08/06/2015 / Em: Clipping

 


Medicina da USP tem 42% de novatos com renda familiar acima de R$ 10 mil   (Globo.Com – G1 Vestibular – 04/06/15)

Os cursos mais concorridos da Universidade de São Paulo (USP) têm percentual maior de alunos de alta renda. Nas sete carreiras mais disputadas, o percentual de alunos com renda familiar acima de 15 salários-mínimos supera a taxa da instituição, que é de 18%. No curso de medicina, 42,3% dos calouros são de famílias com renda superior a R$ 10.860 (considerado o mínimo de 2014, quando os estudantes responderam ao questionário). No bacharelado em artes cênicas, o índice é de 40%. No jornalismo, que tem 60 vagas, 36,7% dos novos alunos estão na faixa mais alta de rendimento. Levantamento feito pelo G1 com dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Fuvest comparou o perfil dos calouros da USP de acordo com questionário respondido por todos os candidatos no momento da inscrição no vestibular. O curso de psicologia tem 31,4% de seus calouros de famílias com renda superior a R$ 10,9 mil mensais. O índice é de 30% na engenharia civil de São Carlos, 25% da medicina de Ribeirão Preto e 20% no curso de audiovisual. Nelas, há também um número menor de candidatos de baixa renda. Enquanto na universidade, 19,9% dos ingressantes têm renda familiar de até 3 salários-mínimos. Entre os mais desejados, o maior percentual de alunos nessa faixa de renda entrou em jornalismo (16,6%). Na engenharia civil de São Carlos, 5% dos calouros são de família com rendimento de até R$ 2.172. Dos 300 calouros de medicina em São Paulo, apenas 6,4% eram de família com renda familiar de até três salários-mínimos.

Não há calouros pretos em 6 dos 10 cursos mais concorridos da Fuvest   (Globo.Com – G1 Vestibular – 03/06/15)

Em seis das dez carreiras mais concorridas da Fuvest 2015, nenhum candidato preto foi aprovado no vestibular e se tornou calouro da Universidade de São Paulo (USP) neste ano. O termo preto é uma das cinco opções de resposta para a pergunta “Qual é a sua cor ou raça?” feita para o calouro no momento da inscrição. Há ainda as opções branca, parda, indígena e amarela. Levantamento feito pelo G1 com dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Fuvest comparou o perfil dos calouros nos cursos mais concorridos. Considerando todos os mais de 10 mil calouros que ingressaram na USP neste ano, o número de calouros que se autodeclaram pretos cresceu de 3,2% para 3,5%. Procurada pelo G1, a USP informou que, “em 2015, o número de ingressantes oriundos de escolas públicas na USP cresceu 8% em relação ao ano anterior e o número de alunos matriculados que se declararam pretos, pardos e indígenas (PPI) cresceu 8,4% em comparação a 2014. Ressalte-se, também, que está em andamento a discussão sobre as novas formas de ingresso na Universidade”.



Só educação não dá conta de reduzir desigualdade, dizem especialistas  (UOL – Vestibular – 08/06/15)

A educação sempre aparece como remédio para os males do Brasil, principalmente a desigualdade social. Sem negar que mais anos de estudo melhoram a vida da população, especialistas começam, porém, a relativizar essa verdade absoluta. “É interessante para a elite e para o governo tratar a educação como uma panaceia, porque se estabelece uma situação de inércia social. Um segmento que tem crescido muito é o de pessoas com ensino superior, que hoje supera 15% dos jovens, mas a desigualdade interna desse grupo é tremenda”, diz o economista Alexandre Barbosa, professor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP. Para ele, a desigualdade no Brasil é estrutural e não será solucionada exclusivamente com mais investimentos em educação. Barbosa mostra que a diferença de renda média do trabalho entre brasileiros com ensino médio e com ensino superior caiu de R$ 1.969,47 em 1995 para R$ 1.741,41 em 2009. A redução dessa diferença, que começa a aparecer no Brasil, é uma realidade nos países desenvolvidos. Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que, nos países onde há mais cidadãos com ensino superior, é menor a diferença de salário entre trabalhadores mais e menos qualificados, o que contribui para diminuir o abismo entre ricos e pobres. Alguns economistas explicam a desigualdade no Brasil justamente por essa escassez de trabalhadores qualificados, que não preenchem a demanda por mão de obra especializada e, portanto, têm baixos salários. Barbosa diz que essa teoria ignora o outro lado: a “sobrescolarização”. “Criou-se uma porção de universidades de fundo de quintal. O mercado não precisa dessa mão de obra, e o estudante vira atendente de lanchonete.

