09/04/2012 / Em: Clipping

 


Obstáculos para o ensino superior  (Folha de S.Paulo – Opinião – 05/04/12)

O presidente da CAPES, Jorge Guimarães, comentou aqui (“O ensino superior no país está crescendo”, de 28 de fevereiro) uma análise minha sobre a mudança de tendência na evolução da educação superior no país, a partir de 2005. Com dados anuais do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), observei notável redução na taxa de crescimento do número de concluintes após 2005. Guimarães levanta a importância de considerar os concluintes em cursos de ensino à distância (EAD), além dos de cursos tradicionais. Bom ponto. Parece-me mais correto, entretanto, considerar o ensino à distância separadamente -pelo fato de ele ser diferente da modalidade presencial. Diferente não é melhor nem pior, significa que atende a uma clientela diferente, com objetivos diferentes. Entre os cursos à distância, há poucos de engenharia e medicina. Nem o Ministério da Educação computa concluintes de EAD junto com os presenciais (o INEP apresenta em tabelas de seções diferentes). Os cursos presenciais demandam infraestrutura predial e laboratorial, investimentos em professores e permanência de estudantes.A adição dos concluintes em EAD, no entanto, não muda a reversão na taxa de crescimento. De 1995 a 2005, o número de concluintes em universidades públicas cresceu 8,3% ao ano. De 2005 a 2010, a variação foi de -0,4% ao ano ( -2,2% sem os concluintes de EAD). Houve menos concluintes em 2010, comparado com 2005, mesmo com o EAD. O crescimento no ensino privado também perdeu força; no total, juntas entidades públicas e privadas, a taxa de crescimento até 2005 era de 10,9% ao ano e caiu para 6,3% ao ano de 2005 a 2010. Quanto à baixíssima probabilidade (0,7%) de um jovem paulista com ensino médio completo poder cursar uma boa universidade federal em São Paulo, Guimarães menciona realizações importantes, mas ainda insuficientes, como a criação da UFABC. A resposta do MEC ao apontar para as vagas do sistema unificado federal fora de São Paulo basicamente diz aos jovens paulistas: “Vão embora de São Paulo para estudar em outros Estados”. Ela não satisfaz, dada a dimensão da colaboração do contribuinte paulista com a arrecadação federal. O fato é que o número de concluintes nas universidades federais no Estado de SP em 2010 representou apenas 13% dos concluintes nas estaduais paulistas em 2010. Na pós-graduação, persiste a queda de crescimento anual. O Plano Nacional de Pós-Graduação da Capes, de 2005, previa em 2010 a titulação de 16.295 doutores. O resultado foi 11,3 mil, 31% abaixo da meta. Por que tudo isso aconteceu? Que políticas precisam ser revisadas para recuperar a taxa de crescimento necessária ao desenvolvimento do Brasil? Para que o ensino superior se desenvolva em quantidade e qualidade, é essencial aumentar a frequência ao ensino médio no país, assim como a sua qualidade. Não adianta tapar o sol com a peneira: sem consertar o ensino médio, o ensino superior -presencial e à distância, público e privado, de graduação e de pós-graduação- enfrentará dificuldades crescentes.

CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ
, 53, é diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Foi reitor da Unicamp e presidente da Fapesp



Desinformação é principal inimigo de vestibulandos   (Veja – Educação – 09/04/12)

Desinformação é o maior obstáculo aos estudantes prestes a prestar vestibular e, portanto, escolher uma carreira profissional. Segundo pesquisa realizada pela Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, 59% dos alunos de ensino médio entrevistados não conhecem bem o mercado em que pretendem atuar e 39% não sabem como é o cotidiano da profissão sonhada, idêntica parcela dos que desconhecem as diferentes especializações dentro da mesma carreira. O levantamento ouviu 18.129 estudantes do 3º ano do ensino médio de escolas públicas (31%) e particulares (69%) da Grande São Paulo. O levantamento revela ainda que, a menos de um ano do vestibular, 56% dos entrevistados têm dúvidas sobre a carreira a seguir. Na escola particular, a parcela de indecisos é ainda maior: 46% não sabem qual curso escolher, ante 39% dos estudantes de unidades públicas.