12/05/2009 / Em: Clipping

 


Questões do novo Enem podem ter pesos diferentes  (Globo.Com – G1 Vestibular – 12/05/09)

As questões de múltipla escolha do novo modelo do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) poderão ter pesos diferentes conforme o nível de dificuldade dos testes. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a questão deve ser debatida na próxima quarta-feira (13) em encontro do comitê de governança do Enem, composto por reitores de universidades federais e pelo MEC.  Se a proposta for aprovada, a nota do Enem não seria mais a soma dos testes acertados. As questões receberiam um tratamento estatístico e os testes teriam pesos diferentes. O novo Enem terá 200 questões de múltipla escolha e uma redação. As provas serão aplicadas em dois dias, em 3 e 4 de outubro deste ano. Entre as áreas abordadas estão linguagens (50 testes e redação), ciências humanas (50 testes), ciências da natureza (50 testes) e matemática (50 testes).  Da reunião, que contará com a participação do ministro Fernando Haddad, espera-se que saia um desenho da prova, com as linhas do que se cobrará do aluno. Mais tarde, devem ser formadas comissões técnicas para discutir o conteúdo em si. Para garantir a segurança na aplicação do exame, o comitê também deve debater a possibilidade de o Enem possuir mais de uma versão. As versões teriam enunciados diferentes, mas com o mesmo nível de dificuldade. Isso seria possível a partir do uso do chamado teste de resposta ao item.



Educação – Novo Enem altera perfil dos maiores vestibulares do País  (Correio Popular – Cidades – 12/05/09)

Mudanças neste ano no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e alterações nos principais vestibulares do País, como da Universidade de São Paulo (USP), fazem com que cada vez mais o perfil do aluno selecionado para o Ensino Superior se adeque ao que prevê as bases da educação brasileira. Perde ponto quem passou a vida decorando informações e ganha quem é capaz de relacionar teoria e prática, além de promover inter-relações entre disciplinas e assuntos. Matérias antes pouco cobradas no vestibular, como filosofia, artes e educação física, passam a ser também alvo de questões nos principais vestibulares do País. “Todas as mudanças que estão ocorrendo farão bem à educação brasileira. Não há justificativa para que a seleção continue sendo feita da forma tradicional, com questões que muitas vezes querem confundir o aluno e cobram conhecimentos sem nenhuma relação com o cotidiano” , avalia a pedagoga Andrea Mattos Gevatto, especialista em Ensino Superior. A partir de agora, o Enem, que já tinha como base questões interdisciplinares e até o ano passado era aplicado com 63 perguntas, começa a ganhar a característica de um vestibular nacional. O Ministério da Educação (MEC) anunciou que o exame passa a ser aplicado em dois dias, terá 200 questões e será realizado em outubro e não mais em agosto, como antes. A proposta é que o Enem substitua, em médio prazo, os processos seletivos desenvolvidos em cada instituição. No projeto do MEC, o aluno teria mais chances de conseguir uma vaga, porque, como a prova será aplicada em cidades de todo o Brasil, um vestibulando de Manaus (AM), por exemplo, poderia, sem custo de viagem e hospedagem, fazer a prova em sua cidade e tentar uma vaga na USP. O professor Célio Ricardo Tasinafo, do cursinho Oficina do Estudante, acredita que, com as mudanças, a prova do Enem vai exigir do aluno mais conteúdo. “Antes, a prova era bem fácil, com conhecimentos mais gerais. Agora, o aluno deverá demonstrar mais conhecimento” , explica. Apesar de reconhecer vantagens no novo formato do Enem, a psicóloga e orientadora pedagógica do cursinho Objetivo, Maria Francisca de Mello, acredita que o modelo a ser adotado vai facilitar principalmente o aluno da área de humanas, em razão da importância dada à interpretação de dados e informações. “Mas o novo formato pode causar uma aglomeração ainda maior de interessados nas universidades paulistas” , explica ela, lembrando que os alunos do Sudeste dificilmente têm interesse em sair da região para estudar, mas ganhariam mais concorrentes, vindos de todos os cantos do País.

