05/11/2008 / Em: Clipping

 


Entrevista
Maria Paula dallari Bucci

Só ficará faculdade que tiver qualidade, diz nova secretária
Afirmação é de nova secretária de Educação Superior do MEC, que assume hoje

Maria Paula, que é advogada, exigirá cumprimento de lei que obriga que um terço dos professores atue em regime integral nas universidades

ANGELA PINHO
LARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A nova secretária de Educação Superior do MEC (Ministério da Educação), Maria Paula Dallari Bucci, 45, cobrará que as universidades tenham um terço dos professores em tempo integral. Quem não cumprir a exigência, o que já deveria ter ocorrido há quatro anos, poderá ser até descredenciado. O presidente da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior), Gabriel Rodrigues, disse ontem que as instituições particulares têm procurado seguir a lei, embora o custo seja alto. Professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), Maria Paula afirma que a fiscalização que resultou no corte de 25 mil vagas de direito será estendida a todas as áreas avaliadas pelo MEC. “Só vai ficar quem tiver qualidade.” Formada em direito pela USP, foi procuradora-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e chefe da consultoria jurídica do MEC. Ela substitui Ronaldo Mota a partir de hoje.

FOLHA – Quais as suas prioridades?
MARIA PAULA DALLARI BUCCI
– Vamos acompanhar o Reuni [programa de expansão das universidades federais] para que ele cumpra tanto o papel de democratização do acesso como o de aproximar a educação básica da superior. Queremos aumentar os recursos dos hospitais universitários. Outra área importante é a do ProUni [programa de bolsas] e Fies [financiamento estudantil]. A última área é a regulação -a avaliação tem que estar no centro do processo. Isso já ocorreu com direito, medicina e pedagogia.

FOLHA – Só 43% das universidades privadas cumpriram a exigência legal de ter um terço dos docentes em regime integral. O que acontecerá?
MARIA PAULA – As instituições serão chamadas a informar se os dados [de apenas 43% adequadas] estão corretos. Se estiverem, em um prazo bem curto terão de se adequar. A exigência está na lei há muito tempo. Ao final do prazo, não havendo adequação, serão impostas sanções, que podem chegar ao descredenciamento.

FOLHA – O ministro Fernando Haddad disse que vai haver mudanças no curso de jornalismo. Quais?
MARIA PAULA – Vamos examinar se a formação está em sintonia com o que se faz no resto do mundo, se é atual. O Brasil vai passar pela discussão de revisão de currículos em várias matérias. O jornalismo é uma.

FOLHA – A medicina terá redução de vagas?
MARIA PAULA
– Em medicina, o problema é mais localizado na questão da infra-estrutura: curso sem hospital e sem prática é, por definição, um curso com problema.

FOLHA – Avaliação do MEC mostrou que 96% das instituições com baixas notas são privadas. Por quê?
MARIA PAULA
– Há cursos privados de excelência e há cursos públicos com problemas. Em medicina, 4 dos 17 cursos com avaliação insatisfatória são públicos -estão passando por supervisão e o MEC vai adotar medidas de melhoria. Não vai passar por cima e dizer que, porque são públicos, são ótimos. Não são.

FOLHA – Não houve erro ou excesso na autorização de cursos?
MARIA PAULA
– Houve uma diretriz de expansão e o processo de autorização é uma espécie de promessa, é feito com base em projeto. O acompanhamento posterior é tão ou mais importante.

FOLHA – Refis das universidades foi incentivo a mau pagador?
BUCCI
– Todos os programas de refinanciamento de dívida recebem essa crítica. A educação superior passou por um período de reorganização que deve se consolidar agora. Esse período tem dois traços. O primeiro traço é a avaliação de qualidade como elemento central, que já está acontecendo e vai se consolidar no período próximo. Só vai ficar quem tiver qualidade.
O segundo é a existência de um programa como o ProUni, que reduziu o número de vagas ociosas. Há uma razão coerente para o financiamento: essas instituições abrigam milhares de alunos. Qualquer readequação tem que considerar isso.



Locais de prova da Unicamp saem nesta quinta

Virando Bixo trará link para consulta; primeira fase acontecerá em 24 cidades, no dia 16 de novembro

Virando Bixo – Marcos Paulino

Os candidatos inscritos no Vestibular 2009 da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) devem consultar, a partir desta quinta (6), o local onde irão fazer as provas. O Virando Bixo trará o link para consulta, que deve ser feita digitando o nome ou o número de inscrição no vestibular.
A Unicamp realiza as provas do Vestibular 2009 em 24 cidades do Brasil: Bauru, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Goiânia,Jundiaí, Limeira, Mogi-Guaçu, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Sumaré e Valinhos.
Neste ano, a Unicamp registrou 49.287 inscritos. Eles vão disputar 3.434 vagas em 66 cursos da Unicamp e dois cursos da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto).

A primeira fase acontece em 16 de novembro. A orientação é para que os candidatos cheguem ao local de prova às 13h, já que os portões serão fechados às 13h45. As provas começam às 14h. Nos Estados onde não há horário de verão, a Unicamp seguirá o horário local e não o horário de Brasília.

O tempo de prova é de quatro horas e o tempo mínimo de permanência nas salas na primeira e na segunda fases é de 2 horas e 30 minutos.

Os candidatos não precisarão levar o comprovante de inscrição ou o comprovante de pagamento no dia da prova. Para se certificar que estão inscritos, os candidatos devem consultar o link “situação de inscrição”, na página www.comvest.unicamp.br.

No dia da prova, os candidatos deverão levar o original do documento indicado na inscrição, lápis, caneta azul ou preta, borracha e uma pequena régua. É vedada a utilização de calculadora, celulares e pagers, corretivo líquido, relógio com calculadora. Também é proibido o uso de boné ou chapéu.



10 dicas para quem vai fazer o vestibular da Unicamp

Caneta, de preferência A partir deste ano, a Unicamp vai aceitar que as respostas sejam dadas a lápis. “Mas, para o candidato, é mais seguro responder com caneta porque a tinta permanece por mais tempo com o manuseio das folhas”, diz o coordenador de vestibulares da instituição, Leandro Tessler

Rasura não tira ponto Todo mundo fica preocupado em riscar uma palavra errada. Mas os corretores asseguram: rasura não tira ponto. Segundo o manual do candidato, a Unicamp está mais interessada que seus futuros alunos sejam capazes de organizar suas idéias, estabelecer relações, elaborar hipóteses e dominar os conteúdos do ensino médio

Exatas: vale resposta discursiva Os corretores da prova – pelo menos dois professores – vão avaliar a sua capacidade de raciocínio. Portanto, vale mais uma explicação bem dada que dar somente o resultado final do cálculo. Na prova acima, o candidato explica com um texto como tentou calcular a distância percorrida por um mosquito durante sua vida