05/02/2018 / Em: Clipping

 

Lista de aprovados no Vestibular Unicamp 2018 sai no dia 8/2 (Seja Bixo – Notícias – 05/02/2017)

A matrícula não presencial para os convocados em primeira chamada no vestibular Unicamp 2018 será realizada exclusivamente no dia 9 de fevereiro

A Comvest vai divulgar a lista de convocados em primeira chamada no Vestibular Unicamp 2018, no próximo dia 8 de fevereiro. IMPORTANTE: a matrícula não presencial para os convocados em primeira chamada será realizada exclusivamente no dia 9 de fevereiro, em formulário específico disponível no site: https://www.comvest.unicamp.br/. Aqueles que não efetivarem este procedimento perdem, irrevogavelmente, o direito à vaga e não poderão ser convocados nas próximas listas. Os candidatos que realizarem a matrícula não presencial ainda terão mais um compromisso: fazer a matrícula presencial após a divulgação de seus nomes na segunda chamada (dia 15/2).

 


Resultado do Encceja do Ensino Médio será divulgado nesta segunda-feira (GauchaZH – Educação e Emprego – 05/02/2018)

Exame garante certificação de conclusão da etapa de ensino a jovens e adultos que não concluíram os estudos no tempo regular

A divulgação dos resultados do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja nacional), referente ao Ensino Médio, será feita a partir das 18h desta segunda-feira (5). Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) os candidatos devem acessar as notas na página do participante. A liberação dos resultados estava prevista para ocorrer em março, mas foi antecipada pelo governo federal. A divulgação das notas referentes ao Ensino Fundamental permanece marcada para março. O exame é direcionado aos jovens e adultos que não concluíram os estudos em idade própria e buscam a certificação de conclusão do Ensino Médio ou do Fundamental. Os candidatos que obtiveram a nota mínima exigida nas quatro áreas do conhecimento e na redação devem providenciar a certificação junto às secretarias estaduais de educação e nos institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Segundo o Inep, as instituições certificadoras deverão acessar o Portal do Inep e digitar o código impresso no Boletim do Participante para validar o documento. Os participantes que obtiveram a nota mínima apenas em algumas áreas de conhecimento também devem procurar a secretaria estadual ou instituto federal selecionado na inscrição e solicitar a declaração parcial de proficiência. Com essa declaração, eles ficam liberados de fazer as provas dessas áreas de conhecimento em futuras edições do Encceja.

 


Como Alex, catador de lixo, chegou à universidade depois de 20 anos sem estudar (DCM – Essencial – 04/02/2018)

 

Tem uma história que Alex Cardoso conta para exemplificar o papel que a reciclagem teve em sua vida, uma relação que, sendo filho de pais catadores, começa antes mesmo de nascer. Nessa história, ele tinha apenas dois meses. O pai, seu Alceu Cardoso, e a mãe, Tânia Maria, subiam a Av. Borges de Medeiros, no Centro de Porto Alegre, puxando o carrinho que levava o material coletado no dia. De repente, uma caixa de papelão se desprende e cai no chão. Tânia alerta ao marido, que responde. “Estamos com o carrinho cheio, deixa para lá, vamos embora”. Mas ela bate o pé e de teimosa vai atrás da caixa, afinal, cada uma delas é resultado de trabalho e faz falta, sim senhor. Foi a sorte de Alex. Como não podiam parar de trabalhar, Tânia e o seu Cardoso o levavam junto desde muito pequeno no carrinho, sempre dentro de uma das caixas. Naquele dia, dentro daquela que caiu, enrolado em um cobertor, ele dormia. Alex tinha 15 anos quando largou a escola em definitivo. Aos 16, teve a primeira filha. Com mais uma boca a alimentar, aí sim que não teria como voltar a estudar. Ficaria 20 anos longe dos bancos escolares. Mas aprendeu muito com a vida. O trabalho com a reciclagem o colocou no caminho dos movimentos sociais. Da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis do Loteamento Cavalhada (ASCAT), passando pela coordenação do Fórum de Catadores de Porto Alegre (FCPOA) e pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), o lixo levou Alex longe. Em 2016, participou com textos de sua autoria em dois livros,  “Crônicas da Resistência” e “A Luta Continua”, entregues em mãos à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula. O trabalho na militância social e pela reciclagem de resíduos fez com que fosse convidado para dar palestras em diversas universidades, inclusive fora do País. Chegou um momento que a faculdade da vida já não era mais suficiente para Alex. Cansara de ouvir que era inteligente, que não precisava estudar, enquanto sentia que faltava alguma coisa. Como poderia cobrar dos filhos assiduidade na escola se não fizera mais do que a 6ª série? Há quatro anos, reuniu forças e voltou as bancos escolares. “Precisava fazer isso, por mim, pelos meus filhos e pela companheirada”. Sem deixar o trabalho e o movimento social de lado — já integrava o MNCR, tendo uma agenda de organização do movimento pelo País –, se matriculou na escola Neusa Goulart Brizola, localizada no loteamento Cavalhada, a menos de 100 m de sua casa, na zona sul de Porto Alegre. O objetivo inicial era concluir o Fundamental pelo Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Concluiu o 6º, o 7º, o 8º e o 9º ano em 2015. No último dia 19 de janeiro, veio a notícia: Bixo Ciências Sociais. Um dos 26 aprovados na UFRGS que haviam cursado o Emancipa. “Vai ter catador doutor, sim senhor!”, diz Alex.

