06/06/2017 / Em: Clipping

 

Unicamp terá cotas étnico-raciais para graduação a partir de 2019 (Portal do Governo SP – Notícias – 05/06/2017)

Grupo de Trabalho discutirá formato de implementação para ser aprovado até o próximo mês de novembro

A partir de 2019 o princípio das cotas étnico-raciais será adotado para ingresso nos cursos de graduação da Unicamp. A decisão foi aprovada pelo Consu, o Conselho Universitário da Universidade Estadual de Campinas. Agora, um Grupo de Trabalho (GT) será constituído para desenvolver uma proposta de implementação progressiva das cotas. Depois de o modelo sugerido pelo GT ser debatido nas unidades de ensino e pesquisa e nos órgãos colegiados específicos da instituição, o Consu decidirá o formato a ser adotado até novembro deste ano. “Demos um passo importante com a aprovação do princípio das cotas étnico-raciais. Agora, vamos discutir com profundidade e serenidade o modelo para implementá-las. Nosso esforço será no sentido de fazer com que a sociedade esteja representada na instituição”, disse o reitor Marcelo Knobel. Para o reitor, a decisão foi “histórica”, por avançar em relação às ações já mantidas pela Unicamp, como o Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social (Paais), criado em 2004, e o Programa de Formação interdisciplinar Superior (ProFIS), instituído em 2011. “Esta é uma das maneiras de aproximar a instituição da sociedade. Temos que estabelecer um diálogo transparente com os cidadãos e, na medida do possível, dar respostas às suas aspirações”, disse Knobel. Além de sugerir o modelo do sistema de cotas a ser adotado, o GT apresentará sugestões acerca de outras questões relacionadas ao tema. A expectativa é que seja elaborado um programa de suporte socioeconômico e acadêmico a universitários com tais necessidades. Entre as ideias previstas estão a concessão de bolsas moradia, transporte, alimentação, além de auxílios psicológico, pedagógico e acadêmico.

 


Ensino superior: entre o abandono e o baixo desempenho, poucos se destacam (G1 – Artigo – 06/06/2017)

Os governantes costumam se vangloriar por expandir as matrículas do ensino superior, mas isso é uma falácia. No Brasil, o mais difícil não é colocar o aluno na faculdade, e sim garantir que ele saia bem formado, com todas as competências para o alto desempenho profissional. As turmas podem até começar completas, mas terminam pela metade. É o que diz o Censo da Educação Superior (MEC, 2015): 49% dos alunos abandonaram o curso para o qual foram admitidos. A situação é mais grave em áreas como engenharia, onde apenas 42% dos estudantes que ingressam em faculdades públicas e particulares chegam a se formar. Na saúde, em cursos como medicina, enfermagem e psicologia, a média de desistência é de 48%. Uma parcela significativa sai logo no primeiro ano, quando as faculdades perdem 29% dos alunos de ciências da matemática e computação, 28% de engenharia, 26% da saúde. Uma das principais causas é a deficiência da formação anterior. Desde 2005, ano em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado, a nota do ensino médio brasileiro nunca ficou acima de 3,7 na escala de 1 a 10. O mau desempenho nas provas de leitura e interpretação de textos e de matemática pesa bastante. Segundo levantamento do Todos pela Educação, apenas 10% dos estudantes saem do ensino médio com domínio dos conteúdos esperados em matemática. Pode-se imaginar a dificuldade dos universitários em disciplinas como Cálculo I – responsável por uma das mais altas taxas de reprovação. Oferecer apoio paralelo para que os estudantes desenvolvam as competências prévias já se tornou uma urgência nas faculdades que querem garantir o aprendizado. Como esses estudantes despreparados chegam ao ensino superior? Uma das explicações é que a seleção do Enem é classificatória: mesmo com notas baixas, um candidato pode conquistar o ingresso na faculdade, se os concorrentes forem piores. Além disso, atualmente sobram vagas: em 2015, dos 8,5 milhões de vagas disponíveis, apenas 42,1% foram preenchidas. Isso representa mais de 3,5 milhões de vagas ociosas nas faculdades. Quanto aos que concluem os cursos, é de se esperar que saiam formados com louvor, certo? Nem tanto. Os professores se queixam de que os alunos se dedicam menos do que deveriam, falta estudo e mais leitura. Ainda assim, nas instituições menos exigentes, eles acabam se graduando. Nem todos conseguiriam se houvesse mais rigor nas avaliações. Prova disso é o fraco desempenho no Enade – Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, que aplica aos graduados uma prova de conhecimentos gerais e específicos. No exame de 2015, que avaliou programas como Administração, Economia, Jornalismo e Turismo, entre outros, 30% dos cursos superiores foram considerados insatisfatórios. No ano anterior, que avaliou os cursos de Medicina, quase 20% tiveram nota insuficiente. Os cursos avaliados com nota máxima são só 1% do total. Essa nota é também um anúncio de como será o futuro de cada recém-formado. Mesmo com diploma, poucos se destacarão. Esse cenário impacta o mercado de trabalho e mostra que políticas de incentivo ao ensino superior, como Fies, Prouni ou reservas de cotas poderão funcionar bem melhor se tivermos, de um lado, reforma da qualidade do ensino médio, e do outro, aumento do nível de exigência do ensino superior, concedendo a titulação somente a quem fez por merecê-la.