10/02/2014 / Em: Clipping

 


Estudante de 18 anos muda rotina e é aprovada na USP, Unicamp e UFBA   (Globo.Com – G1 Vestibular – 09/02/14)

Disciplina, planejamento e dedicação.  Esses são os principais elementos que contribuíram para o sucesso da estudante de Salvador, Annie Queiroz Piva, de 18 anos, aprovada em Engenharia Aeronáutica na Universidade de São Paulo (USP), em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e em Mecatrônica na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela optou pelo curso da USP, com início marcado para o primeiro semestre de 2014. Annie concluiu o ensino médio em 2013 pelo Colégio Militar e conta que desde o início do ano começou a intensificar os estudos em busca da aprovação no vestibular. “Eu estava fazendo colégio de manhã, de tarde ia para o cursinho e à noite e no final de semana estudava os assuntos que tinham sido dados”, conta. “Eu saía muito com minhas amigas, mas tive que abrir mão para me dedicar. Inclusive, deixei de dormir”, confessa, rindo.

Primeiros colocados em medicina ‘esnobam’ Unicamp e ficam com USP   (Globo.Com – G1 Vestibular – 08/02/14)

Passar em primeiro no curso mais concorrido e de uma das universidades públicas mais cobiçadas do país é o sonho de muitos jovens que enfrentam a maratona dos vestibulares. Os dois primeiros colocados para as 110 vagas de medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) , no entanto, podem ser dar o luxo de ‘esnobar’ a instituição. Eles devem optar pelo mesmo curso na Universidade de São Paulo (USP). Os estudantes Eliezer de Abreu Cunha, 20, de Juiz de Fora (MG), e Tomás Azevedo Rodrigues, 18, de São Paulo (SP), ficaram nois dois primeiros lugares da 1ª lista de chamada da Unicamp, respectivamente. Mas ambos devem abrir mão da matrícula, na quarta-feira (12).



Políticas de inclusão atreladas apenas ao vestibular são insuficientes

Apesar de importantes, as políticas de inclusão social ou de ação afirmativa no ensino superior atreladas somente ao vestibular – ou a processos seletivos como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) – são insuficientes para solucionar o problema da exclusão de jovens oriundos de escola pública. Isso porque a exclusão nas universidades estaduais e federais ocorre antes mesmo do processo de seleção dos candidatos para os cursos de graduação. A avaliação foi feita por Marcelo Knobel, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), durante o simpósio Excellence in Higher Education, nos dias 23 e 24 de janeiro na Fapesp. “O próprio funil do vestibular ou do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] já é excludente”, disse Knobel na palestra que proferiu no evento. “Menos de 5% dos estudantes que prestam o vestibular da Unicamp são aprovados.” De acordo com Knobel, dos quase 500 mil jovens que concluem o ensino médio anualmente no Estado de São Paulo, aproximadamente 85% estudaram em escolas públicas e 15% em instituições privadas. Já do total de estudantes que prestam vestibular para as principais universidades públicas do país a situação se inverte: na Unicamp, por exemplo, aproximadamente 70% são egressos de escolas privadas e 30% de instituições públicas. “Essa inversão ocorre porque a grande massa de estudantes que concluem o ensino médio em escolas públicas não considera o ingresso em universidades públicas, pois sabe que tem pouca ou nenhuma chance de entrar nessas instituições”, afirmou Knobel, que integra a Coordenação Adjunta de Colaborações em Pesquisa da Fapesp. A relação desigual se mantém mesmo com o aumento geral na procura por vagas. Na Unicamp, por exemplo, o número de interessados nos cursos de graduação cresceu quase 40% nos últimos cinco anos, segundo Knobel. O número de inscritos no vestibular da universidade campineira saltou de 49 mil, em 2009, para 74 mil, este ano. O total de vagas, no entanto, manteve-se o mesmo: 3,3 mil vagas, para 69 cursos. “O dilema do acesso às universidades públicas é consequência do número ainda limitado de vagas que elas têm a oferecer, o que torna os processos de seleção intrinsecamente excludentes”, avaliou Knobel.