 


Araçatubense de escola pública passa em 1º lugar na USP (Folha da Região – Araçatuba – 04/02/2018)

Estudante foi aprovado para curso de engenharia química

O estudante Adalberto Gomes da Silva Júnior, de 17 anos, de Araçatuba, lembra que costumava sonhar sobre estudar em uma sala das principais instituições de ensino superior do País. Na última semana, ele deu um passo – largo – em direção à realização. Ao consultar os resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), descobriu que não só havia sido aprovado para o curso de engenharia química da USP (Universidade de São Paulo) de Lorena (a 706 km de Araçatuba), considerado um dos melhores da área como ficou em 1º lugar da seleção na categoria voltada para candidatos que concluíram o ensino médio em escolas públicas até 2017. A média dele foi 772,68 e a nota de corte, 730,13. “Eu fantasiava sobre entrar na USP, mas primeiro lugar nunca passou pela minha cabeça. Quando eu vi, foi um misto de surpresa e choque, principalmente para quem sempre estudou em escolas públicas do Interior e, de repente, está na maior do País”, afirma. O estudante também está nas listas de aprovados da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara (a 293 km de Araçatuba) e da USP pela Fuvest, divulgadas na sexta-feira (2). Lorena continua a ser a prioridade.

 


3 fatos sobre as cotas que vão além da entrada na universidade (Capricho – Vida Real – 04/02/2018)

Você sabia que os benefícios das cotas não estão apenas nas salas de aulas?

Na última semana, saiu o tão esperado resultado do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Por conta da Lei de Cotas para o Ensino Superior nº 12.711, criada em 2012, 50% do total de vagas foram reservadas aos alunos que fizeram o ensino médio na rede pública. Dentro das vagas exclusivas para cotistas, metade fica com os estudantes que declaram situação de baixa renda (1,5 salário mínimo por pessoa). E a outra metade é destinada aos candidatos que se declaram como indígenas, pretos e pardos. Assim como em outros setores da sociedade, as universidades não são espaços acessíveis para pessoas de classes baixas e de grupos raciais oprimidos. Por isso, as cotas são medidas superimportantes para diminuir a desigualdade que está enraizada em nossa sociedade desde a colonização do Brasil. Tempo pra caramba! Mas se você pensa que os benefícios das cotas acabam quando um afrodescendente, um indígena ou uma pessoa com baixa renda entra em uma universidade, engana-se, viu? Essa medida afirmativa rende muito mais do que isso. Quer ver? Então, dá uma olhada nesses três fatos que separamos.

  1. Família

Entrar em uma faculdade é motivo de orgulho para qualquer um, né? Mas para os candidatos que podem receber as cotas o orgulho é ainda maior. Na maioria dos casos, eles são os primeiros ou um dos poucos da família a entrarem no ensino superior, principalmente no público. O ingresso serve como incentivo para outros parentes, que ainda não tiveram a mesma oportunidade. Ela altera destinos!

  1. Mercado de trabalho

A formação superior ainda abre muitas portas para o mercado de trabalho. Por isso, a entrada na faculdade pode aumentar as opções de emprego para esse grupo em situação desigual, que, normalmente, só consegue trabalhos pouco valorizados. Ela muda realidades!

  1. Confiança

Sabe aquela sensação de descobrir o mundo quando você começa a ler? Então, a universidade pode ter esse mesmo poder, principalmente na vida de quem foi privado de muita coisa, seja pela etnia ou pela classe econômica. O aprendizado pode funcionar como um combustível para encarar o mundo com mais confiança. Ela eleva a autoestima!

