07/12/2012 / Em: Clipping

 


Quase a metade das melhores está em SP  (O Estado de S.Paulo – Educação – 06/12/12)

Das 30 instituições de ensino superior com melhores resultados no Enade de 2011, quase a metade se concentra no Estado de São Paulo. Entre as 13 unidades com o conceito 5, 7 são instituições públicas e 6 são privadas. A faculdade particular de Odontologia São Leopoldo Mandic, na capital, foi a melhor classificada, com 4,66.  Entre os centros de ensino públicos paulistas, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) foi o mais bem posicionado, ultrapassando a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que no Enade de 2010 foi a instituição pública do Estado mais bem avaliada. No resultado atual, a Unicamp ficou na terceira posição geral das públicas no Estado. Se consideradas as privadas, ela cai para a sétima posição.



Exame reprova 54% dos futuros médicos de SP   (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 07/12/12)

Mais da metade dos quase 2.500 estudantes de medicina que se formam neste ano no Estado de São Paulo não possui condições mínimas para atender a população. A avaliação é do conselho paulista de médicos, que reprovou 54,5% dos alunos no exame da entidade deste ano, o primeiro obrigatório para tirar o registro profissional. Não ser aprovado no exame não é impeditivo para o exercício da profissão. A prova teve a maior participação desde 2005, quando passou a ser aplicada. Em 2011, quando não era obrigatória, 418 alunos a fizeram. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) considera reprovado quem acerta menos de 60% da prova, de 120 questões. “Esses profissionais terão grandes problemas ao atender a população”, afirma Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp. Apesar da ameaça de boicote por recém-formados, apenas 119 provas foram desconsideradas no resultado final porque estão sob análise. Dessas, 86 foram classificadas como protesto, pois nelas foi marcada somente a alternativa “B” das questões. Não haverá a divulgação de ranking de universidades com os melhores resultados, mas as instituições e o Ministério da Educação vão ter acesso aos resultados. As notas individuais também não serão de acesso público -só quem fez o exame vai conhecer sua nota. As restrições à divulgação dos resultados, segundo o conselho, fazem parte do acordo com as 28 instituições de ensino paulistas. Para o Cremesp, não cabe a ele avaliar faculdades, mas contribuir para a formação dos alunos. Egressos de escolas públicas tiveram acertos superiores aos de escolas privadas. Apesar de não divulgar o percentual, o conselho informou que a maioria dos aprovados é de sete escolas públicas. Marina Helena Teixeira, 24, formou-se agora pela Faculdade de Medicina de Itajubá (MG) e fez a prova do Cremesp, pois pretende tirar o seu registro em São Paulo. “Serve para saber se você está preparado para fazer prova e não para dizer se fez um bom curso. As questões eram sobre detalhes. É mais para quem fez cursinho para residência, mais ‘decoreba’.” Em cinco das nove áreas, como saúde mental e pediatria, a média de acertos ficou abaixo de 56%, o que foi considerado “muito preocupante”. O Cremesp atribui parte da qualidade ruim dos estudantes ao grande número de escolas de medicina e defende uma lei que controle a abertura de mais instituições.

Resultado nos deixa temerosos, afirma professor   (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 07/12/12)

A favor

Coordenador do exame do Cremesp, o médico Bráulio Luna Filho, que também é professor na Unifesp, defende a prova e diz que o resultado retrata a qualidade do profissional que vai para o mercado de trabalho, principalmente para a periferia.

Folha – Pode-se dizer que o resultado foi muito ruim?
Bráulio Luna Filho – Sim. Uma prova de avaliação ao final do curso de medicina no Canadá, nos EUA, tem, em média, 95% de aprovação. Imaginei que nosso resultado seria de 70% e foi de 44,5%. Isso nos deixa temerosos sobre o exercício profissional futuro desses colegas.

Como o cidadão pode se defender de um médico mal qualificado?
Infelizmente, a população não tem como saber se o indivíduo foi bem treinado. O problema é maior nas camadas mais pobres, porque o médico recém-formado vai atender nas unidades mais periféricas.

O boicote dos alunos não foi legítimo?

O conselho se ressente quando alunos formados em universidades de ponta, principalmente, protestam. O cidadão teve o ensino pago pelo contribuinte, teve boas condições de aprendizado e ainda é contra uma avaliação?

Prova deveria ser teórica e prática, diz formando  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 07/12/12)

Contra

Josué Augusto do Amaral Rocha, da Unicamp, um dos líderes do movimento que defendia o boicote à prova do Cremesp, diz que a avaliação deveria ser teórica e prática.

Folha – O resultado ruim é reflexo da prova ou do ensino de medicina?

Josué Augusto do Amaral Rocha – Quando se fala da prova, é preciso falar da qualidade dela. Para ser adequada, não poderia ser só teórica. Tinha de ter uma parte prática. É preciso fazer uma avaliação global dos estudantes, ao longo de todos os anos do curso e não apenas no final. A avaliação precisa envolver a infraestrutura da escola, o corpo docente e o aprendizado do estudante. Prova de múltipla escolha, como faz o Cremesp, qualquer cursinho ajuda a passar.

A adesão ao boicote não ficou abaixo do esperado?

O movimento lançou a discussão sobre o ensino médico no Brasil.

Quem mais aderiu não vem de boas escolas e tem mais chances de emprego?


Isso mostra a mobilização das escolas públicas. Vou trabalhar na periferia de Campinas. O movimento é para discutir a qualidade de saúde pública e nosso interesse é total na população.