06/11/2012 / Em: Clipping

 


Ensino superior público deve expandir número de vagas à noite  (Terra – Vestibular – 06/11/12)

Em véspera de provas muito difíceis, Yan Araújo Fernandes costumava dormir perto das 6h da manhã. Tinha de estar no trabalho às 9h, mas sabia que o desempenho acadêmico seria prejudicado caso não encontrasse tempo para suas tarefas. Escolhia, então, deixar de dormir. “No final do curso, eu ainda tinha o trabalho de conclusão. Nem sei quantas vezes deixei de ir à aula ou quantas noites passei em claro para escrever”, diz. Aos 22 anos, formado em Relações Públicas pela PUC de Minas, o assessor de imprensa trabalhou desde o 2º ano de faculdade. Ele faz parte da maioria de jovens e adultos que, durante os anos de graduação, precisam conciliar trabalho e estudo. De acordo com dados de 2010 divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), dos quase 5,5 milhões de estudantes do ensino superior brasileiro, 63% frequentam as aulas à noite. Trabalhar para bancar a graduação está entre os principais motivos apontados por especialistas para explicar o aumento do fluxo de alunos no período noturno das faculdades. A realidade se confirma dentro dos campi: enquanto que, na rede pública, apenas 37% dos universitários têm aulas à noite, esse número salta para 72% na rede privada. Segundo a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG) Lúcia Maria de Assis, em tese, o público-alvo das universidades – de 18 a 24 anos – deveria tender ao ensino diurno, adiando sua entrada no mercado. No entanto, questões socioeconômicas alteram o panorama. “Nem todos os jovens com idade de graduação podem estudar sem conciliar com o trabalho, a não ser que consiga uma vaga pública com bolsa-permanência, mas o sistema público não dá conta da demanda. Ele só atende de 20% a 25% das matrículas”, diz. Para quem busca o diploma, a alternativa acaba sendo o ensino privado- e um boleto bancário para pagar no final do mês. É o caso de Fernandes. O mineiro começou a trabalhar no início do 3º período. “Consegui meu primeiro estágio em 2009. Fiz quatro estágios durante os quatro anos de faculdade. Fui efetivado no último, e é onde estou até hoje. Mas comecei a trabalhar por necessidade, pois tinha que pagar a faculdade, a condução. Foi quando pensei em fazer estágio, que seria uma forma de ter vivência no mercado e ainda ganhar dinheiro”, lembra. Em artigo sobre o ensino superior no Brasil, os professores João Ferreira de Oliveira, da UFG, e Mariluce Bittar, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), destacam o processo como uma forma de democratização do acesso à universidade. No texto, apontam que “o ensino noturno vem historicamente atendendo aos estudantes trabalhadores pertencentes aos segmentos menos favorecidos da sociedade”. 



Enem está na contramão do atual ensino médio   (Diário de S.Paulo – Dia a Dia – 06/11/12)

As provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que foram aplicadas no final de semana, revelaram um descompasso entre as capacidades exigidas dos alunos e o currículo básico estabelecido para as escolas de ensino médio em todo o país.A análise é de especialistas ouvidos pelo DIÁRIO, que apontaram uma tendência do Ministério da Educação em valorizar, mais do que o conteúdo de cada matéria, a capacidade do aluno em analisar, interpretar e fazer conexões com as questões apresentadas. “Acontece que nem todas as escolas estão preparadas para essa mudança e, dessa forma, acredito que o Ministério da Educação colocou o carro na frente dos bois”, afirmou Joel Pontin, coordenador do Cursinho da Poli. Para Pontin, as mudanças são bem-vindas e exigem um desafio das escolas para formar cidadãos bem informados acima de qualquer coisa.