Ah! Entrar na faculdade não torna ninguém melhor do que o outro. Mas a decisão de fazer ou não um curso superior deve ser uma escolha da pessoa. Afinal, etnia e classe social não devem ser uma barreira na sua decisão.

 


Ensino médio agoniza à espera da reforma (O Globo – Opinião – 03/02/2018)

Censo Escolar do ano passado dá a dimensão dos problemas ao identificar a existência de 2 milhões de jovens que estão fora das salas de aula

Arenitente crise do ensino médio se consolida como um dos aspectos mais graves das dificuldades na educação brasileira, demonstra o Censo Escolar de 2017. A situação é séria, porque se trata de jovens malformados que, se conseguirem passar para uma faculdade — certamente privada —, terão grandes dificuldades para se qualificar, e, caso entrem no mercado de trabalho como mão de obra de formação média, encontrarão enormes obstáculos na adaptação a sistemas tecnológicos de produção mais sofisticados. O atoleiro em que se encontra o ensino básico como um todo — com preocupantes reflexos no ensino superior — começou a ser identificado com alguma precisão assim que, a partir dos governos FH, com sequência nas administrações de Lula e Dilma, foram criados testes e indicadores para servirem de painel de controle da Educação. Nos governo tucanos, atingiu-se a meta da universalização nas matriculas no ciclo fundamental, e, a partir deste ponto, tornou-se evidente que a grande batalha era, e é, a da melhoria da baixa qualidade do ensino. Não tem sido fácil. Há avanços no fundamental, porém o ensino médio não deslancha. O Censo, por exemplo, identifica uma queda de 8,1 milhões de matrículas, em 2016, para 7,9 milhões no ano passado. Há o fator positivo da redução nas reprovações, porém, existe também desinteresse de jovens na faixa dos 15 a 17 anos em continuar ou estar na escola. Comparado com dados populacionais do IBGE, o Censo Escolar do ano passado indica haver 2 milhões de jovens sem estudar. Parte deles, “nem-nem” — nem estuda, nem trabalha. Calcula-se uma evasão de 11,2%, índice elevado. Quanto à qualidade do ensino propriamente dito, ela pode ser mensurada pelo exame internacional Pisa, aplicado entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que o Brasil costuma aparecer nos últimos lugares. Um ensino médio travado tem implicações graves para o país, que assim vai perdendo o “bônus demográfico” — a parcela da população de jovens em idade de trabalho, que, se for bem qualificada, torna-se fator essencial para o país subir de estágio de desenvolvimento. Toda nação rica passou por esse processo. O Brasil não tem conseguido se aproveitar, como poderia, deste “bônus”, que se esgota com o tempo, à medida que a população envelhece. As esperanças estão na reforma do ensino médio, aprovada no ano passado pelo Congresso, com a criação de áreas de interesse à disposição dos estudantes, inclusive o ensino profissional. Deve reduzir a evasão, algo importante. Mas ela depende da conclusão da Base Nacional Curricular do Ensino Médio, ainda não divulgada. Há, portanto, a necessidade de coordenação entre essas ações, para um enfrentamento amplo desta crise. E o tempo passa.

 


Grupos denunciam fraudes de cotistas do Sisu que se autodeclaram negros e pedem comissão da USP (G1 – São Paulo – 03/02/2018)

Universidade disse que nunca houve denúncias do tipo e que não avalia criação de uma comissão.

