09/12/2010 / Em: Clipping

 


Avaliação seriada diminui pressão do vestibular (UOL – Vestibular – 08/12/10)

O nome muda de uma universidade para outra, mas a intenção de quem adota o sistema de avaliação seriada é uma só: diminuir a pressão do vestibular. Com provas aplicadas ao final de cada ano do ensino médio -e que cobram conteúdos dados na série correspondente-, esse modelo de seleção ganhou a aprovação de instituições e alunos. A UnB (Universidade de Brasília), uma das primeiras a adotar o sistema, fará no ano que vem a 15ª edição do seu programa seriado. Segundo Paulo Portela, coordenador acadêmico do Cespe/UnB, uma das grandes vantagens é que, em geral, os candidatos enfrentam uma concorrência menor do que no vestibular. “Medicina na UnB facilmente passa de 100 candidatos por vaga. No PAS [Programa de Avaliação Seriada], são uns 30”, exemplifica. Bruna Raeder, 17, que fez a prova do 3º ano no último fim de semana, vê outras vantagens: “A gente consegue estudar melhor, dar mais atenção aos conteúdos”. “Quando a gente faz só uma prova, não absorve o conteúdo, só decora”, afirma Victoria Romano, 16, que participa do programa de avaliação seriada da Faap. Presidente da comissão do vestibular da UFSM (federal de Santa Maria, RS), Edgar Durante concorda. “É um sistema que permite que o aluno se prepare melhor.” Novata nesse processo, a UEM (estadual de Maringá, PR) fez sua primeira prova no ano passado e, mesmo sem ter completado o ciclo dos três anos, já aprova o modelo. “Estamos impressionados com o sucesso do programa”, diz Emerson Arnaud de Toledo, presidente da comissão Toledo diz que modelo seriado tem sido elogiado pelas escolas. “Dizem que agora o estudante se interessa desde o 1º ano. Não é mais aquela coisa de estudar para o vestibular só no último ano.”



O diploma cada vez mais valorizado  (Folha Dirigida – Primeira Página – 09/12/10)

A cada ano, milhões de pessoas tentam ingressar em alguma instituição de Ensino Superior. O desejo de cursar uma faculdade, conseguir um diploma e consequentemente um bom emprego cresce a cada dia e ainda é um ideal da nossa sociedade. Realizado pelo Ministério da Educação (MEC), o Censo da Educação Superior 2008, mostrou que, naquele ano, 1.936.078 novos alunos iniciaram algum curso de formação universitária, 8,5% a mais em relação a 2007. As faculdades representam boa parte destas instituições no Brasil, e, há dois anos, cerca de 93% delas pertenciam ao setor privado, o que representava cerca de quatro milhões de vagas. Muitas pessoas também buscam uma oportunidade de especialização no ensino público. Prova disto, é o número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio, que serve como critério de seleção para vagas de diversas instituições do Brasil, muitas delas mantidas pelo governo federal. Somente este ano, mais de quatro milhões e meio de pessoas prestaram o Enem. Os números do crescimento do ensino superior no país realmente não mentem. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5.932.244 pessoas frequentavam, em 2008, cursos de graduação no Brasil. Ainda segundo o Censo, em 2008, um total de 53% dos alunos de graduação presencial estudavam em universidades, 33% em faculdades e 14% em centros universitários.
Pública ou particular; Universidade, faculdade ou centros universitários, todos oferecem aos jovens a oportunidade de concluir o Ensino Superior e seguir para o mercado de trabalho na área escolhida. E é justamente isso o que os futuros profissionais têm buscado cada dia mais com a graduação: aprimorar o currículo, ascender na carreira, ter sucesso profissional e independência financeira. Para Helen Fernandes, que tenta ingressar no curso de Odontologia, a faculdade é o caminho mais certo para o sucesso profissional no futuro. “Acredito que quanto mais especialização tiver, mais profissional você vai ficando na área. E isso é o que conta hoje”, acredita. Erica Batista da Costa já cursou Produção em Eventos e agora tenta ingressar no curso de Gastronomia. Para a estudante, com a graduação, o profissional possui mais perspectivas de emprego. Helen e Erica fazem parte de uma legião de jovens que pensam da mesma forma. Mas ainda há pessoas que buscam na faculdade não só melhorias do ponto de vista financeiro, mas, principalmente, ampliação do conhecimento. Este é o caso do professor de História Diego Dias dos Santos. Este ano, ele decidiu novamente voltar a ser vestibulando. Desta vez, a meta é cursar Filosofia. “Quero fazer outra faculdade porque gosto muito de aprender, ampliar meus conhecimentos. Além de expandir horizontes, a faculdade permite que você conheça novas pessoas e viva novas experiências”. Para Diego Dias, o ensino fundamental e médio são essenciais para formar um cidadão, mas a faculdade proporciona esse aprendizado de uma maneira muito mais ampla e prática. “É um novo conhecimento da realidade. A faculdade para mim, não é uma forma de ganhar mais dinheiro. Claro que isso é excelente, mas este não deve ser o objetivo final. É consequência. A pessoa deve buscar, acima de tudo, conhecimento”, defende.

