08/02/2018 / Em: Clipping

 

Unicamp planeja expandir aplicação do vestibular em SP e na região Nordeste (G1 – Campinas e Região – 08/02/2018)

Edição 2019 terá cotas étnico-raciais e outras mudanças com objetivo de elevar inclusão social. Planejamento será definido pela universidade até maio, diz comissão.

 

Unicamp planeja expandir a aplicação do vestibular no estado de São Paulo e região Nordeste na edição 2019, segundo a comissão organizadora da prova (Comvest). Este será o primeiro processo seletivo em que a universidade implementará cotas étnico-raciais e outras mudanças, como a criação de um vestibular indígena, com objetivo de elevar a inclusão social. De acordo com a instituição, pelo menos uma capital deve ser incluída na lista que já inclui quatro metrópoles, entre elas, Brasília (DF) e São Paulo (SP). No vestibular 2018, a Unicamp também voltou a aplicar o exame em Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE), onde foram registrados desempenhos positivo dos candidatos, afirma o coordenador executivo da Comvest, José Alves Freitas Neto. Segundo ele, a universidade cogita levar o vestibular para o estado do Rio de Janeiro, mas a tendência é de que seja selecionada uma nova capital na região nordeste. “No Rio há muitas universidades federais, então teríamos uma disputa que talvez não seja tão interessante”, explica. Por outro lado, destaca Freitas Neto, o número de municípios paulistas deve subir na relação. A edição mais recente teve 30, além da capital, após inclusão de Indaiatuba (SP) e Valinhos (SP). “Talvez mais algumas cidades […] A gente pode falar das áreas onde nossa cobertura é pequena, como noroeste paulista. Fernandópolis (SP), Votuporanga (SP)… É uma hipótese também, porque algumas pessoas chegam a viajar mais de 200 km até o polo mais próximo para fazer a prova, e assim a universidade também consegue contemplar todo o estado de São Paulo”, avalia. Por outro lado, Registro (SP) pode deixar a lista de aplicação do exame. “Temos casos de cidades com baixo índice de aprovados e, talvez, isso mereça ser avaliado […] No caso de Registro, tivemos 250 inscritos, 36 classificados para a segunda fase e apenas dois aprovados. Tem uma função social em mantê-la, por ser uma região carente do estado, mas é preciso avaliar, porque se o aluno é de rede privada e está entrando em medicina, ele conseguiria ir até São Paulo ou Sorocaba.”

Avaliações

Questionado sobre as regiões Norte e Sul do país, Freitas Neto lembra que, no primeiro caso, a retomada da aplicação das provas em capitais dependeria de análises como a taxa de concluintes do ensino médio, além da projeção sobre o número de candidatos que, se aprovados, efetivamente fariam o curso na universidade que tem campi em Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (PS). Já sobre a área Sul, ele conta que a universidade já realizou uma pesquisa em Santa Catarina e, “aparentemente”, não há interesse no deslocamento dos candidatos para a região de Campinas. “Fizemos contatos com escolas, redes de professores e temos estudos de anos anteriores.”

Projeção de inscritos

Apesar da implementação de propostas que visam elevar a inclusão social na Unicamp, o coordenador da Comvest acredita que a Unicamp manterá faixa de 80 mil inscritos no vestibular. Em 2018, foram contabilizados 83,7 mil candidatos, recorde após alta de 14% sobre o ano anterior. O cronograma do vestibular 2019 deve ser definido até 2019 e as alterações só serão efetivadas caso recebem aval da Câmara Deliberativa da comissão, informou Freitas Neto.

 

 

‘Fiquei incrédula’, diz única aprovada em medicina na USP pela cota racial do Sisu (G1 – Educação – 08/02/2018)

Mayara, paulista de 20 anos, foi a única cotista racial e de escola pública com as notas mínimas no Enem exigidas pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) para concorrer às vagas do Sisu.

 

Mayara Souza tem 20 anos, fala com o tom de voz baixo e prefere não mostrar seu rosto para evitar exposição. Mas seu nome ganhou fama nacional entre dezenas de milhares de estudantes em 29 de janeiro, quando foi o único a aparecer na lista de cotistas raciais aprovados pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu) no curso mais prestigiado do Brasil: medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Eu meio que não acreditei. Estava esperando que fosse bem concorrido, fiquei incrédula”, contou ela ao G1.