Coletivos negros reivindicam da Universidade de São Paulo (USP) a criação de uma comissão que acompanhe a matrícula de quem se autodeclara negro e se beneficia das cotas raciais do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) a fim de evitar fraudes. Um abaixo-assinado cobrando uma comissão foi criado. A estudante Amanda Cordeiro contou ao G1 nesta sexta-feira (2) que concorreu a uma das três vagas de políticas afirmativas disponibilizadas em um curso da USP no último ano. Ela acabou em quarto lugar, não conseguiu a vaga e, por curiosidade, procurou os três aprovados nas redes sociais. “Pelo perfil percebi que um dos aprovados não era compatível nem com a cota racial, nem com aquela destinada a alunos de escolas públicas. Denunciei para a reitoria, mas nada aconteceu”, disse. A jovem disse ter visto denúncias similares em páginas e grupos do Facebook neste ano e teve a iniciativa de criar um abaixo-assinado online pela criação de uma comissão para avaliar o ingresso de cotistas na universidade. O documento tinha mais de 500 assinaturas até a tarde desta sexta. Por meio do Sisu, as instituições públicas de educação superior oferecem vagas a candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todas essas instituições têm vagas reservadas para estudantes que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas, de acordo com a Lei de Cotas, e há ainda as instituições que destinam uma parte das vagas para políticas afirmativas próprias, como a USP. Este é o primeiro ano em que a USP aderiu ao sistema integralmente – todos os cursos precisam ter pelo menos 37% de calouros oriundos de escola pública, sendo um terço deles pretos, pardos ou indígenas. Segundo Amanda, um coletivo reuniu cerca de 30 denúncias de fraudes das cotas da USP no Sisu. A estudante da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Livia Menezes dos Santos soube de um dos casos suspeitos de fraude e resolveu fazer uma denúncia formal ao Ministério Público Federal (MPF). “Resolvi fazer a denúncia depois que vi que um dos aprovados na faculdade de Direito é branco e exibia fotos nos EUA e na Europa nas redes sociais”, explica. O Núcleo de Consciência Negra na USP também recebeu denúncias e reivindica que a universidade crie uma comissão. “Não foi um fato isolado. Recebemos diversas denúncias e estamos avaliando uma forma de conquistar essa comissão, que na verdade deveria ser uma discussão da universidade”, diz Tatiane Lima, engenheira formada pela Poli-USP e coordenadora do núcleo. Para ela, a comissão poderia ser formada por professores da instituição e representantes do movimento negro, baseado-se essencialmente no fenótipo. “No Brasil, o racismo se dá dessa forma, pelo fenótipo, pela cor da pele. Afrodescendente aqui é sinônimo de negro”, argumenta. “Não é brincadeira. Quando a pessoa adere ao programa, ela assina um termo em que se autodeclara negra no ato da matrícula. Esse documento se torna legal e se é uma informação falsa, o aluno pode ser enquadrado no artigo 299 do Código Penal, que trata da falsidade ideológica”, completa Tatiane Lima. Em nota, a USP informou que não avalia a criação de uma comissão, pois “nunca houve denúncias do tipo” e acrescentou que os candidatos aprovados assinam uma autodeclaração; depois disso a instituição não faz um controle sobre a veracidade das informação. Caso alguém tenha uma denúncia, deve registrar um boletim de ocorrência para que a universidade tome as medidas cabíveis. Em nota, o MEC informa que a instituição, detentora da vaga, tem autonomia para aplicar a lei e cancelar a matrícula do estudante que prestar informações falsas. “Ao MEC, cabe o acompanhamento do cumprimento do quantitativo da reserva de vagas” e “Todas as universidades federais participantes do Sisu têm cumprido regularmente a reserva de vagas definida pela lei.

 

Aos 35 anos, professor de cursinho volta a ser aluno e passa em medicina na USP e na Unifesp (G1 – Educação – 03/02/2018)

Formado em química e professor de cursinho desde 2003, ele passou o ano de 2017 também como aluno em busca de uma segunda graduação e uma nova carreira.

Alexandre Hamada é um dos nomes que apareceram na lista de aprovados na primeira chamada da Fuvest nesta sexta-feira (2), o que pode ter surpreendido alguns concorrentes. O vestibular que seleciona para vagas de graduação na Universidade de São Paulo (USP) talvez seja a primeira opção de dezenas de alunos de Alexandre, que, aos 35 anos, e depois de 13 anos dando aulas em cursinho, decidiu mudar de carreira: durante o ano de 2017, ele alternou a posição em frente à lousa nas aulas de químicas que dá no Anglo Vestibulares desde 2007, em São Paulo, pelas carteiras nas salas de aula de seus colegas de outras disciplinas. “Fiz cursinho no próprio Anglo”, contou ele ao G1. “Assistia às aulas de manhã, estudava à tarde e à noite. De vez em quando eu não assistia à aula para dar as minhas aulas.” As aulas que Hamada assistiu no cursinho eram de outra turma, por isso ele diz que só encontrava seus próprios alunos durante os simulados. “Mas eu assistia às aulas dos meus colegas professores”, conta ele, que diz ter seguido os conselhos dos colegas sobre como se preparar para o vestibular. Além da aprovação na USP, ele também passou em medicina pelo vestibular misto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como primeira fase. Ele também atribui sua aprovação na primeira tentativa à maturidade e à segurança de já ter uma carreira consolidada. “Por já ter feito uma faculdade antes, e já estar acostumado a estudar em uma rotina mais puxada do que normalmente é o colégio, esse tipo de coisa acabou sendo mais fácil”, explicou Hamada. “E já tenho uma carreira, então lido melhor com a pressão na hora de fazer a prova. Se eu não passasse nesse ano, eu não ia ficar com peso na consciência. Isso ajuda bastante.”

