13/08/2012 / Em: Clipping

 


Candidatos ao curso de música da Unicamp aprovam exigência de vídeo   (Globo.Com – G1 Vestibular – 12/08/12)

Candidatos ao curso de música da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ouvidos pelo G1 aprovaram a mudança no processo seletivo para o vestibular 2013 da instituição. A partir deste ano, os vestibulandos terão que produzir um vídeo em que aparecem tocando o instrumento que pretendem estudar. A avaliação, chamada de prova de habilidades instrumentais, fará parte da primeira fase do vestibular, somando pontos para a segunda etapa, segundo a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest). A prova de habilidades específicas, que inclui um exame prático e um teórico, acontecerá após a segunda fase, em janeiro de 2013. A Unicamp oferece 22 cursos de música: composição, regência, licenciatura, música popular (piano, violão, guitarra, contrabaixo, bateria, saxofone, voz) e música erudita (piano, cravo, violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, oboé, trompete, trombone, voz e percussão). O coordenador executivo da Comvest, Maurício Kleinke, explica que a produção do vídeo foi inserida no processo após pedido dos responsáveis pelos cursos de música. “O estudante precisa de uma habilidade mínima, que precisa ser avaliada logo no começo. Se o vestibulando não tiver essa habilidade, isso pode inviabilizar o curso. A ideia é produzir um vídeo simples para mostrar se a pessoa domina o instrumento”, justifica. A prova de habilidades instrumentais não é eliminatória, mas classificatória porque soma pontos para a segunda fase do vestibular. Kleinke defende ainda que o vestibulando de música, por ter que se dedicar aos estudos práticos e teóricos dos instrumentos, muitas vezes é prejudicado pela formação tradicional do vestibular, com somente a primeira fase com exame escrito. “Este é um vestibulando que se dedicou à música também, e não só à parte teórica. A ideia é equalizar as duas áreas”, completa. O coordenador executivo da Comvest afirma não ter previsão de mudanças no vestibular para outros cursos até o momento. O monitor Vinícius Antunes Correia, de 21 anos, presta vestibular pela primeira vez este ano. O instrumento tocado por ele há seis anos é a viola clássica. Ele tenta conciliar o trabalho como monitor em uma escola de Campinas, o estudo da viola e a revisão das matérias cobradas pela Unicamp, mas confessa que a carga é maior para quem quer uma vaga na faculdade de música. “Para ser músico é preciso ter muita dedicação ao instrumento. A gente estuda em dobro para estar preparado também para a prova escrita”, relata o vestibulando. Desde 2011, ele participa de um programa oferecido pela Orquestra Filarmônica de Piracicaba (SP), que oferece aulas práticas e teóricas para jovens músicos, para se aperfeiçoar na técnica. A peça interpretada por ele no vídeo será o estudo nº5 de Mazas em sol maior. Ele nunca havia tocado a opção dada pela Comvest para quem busca uma vaga para cordas em música erudita, mas acredita que a novidade vai ajudar quem já tem o domínio da música. “Eu conheço músicos ótimos que não conseguiram passar para a segunda fase porque se dedicaram muito à música, e não tiveram boas notas nas outras provas. O vídeo vai ajudar muito, porque vai avaliar quem tem a técnica mais apurada, os detalhes”, afirma. Depois de prestar vestibular para Letras e Psicologia, o estudante Daniel Motta Mariano Gonçalves, de 19 anos, decidiu se render ao sonho antigo e tornar a música sua profissão.

Quase metade das universidades federais terá que criar cota social   (Globo.Com – G1 Vestibular – 11/08/12)

A lei que institui cota de 50% das vagas nas universidades e institutos federais para estudantes oriundos de escolas públicas só deve ser obrigatória para todas as instituições a partir de 2016, mas reitores já estão se manifestando a respeito do texto. Ele foi aprovado pelo Senado Federal na terça-feira (7) e agora aguarda sanção da presidente Dilma Rousseff. Ao todo, são 59 universidades e 40 institutos, incluindo os centros de eduação tecnológica e o Colégio Pedro II, no Rio, que terão que se ajustar gradualmente à nova regra. Pela lei aprovada, a cada ano será necessário implementar no mínimo 25% da reserva prevista no texto. Mas, atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes negros, pardos e indígenas. As explicações para a falta de sistemas de ação afirmativa variam de acordo com a instituição.



