12/03/2010 / Em: Clipping

 


Justiça concede liminar contra sistema de cotas da UFG  (Terra – Vestibular – 11/03/10)

A Justiça Federal de Goiás concedeu uma liminar para que o estudante Pedro Ivo Ximenes, 18 anos, se matriculasse no curso de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), mesmo ele tendo ficado em 107º lugar, fora das 88 vagas oferecidas para os candidatos do sistema universal do vestibular da instituição. O juiz federal Carlos Humberto de Sousa atendeu ao pedido do estudante e concedeu liminar, alegando que a reserva de vagas é inconstitucional.  Todo ano, o curso oferece 110 vagas, mas 20% delas são destinadas ao programa de cotas sociais e raciais da universidade, o UFG Inclui. Ximenes alegou que teria conseguido acesso à instituição se não houve o sistema de cotas.



Apagão do Enem (Folha de S.Paulo – Editorial – 12/03/10)

DEPOIS da série de problemas que quase inviabilizaram o Exame Nacional do Ensino Médio do ano passado, seria razoável que o Ministério da Educação agora se esforçasse para recuperar a combalida credibilidade do novo modelo de seleção para cursos universitários. O governo, no entanto, preferiu jogar a toalha. O ministro Fernando Haddad veio a público, anteontem, anunciar o cancelamento da prova do Enem prevista para ser realizada em meados deste ano. Alegou não dispor de tempo para organizar o exame com condições adequadas de segurança. Instituições de ensino superior que confiaram nas promessas do governo terão que elaborar um vestibular próprio em tempo recorde. Ou utilizar as notas do Enem passado, o que na prática significa matricular estudantes que não haviam conseguido classificação satisfatória. O furto da prova de 2009, depois de impressa, provocou o adiamento do exame. Algumas universidades de ponta, que confeririam mais legitimidade ao novo modelo, como USP e Unicamp, desistiram de usar o Enem como parte de seu processo de seleção. Um duro revés. O antigo exame de avaliação de alunos e escolas do ensino médio foi reformulado, em 2009, para tentar conferir maior qualidade e eficiência ao processo de seleção para o ensino superior no país. A prova deveria assumir gradualmente o papel de exame unificado de acesso às universidades, substituindo a atual miríade de vestibulares. Para que este objetivo razoável fosse alcançado, era imperativo que o novo método conquistasse a adesão do maior número possível de instituições. O que tem acontecido é o inverso. Com o cancelamento de ontem, já se sabe que pelo menos duas grandes universidades mineiras decidiram desembarcar do projeto. As falhas de gestão do Ministério da Educação ameaçam enterrar, mal havia sido concebida, uma boa política pública.



A crise do novo vestibular (Jornal Agora – Editorial – 12/03/10)

São tantos os problemas, que fica difícil saber qual será o futuro do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), usado para substituir o vestibular em muitas universidades federais. Primeiro, ainda no ano passado, a prova vazou. Tiveram que adiar o exame, o que prejudicou muitos estudantes. Depois, divulgaram gabarito com respostas erradas e, por fim, o sistema de seleção de vagas na internet “travou”, no primeiro dia de inscrição. Como se não bastasse tudo isso, agora o ministro da Educação vem avisar que, diferente do que havia sido combinado, não será mais realizada a edição de meio de ano do Enem. Ele diz que não vai dar tempo de realizar o teste com a segurança necessária para evitar novo vazamento. Os estudantes que já se preparavam para a prova deste ano e as faculdades que aderiram ao sistema ficaram a ver navios. E isso tudo logo no primeiro ano do novo modelo. Antes, o Enem servia apenas como um sistema de avaliação de escolas e alunos. Em 2009, o governo decidiu usar o exame no processo de seleção para o ensino superior. A ideia não era ruim: em vez de fazer um monte de provas de vestibular, o estudante concorreria a vagas em várias instituições ao mesmo tempo. Se mais e mais faculdades aderissem ao projeto, ele ganharia força e poderia substituir, no futuro, a maioria dos vestibulares. Só que o tiro saiu pela culatra. Tantos problemas têm afastado as instituições. Várias já desistiram de usar o Enem em seus processos seletivos. Se a coisa continuar assim, há o risco de uma boa ideia ser desperdiçada, e tudo continuará como antes. Para prejuízo dos estudantes.



A Filosofia no Ensino Médio  (Diário de Cuiabá – Artigos – 12/03/10)

O dia 02 de Junho de 2008 é uma data histórica para a educação brasileira. Foi a partir desta data que as disciplinas de Filosofia e Sociologia são reintroduzidas ao currículo das Instituições de Ensino Médio, não mais como disciplinas auxiliares, mas com o status de disciplinas obrigatórias. Isso ocorreu depois de um longo processo onde a sociedade demandou e o legislador incorporou a necessidade de disciplinas que agucem o senso crítico e um melhor entendimento do homem na sociedade contemporânea. A partir de então não cabe mais perguntar se essas disciplinas serão ou não benéficas para os discentes. Mas cabe perguntar em que condições objetivas esta reintrodução se dará.
Eu como educador-filósofo entendo que essas condições foram norteadas pelas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (OCEM) e pelo parecer do Conselho Nacional de Educação. As OCEM propõem que sejam reservadas, no mínimo, “duas horas-aula semanais para a disciplina”.



Unicamp 2010: convocados em sexta chamada devem se matricular nesta sexta-feira, dia 12  (Folha Dirigida – Vestibular – 11/03/10)

Os 177 candidatos convocados na sexta chamada do vestibular 2010 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) devem se matricular nesta sexta-feira, dia 12. A lista de aprovados pode ser conferida no site da organizadora, a Vunesp. Para realizar a matrícula o estudante deve comparecer nos postos autorizados, no campus da universidade, em Campinas. No caso dos convocados para os cursos da Famerp, a matrícula será no Setor de Vida Escolar, Pavilhão da Secretaria Geral, na sede da Famerp, em São José do Rio Preto. O atendimento acontecerá das 9 às 12 horas.



Mentindo sobre cotas  (Revista Época – BLOG – Paulo Moreira Leite – 11/03/10)

Agora que nós descobrimos que o senador Demóstenes Torres não tinha feito a lição de casa sobre Casa Grande & Senzala quando foi falar sobre cotas no Senado Federal e tentou usar o Gilberto Freyre como argumento para combatê-las, é possível colocar um pouco de serenidade na discussão. O Supremo discute cotas antes de tomar uma decisão sobre elas, a pedido do DEM, o partido de Demóstenes, e decidiu realizar audiências públicas para alimentar sua discussão de modo a permitir uma votação com bom conhecimento de causa. É uma preocupação justíssima. Como em todo debate político, a verdade raramente é respeitada pelas partes em conflito. Vamos lá. A mentira dos adversários das cotas consiste em fingir que há um debate real em nossas políticas públicas. Eles combatem as cotas sugerindo que têm uma idéia melhor: em vez de distribuir privilégios compensatórios para a população negra, eles dizem que preferem assegurar um tratamento prioritario para a população menos favorecida, negra ou não. Se este argumento fosse sério, o que estaria em jogo seria um confronto entre quem defende a distribuição de beneficios particulares para a população negra e quem defende a distribuição de benefícios para todos os brasileiros, sem distinção de cor da pele. Os primeiros seriam egoístas e racistas. Os outros, generosos e patrioticos. Claro que, em teoria, a segunda opção é melhor do que a primeira, mais democrática e blá-blá-blá. A verdade é que as cotas só entraram na discussão porque nunca se encarou a desigualdade social brasileira, estrutura que tem raízes históricas, exibe inúmeras faces e se alimenta de múltiplas raízes.