Segunda graduação

Medicina vai ser a segunda graduação do professor, que foi aprovado para o vestibular na carreira de química há mais de 15 anos, quando concluiu o colégio. Mesmo antes de concluir a faculdade, porém, ele já começou a trabalhar dando aulas em cursinho, carreira que seguiu até agora, e que pretende manter nos próximos anos, ao mesmo tempo em que fará sua formação em tempo integral como médico. “Vou ter que dar um jeito de conciliar o trabalho com a faculdade. Vão ser seis anos bastante cansativos, mas acho que vai dar para levar”, afirmou Hamada, que prevê, pelo menos, uma certa facilidade nas disciplinas de química da nova graduação. Segundo ele, a vontade de mudar apareceu em 2016, e a medicina foi escolhida, em parte, por ser uma carreira acolhedora para pessoas mais velhas. “Não sei se dá pra falar isso pra todas as áreas, mas a impressão que tenho da medicina é que a maturidade vai fazer muita diferença na faculdade e depois para trabalhar. Acho que é um curso que abraça bem pessoas mais velhas.”

Perspectiva confirmada

A experiência como aluno de cursinho, depois de tantos anos na função de professor, não mudou sua visão do processo de ensino e aprendizagem, mas Hamada explica que uma convicção se confirmou durante o ano de 2017: o conteúdo esperados pelos vestibulares exigem uma extensa preparação dos estudantes. “Ficou bem claro pra mim que o conteúdo programático do ensino médio como um todo é extenso demais. Eu já tinha a impressão de ser, e agora ficou bem claro. Os assuntos não são muito aprofundados, não são difíceis em si, mas o volume de coisas para estudar é muito grande.”

 

Ex-aluno de escola pública é aprovado em medicina na USP: ‘Descobri só no cursinho o que deveria ter aprendido antes’ (G1 – Educação – 03/02/2018)

Giorggio Belloti também foi aprovado na UFPR e na Unifesp.

Giorggio Belloti, de 19 anos, foi aprovado na Fuvest para estudar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Ex-aluno de escola estadual, ele conta que só conseguiu superar a defasagem do ensino médio após dois anos de cursinho. Por isso, na inscrição do vestibular, fez a opção de ganhar um bônus nas notas da primeira fase e da classificação final da carreira. “Estudar na USP era o que eu mais queria, mas foi muito difícil. Em 2016, quando comecei a me preparar para o vestibular, toda aquela matéria que os professores ensinavam parecia de outro mundo. Eu não tinha tido nada parecido na escola”, relata.

Ele sempre teve facilidade na área de exatas e de biológicas, mas filosofia, sociologia e história eram seus principais desafios. “Fiquei muito tempo sem aula, porque não tinha quem ensinasse para a gente no colégio. A sorte é que consegui uma porcentagem de bolsa de estudos no cursinho”, diz.

Apoio da família

O jovem também foi aprovado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele atribui seu sucesso às pessoas que estavam ao seu redor – principalmente à sua mãe, que presenciou todas as madrugadas de estudo. “Eu já estava muito cansado. Saía de Barueri todos os dias e ficava 1h30 em pé no trem e no metrô para chegar a São Paulo. Ela me deu muita força para não desistir”, diz. A escolha pela medicina também teve influência da mãe, que é enfermeira. “Eu sempre curti a área de pesquisa, de ciência, desde muito novo. Ela me contava as histórias do trabalho e eu ia pegando cada vez mais gosto”, conta. “Agora, minha família só chora na comemoração. Eu ainda nem acredito que isso tudo esteja acontecendo.”

