06/04/2009 / Em: Clipping

 


Por que o vestibular morreu?  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 04/04/09)

A CURIOSIDADE sobre os efeitos sexuais da picada da aranha-armadeira em homens levou cientistas a investigarem um novo medicamento contra a disfunção erétil. Experiências com o veneno mostraram que os camundongos mantiveram, por duas horas, ereção. Iniciada pela USP e pelo Instituto Butantan, a investigação será agora compartilhada pelo Instituto da Próstata, do hospital Oswaldo Cruz, inaugurado na terça-feira passada. Apenas esse detalhe já serviria para ilustrar por que o vestibular, como o conhecemos, morreu, vítima de uma picada fatal. Naquele mesmo dia, em Brasília, o ministro da Educação, Fernando Haddad, iniciava o enterro do vestibular, ao anunciar um novo modelo de seleção para o ensino superior, com maior ênfase na reflexão e menos na decoreba -o cadáver pode até ficar insepulto por certo tempo (talvez até muito tempo), mas sua extinção é inevitável. E a razão disso é visível no Instituto da Próstata, comandado pelo urologista Miguel Srougi, professor da USP, impressionado com o ritmo das descobertas médicas: “De 1964 até 2004, ou seja, 40 anos, se duplicou todo o conhecimento médico disponível. Estima-se que, de 2004 a 2014, será mais uma vez duplicado”. As pesquisas do centro comandado por Srougi são sinais dessa velocidade, obrigando a reciclagem e inovação permanentes -justamente aí está a inutilidade do vestibular, baseado no acúmulo de conteúdos.



MEC deve antecipar fim do vestibular  (Globo On Line – Vestibular – 05/04/09)

O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve anunciar nesta segunda-feira aos reitores de universidades federais que ainda este ano será aplicado o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com esse teste, o Ministério da Educação (MEC) pretende aposentar o vestibular. É o que mostra reportagem de Demetrio Weber, publicada na edição desta segunda-feira do jornal O GLOBO. ( Debata o tema no blog Educação à Brasileira ) . De acordo com a reportagem, o ministério já conta com a adesão de 35 das 55 instituições federais de ensino superior. Os reitores divergem, no entanto, sobre o ritmo de transição para o novo teste. ( Leia mais: Universidades adotam processos seletivos diferentes do vestibular )  .De um lado, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Aloisio Teixeira, disse ao GLOBO que espera ver o sistema em vigor na UFRJ já este ano. De outro, o reitor da Universidade Federal de Uberlândia, Alfredo Júlio Fernandes Neto, defende uma transição de três anos.  O reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Júnior, lembra que os reitores não darão a palavra final. Isso porque esse tipo de decisão cabe aos conselhos internos, com representantes de diferentes departamentos, estudantes e funcionários.  Com o novo Enem, o MEC deseja que qualquer estudante brasileiro faça a prova e, de acordo com sua nota, tenha direito a uma vaga em universidades federais de todos os estados. Hoje, em geral, os vestibulares selecionam candidatos a uma única instituição. O novo modelo é inspirado no SAT (Scholastic Assessment Test), teste realizado nos Estados Unidos.



MEC planeja unificar vestibular   (Jornal Cruzeiro do Sul – Educação  – 06/04/09)

Por mais que se discuta currículo, práticas de ensino e novas abordagens para o ensino médio, quem define o que os alunos nessa faixa etária vão estudar é o vestibular. A constatação, consenso entre especialistas, deve ganhar novo rumo a partir deste ano, com a iniciativa do Ministério da Educação (MEC) de unificar o processo seletivo das 55 universidades federais e de as universidades paulistas discutirem fazer uma primeira fase única, além de reverem as provas. O objetivo é transmitir um sinal diferente para as escolas básicas.  “A gente sabe que as escolas são influenciadas pelo que é exigido no vestibular e queremos usar a prova para orientar o ensino médio num outro caminho, por isso estamos convidando as universidades para discutirem o tema juntas”, afirma Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, braço do ministério responsável pelas avaliações. “Não adianta o ministério e as secretarias de educação pensarem currículo se os vestibulares mudam tudo.”  O MEC quer usar a experiência adquirida com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com questões que buscam analisar competências mais do que conteúdo, e que já é feito por cerca de quatro milhões de alunos. O novo exame incorporaria perguntas de ciências humanas e biológicas, por exemplo, além de ganhar uma escala mais calibrada, para ter o mesmo nível de dificuldade todos os anos – hoje em dia, em certos anos a prova é mais fácil, e em outros, mais difícil. Nas próximas semanas, após reuniões com os reitores das federais, o Inep deverá decidir se aplica o novo Enem neste ano ou se fica para 2010. Caso aconteça agora, a prova atualmente marcada para agosto seria transferida para outubro.



