10/03/2011 / Em: Clipping

 


Unicamp matricula aprovados em 5ª chamada nesta sexta  (EPTV – Virando Bixo – 10/03/11)

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) realiza nesta sexta (11) a matrícula dos 208 aprovados em 5ª chamada no Vestibular 2011. Os convocados devem efetuar a matrícula das 9h às 12h. Todos os ingressantes na Unicamp deverão se matricular na Diretoria Acadêmica do campus de Campinas, inclusive os aprovados para o curso de Odontologia, que funciona no campus de Piracicaba, e os calouros da Faculdade de Tecnologia (FT) e da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), instaladas nos campi de Limeira.



Discriminação tira mulheres de áreas exatas e preocupa governo  (IG – Educação – 09/03/11)

Uma fila de meninos e outra de meninas. A forma de organização que realça a diferença de gênero está na memória escolar da maior parte dos brasileiros e ainda é uma prática comum nas escolas. O que é visto com muita naturalidade por todos os agentes do ambiente escolar e pela própria sociedade pode esconder práticas que acabam também incentivando a discriminação de gênero, que, na maior parte das vezes, faz como vítima o lado feminino. “As meninas são sempre elogiadas por ficarem quietinhas, mais comportadas. É comum ouvir colegas de trabalho dizendo que esse é o comportamento de uma moça. Quando a situação é inversa, ou seja, uma menina mais agitada, fatalmente ouviremos a seguinte repreensão: ‘não é assim que uma moça bonita se comporta”, diz a professora de Educação Física, Debora Ferreira, que atua na rede pública do Distrito Federal. Embora o relato apresente uma cena cotidiana, comum em todo país, o incentivo dessa prática nas escolas brasileiras vem chamando a atenção do governo. Preocupado com o baixo índice de mulheres em profissões que requerem mais ousadia e inovação, o governo colocou como meta, qualificar, até 2014, meio milhão de professores nas questões de gênero e diversidade. De acordo com a ministra Iriny Lopes, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SEPM) órgão ligado à Presidência da República, a decisão tem o intuito de iniciar uma mudança cultural a longo prazo, que tenha reflexos na condição da mulher no mercado de trabalho. “Uma das nossas metas é chegar em 2014 com meio milhão de professores formados em gênero e diversidade, um programa que está sendo coordenado pelo Ministério da Educação. Temos que dar escala a essa formação e melhorar as condições para trabalhar a autonomia das mulheres”, enfatizou a ministra que, logo que assumiu a SEPM, se surpreendeu com os dados de gênero revelados pelas Olimpíadas de Matemática. Uma observação feita pela própria idealizadora e coordenadora da competição, Suely Druck, demonstrou que nas séries iniciais, a participação de meninas é praticamente igual à dos meninos. Já nas séries mais adiantadas, o percentual de meninas participando da competição nacional cai drasticamente. “O que acontece é que elas são direcionadas para outros focos, que não a matemática.



Sonho de cursar universidade pública está mais amplo   (Folha Online – Educação – 10/03/11)

“Passei na USP!” Quantas vezes ouvimos candidatos eufóricos, após um longo e trabalhoso ano de estudos, dizerem com extremo orgulho que foram aprovados na Universidade de São Paulo. Orgulho que permanece, mas que hoje já não é o fator decisivo para efetuar a matrícula. A criação de novas universidades públicas, federais, estaduais, em diversas regiões do país, tem apresentado novas possibilidades aos vestibulandos. Em alguns casos, mesmo sendo aprovados na USP, mais concorrida, acabam optando por outras instituições. Podemos enumerar muitas razões para essa nova realidade, mas que sempre giram em torno dos anseios profissionais e pessoais. Pelo lado profissional, o candidato pode optar por universidades mais ou menos conservadoras, com peculiaridades como, por exemplo, a orientação científica da instituição ou sua ênfase em determinadas especialidades da mesma carreira, mais autonomia para escolher disciplinas, entre outras situações.

Um em quatro aprovados desiste da USP   (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 10/03/11)