 


Estudante da rede pública fisga vaga na medicina da USP (A Cidade ON – Educação – 02/02/2018)

Aos 20 anos, Luana Juliano Ribeiro ainda foi aprovada na Unesp e na USP Bauru

O dia foi de completa alegria e sentimento de dever cumprido para Luana Juliano Ribeiro, de 20 anos. A emoção tomou conta da estudante ao ver seu nome na lista de aprovados da Fuvest. E não é para menos, a estudante que cursou o ensino fundamental e médio em escola pública fisgou nada menos que uma vaga no curso de medicina da USP de Ribeirão Preto, um dos mais disputados do País. “Não consigo explicar o que senti na hora. Só sei que foi um misto de sensações por conseguir essa classificação, depois de ter batido na trave em 2016. Sempre estudei em escolas estaduais e , para mim, é muita emoção em um só dia”, exclama. A futura médica provou, ainda, que dedicação é a chave para o sucesso. Na última segunda-feira (29), ela conquistou a primeira aprovação, na USP de Bauru – por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificado) – e já se sentia vitoriosa. Mas, não para por aí. Apenas hoje, Luana viu seu nome nas listas de mais duas das maiores universidades do País: além da escolhida, ela foi aprovada na Unesp de Botucatu. Moradora de Franca, ela esperava pelo momento em que optaria pelo campus de Ribeirão Preto desde o ensino médio, quando era aluna da rede técnica estadual “Até pensei em outras carreiras, mas decidi há muito tempo que esta seria a minha profissão. Tracei metas e me dediquei para isso”, ressalta. E, com esforço, conseguiu!

Rotina de estudos 

Ao ACidade ON, Luana diz que a rotina até aqui foi exaustiva. Há dois anos, conquistou uma bolsa parcial de estudos em um cursinho particular e, pela primeira vez, passou a pagar para estudar. Às 5h, a primeira bateria de revisões era iniciada, antes mesmo da aula, que ocupava todo o período da manhã. Eram horas concentrada até o único momento de distração: a estudante trabalhava três dias por semana como operadora de caixa no minimercado da família. Às vezes aos sábados também.  “Eu até levava minhas apostilas para o serviço, mas precisava ajudar meus pais no caixa. Na verdade, acredito que este intervalo até me ajudava: era o único momento do dia em que eu não era uma vestibulanda e conversava com outras pessoas e tinha outros assuntos assuntos”, explica. À noite, a segunda etapa de revisões finalizava a longa programação de Luana. Mas, de acordo com ela, valeu a pena. “Esta foi a terceira vez que prestei os vestibulares. A gente vai caminhando e, aos poucos, chegando mais perto dos nossos objetivos. O meu era a USP e agora tornou-se real. Agora, pretendo entrar na faculdade com o coração aberto, mas ainda apaixonada pela área de obstetrícia e ginecologia”, finaliza a estudante.

 


‘O professor pagava meu almoço’: a jovem de periferia aprovada em um dos vestibulares mais difíceis do país (BBC – Brasil – 02/02/2018)

A estudante Bárbara da Costa viajou para o Rio para fazer a matrícula com passagem comprada com as milhas de um professor

Bárbara da Costa Araujo matou a curiosidade de conhecer a sala de embarque do aeroporto de Fortaleza há poucas semanas. Apesar de morar há anos em um dos bairros no entorno do aeroporto, até então a experiência dela com o terminal se resumia ao barulho dos pousos e decolagens. Com passagem só de ida – comprada com as milhas de seu professor de matemática -, a jovem de 19 anos tinha como destino o Rio de Janeiro, onde faria sua matrícula no Instituto Militar de Engenharia (IME).  É dela uma das 98 vagas disputadas em um dos vestibulares mais exigentes do país, em uma maratona de provas com ênfase nas matérias de exatas, feita por quase 6,3 mil alunos de todo o país. “As provas discursivas de matemática e física são as mais difíceis do país, mais do que as do ITA”, diz Francisco Antônio Martins de Paiva, o professor Max, que acompanhou a jovem e que há 20 anos dá aulas em turmas preparatórias para as provas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do IME. “A gente brinca que, se um professor conseguir acertar metade das questões, a escola pode contratar (para dar aula nas turmas regulares) de olho fechado”, completa. O perfil de Bárbara destoa da grande maioria dos aprovados no instituto – e nos cursos mais disputados das demais instituições de ensino superior do país -, egressos de escolas particulares e de classe média e alta. Ela é a primeira pessoa da família a entrar na faculdade. A avó e a mãe, com quem morava em uma casa simples, trabalharam praticamente a vida inteira fazendo faxinas. Ela estudou até a 8ª série em uma escola estadual do bairro perifério da Vila União, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,467, equivale a pouco mais da metade do registrado em Fortaleza, 0,732, de acordo com dados de 2014 compilados pela prefeitura. O indicador é construído a partir de dados de renda, saúde e educação de cada região; quanto mais próximo de 1, mais desenvolvida ela é. No fim do ensino fundamental, em 2012, Barbara disputou com outros 400 jovens de bairros carentes uma das 20 bolsas custeadas por uma ONG de educação. Se fosse selecionada, poderia cursar o ensino médio em uma escola particular. Vencidas as nove etapas do processo, Bárbara foi matriculada no ano seguinte. De ônibus, o trajeto até a nova sala de aula, no centro de Fortaleza, era de mais ou menos uma hora. Tempo que ela considera razoável, já que o namorado – também bolsista do mesmo programa – acordava às 4 da manhã para ir de Caucaia, cidade-satélite da capital, a Fortaleza. O nível da turma era alto, ela lembra, mas os anos de estudos para Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) – sempre por conta própria, já que a mãe sempre a deixara “muito solta” – ajudaram no primeiro ano. Com bom desempenho, ela conseguiu uma vaga nas turmas especiais preparatórias para os vestibulares do IME, que têm mais aulas de matemática, física e química. “Foi um baque, tirei o primeiro 4 da minha vida, em física. Foi horrível”, ela conta. Bárbara abriu mão das olimpíadas de matemática para se concentrar no pré-vestibular e as notas melhoraram. Na primeira tentativa, ela foi aprovada em engenharia na Universidade Federal do Ceará (UFC), mas queria mais.