Unesp

Com os mesmos objetivos que o novo Enem, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a maior do Estado, também já anunciou mudanças. A instituição passará a fazer a prova em duas fases, uma em novembro e outra em dezembro. Além disso, as questões não serão mais divididas por matérias, valorizando a interdisciplinaridade. O exame seria realizado em três grandes conjuntos. O primeiro será linguagens, códigos e suas tecnologias, envolvendo as áreas de português, inglês, educação física, arte e informática. O segundo, que terá como nome ciências da natureza, matemática e suas tecnologias, terá questões de física, química, biologia e matemática. O último bloco, ciências humanas e suas tecnologias, incluirá história, geografia, sociologia, antropologia, política e filosofia. Maria Francisca acredita que, no caso da Unesp, o aluno ganha com a mudança. “Quem passar para a segunda fase terá uma motivação a mais para estudar e fazer uma boa prova. Metade do caminho já terá sido percorrido com sucesso” , analisa. A Fundação para o Vestibular da Universidade de São Paulo (Fuvest) também estuda mudanças na seleção de candidatos. Apesar de ainda não estarem aprovadas, a proposta em discussão é que a primeira fase deixe de contar pontos para a nota final. A segunda etapa passaria a ter questões de todas as disciplinas e não apenas de áreas diretamente relacionadas à carreira escolhida pelo candidato. Se muda o vestibular, a avaliação de Tasinafo é que, em médio prazo, o perfil do aluno selecionado pela USP também seja alterado. “As medidas são bem positivas, pois adequam o vestibular aos PCNs (

Parâmetros Curriculares Nacionais, documento que indica a base da educação brasileira). O vestibulando de sucesso será também aquele que é capaz de ter um bom desempenho em todas as disciplinas, de forma menos específica.”

Unicamp diz que manterá atual sistema

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) deve deixar de utilizar a nota do Enem em seu vestibular, em razão do período em que a prova será realizada. Até o ano passado, o exame feito pelo MEC podia representar até 20% da nota da primeira fase e só era considerado quando aumentava o rendimento do candidato. A previsão é de que o novo Enem ocorra nos dias 3 e 4 de outubro. “O calendário ficaria muito apertado porque a divulgação dos resultados ocorreria com menos de um mês de diferença para a prova da nossa primeira fase, em geral no final de novembro” , explica Leandro Tessler, coordenador da Comissão de Vestibular da Unicamp (Comvest). Permanecem indefinidas ainda outras mudanças que estão sendo discutidas na universidade, entre elas a alteração para o formato de testes de múltipla escolha, uma forma de reduzir os custos e a conferir agilidade e imparcialidade às correções das provas dos cerca de 50 mil estudantes que todos os anos tentam uma vaga. A tradição mostra que a Unicamp já realiza uma prova interdisciplinar na primeira fase, geralmente a partir de um tema central, cobrado inclusive na redação.

Vestibulandos criticam o novo modelo de seleção

Estudantes acreditam que alterações tornarão as provas mais difíceis

Enquanto os especialistas aprovam as mudanças nos vestibulares e no Enem, muitos alunos criticam o novo modelo. O estudante Mateus Carvalho Andrade, de 17 anos, tentará uma vaga em engenharia. “Acredito que as mudanças podem nos prejudicar. Na Fuvest, por exemplo, a segunda fase era mais específica. Era mais fácil” , diz. A vestibulanda Elaine Pavan Gargantini tenta uma vaga em medicina há quatro anos. “Acho que, no caso da USP, vai ficar melhor a segunda fase não levar em consideração a nota da primeira fase, pois a nota de corte era muito alta” , diz. Em relação ao Enem, ela acredita que a prova ficará mais difícil e trará prejuízos. “O exame era fácil. Dava para conquistar alguns pontos e ganhar motivação para o vestibular.” Já Pedro Urake acredita que as mudanças não vieram em boa hora. “Tento uma vaga em medicina há três anos. Estou acostumado com um ritmo de prova e acho que neste ano teria muito mais chance, pois meus estudos estavam mais focados nas matérias específicas. Agora, preciso mudar as estratégias” , diz.