Escolas com alunos mais pobres se superam em São Paulo   (UOL – Vestibular – 07/06/15)

As escolas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental da rede estadual paulista têm registrado melhora nos indicadores de qualidade com o passar dos anos, mas a desigualdade social ainda é notável. Das 160 melhores escolas com nota a partir de 6 no ranking estadual, 45% atendem alunos de famílias com nível socioeconômico mais alto. E só 20% acolhem os mais pobres. Ou seja, o nível e a condição da família têm muita influência no sucesso da escola, independentemente de outras características da unidade, como local ou estrutura. Mas há exceções. O Estado visitou três escolas que atendem alunos que estão entre os 25% com nível socioeconômico mais baixo e conseguem alcançar bons indicadores de qualidade. Nelas se destacam comprometimento de professores e a liderança de diretores, além do uso dos materiais oficiais, como o currículo, e o acompanhamento. As escolas já superaram até a meta que o Estado estabeleceu para daqui a 15 anos: Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo) de pelo menos sete nos anos iniciais e seis nos anos finais. A rede é a maior do país – são quase 4 milhões de alunos em 5.300 escolas.

Alunos aprovam Enem na USP, mas dizem que a concorrência não diminuirá   (UOL- Vestibular – 07/06/15)

A reserva de vagas da USP (Universidade de São Paulo) para candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), segundo vestibulandos, deve aumentar as chances de aprovação. Especialistas, porém, dizem acreditar que, para alcançar as metas de inclusão, a estratégia não deve ser totalmente eficaz.Ex-aluna da rede pública, a vestibulanda Juanitha Brito, 18, gosta da ideia de mudança e reclama da complexidade da Fuvest. “Já o Enem é uma prova diferente, que não avalia só o conteúdo, mas outras habilidades, como de interpretação de texto”, afirma. Ela pretende cursar Direito na USP. Outra vantagem é ter duas oportunidades no mesmo ano. “Diminui o nervosismo. É bem melhor fazer a prova sabendo que há outra chance”, diz a jovem, que não conseguiu passar na Fuvest em 2014. A concorrência pela vaga, porém, não deve diminuir. “Muitos deixam de prestar a Fuvest porque não são de São Paulo ou de outras cidades onde é feita a prova. Como o Enem é em todo o país, agora vão poder tentar.” Isso não preocupa Milene Saraiva, 17, interessada em medicina. “Já é concorrido de qualquer jeito”, diz. “Meu foco é o vestibular, independentemente de qual for”, afirma. A jovem fez o ensino médio em escola privada, mas com 100% de bolsa. Ela espera que, em casos como o seu, também seja possível tentar a vaga com o Enem.

Só seis dos 20 cursos top da USP vão usar Enem   (UOL – Vestibular – 06/06/15)

Das 20 carreiras com maior nota de corte na USP (Universidade de São Paulo) –54 a 72 pontos de 90 possíveis–, apenas seis terão reserva de vagas para candidatos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), segundo proposta da Pró-Reitoria de Graduação. Medicina e psicologia, na capital e em Ribeirão Preto, direito e engenharias na Escola Politécnica são as carreiras de ponta para as quais o Enem foi sugerido. Para valer, a mudança no vestibular ainda depende do aval das faculdades e dos conselhos superiores da instituição. O documento em que a pró-reitoria recomenda uma proporção de vagas pelo exame para cada curso foi obtido pela reportagem. A ideia da USP é que essas cadeiras sejam ofertadas só para candidatos da rede pública pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), plataforma digital que reúne vagas do ensino superior público. A fatia de vagas reservadas deve variar para cada curso, e a USP prevê a mudança já para este vestibular. A meta da universidade é ter, até 2018, metade de alunos de escola pública, com 35% de PPI (Pretos, Pardos e Indígenas). O uso do Enem é uma aposta para cumprir o objetivo. A USP não usa cotas, mas bônus no vestibular para candidatos de rede pública e PPI. A nova proposta, com o Enem, não prevê recorte de renda ou classe. Caso a sugestão seja aceita, 241 das 2.625 vagas das carreiras mais difíceis seriam disputadas pelo exame federal.