Bárbara quer fazer mecânica de automóveis e sonha em trabalhar na Fórmula 1

O problema é que a bolsa financiada pela ONG só se estendia até o terceiro ano do ensino médio. A escola topou custear o curso extensivo. No primeiro ano, contudo, o mal de Parkinson que acometia o avô piorou. A mãe parou de trabalhar para cuidar dele. O orçamento da família, que já era apertado, ficou ainda mais restrito. Um dos remédios de uso contínuo custava R$ 35 por semana. “Isso era muito pra gente”. O avô faleceu e, depois daquele ano difícil, Bárbara não fez boas provas. A pressão para que a jovem começasse a trabalhar aumentou – a aposentadoria do avô era parte importante da renda doméstica – e, no segundo ano de cursinho, a escola ofereceu a Bárbara uma vaga no alojamento que mantém para hospedar alunos carentes vindos do interior do Ceará e de outras partes do país com potencial de aprovação. “Isso ajudou a me afastar um pouco dos problemas”. Um dos professores pagou seu almoço durante todo o ano letivo e outro contribuía com algumas despesas esporádicas com as quais ela não conseguia arcar. O professor Max foi buscar Bárbara no dia da mudança – para surpresa dele, restrita a uma mochila e um saco de supermercado. “A casa era um espaço entre dois imóveis, um vão de dois ou três metros, que a família cobriu e colocou uma porta improvisada. Sem estrutura nenhuma”, ele lembra.

‘Aos 21 anos, eu não sabia somar frações’

A realidade não era tão diferente da história do próprio professor. Max nasceu em Canindé, no interior do Ceará, e cresceu numa vila em que os moradores dividiam todos o mesmo banheiro. “Em casa não tinha uma mesa, eu estudava na rede”, conta. Em 1992 prestou o primeiro vestibular para História e, no início do curso, descobriu que era apaixonado por matemática. “Aos 21 anos, eu não sabia somar frações. Comecei a estudar sozinho, o que me abriu a possibilidade para que começasse a dar aulas particulares para ganhar algum dinheiro”. Fórmulas de

‘Em casa não tinha uma mesa, eu estudava na rede’, diz o professor de matemática

Ele mudou de curso, virou professor em uma escola pública e, pouco tempo depois, foi convidado por uma escola particular – para dar aulas de ciências. No esforço para adquirir conhecimento por conta própria, resolvia dezenas de provas. Foi assim que descobriu os testes do ITA, entre os mais difíceis do país. “A primeira vez que peguei uma prova, não sabia resolver uma questão. Pensei na hora: ‘opa, é isso aqui mesmo que eu quero'”. O que começou como desafio virou vocação. Há 20 anos ele é titular das turmas especiais do pré-vestibular. “Também tive gente que acreditou em mim”.

Desigualdade de oportunidades

Histórias como a do professor Max e a de Bárbara são exceções. “Muito do futuro de quem nasce no Brasil está determinado por suas condições socioeconômicas quando nasce”, diz o pesquisador do Insper Naercio Menezes Filho, estudioso dos temas de educação, mercado de trabalho e desigualdade. “A diferença entre o sistema público de educação e as escolas privadas, entre outras razões, alimenta uma desigualdade de oportunidades que é enorme no país”, acrescenta. Para se ter uma ideia, ele exemplifica, filhos de pais analfabetos têm 3% de chance de concluir o ensino superior – percentual que cresce para 70% quando os os pais passaram pela universidade. A escolaridade, por sua vez, é determinante para definir o nível de renda e até onde o salário de cada um pode chegar. No Brasil, a remuneração média de quem tem ensino médio completo é de R$ 1 mil, valor que salta para R$ 4,6 mil para quem conseguiu concluir uma faculdade.