Fim dos vestibulares?   (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 12/05/09)

RUBEM ALVES

MINHA NETA tinha 16 anos. Ela é inteligente, tem determinação e sua cabeça estava cheia daquelas ideias fantásticas que habitam as cabeças adolescentes. Estava se preparando para o vestibular. No sofá ela lia um caderno espiralado lindamente ilustrado. Biologia, ciência fascinante! Quantas revelações fantásticas sobre a vida deveriam se encontrar naquele caderno! Mas ela lê com uma cara de absurdo. O absurdo produz uma expressão facial característica, mistura de raiva e tédio. Raiva porque é obrigatório que se engula aquilo contra a vontade. Tédio porque aquilo que é obrigatório engolir não faz o menor sentido. E que, por isso mesmo, será logo esquecido. É preciso que algum fenomenólogo descreva essa expressão fisionômica, tão frequente no rosto dos alunos que se preparam para o vestibular. Fiquei mordido de curiosidade e quis saber o que ela estava aprendendo de biologia para entrar na universidade. “O que é que você está lendo?”, perguntei. Com uma cara desanimada, ela apontou com o dedo o parágrafo que estava lendo e me passou o caderno. Comecei a ler. E, à medida em que lia, minha cara foi ficando igual à dela. Eis o que li. “Além da catálase, existem nos peroxíssomos enzimas que participam da degradação de outras substâncias tóxicas, como o etanol e certos radicais livres. Células vegetais possuem glioxissomos, peroxissomos especializados e relacionados com a conversão das reservas de lipídios em carbohidratos. O citosol (ou hialoplasma) é um colóide… No ciosol das células eucarióticas, existe um citoesqueleto constituído fundamentalmente por microfilamentos e microtúbulos, responsável pela ancoragem de organóides… Os microtúbulos têm paredes formadas por moléculas de tubulina…” Seguia-se uma descrição da complexa rede que forma o rabo do espermatozoide… A raiva cresceu dentro de mim e quis encontrar o culpado. Pus-me a perguntar: quem tomou a decisão de tornar obrigatório o conhecimento dessas informações? Por que esses saberes devem ser aprendidos? O que é que os adolescentes vão fazer com esses nomes? Nomes, nada mais do que nomes… Esforço inútil, porque tudo será esquecido. A memória não é burra. Não carrega conhecimentos que não fazem sentido. A memória inteligente sabe esquecer. O absurdo educacional dos vestibulares se encontra no fato de que eu serei reprovado, os reitores serão reprovados, os professores universitários serão reprovados, os professores de cursinhos serão reprovados… Agora os vestibulares tiveram o seu fim decretado. Fico feliz, porque há mais de vinte anos eu tenho estado lutando por isso. O que me levou a pensar muito e a escrever muito sobre esse equívoco educacional. Parte do que escrevi se encontra no meu site: www.rubemalves. com.br. Mas tenho um receio. Imaginem um restaurante que servia uma comida de gosto ruim, indigesta e que provocava vômitos e diarreia. O dono do restaurante, diante das queixas dos seus clientes, resolve fazer uma reforma na forma como a comida era servida: trocou as panelas velhas por panelas novas e a louça branca antiga, por uma louça azul. Mas a comida continuou a mesma… Será possível que isso aconteça?

Conselho é contra mudar Fuvest neste ano  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 12/05/09)

