06/02/2017 / Em: Clipping

 


Estudante da rede pública é aprovada em medicina na USP: ‘Não foi fácil’ (G1 – Ribeirão e Franca – 06/02/2017)

Bruna Sena fez cursinho gratuito mantido por estudantes da USP Ribeirão. Jovem diz que será a 1ª pessoa em toda a sua família a fazer faculdade.

A adolescente Bruna Sena tem apenas 17 anos, mas confirma ter alcançado a nota mais alta da Fuvest no curso mais concorrido do vestibular 2017 da Universidade de São Paulo (USP): o de medicina no campus de Ribeirão Preto. A jovem, que estudou a vida inteira na rede pública, afirma ter superado 6,8 mil candidatos que disputaram as 90 vagas de graduação. Com a aprovação, ela se tornou a primeira pessoa de sua família a ingressar no ensino superior.

A Fuvest não divulga oficialmente a colocação dos estudantes aprovados, mas um artigo publicado no site da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) menciona o primeiro lugar de Bruna. A concorrência para o curso de medicina na USP Ribeirão foi de 75,58 candidatos por vaga, uma disputa que tem se tornado cada ano mais acirrada, depois que a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto aderiu parcialmente ao Sistema de Seleção Unificada. Há dois anos, a concorrência foi de 50,51 candidatos por vaga.



Volta ao batente (O Globo – Educação – 06/02/2017)

Rotina escolar mexe com a vida de um em cada quatro brasileiros. Esforço diário de milhões de crianças e professores não está sendo em vão

No Rio, em São Paulo, e em boa parte das grandes metrópoles brasileiras, hoje é dia de volta às aulas. Se considerarmos o total de estudantes da creche à pós-graduação, além de seus respectivos professores e demais funcionários, é possível dizer que ao menos um quarto da população brasileira está diretamente envolvida com essa rotina escolar, que, ao fim, mexe com a vida de todos.

Em dezembro, terminamos o ano com resultados preocupantes a respeito do aprendizado dos alunos brasileiros avaliados no Pisa, exame internacional da OCDE. Alguns meses antes, as notícias do Ideb também não foram animadoras em relação ao ensino médio e aos anos finais do ensino fundamental. Esses dados podem dar a falsa impressão de que tanto esforço para colocar diariamente mais de 54 milhões de brasileiros nos bancos escolares tem sido inútil. Não é bem assim.meça mais uma vez hoje, não está sendo em vão.

Metade dos docentes não tem formação ideal (O Globo – Educação – 04/02/2017)

Estudo mostra que 54% dos professores dos anos finais do fundamental não são qualificados em todas as áreas que lecionam. No ensino médio índice é 46,2%

Um dos poucos consensos em Educação é que o professor tem influência fundamental na aprendizagem dos alunos, de maneira que sua formação está intimamente ligada aos resultados obtidos em sala de aula. Apesar disso, dos 766.860 professores dos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), nas redes pública e privada, 54,1% não têm formação em todas as disciplinas que lecionam. Isso quer dizer que esses profissionais dão aula em pelo menos uma matéria na qual não são formados. No ensino médio, 46,2% dos 494.824 docentes estão nessa situação. Os dados são do movimento Todos Pela Educação a partir das informações do Censo Escolar 2015.

Para um professor ter uma boa atuação ele precisa primeiro dominar o conteúdo que leciona. Em segundo lugar, ele precisa saber como ensinar a matéria: tem a ver com a didática, e como motivar os alunos, como estimular o debate. O terceiro ponto é que ele deve saber intervir e entender quando o aluno não está aprendendo. Se há um percentual alto de professores que não têm formação específica na sua área, eles deixam a desejar nos dois primeiros elementos que descrevi — explica o gerente-geral do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho. — O objetivo principal de dar luz a esse cenário não está relacionado a jogar a culpa no professor, mas mostrar que a estrutura ofertada aos professores brasileiros não os apoia o suficiente para que eles enfrentem desafios na sala de aula.