Engenheira da Fórmula 1

Bárbara sabe que é uma dessas exceções estatísticas, mas isso não a impede de sonhar alto. “Eu não gosto que me coloquem limite”, ela disse, inicialmente se referindo ao fato de que muita gente da família e do bairro torceu o nariz quando ela disse que queria ser engenheira. Apaixonada por carros, quer trabalhar na Fórmula 1. Ao longo da infância e da adolescência ela sempre se imaginou nos boxes que via nas transmissões das corridas pela televisão, trabalhando nos carros que passam pelo pit stop. “Eu sei, é sonhar alto, mas me deixem sonhar!”, ela diz, rindo. Com o olho grudado na tela, nos ziguezagues que parecem intermináveis para quem não gosta do esporte, ela ouvia da mãe e da avó: “Barbara, aprende a fazer as coisas de casa, aprende, porque em algum momento você vai casar e nao vai saber fazer nada”. Insistiam para que ela escolhesse uma carreira “mais feminina”, que fosse pediatra ou professora. “Eu acho que, quanto mais baixa é a classe social, maior é o machismo”, comenta. O resultado da aprovação saiu no dia 6 de dezembro. Depois de comemorar, a ficha caiu. “Pronto, passei. Agora não tenho dinheiro pra um exame (médico), pra uma passagem”, conta, com bom humor. O professor Max juntou suas milhas e comprou-lhe o tíquete para o Rio de Janeiro. O diretor da escola descobriu e resolveu pagar os exames médicos exigidos pelo instituto. “Eu tive muitas oportunidades e gente que acreditou em mim. Muita gente não teve as mesmas oportunidades que eu, sei disso”. Aos amigos, por isso, ela aconselha que agarrem as chances sempre que elas aparecerem. A jovem optou pelo IME, onde está matriculada como oficial da ativa, por conta do salário que a universidade paga aos alunos durante os 5 anos de curso – além, claro, da possibilidade de cursar mecânica de automóveis. Ela mora em um alojamento dentro do instituto, localizado na Praia Vermelha, no bairro da Urca. Bárbara quer mandar parte da renda mensal para a mãe e a avó, guardar um pouquinho para comprar uma passagem “de volta” para Fortaleza – para visitar a família e o namorado, aprovado em engenharia em uma faculdade pública do Ceará – e economizar para comprar, no futuro, uma casa melhor para a avó – o que, para ela, é “o maior sonho”.

 


#Enem: saiba como usar sua nota e se prepare para não perder as datas (Secretaria Educação SP – Notícias – 02/02/2018)

Nota do exame pode ser usada na seleção para universidades estaduais e federais, de acordo com os critérios de cada programa

Uma das principais portas de entrada para o ensino superior – público ou particular, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi realizado por alunos da rede estadual paulista matriculados na 3ª série do Ensino Médio, em novembro do ano passado. Com a nota, os candidatos têm a oportunidade de ingressar na universidade particular com bolsas de estudos e também em renomadas universidades públicas. Veja quais programas utilizam a pontuação para o ingresso em universidades:

Prouni: o Programa Universidade para Todos oferece bolsas de estudo parciais e integrais em instituições privadas de ensino e seleciona candidatos de acordo com o desempenho no exame, desde que o candidato alcance a nota mínima de 450 pontos na média da prova. O processo seletivo estará aberto de 6 a 9 de fevereiro.

FIES: o fundo de financiamento estudantil oferece financiamento total e parcial em instituições particulares e também utiliza a nota do exame como um dos critérios de seleção.  Para participar, os candidatos devem ter obtido pelo menos 450 pontos na média do Enem e não zeraram a redação. O processo de seleção estará aberto entre 9 e 23 de fevereiro.

Sisu: principal ferramenta de seleção nas universidades federais, o Sisu encerrou as inscrições em 26 de janeiro. Os candidatos que foram selecionados devem verificar, junto à instituição em que foram aprovados, as informações de local, horário e os documentos necessários para efetivar a matrícula até 7 de fevereiro.