Para especialistas, ensino médio é gargalo, e indicadores estão estagnados   (UOL – Vestibular – 06/06/15)

Para especialistas, mudanças são urgentes. Segundo o ex-secretário de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação) Cesar Callegari, o ensino médio precisa de uma revolução, feita com muita coragem. “Não adianta mais ficar remendando uma estrutura que evidentemente não corresponde às necessidades dos jovens, das escolas e do país”, diz o também ex-secretário municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo. “É importante que a meninada tenha como exercer seu protagonismo.” Os indicadores de qualidade do ensino médio do país estão praticamente estagnados, e não é diferente em São Paulo. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do ensino médio paulista caiu entre 2011 e 2013, de 3,9 para 3,7, ficando abaixo da meta daquele ano (que era de 3,9) e distante da meta a longo prazo: chegar a 5,1 em 2021. No indicador estadual realizado todos os anos, houve variação positiva no Idesp em 2014 com relação ao ano passado. Passou de 1,83 para 1,93 –o ideal é chegar a 5.

SP mudará ensino médio público em 2016 e alunos vão escolher disciplinas  (UOL – Vestibular – 06/06/15)

O governo do Estado de São Paulo vai iniciar no próximo ano um novo modelo de currículo no ensino médio. O plano da Secretaria Estadual da Educação é transformar a maior parte do curso em disciplinas optativas, modelo em que os estudantes podem escolher o que vão estudar. O novo ensino médio deve começar em 2016 em um número restrito de escolas e depois avançar para toda a rede. A reforma dessa etapa deve transformar sobretudo os 2º e 3º anos, quando as disciplinas serão oferecidas para opção do aluno. Será o estudante que montará sua grade. Apenas o 1º ano continuaria com o currículo fechado, em um “núcleo comum”, como é hoje em toda a educação básica. Ao se confirmar, essa deve ser a maior mudança no ensino médio da rede estadual, a maior do país. O secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, informou à reportagem acreditar que a aposta no protagonismo do aluno é a melhor saída para essa etapa, considerada o maior gargalo da educação brasileira. “Se eu quiser desenvolver a capacidade de escolha e de tomada de decisões nos jovens, tenho de permitir que ele opte. Este é o único caminho que tenho para que esse menino diga: ‘estou escolhendo as disciplinas que eu quero, que fazem parte do que eu quero seguir na minha vida'”, disse o secretário. A proposta está sendo finalizada na área pedagógica da pasta para ser discutida no CEE (Conselho Estadual de Educação) no segundo semestre. A secretaria não revela detalhes, mas o plano é que a maior parte do que é estudado nos dois últimos anos seja construída a partir dos interesses do aluno. Deve haver a oferta de disciplinas fora da grade tradicional, como Teatro. “Ou mudamos ou vamos falir e esses meninos não vêm para a escola. Se ele odeia Matemática, pode optar por Artes, Idiomas”, diz Voorwald.



Ensino médio público terá currículo mais flexível a partir de 2016   (Folha Online – Educação – 06/06/15)

As escolas da rede pública de ensino médio do Estado de São Paulo passarão por um redesenhamento curricular a partir de 2016, com objetivo de flexibilizar o currículo e possibilitar que o aluno escolha as matérias de acordo com seus interesses. O novo modelo proposto pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo pretende dar mais autonomia para o estudante, que poderá montar sua grade dos dois últimos ano da etapa, a partir de um catálogo de disciplinas optativas, que vão de ciência a teatro. O currículo fechado, que é adotado atualmente, será mantido apenas no primeiro ano.  As informações foram publicadas no jornal “O Estado de S. Paulo” neste sábado (6).  Inicialmente, o novo currículo será implantado em um número definido de escolas, que serão escolhidas pela adesão ao projeto. Depois, será disseminado nas cerca de 3,6 mil escolas estaduais paulistas.  Em entrevista ao jornal, o secretário Herman Voorwald disse que dar o poder de escolha aos alunos permite que eles estudem aquilo que pretendem seguir carreira e fiquem mais mais motivados.  Antes de ser adotada, a proposta passará por discussão pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) no segundo semestre.