas. Que lhe parece a combinação da placa que indica a proibição associada à palavra “nunca”? Vamos lá. Normalmente, esse sinal de trânsito, quando “verdadeiro”, é pintado em placas de metal afixadas em postes etc. Nessas placas, muitas vezes há também uma informação sobre o horário da proibição. Isso significa, por exemplo, que é proibido estacionar das 8h às 20h ou das 7h às 19h.  Já entendeu, caro leitor? Se sob a “placa” que indica a proibição se escreve a palavra “nunca”, indica-se que nunca é proibido estacionar ali… Pois é. No lugar de “nunca” deveria haver a palavra “sempre”, certo? O fato é que a raiva que se passa quando se encontra o carro de um/a pilantra na porta da garagem de casa é tanta que a vontade que se tem é dizer/escrever “Nunca estacione aqui” ou algo do gênero. Aí se metem os pés pelas mãos e se acaba trocando o sinal, ou seja, o positivo (“sempre”) pelo negativo (“nunca”).  Que fique claro, pois: em termos linguísticos (e lógicos), o que se vê no portão da tal garagem é incorreto, a menos que de fato se queira informar que ali se pode estacionar à vontade.  Esse fato me lembrou uma velha questão da Unicamp, baseada neste fragmento jornalístico: “Malcom Browne, também da Associated Press, deveria ter impedido que o monge budista em Saigon não se imolasse, sentado e ereto, impedindo o mundo de ver o protesto em cuja foto encontrou seu maior impacto?”.  A banca formulou estas questões: “a) Se tomado ao pé da letra, o que significa exatamente o trecho…deveria ter impedido que o monge (…) não se imolasse?’; b) Se não foi isso o que o autor quis dizer, que sentido pretendeu dar a esse trecho?”.  O caro leitor já percebeu onde está o nó do problema? Lá vai: o nó está na associação entre o verbo “impedir” e o “não” da passagem “que o monge budista não se imolasse”. Na verdade, o que o autor quis dizer se expressa com o mesmo texto que escreveu, com a simples eliminação do advérbio “não”. Teríamos o seguinte: “Malcom Browne (…) deveria ter impedido que o monge budista (…) se imolasse?”.  Compreendeu, caro leitor? Tomado ao pé da letra, o trecho informa exatamente o contrário do que pretendia o seu autor. Em suma, um monge se imolou, e Malcom Browne fotografou o seu autoflagelo. O que o autor do texto quer saber é se o fotógrafo deveria ter feito o que fez, ou seja, deveria ter fotografado a autotortura do monge e, com isso, ter exposto ao mundo o significado do gesto monástico, ou deveria ter tentado salvar a vida do monge, isto é, deveria ter impedido que ele se imolasse (e não “que ele não se imolasse”)?  Bem, tanto no caso do portão da garagem quanto no do texto jornalístico, o “erro” não impede que se compreenda a essência da mensagem, mas… Mas é claro que, quando/se possível, deve-se escrever aquilo que efetivamente se quer dizer. É isso.

 



Medicina é o curso mais vantajoso para futuros profissionais, diz Ipea   (Terra – Vestibular – 03/07/13)

Medicina é o curso superior que oferece mais vantagens profissionais, atualmente, segundo o estudo Radar: Perspectivas Profissionais – Níveis Técnico e Superior, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o levantamento, baseado em informações de 2009 a 2012 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), uma avaliação que considera salário, jornada de trabalho, facilidade de se conseguir um emprego e cobertura previdenciária faz que a carreira médica tenha as condições consideradas as mais interessantes a um futuro profissional. Atualmente, o curso é um dos mais cobiçados nos vestibulares, momento em que os jovens têm de decidir suas profissões. “A carreira de medicina foi a vencedora disparada, com um índice 30% maior do que a segunda colocada, odontologia. Medicina já era a líder do ranking na década passada”, informou o estudo, coordenado pelo presidente do Ipea e atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Marcelo Neri. O salário médio dos médicos ao longo da carreira, segundo o Ipea, é o mais alto: R$ 8,4 mil; seguido pelo dos empregados no setor militar e de segurança, R$ 7,6 mil; e dos profissionais em serviços de transporte (engenheiros de trânsito, especialistas em logística, pilotos de aviação, administradores de portos e aeroportos, por exemplo), R$ 6 mil. Não só a remuneração, no entanto, coloca a medicina em primeiro lugar no ranking de profissões do instituto. A facilidade de encontrar um emprego, expresso pela taxa de ocupação de 97% dos médicos formados, também a maior entre as carreiras e a cobertura previdenciária, de 93,3%, são fatores determinantes. Em relação à jornada de trabalho, os médicos não estão entre os cinco que trabalham mais horas por semana. Os profissionais que passam mais horas semanais dedicadas ao emprego, são os engenheiros mecânicos e especialistas em metalurgia, 42,8 horas. Outras carreiras que também têm jornadas mais extensas são as nos setores farmacêutico – 42,6 horas – e de engenharia, produção e processamento, 42,5 horas.