A estudante diz que recebeu muitas mensagens, inclusive de outros estudantes da USP que são cotistas raciais. “Depois que me descobriram eu fiquei um pouco assustada, acharam até fotos minhas.” No dia 29 de janeiro, Mayara ficou sabendo que foi a única aprovada em medicina na FMUSP pelo Sisu na cota de escola pública PPI.

Matrícula trancada e cursinho noturno

Mayara é a primeira da família a ser aprovada em uma universidade pública. Os pais só concluíram o ensino médio, e um irmão é formado em uma instituição particular, graças a um contrato do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em 2016, ela já havia sido aprovada em uma universidade federal pelo Sisu, para o curso de biologia. “Durante o ensino médio eu já pensava, mas estava em dúvida entre biologia e medicina”, explicou ela, que, no primeiro ano depois do ensino médio, chegou a tentar o curso de medicina em alguns vestibulares. “Mas nem cheguei a passar na primeira fase.” Porém, depois dos primeiros meses de aula como caloura de biologia, ela começou a ter uma ideia melhor da carreira, e viu que sua vocação não estava ali. “Percebi que não era disso que eu gostava, que gostava mais de anatomia humana, então decidi prestar de novo.” Uma conversa com os pais selou seus planos para o ano de 2017: Mayara trancou a matrícula na universidade federal, se matriculou em um cursinho no período noturno, em que a mensalidade é mais barata, e passou os dias estudando. “Tentava acordar bem cedo e estudar todo o dia. À tarde fazia exercícios, e à noite ia para a aula. Eu fazia as provas antigas. Fiz todas as edições do Enem e uma redação por semana.” Ela diz que foi só no ano passado em que viu alguns dos conteúdos exigidos no vestibular. “Apesar de ter estudado em uma escola técnica estadual, eu tive um ensino médio um tanto quanto defasado”, disse Mayara. “Teve matérias no cursinho que foi a primeira vez que vi na vida. Na escola eu tinha professor faltando, matéria atrasada, então é bem complicado passar num curso desses e numa faculdade dessas.”

Depois de um ano de cursinho, além da aprovação na USP, ela também assegurou vagas em medicina na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Mas já se decidiu pela USP, e esteve pela primeira vez no campus da USP nas Clínicas, na Zona Oeste de São Paulo, nesta segunda-feira (5), para garantir sua matrícula e conhecer colegas. Lá, ela diz ter sido bem tratada. “É muito bonita a faculdade. Os veteranos foram bem gentis, bem solícitos, me chamaram para atividades.”

Adesão inédita ao Sisu

Mayara é a primeira estudante da história aprovada em medicina na FMUSP por uma cota racial, depois que a faculdade aderiu parcialmente ao Sisu e adotou uma política de reserva de vagas. No total, foram 50 vagas destinadas ao Sisu: 10 para a ampla concorrência, 25 para estudantes de escola pública e 15 para quem se formou na rede pública e também se autodeclara preto, pardo ou indígena (PPI). Porém, além desses dois requisitos, a faculdade ainda determinou uma terceira exigência para que os estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pudessem disputar as vagas oferecidas no curso pelo Sisu: nota mínima de 700 pontos em todas as provas objetivas do exame, além de 700 na redação. Levantamento feito pelo G1 mostrou que cinco cursos da USP no Sisu, incluindo o de medicina na FMUSP, ficaram sem notas de corte parciais porque, segundo o próprio Sisu, não havia número suficiente de candidatos para que o cálculo fosse feito. Ao fim de quatro dias de inscrições, todas as vagas de ampla concorrência foram preenchidas com nota de corte de 819,92. Porém, só oito das 25 vagas para alunos de escola pública acabaram preenchidas; entre as 15 vagas para alunos de escola pública PPI, Mayara foi a única pessoa a cumprir todos os requisitos.