A USP, maior universidade pública do país, cujo logotipo impresso em um diploma é símbolo de excelência, essa universidade foi, neste ano, esnobada por nada menos do que um em cada quatro alunos aprovados no vestibular. Dos 10.652 nomes que constavam na primeira chamada da Fuvest (fundação para o vestibular), 2.562 não se apresentaram para a matrícula. O resultado dessa espécie de evasão instantânea é que nunca foi tão gorda a lista da segunda chamada. Em 2005, de 9.567 aprovados na Fuvest, 1.243 desistiram da USP na primeira chamada -dava 13% do total. Cursinhos, reitoria da USP e MEC atribuem o fenômeno: 1) à multiplicação de vagas nas universidades federais (e em algumas estaduais); 2) ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada do ministério), pelo qual um estudante pode disputar vagas em várias universidades públicas, fazendo apenas uma prova (o Enem); 3) ao ProUni (bolsas de estudo na rede privada); 4) ao Fies (financiamento estudantil do governo federal), que concede empréstimos para pagamento de mensalidades a juros de 3,4% ao ano.
“Na prática, o aumento do entorno tem impacto”, admite a pró-reitora de graduação da USP, Telma Zorn. Segundo o secretário de Ensino Superior do MEC, Luiz Claudio Costa, foram firmados 71.600 contratos pelo Fies em 2010, 420 mil bolsas de ProUni estão atualmente em vigor e o sistema federal de ensino superior admitirá 243,5 mil calouros em 2012 (em 2003, eram 110 mil). “São novas alternativas de qualidade oferecendo-se aos jovens de todo o país”, diz. Há desde o rapaz que prefere ir para uma escola privada perto de sua casa ou do trabalho até aquele que, para fazer o curso desejado em uma instituição federal, até topa mudar de Estado (28% das vagas em disputa no Sisu foram preenchidas por alunos “migrantes”).
O fenômeno das desistências na USP tem afetado as escolas de maneira diferenciada. Se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo houve apenas uma desistência entre os 150 aprovados, o curso de fonoaudiologia de Bauru, com 40 vagas, ficaria às moscas se houvesse só a primeira chamada. Nada menos do que 39 evadiram-se antes da matrícula (97,5% do total). Das 19 carreiras com índice de desistência maior ou igual a 40%, 16 estão em escolas do interior (Bauru, Ribeirão Preto, São Carlos, Pirassununga, Lorena). A Fuvest já divulgou a terceira lista de aprovados, na expectativa de preencher 1.113 vagas ainda sem dono. Os convocados, é óbvio, são candidatos que fizeram menos pontos do que os chamados na primeira e segunda listas. O curso de fonoaudiologia de Bauru, onde 65% das vagas continuam sem ter quem as queira, está chamando 26 estudantes.

Aluno hoje tem mais opções, diz pró-reitora (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 10/03/11)

O fenômeno se deve à maior opção de universidades, e não à queda de prestígio da USP, diz Telma Zorn, pró-reitora de graduação. (LC e FT)  

Folha – Como avaliar isso?

Telma Zorn – A situação está mudando, o aumento do entorno tem impacto. Unesp, Unicamp e as federais se expandiram, todas boas opções, felizmente. Tem também o ProUni, que mais que duplicou suas bolsas de 2006 a 2011.

O aluno não pode achar que a USP está inferior?

Nenhum aluno de bom senso pode achar a USP pior que as outras. Vai ao contrário de tudo: é gratuita, tem inúmeras possibilidades artísticas e de esporte, que não há em outra. Não há desprestígio.

Democratização do ensino cobra mudanças na universidade (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 10/03/11)

HÉLIO SCHWARTSMAN

Aos 77 anos, a USP precisa decidir o que quer ser quando crescer. Os números que a Folha publica hoje sugerem que a vetusta universidade paulista começa a ter arranhada sua até aqui incontestável posição de principal instituição do país. É claro que a USP tem gordura para queimar. Ela aparece como primeira universidade brasileira em rankings internacionais e responde por cerca de 25% da produção científica do país. Não é preciso, porém, ser gênio da matemática para prognosticar que, se os melhores alunos do ensino médio estão cada vez mais trocando a USP por outras instituições, é questão de tempo até que isso se reflita na excelência da universidade. Apesar do marketing, o fator que mais pesa na qualidade de um curso ainda é a qualidade do corpo discente. Existe, é claro, um lado bom nesse fato. Isso é possível porque surgiram bons centros em outros lugares, além de mecanismos -como Fies, ProUni e Sisu. Não parece despropósito descrever o fenômeno como democratização do ensino superior. Isso cobra da USP um reposicionamento. Há dois caminhos para a instituição. Ela pode tentar acompanhar e desenvolver novas formas de inclusão. A criação da USP Leste foi um passo. Mas é difícil afirmar que tenha sido um sucesso. A outra possibilidade é tentar firmar-se como uma universidade de elite, voltada a formar os quadros que darão aulas em outras instituições e à produção de ciência básica. Embora muitos torçam o nariz à menção da palavra “elite”, seguir essa rota não chega a ser estranho às tradições da USP. Ficar no meio do caminho não parece uma opção sábia. De um lado, a democratização está ocorrendo. Alunos ricos ou pobres dependem cada vez menos da USP para cursar uma universidade. De outro, a instituição enfrentará concorrência cada vez maior (mesmo fora do país) e deve pensar duas vezes antes de dispersar recursos em iniciativas que trarão dividendos duvidosos.