06/05/2009 / Em: Clipping

 


Matemática da USP quer adiar mudanças do próximo vestibular  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 06/05/09)

O IME (Instituto de Matemática e Estatística da USP) quer adiar a implantação das mudanças no vestibular da universidade, anunciadas no mês passado e válidas para a próxima seleção.  O órgão protocolou ontem um recurso para que o Conselho de Graduação volte a debater o tema. O argumento principal é que o tempo é curto para aplicar as novas regras já no vestibular do final deste ano. Pelas novas definições, a primeira fase passa a ser somente eliminatória, sem contar pontos no resultado final do processo -como hoje. Outra modificação foi incluir todas as disciplinas na segunda fase -e não só as relacionadas ao curso escolhido.  A terceira fase passará a ter três dias, de peso igual; anteriormente, eram até quatro. No primeiro dia, haverá redação e dez questões discursivas de português. No segundo, 20 perguntas de biologia, química, física, matemática, história, geografia e inglês. Já o último dia contará com 12 questões de até três disciplinas escolhidas pelas unidades -que têm até este mês para selecionar as matérias. “É uma proposta muito drástica para um curto período de adaptação”, disse o professor Sérgio Oliva, integrante da congregação do IME, o órgão máximo do instituto. As mudanças, diz, ainda estão sendo regulamentadas -quando o ideal é que isso estivesse definido antes, sustenta. Há questões formais: a aprovação pelo Conselho de Graduação, em 16 de abril, não incluiu os apontamentos do IME-o que contraria o regimento do Conselho Universitário. Oliva defende ainda um debate maior -com colégios, por exemplo, que, a depender das mudanças, terão de alterar currículos para preparar os alunos para conteúdos específicos hoje não incluídos no vestibular. O IME espera que o recurso seja apreciado na próxima reunião do conselho, amanhã. A USP informou que a pró-reitora de graduação, Selma Pimenta, ainda não analisou o recurso do IME. Ela preside o Conselho de Graduação.



Parlamentares governistas e de oposição querem limitar reserva a até 50% das vagas nas universidades públicas  (Globo On Line – Educação – 06/05/09)

Em reunião na terça-feira no Senado, governo e oposição decidiram impor um limite às cotas em universidades públicas para evitar que a aprovação de projetos diferentes sobre o assunto faça a reserva de vagas chegar a 60%. Representantes dos principais partidos concordaram que o percentual seria excessivo, reduzindo demais as chances de ingresso por mérito. Agora, as cotas devem ser limitadas a um teto entre 30% e 50% das vagas.  O acordo foi costurado cinco dias depois de a Câmara dos Deputados aprovar a reserva de 10% das vagas para deficientes físicos. O Senado já discute, desde o ano passado, a criação de uma cota de 50% para estudantes negros, pobres ou formados em escolas públicas.  Na terça-feira, os senadores decidiram que as duas propostas passarão a tramitar em conjunto. Com isso, foi adiada a leitura do relatório da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que estava prevista para esta quarta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).  – Entendo que reservar 60% das vagas seria demais. Meu limite é 50% – disse Serys.  Anfitrião do encontro, o presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO), defendeu que as vagas destinadas a alunos cotistas sejam limitadas a 30%.  – Criar uma cota de 60% seria escandaloso. O critério do mérito seria jogado fora por completo – afirmou.  A avaliação comum no Senado é que o debate sobre o assunto terá que voltar praticamente à estaca zero. Os senadores se disseram surpreendidos com a aprovação da cota para deficientes físicos, embora o primeiro projeto sobre o assunto tenha começado a tramitar em 2003 na Câmara.  – A discussão ainda está muito aberta. Agora, teremos que debater quase tudo de novo para tentar chegar a um acordo. A aprovação do projeto vai demorar mais – admitiu Serys, que disse ainda não ter opinião formada sobre a cota para deficientes.



Vestibular na pauta do dia  (Diário de Cuiabá – Artigos – 06/05/09)