Da tensão à surpresa

Ela explica que, até o primeiro dia de inscrições no Sisu, ainda estava muito nervosa sobre suas chances de aprovação em medicina, principalmente depois de checar a nota no Enem. “Tirei 780 na redação”, explicou Mayara, que considerou o tema – os desafios para a educação de surdos no Brasil – complicado. “Não tinha muito conhecimento sobre o assunto, as minhas notas no cursinho eram bem mais altas. Fiquei meio decepcionada”, disse. Porém, sua média final ficou em 756,99, e nenhuma das notas individuais ficou abaixo de 700, o que lhe permitiu se inscrever em medicina na USP logo no início das inscrições. “Fiquei esperando para ver se sua nota ia ficar dentro do corte ou não.” A surpresa só veio no segundo dia de inscrições, quando as primeiras notas de corte parciais foram divulgadas pelo Sisu. Pela falta de candidatos suficientes, ela não conseguia ver a nota mínima até aquele momento para passar na cota de estudantes PPI de escola pública no curso que queria. “Eu meio que não acreditei. Estava esperando que fosse bem concorrido, fiquei incrédula”, diz. Até então, a única informação disponível era que Mayara estava na segunda colocação da concorrência: isso quer dizer que, durante o período de inscrições do Sisu, pelo menos outra pessoa tinha escolhido aquele curso, naquela modalidade de cotas. Ela não sabia quantas pessoas tinham se inscrito só pela modalidade de escola pública, na qual ela também se encaixa até o último dia de inscrições, porque não havia nota de corte para esses candidatos. A jovem acompanhou o movimento do Sisu todos os dias, mas, na dúvida, decidiu manter sua inscrição dentro da cota racial. Ao fim do processo, tornou-se a única aprovada na modalidade.

 

 


1º lugar em Direito na Ufba: ‘que a escola pública sinta-se representada’ (Correio 24 horas – Notícia – 08/02/2018)

Filho de empregada e motorista de ônibus, Lívio Pereira, 18 anos, ‘brocou’ no Enem

 

Apesar de esperar dois anos pela sonhada vaga em uma universidade pública, o ex-aluno da rede estadual Lívio Pereira, 18 anos, não esperava ser o primeiro colocado na corrida por uma vaga no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba). “Eu atualizava o Sisu o tempo todo durante três dias. Corri gritando pela casa quando vi meu nome lá e minha mãe achou até que eu estivesse doido”, brinca o jovem, relembrando o dia da aprovação. Mas ser advogado é plano para o futuro. O que o estudante – morador da Boca do Rio, filho de uma empregada doméstica e de um motorista de ônibus – pretende agora é atualizar as séries que curte na Netflix. Mesmo levando o 1º lugar numa das mais conceitudas faculdades de Direito do país, Lívio conta que nunca foi um aluno excelente ou o 1º da classe. A preocupação com os estudos, no entanto, chegou durante o 3º ano do ensino médio. “Com a pressão do Enem e do vestibular, eu comecei a estudar”, contou ao CORREIO, com bom humor característico.  O rapaz foi aluno do Colégio Estadual Anísio Teixeira, no bairro da Caixa D’Água, local em que despertou nele o sonho de seguir a carreira jurídica. “Eu fazia um curso técnico de segurança no trabalho e já pegava matérias específicas, que abordava conteúdos de Direito no primeiro ano. Foi aí que descobri que queria fazer o curso”, conta. O rapaz diz que agradece aos professores da instituição pelo apoio com a escolha do curso. “Lembro que eles fizeram um teste vocacional pra mim, na época”, relembra.

Representatividade

Negro, morador da periferia, filho do motorista de ônibus Antônio Carlos e da doméstica Cristina Pereira, Lívio é o primeiro da família a entrar em uma universidade pública. Ele diz que o sustento da casa vem do salário do pai e que a mãe mal completou o ensino fundamental. “Eu agradeço muito a Deus porque não precisei trabalhar, como meus outros colegas. Mesmo sendo humilde, meus pais me deixaram ficar só estudando”, relata. Por falar em colegas, Lívio quer que sua conquista sirva de exemplo para outros estudantes de colégios públicos. “Quero que a galera de escola pública sinta-se representada”, disse ele, ao comentar seu resultado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que garantiu a vaga na faculdade. Segundo ele, muitos alunos da sua sala, inclusive, nem sabiam da existência da Ufba. “Quero que todos eles entrem na universidade”.