Considerando apenas a rede estadual, 41,4% dos professores do 6º ao 9º ano não têm a formação ideal. Na rede municipal a taxa é de 65,8%. Entre os professores do ensino médio estadual, 46,9% têm esse perfil. Nas escolas municipais, o índice é 45,2%.O percentual de professores com formação adequada pouco oscilou ao longo dos anos. Em 2012, 56,4% dos professores do ensino fundamental II não tinham formação em todas matérias que davam aulas. No ensino médio o percentual era de 49,1%.



Alunos com renda mais alta devem pagar por universidade pública? (Catraca Livre – Universidades – 06/02/2017)

Um projeto de lei que tramita no Senado propõe que estudantes com renda familiar superior a trinta salários mínimos (R$ 26,4 mil) devem pagar uma anuidade para estudar em instituições públicas de ensino superior no Brasil.

De acordo com a emenda, o valor pago anualmente pelo aluno com alta renda comprovada seria correspondente à média do custo per capita dos alunos matriculados no mesmo curso em universidades privadas. Para sustentar o argumento da proposta, o texto observa que ainda é preciso democratizar o acesso ao ensino superior, uma vez que a parcela de estudantes em melhor situação financeira nas instituições públicas passou de 20%, em 2004, para 36,4% em 2014. “Já a proporção de estudantes pertencentes ao quinto mais pobre da população, com renda per capita média de R$ 192, era 1,2% em 2004 e chegou a 7,6% dos alunos de faculdades públicas em 2014”, relata a justificação da PLS 782/2015. Diante disso, o Senado Federal abriu uma consulta pública para colher a opinião da população. No link é possível votar se você é a favor (SIM) ou contra (NÃO) a proposta de anuidade para alunos que poderiam pagar pelos seus cursos em universidades públicas. A proposta é de autoria do ex-senador e atual prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB-RJ) e está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) – (Secretaria de Apoio à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania).



O fenômeno dos estudos e um sonho: ser médica (Folha do Mate – Notícias – 04/02/2017)

Débora será a primeira da família a estudar Medicina em uma federal

Débora sempre foi uma aluna dedicada, mas seus últimos três anos de estudos foram ainda mais intensos, pois exigiram a preparação para o vestibular. A meta era ousada: ser aprovada em uma universidade para o curso de Medicina, um dos mais concorridos de todo o país. Enquanto isso, guardava na cabeça as diversas referências bibliográficas e fórmulas matemáticas, físicas e químicas e; no coração, o sonho de se tornar a primeira médica da família.

Ao fim de uma jornada debruçada em livros, tabelas periódicas e leituras obrigatórias, veio a recompensa. Em dezembro, Débora Roberta de Avila Dornelles, 18 anos, foi aprovada em primeiro lugar em Medicina e primeiro lugar geral na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), onde foi laureada com uma bolsa de estudos integral, a Bolsa Mérito. Também realizou o sonho e passou em décimo lugar no vestibular de medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), instituição pública que deve ser a nova morada de estudos nos próximos anos.



A importância do ensino para um “pensar bem” na vida do ser humano (Campo Grande News – Artigo – 04/02/2017)

Encontra-se em trâmite uma Medida Provisória (MP) 746/2016 de 22 de setembro, que, dentre outras normas, defende o fim da obrigatoriedade da filosofia, além de disciplinas no ensino médio como artes, educação física e sociologia, deixando assim questionamentos, pois de um lado há famílias em situações de vulnerabilidade social e econômica acatando a ideia do curso técnico profissionalizante, como sendo um caminho para o mercado de trabalho, mas por outro lado há os intelectuais preocupados com o progresso cultural do ser humano.

É certo que a situação do ensino público no Brasil está precária, mas isso não é de hoje, então as mudanças não poderiam ser arbitrárias, impostas por uma MP, mas deveriam ser discutidas com a comunidade interessada no assunto, pois quem garante que simplesmente ir alterando a estrutura do ensino médio de 800 para 1400 horas, com regime de ênfases, curso técnico e deixando para segundo plano algumas disciplinas de humanas, trará uma educação de qualidade. Será que a crise educacional não deveria ser encarada como um problema desde as séries iniciais do ensino fundamental?