Aluno branco de escola privada tem nota 21% maior que negro da rede pública    (O Estado de S.Paulo – Educação – 12/08/12)

Recorte inédito de dados de desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010 nas capitais do País, além de confirmar a distância entre as notas médias dos estudantes de colégios particulares e os de escolas públicas, revela o abismo que separa estudantes brancos e negros das duas redes. Os números mostram que as notas tiradas pelos alunos brancos de escolas particulares no exame são, em média, 21% superiores às dos negros da rede pública – acima da diferença de 17% entre as notas gerais, independentemente da cor da pele, dos estudantes da rede privada e os da rede pública.  O levantamento também aponta distorções entre os Estados. De acordo com especialistas, esse cenário é o reflexo da desigualdade social e também da diferença dos níveis de qualidade das redes estaduais. A reserva de vagas por cor de pele está na Lei de Cotas aprovada no Senado na semana passada (mais informações nesta página). O projeto, que precisa ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff, prevê que 50% das vagas das universidade federais sejam reservadas para alunos da escola pública – respeitando critérios de renda e reservas proporcionais por Estado para pretos, pardos e indígenas.  Como a maioria das federais adota o Enem como critério de seleção, o levantamento indica um cenário aproximado sob a nova Lei das Cotas.  Vantagem da escola paga. Por sua vez, a nota média de negros que estudam em escola privada é 15% superior às dos negros da rede pública – próxima dos 17% entre todos os estudantes da rede particular e da rede pública.

Discussão de cotas está contaminada  (O Estado de S.Paulo – Educação – 10/08/12)

A iminente sanção presidencial do projeto que cria cotas em universidades federais para alunos de escolas públicas mostrou o quanto essa questão está atrelada a um debate emocional. Debate que, em algum momento, precisa sair da análise da justiça ou injustiça da medida para os efeitos da sua aplicação no ensino público. Porque ninguém a esta altura duvida que a presidente Dilma Rousseff vai sancionar o texto aprovado no Senado, que destina 50% das vagas a quem fez todo o ensino médio em escolas públicas. Fizemos ontem no Estadão.edu uma videoconferência para discutir o projeto e os argumentos contra e a favor da medida ainda eram herdadas, basicamente, da polêmica sobre cotas raciais. O texto aprovado é mais sofisticado do que propostas baseadas unicamente no recorte de raça. O princípio básico é beneficiar o aluno do ensino público, com critérios de renda e raciais associados. A mensagem de “sim, você pode” dirigida aos estudantes da rede pública é pertinente e necessária. Acreditar que se pode chegar lá, especialmente quando se é o primeiro da família a mirar o ensino superior, tem um efeito poderoso para o candidato que hoje se vê inferiorizado na disputa com quem tem acesso a melhores escolas e vive num ambiente que combina altas expectativas, escolaridade dos pais, acesso a informação e tecnologia, entre outros fatores.



Para cotistas de pioneiras em ações afirmativas, reserva é estímulo   (IG – Educação – 12/08/12)

Há nove anos o mineiro Giovanni Rodrigues Gonçalves, 27 anos, deixou a cidade onde nasceu e cresceu, Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, para mudar a própria vida. Escolheu o Rio de Janeiro. Mas, ao contrário de muitos filhos de famílias humildes com poder aquisitivo baixo, não queria trabalho. Ele queria estudo de qualidade. Na capital carioca, encontrou um estímulo para tentar o que parecia impossível: ser aprovado no vestibular de uma universidade pública. O “empurrãozinho” que recebeu, segundo ele, foi o programa de cotas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “Fiquei sabendo que, no Rio, havia essa oportunidade e fui atrás”, conta. A UERJ foi a primeira universidade do País a adotar políticas afirmativas, em 2003. Já recebeu mais de 7 mil alunos pelo programa. Assim como no projeto que regulamenta as cotas nas federais, aprovado esta semana no Senado, a prioridade do programa da estadual carioca é para estudantes de escolas públicas. Mas há outros recortes na reserva de 45% das vagas feitas pela instituição. Todos os candidatos ao sistema de cotas da UERJ precisam comprovar carência financeira. Depois, eles escolhem o recorte pelo qual desejam entrar na disputa das vagas: 20% são para estudantes de escolas públicas, 20% para negros e indígenas, e 5% para pessoas com deficiência e os filhos de policiais civis, militares, bombeiros ou inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Giovanni poderia concorrer em qualquer uma das categorias. Afrodescendente, estudou a vida toda em escola pública e é deficiente físico. Teve um encurtamento nos tendões das pernas, única consequência da falta de oxigenação provocada por uma paralisia cerebral durante o parto. Os médicos não lhe deram 40 minutos de vida. “Até os 15 anos, minha mãe não me deixava ir à padaria sozinho. E hoje estou aqui”, conta.  Para o jovem mineiro de 18 anos, ir para o Rio se tornou a possibilidade de alcançar o sonho de cursar Direito em uma universidade pública. Deixou a família para trás e foi morar sozinho no Complexo da Maré, onde fez pré-vestibular comunitário. “Minha família é humilde e lá em Belo Horizonte só quem teve uma boa estrutura educacional a vida toda consegue passar no vestibular da federal”, diz. No primeiro vestibular de 2005, passou no curso de Direito. Outra cotista, Avanny Tatiane de Oliveira, 24 anos, de Maceió, conta que as cotas também lhe deram coragem de tentar o vestibular da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Eu achava muito difícil. Como estudante de escola pública, sabia que tinha defasagens e a universidade pública, para mim, era só para quem era rico e tinha condições de pagar um bom colégio. As cotas foram uma oportunidade”, pondera. Há um ano, ela se formou em Jornalismo.