Ensino superior X profissionalizante

Apesar da busca cada dia maior de boa parte da população pela formação universitária, a procura por cursos técnicos também tem aumentado. De acordo com dados do Censo Escolar, em seis anos, de 2003 a 2009, o ensino técnico cresceu em torno de 50% no Brasil. Em 2009, 861.114 pessoas cursavam alguma modalidade profissionalizante no país. O caminho mais curto para o mercado e as novas perspectivas de emprego fazem desta uma constante opção dos jovens. O técnico em Química Daniel Borges decidiu cursar a graduação de Engenharia Química. Para ele, o curso é um complemento dos conhecimentos adquiridos no ensino profissionalizante e fundamental para o aumento da remuneração. “Com a graduação posso almejar outros cargos onde trabalho e assim fazer uma carreira”, explica. O técnico também acredita que a instituição de ensino tem que passar valores para seus alunos. “A faculdade consegue formar e transformar uma pessoa.” O amigo Felipe Cardoso Wilhelm concorda e acredita que, na faculdade, o futuro profissional é melhor preparado. “Na faculdade, aprendemos sobre relações interpessoais, sociais, entre outras, que contribuem muito para formação de um profissional. Em um curso técnico, esse tipo de conteúdo é bem menor. Também acho que, nesta fase, as pessoas estão mais maduras. Assim, conseguem tirar mais proveito da graduação”, declara o estudante de Economia. Já para Felipe Camarinha Cabana, que também é técnico em Mecânica e agora quer ingressar na graduação de Engenharia Mecânica, o profissional tem que ir se graduando cada vez mais. “E não é só ingressar na faculdade. Depois, o profissional ainda tem que fazer, pós, mestrado, doutorado. Enfim, tudo o que for possível para se especializar”, afirma. Para ele, a graduação não é melhor nem pior que o ensino técnico, pois cada curso possui um objetivo diferente. “Tem muita coisa que o técnico faz que um engenheiro não faz. Tanto quanto um engenheiro, o técnico faz muito projetos, mas também há outros serviços que só um pode fazer. As pessoas pensam que aquele profissional que faz graduação, no meu caso, os engenheiros, ganham mais. Porém, isso pode não acontecer. Muitas vezes, o técnico, se tiver uma forte especialização, ganha mais que um engenheiro. O que eu quero é ampliar minha área de atuação e aí sim, ver onde vou trabalhar definitivamente”, revela.