Batalha

Em 2016, Lívio prestou vestibular para Psicologia, mas não foi aprovado. Ele atribui o revés à falta de tempo para se dedicar completamente aos estudos. “Eu fazia o último ano de manhã, estudava de tarde e fazia um cursinho pré-vestibular à noite, no Barbalho”, explica. O curso, que na época custava R$ 150, era garantido por uma boa fatia do salário do pai. Foi no ano seguinte que ele resolveu “se isolar” para estudar. O jovem saiu de Salvador e foi passar a maior parte do tempo na Ilha de Itaparica, em uma casa de veraneio da família.

Técnica de estudo

Como dessa vez o jovem estava sozinho, sem ajuda do cursinho, criou uma técnica diferenciada que funcionava à base de frases de incentivo. Às 6h30, por exemplo, o despertador tocava com as mensagens: “Dormir não lhe torna advogado” ou “Acorda, espartano!” Meia hora depois era hora do café. Das 7h às 12h, o jovem estudava os conteúdos relacionados à área de Humanas. No almoço, Lívio ainda assistia vídeo-aulas para “não perder o foco”. De tarde era a hora de estudar Exatas e, de noite, era hora de se debruçar sobre a resolução de questões. “Fiz todas as provas do Enem, (aplicadas) de 2009 até 2017”, conta orgulhoso. Depois, ele começou a resolver provas de universidades de outras regiões, como a Fuvest (São Paulo). Outra técnica adotada pelo rapaz foi criar um “cantinho do guerreiro”, um espaço que era usado apenas como local de estudos.

Diferenciado

No rolê (convívio dos amigos), Lívio é conhecido como Coroa. O apelido, segundo ele, veio por causa do seu gosto por cantores antigos, como Renato Russo, da Legião Urbana. “Os meus amigos gostam de pagode, mas eu curto rock brasileiro”, conta. O jovem também tem paixão pelos lirvos. A obra Revolução do Bichos, de George Orwell, é uma das suas prediletas. “Adoro ler, ver filmes e tocar violão”, resume o rapaz, que abre a sua caminhada na Faculdade de Direito da Ufba no dia 2 de abril.

 

 


Unicamp e Unesp divulgam lista de aprovados em 2018 (Exame – Brasil – 07/02/2018)

Matrículas devem ser feitas pela internet na quarta-feira, no caso da Unesp, e quinta-feira, na Unicamp

 

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou nesta quarta-feira, 7, a lista de convocados na primeira chamada do vestibular 2018. Os candidatos deverão consultar a lista na página eletrônica da Comvest. Os convocados nesta lista deverão realizar a matrícula não presencial, exclusivamente pelo site (www.comvest.unicamp.br), na quinta-feira, 8, a partir das 9h e na sexta-feira, 9, entre 8h e 18h. O candidato aprovado também precisa fazer a matrícula presencial no dia 19 de fevereiro, das 9h às 12h, no respectivos campi. Nesta edição, a universidade oferece 3.340 vagas em 70 cursos de graduação. Os aprovados no processo seletivo da primeira chamada do Vestibular Unicamp 2018 para o curso escolhido como segunda opção deverão realizar a matrícula não presencial pela internet e, optar ou não, por aguardar uma possível vaga para o curso de primeira opção (remanejamento). Candidatos de segunda opção que não fizerem a matrícula pela internet perderão a vaga (segunda opção), mas continuarão concorrendo ao curso de primeira opção, podendo, assim, serem convocados nas próximas chamadas, de acordo com os critérios de classificação. A matrícula presencial da segunda chamada será no dia 19 de fevereiro. De acordo com a Unicamp,a vaga só estará garantida após a matrícula presencial, no dia 19 de fevereiro, das 9 às 12h, conforme orientações do Manual do Candidato. A terceira chamada será divulgada no dia 19 de fevereiro (até as 23h59) e a matrícula para os convocados nessa lista deverá ser realizada no dia 21 de fevereiro. O calendário completo de chamadas e matrículas está disponível na página eletrônica da Comvest e no Manual do Candidato, bem como as orientações e documentos necessários para a matrícula. No dia 26 de fevereiro, todos os candidatos já matriculados nas três primeiras chamadas, inclusive aqueles que aguardam remanejamento, deverão fazer a confirmação de matrícula, nos respectivos campi, conforme horários divulgados no Manual do Candidato. Segundo a assessoria da universidade, a matrícula só estará garantida após sua confirmação na data e horário estipulados, caso contrário será definitivamente cancelada.