MEC prepara vestibular nos moldes do Enem (Gazeta de Ribeirão – Cidades – 05/04/09)

Tudo indica que os processos seletivos de 2010 das maiores universidades públicas do País será bem diferente daqueles que os estudantes estão habituados a realizar nas últimas duas décadas. O Ministério da Educação (MEC) pretende criar um exame único para as 55 instituições federais —algo equivalente ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)— a ser aplicado a partir de agosto. Entre as universidades estaduais, algumas já anunciaram que também pretendem rever seus vestibulares: a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) —que divulgou oficialmente uma série de mudanças—, e a Universidade de São Paulo (USP) —o Conselho de Graduação da universidade estuda projeto de reformulação que prevê, por exemplo, que a primeira fase do exame deixaria de contar pontos para a nota final e a segunda etapa passaria a incluir questões de todas as disciplinas. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também está em etapa de definições do processo seletivo 2010. Enquanto as mudanças não são oficializadas, os vestibulandos seguem a rotina de se preparar para a maratona de provas que toma praticamente todo o segundo semestre. “O Enem atual não é consistente, por exemplo. Mesmo um aluno regular, mas mal preparado, responde a prova e acerta a maioria das 63 questões. Imagine o que acontecerá numa prova unificada para seleção de universitários que segue esses moldes”, pontua o vestibulando de medicina Murilo Altheman, que está prestes a enfrentar sua quinta bateria de distintas provas.



Cotas para quê?  (Revista Época – Sociedade – Última Edição)

Funcionário da Petrobras, o carioca Thiago Lugão, de 24 anos, é formado em engenharia de produção no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). Em 2002, ele foi classificado em 14º lugar no vestibular da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), que tinha 20 vagas para o curso de engenharia de exploração e prospecção de petróleo. Lugão tirou 14,20 na prova de física, que valia 20. Ainda assim, viu concorrentes que tiraram 0,25 conseguir a vaga na sua frente, porque se declararam negros. Lugão foi um dos primeiros estudantes que fizeram vestibular na Uenf sob o regime das cotas raciais. “O sistema de cotas raciais é injusto. A cor da pele não quer dizer nada”, afirma. “Você não pode dar privilégio a alguém por causa da cor da pele. Meu avô era negro, e eu poderia me declarar pardo, até porque é difícil um brasileiro não ser pardo.” Lugão estudou no Colégio Santo Agostinho, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Convencido de que sofrera uma injustiça, recorreu aos tribunais. No ano passado, cinco anos depois, a Justiça decidiu que ele tinha razão. Mas Lugão já estava formado em outra universidade e pós-graduado. Hoje, ganha menos da metade que colegas formados no curso que ele queria. Lugão é um personagem típico da história recente do sistema de cotas raciais, implantado nas universidades estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia. Em tese, elas surgiram como uma tentativa de corrigir uma injustiça histórica – o desfavorecimento a negros e índios –, em meio a um sistema de educação pública de má qualidade. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar, ainda neste mês, um projeto que propõe expandir esse sistema e criar reservas de vagas com critérios raciais e socioeconômicos nas universidades federais. Discutida como uma questão educacional, a instituição das cotas esconde seu real alcance para o país. Não se trata apenas de reparar injustiças contra estudantes negros ou índios. Se for aprovado na comissão e no plenário do Senado, o projeto criará a primeira lei racial do Brasil em 120 anos de história republicana. “A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”



MEC deve anunciar hoje a extinção do vestibular n (Tribuna da Bahia On Line – Educação – 06/04/09)

O ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), deve anunciar hoje, em reunião com reitores das universidades federais, que o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado já neste ano, independentemente do número de instituições dispostas a substituir o vestibular pelo teste. Ontem, o ministro contabilizava a adesão de pelo menos 35 das 55 universidades federais à proposta de que o novo Enem passe a selecionar candidatos em todo o país.  Com o novo Enem, o Ministério da Educação (MEC) deseja que qualquer estudante brasileiro faça a prova e, de acordo com sua nota, tenha direito a uma vaga em universidades federais de todos os estados. Hoje, em geral, os vestibulares selecionam candidatos a uma única instituição. O novo modelo é inspirado no SAT (Scholastic Assessment Test), teste realizado nos Estados Unidos. A exemplo do que ocorre no vestibular, o sistema valerá para quem concluiu o ensino médio em anos anteriores.