Um ensino não substitui o outro

Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) demonstraram que o fato de o indivíduo ter uma formação profissional aumenta em 48% as chances de obtenção de emprego. O coordenador de projetos educacionais do sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Allain Fonseca, ratifica a estatística e afirma que o ensino profissional realmente tem se mostrado um caminho mais curto e fácil no ingresso ao mercado de trabalho. De acordo com o especialista, apesar do crescimento do volume de emprego e a tendência de crescimento dos postos de trabalho, os jovens, em função da falta de uma vivência profissional, ainda integram a parcela da população com os menores índices de empregabilidade e a formação profissional vem, se não resolver, pelo menos, amenizar essa questão, pelo fato de alinhar conhecimentos técnicos aos aspectos práticos. A faculdade, entretanto, continua a ser a opção mais desejada pelos jovens. Também segundo Allain, ainda hoje, a sociedade brasileira possui uma tradição academicista muito forte. O curso técnico, muitas vezes, serve como campo de experimentação, onde o estudante percebe se realmente tem afinidade com a área e posteriormente segue, de forma mais consciente, para a graduação. Mas, de acordo com especialistas, um ensino não substitui o outro. Pelo contrário, se complementam. “O ensino profissionalizante e a graduação são dois níveis de  profissionalização distintos, mas tendem a se tornar complementares. Na medida em que, com o avanço tecnológico, muitas competências incorporadas dentro de novas ocupações e funções estão se fundindo, o processo de educação passa a ser contínuo”, afirma o coordenador do sistema Firjan. Para Paulo Pimenta, superintendente do Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) do Rio de Janeiro, instituição que auxilia estudantes no ingresso ao mercado de trabalho, não há outro caminho, a não ser pela educação permanente, onde se inclui a universidade, para o desenvolvimento da pesquisa e do conhecimento. “Teoricamente o processo de ensino nunca deveria acabar. Quem conclui o ensino fundamental opta pelo ensino médio profissionalizante ou o de formação geral, com vistas para o vestibular. No final da ponta, o governo apresenta o mestrado e o doutorado, mostrando às pessoas que elas podem seguir dois caminhos, efetivamente o da prática ou o da pesquisa. Dessa forma, a universidade é o elo entre a formação geral e o acesso a esse novo campo, que é o da pesquisa”, explica. Pimenta também acredita na formação continuada. E a explicação é simples: na medida em que o profissional conclui o curso técnico e consegue uma inserção inicial no mercado, começa a perceber que há várias oportunidades para evoluir em sua carreira e que, em vários casos, elas dependem de conhecimentos que a formação inicial não traz. “Ele passa a verificar, no dia a dia, que pode ir à frente, buscando assim ingressar na graduação. Além disso, o que acontece muitas vezes, é que a pessoa não tem perspectiva de ingressar em uma universidade e então faz o curso técnico com a esperança de conseguir rapidamente um emprego e aí sim, ter um ganho mensal necessário para arcar com os custos da universidade.” Para o superintendente do Ciee-RJ, que também é professor da área de Ciências Humanas, coordenador de pós-graduação na mesma área e administrador pelo Conselho Regional de Administração (CRA), a universidade também serve para formar um cidadão, pois trabalha nas pessoas valores como diversidade, ética, além de várias competências necessárias em uma organização. Já Allain Fonseca acredita que a formação mais global do indivíduo está centrada no ensino básico. “Não vejo a universidade fazendo esse papel. Nós também trabalhamos a formação cidadã, até pelo fato de que muitas dessas competências são necessárias para o profissional dentro de uma organização. Saber trabalhar em equipe, por exemplo, é uma característica importantíssima para todos os níveis de trabalho, assim como atitudes de pró-atividade e iniciativa.” Para o coordenador, o trabalho dessas questões está mais alinhado com a formação técnica, pelo fato de ela ter conexão maior com aspectos efetivos do mundo do trabalho, do que os cursos universitários. Independente do caminho escolhido, o importante é que o jovem, ao se especializar, tome um caminho que além de promover a formação de mão de obra necessária para a nação, o desenvolva pessoalmente. Assim, o profissional – graduado, ou técnico – contribuirá para seu próprio crescimento e para o da sociedade.