Depois dos quatro últimos artigos sobre a perversa proposta do governo de unificar o vestibular, hoje, esperava versar sobre outro tema; afinal, além de mais essa imposição do MEC às universidades federais, muita coisa tem acontecido por cá e alhures. Cito duas: 1ª) manifestações do 1º de maio que alertaram para o aprofundamento da crise; 2ª) grosseria verbal, entre dois juízes, que expôs o STF. Ao seu Presidente – de Diamantino/MT – além de graves insinuações sobre sua moral, foi-lhe imputada uma atitude herdada de idos tempos: a relação de capangagem, que está ligada à compra/venda de diamantes por meio de capanga: tipo valentão que se coloca a serviço de quem lhe paga. Resultado da deprimente cena: sorrisos trêmulos e amarelos por parte do Presidente da Suprema Corte.  Mas minha perspectiva de mudar de tema, neste artigo, não vingou, pois a Folha de São Paulo (FSP), de 29/04/09, publicou encarte de oito páginas sobre a educação, destacando os mais recentes dados divulgados pelo MEC, no dia anterior, sobre o Enem. Com isso, eu não poderia perder oportunidade de dizer que os tais dados oficiais comprovam o que venho afirmando sobre a proposta do novo vestibular, como, p. ex.: “…os pobres estão com dias ainda mais contados para o ingresso nas federais. Só entrarão pelas cotas… os ricos vão deitar e rolar. Estudantes do sul/sudeste ocuparão os espaços privilegiados. Aos de MT – pelo baixo nível da educação do Estado – só restarão universidades distantes do eixo Rio/São Paulo e cursos menos concorridos”.  A comprovação disso já se evidencia pelo título do encarte: “Dos 20 melhores colégios, 15 são particulares”. No resumo da matéria de abertura, lê-se: “Dados do MEC mostram que melhor escola da rede pública tradicional está fora da lista dos 10% melhores do país”. A referida unidade – Escola Estadual Frederico Benvegnu – localiza-se em São Domingos do Sul, a 246 km de Porto Alegre/RS. Sobre essa escola, no interior do encarte, é dito: “Com nota 60,61 (a máxima é 100), a referida escola se destacou entre as públicas, mas ficou em 1.935º lugar no ranking geral do exame (9.124 foram avaliadas)”.  Pronto. Se alguém duvidava, agora, o próprio MEC forneceu todos os dados para que ninguém – em sã consciência e livre de interesses pessoais – refute os argumentos contrários à imposição do novo Enem/vestibular unificado. Esses dados do MEC revelam que a educação pública de péssima qualidade ajuda a endurecer a barreira social criada contra classes economicamente subalternas; e nenhum tipo de vestibular corrigirá isso.  Todavia, o MEC e os reitores de “colonial mentality” (grafei em inglês para ironizar a proposta, que é importada do império em falência) dirão que, justamente, por conta desses resultados adversos à escola pública é que há necessidade de mudança no vestibular, pois, esse é “muito conteudístico”, exigindo dos estudantes muita “decoreba”. O MEC e os reitores estão errados. Resta saber se por ignorância ou se por opção de classe; o que, a meu ver, é mais possível. Discursos bem articulados escamoteiam as reais intenções governistas.  O fato concreto é que nenhum estudante que não domine códigos elementares – como os da língua, p. ex. – e que não detenha amplos conhecimentos culturais em seu repertório, tem condições de estabelecer pensamento crítico, como diz pretender o MEC; logo, está impossibilitado de perceber/estabelecer relações interdisciplinares, anulando, pois, o argumento central do Ministério. Querendo ou não, memorizar informações básicas é um dos primeiros requisitos a inserções mais elaboradas do pensamento. De minha parte, se eu não procurasse dominar a estrutura da língua eu não escreveria este texto; não estabeleceria críticas. Ainda bem que “decorei” muita coisa; até o uso do ponto e vírgula! Hoje, utilizo o que memorizei, articulando com outras coisas que fui aprendendo a apreciar. No mais, se nossas crianças – com a conivência de adultos – decoram letras e coreografias de músicas esdrúxulas e libidinosas, por que isentá-las de assimilar um conjunto de itens dos quais poderão lançar mão quando for preciso, como, p. ex., a tabuada, a norma padrão da língua, etc? Reafirmo: de posse de um conjunto de coisas memorizadas, o caminho da crítica está aberto. Sem isso, não há caminho. Essa é uma discussão político-pedagógica de classes sociais. Isso é o que está em jogo hoje; nada mais!



Cotas raciais em debate  (Zero Hora – Vestibular – 06/05/09)

Implantadas em universidades do país, as cotas raciais estão perdendo força e podem desaparecer em breve. Desde ontem, senadores tentam chegar a um acordo para retirar o critério da cor da pele do projeto de lei que estabelece 50% das vagas para estudantes de escolas públicas nas instituições federais. A votação está marcada para hoje, em Brasília. Um levantamento feito pelo jornal Correio Braziliense mostrou que a maioria dos parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde a matéria será votada, é contrária à utilização das cotas raciais. Eles defendem o critério socioeconômico para aprovar o projeto. Apenas seis senadores estariam favoráveis à reserva de vagas para negros, índios e pardos. Os demais – no total são 23 parlamentares, além do presidente e do vice – devem acompanhar o voto contrário do senador Demostenes Torres (DEM-GO), presidente da comissão. A polêmica e a demora na aprovação da lei fez com que as universidades brasileiras implantassem as cotas usando a autonomia, aprovando a medida em seus conselhos superiores. No Estado, as federais de Santa Maria (UFSM) e do Rio Grande do Sul (UFRGS) reservam vagas para afro-brasileiros e negros, respectivamente. – Se a lei for aprovada, as universidades terão de seguir – disse Edilson Nabarro, secretário de Assistência Estudantil da UFRGS e vice-presidente da comissão que elaborou as cotas na instituição em 2007. Caso os senadores não aceitem retirar o critério racial do projeto, o presidente da comissão promete apresentar um outro texto, que deve ser votado logo após o que inclui as cotas raciais, defendido pela relatora Serys Slhessarenko (PT-MT). – É um risco muito grande de perder, mas também há como ganhar. Disputa é disputa e esperamos que dê certo para aqueles mais despossuídos da sociedade – disse a senadora. A defesa das cotas raciais tem como base dados estatísticos apresentados por diversos estudos. Entre eles, um do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelando que das 331 mil matrículas realizadas anualmente em universidades públicas, apenas 2,37% são feitas por estudantes negros. Os contrários às cotas por etnia argumentam, em especial, que a matéria é inconstitucional, pois descumpre o artigo da Constituição que prevê que todos são iguais perante a lei. Qualquer que seja o resultado da votação, a matéria seguirá para o plenário da Senado. Se sofrer qualquer modificação em relação ao texto original, o projeto voltará à Câmara dos Deputados.