O Conselho Estadual da Educação desaprovou a implementação de alterações no vestibular da Fuvest deste ano. A posição consta de deliberação de 15 de abril, homologada pela Secretaria Estadual da Educação. “Independente do teor das mudanças, parece-nos evidente que a esta altura do ano não seja conveniente a alteração das regras estabelecidas [na Fuvest]”, afirma o documento. O texto tem força de pressão política apenas e não vai resultar em recurso junto à USP. Apesar disso, o presidente do conselho, Arthur Fonseca Filho, reforçou as críticas da deliberação, publicada no “Diário Oficial” em 5 de maio. “Os vestibulares de instituições públicas só deveriam ser alterados com tempo hábil, para que os estudantes pudessem se adaptar”, disse. “Isso vai impactar no conteúdo das aulas e gerar insegurança nos alunos.” Especialista em ensino superior, a professora Eunice Durham, da USP, concorda com o conselho. “As alterações foram pouco discutidas, houve atropelo na votação. Ninguém sabe direito como vai ficar o exame.” Na semana passada, o IME (Instituto de Matemática e Estatística da USP) protocolou um recurso pedindo ao Conselho de Graduação da universidade que volte a discutir as mudanças do vestibular. O principal argumento é que o tempo para aplicar as novas regras, até o final deste ano, é muito curto. Aprovadas pelo Conselho de Graduação em abril, as mudanças na Fuvest vão transformar a primeira fase em apenas eliminatória e incluir todas as disciplinas na segunda fase. Não está em discussão o conteúdo da proposta, afirma Fonseca Filho. Ele ressalta que não desconfia da qualidade das provas da Fuvest. “O que preocupa [o conselho estadual] é a pressa para fazer as alterações e o fato de não haver muita definição quanto ao novo formato.” A reportagem procurou a USP, que não quis comentar o caso. A assessoria da instituição disse que, como não foi enviado um documento em separado com as críticas ao vestibular, não se pronunciaria.
A Secretaria Estadual da Educação e a Secretaria de Ensino Superior também foram procuradas, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.

Engenharia tem quase cem tipos diferentes de cursos  (Folha de S.Paulo – Fovest – 12/05/09)

A área de engenharia, que está entre as carreiras mais cobiçadas das universidades, é composta por um leque de 93 especialidades que vão da pesca até a engenharia aeronáutica, segundo o Confea (conselho federal de engenharia). Apesar de serem tão diferentes entre si, todas têm uma característica em comum, afirmam diretores de curso: formam profissionais treinados para planejar e resolver problemas usando matemática e física -o que, na linguagem da área, é chamado de “modelar”. “Para projetar um prédio, um engenheiro civil cria modelos matemáticos. Um princípio parecido é usado pelo engenheiro agrônomo para planejar áreas de irrigação, e assim por diante”, afirma Jorge Stolfi, professor de engenharia de computação da Unicamp. Na opinião do presidente do Instituto de Engenharia, Edemar de Souza Amorim, uma formação ampla, com conhecimentos inclusive em línguas, é mais importante do que ter conhecimentos específicos. “Sem conhecimento sólido, o profissional não avança na carreira.” Outros especialistas concordam. “A engenharia exige comunicação e trabalho em equipe. Ser apenas um “fera” em matemática é ruim”, diz o vice-diretor da Escola Politécnica da USP, José Roberto Cardoso. Os candidatos a uma vaga em engenharia podem se preparar: os cursos em geral são integrais e com carga horária exigente. “Já é impossível ensinar tudo o que o engenheiro precisa em cinco anos, período de duração dos cursos. Uma faculdade que ministre menos [tempo] do que isso não é boa”, ressalta Ivan Falleiros, diretor da Poli-USP. Para conferir se uma escola de engenharia tem qualidade, Falleiros sugere aos estudantes que procurem tanto conhecer as condições dos laboratórios quanto os locais onde estão trabalhando os recém-formados. Pedro Myaki, 25, aluno do sexto ano de engenharia naval na Poli-USP, orgulha-se de seu curso. “Aqui tem ótimos professores e bons laboratórios”, diz ele, que já trabalhou com dimensionamento de barcos e plataformas petrolíferas. “Tenho amigos que a toda hora estão indo trabalhar fora. Há grande demanda por profissionais (leia mais na pág. 4).” Na Unicamp, um dos cursos de maior destaque é o de engenharia de computação. Os alunos têm aulas de desenvolvimento de software, produção gráfica, uso de inteligência artificial e outras disciplinas. “O nosso diferencial é a qualidade do corpo docente e dos alunos. É um time de primeira, que poderia criar algo tão bom quanto o Google”, diz Stolfi. Por ser a mais tradicional escola de engenharia do país, a Poli-USP atrai muitos alunos de fora do Estado de São Paulo. Um exemplo é Fabrizia Melo, 18, do segundo ano de engenharia de produção, que veio de Teresina (PI). “Várias portas se abriram para mim depois daqui.”