14/07/2009 / Em: Clipping

 


Vestibular não é preciso (Correio Popular – Opinião – 14/07/09)

Já disse Camões, depois reinterpretado com maestria por Caetano Veloso: navegar é preciso, viver não é preciso. A polissemia do termo “preciso” aplica-se com perfeição à questão do vestibular no Brasil. Desde a explosão do número de vagas em cursos de educação superior em nosso país, ocorrida nos anos 90 e início da presente década, a eficiência e mesmo a necessidade dos processos de seleção às vagas das universidades brasileiras passou a ser objeto de reflexão em todos os setores dessa atividade. Hoje sobram vagas. Há algo em torno de 40% de vagas, excedentes, ou não ocupadas, nas instituições de ensino superior do país, aí computadas as IES federais, estaduais, comunitárias e privadas. Diante da sobra de vagas, é natural que se conteste a razão do sistema de seleção ora em voga. Mais ainda quando o governo anuncia um processo de unificação de seus concursos vestibulares, consideramos essa ideia boa, mas apressada. Não é bem assim que se deve conduzir uma mudança, sob o risco de macular uma boa ideia. Se por um lado há redução nos custos, como consequência da unificação dos concursos, por outro há uma infinidade de especificidades que podem, no limite, inviabilizar a iniciativa. Os candidatos em um primeiro momento se sentirão beneficiados, já que não precisarão submeter-se às chamadas “maratonas de exames” e deixarão de investir somas representativas nas inscrições dos concursos. Por outro lado, uma falsa expectativa poderá ser criada na medida que o candidato passa em instituições distantes, onde será impossível o deslocamento para sua inscrição, e sua família possivelmente não poderá arcar com os custos de moradia e alimentação, fato que pode gerar mais frustração que alegria. Além do mais, as médias máximas do Enem ainda são muito baixas quando comparadas ao número de pontos alcançados pela Fuvest em cursos majoritários como os das grandes escolas, a exemplo do sistema francês. Do ponto de vista das instituições, também, há uma série de condições que devem ser observadas. Tomemos por exemplo os bacharelados que exigem habilidade específica, como arquitetura, artes plásticas, música, design, onde é fundamental a habilidade em desenho ou música ou domínio de pelo menos um instrumento musical. Nesses casos os vestibulares unificados podem levar a instituição a cometer erros de julgamento, já que a seleção será feita sobre critérios não essenciais à profissão desejada. Outro ponto crucial da questão dos concursos unificados é a nota de corte. Haverá, certamente, muita controvérsia, pois a nota de corte indicará a qualidade percebida pelo mercado para aquela escola. Há ainda que se considerar as questões relativas aos candidatos afrodescendentes, das comunidades indígenas, ou os beneficiários do Prouni, cada um deles com uma ampla gama de questões a serem tratadas que podem dificultar a gestão de concursos integrados. Então a questão não é tão simples. Festina lente — apressa-te lentamente! Finalmente, lembremo-nos que o termo vestibular vem de vestíbulo, ou seja, a porta de entrada de uma residência. Nesse sentido entendemos que cabe ao dono da casa a decisão final sobre quem entra ou não em sua casa. Por essa razão comenta-se desde já entre alguns reitores o desconforto resultante da imposição de candidatos que não sejam selecionados pela própria instituição. Em última instância, essa apropriação do direito da universidade fere novamente o princípio da autonomia universitária, ardorosamente defendido por instituições dos mais variados portes e modelos. Mais uma vez, parece que o governo decide baixar normas que são aparentemente positivas, democráticas ou econômicas, mas que vistas do chão, podem se converter em dor de cabeça, gerando cizânia entre as instituições e abalando o já frágil equilíbrio existente entre instituições que competem diariamente por alunos, mas não qualquer aluno. A este respeito, várias IES no momento desenvolvem seus métodos complementares de avaliação dos novéis estudantes. Entre nós já aproveitamos 50% da nota do Enem. E no Prouni, 100%. Tudo na Universidade tem que ser avaliado e testado. Essa é a diferença de outras instituições.

Manassés C. Fonteles é reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e membro do Conselho Deliberativo do CRUB – Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras



Enem será utilizado para ingresso em cursos de tecnologia  (O Estado de S.Paulo – Vida& – 13/07/09)

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também será utilizado para o ingresso nos cursos de graduação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Os estudantes poderão escolher entre licenciaturas ou cursos superiores de tecnologia. Dezoito dos 222 institutos já definiram como vão utilizar o Enem, seja como prova única ou como porcentual somado aos vestibulares tradicionais. São aproximadamente 5 mil vagas de cursos superiores de tecnologia, e cerca de 3 mil vagas para licenciaturas, em especial para formação de professores de química, física, biologia e matemática. Há vagas em todas regiões do País. Mais voltados para o mercado de trabalho e por terem menor duração, os cursos superiores de tecnologia tem crescido tanto em instituições públicas quanto privadas. O último Censo da Educação Superior, divulgado em fevereiro deste ano, mostra que o maior crescimento registrado entre as matrículas de cursos superiores foi para cursos de tecnologia.



Inscrições para o exame terminam na sexta-feira (Folha de S.Paulo – Fovest – 14/07/09)

Terminam na próxima sexta-feira as inscrições para o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), modificado para servir como processo seletivo nas universidades federais.
Até as 14h10 de ontem, 3,038 milhões de estudantes haviam se candidatado ao exame. O Inep (órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame) espera receber cerca de 5 milhões de inscrições. A inscrição acontece pelo site www.enem.inep.gov.br. Quem cursou ou está no ensino médio de escola pública não paga a taxa de R$ 35. As provas ocorrem nos dias 3 e 4 de outubro. Serão 180 questões, divididas em quatro áreas: português (inclui redação), matemática, ciências da natureza e ciências humanas. O Enem é obrigatório para interessados em disputar uma vaga na maioria das federais. Levantamento da Folha revela que 24 das 55 universidades usarão a prova no lugar do vestibular convencional. Em 11 delas, o exame substituirá a primeira fase do vestibular. As federais podem usar o Enem ainda para compor nota do vestibular e nas vagas remanescentes. A adesão não foi obrigatória -algumas instituições decidiram manter apenas o próprio sistema de seleção. A lista está disponível no site do Enem. O resultado da prova é usado ainda por outras faculdades. No vestibular de USP, Unesp e Unicamp, por exemplo, o Enem é usado para melhorar a nota, assim como em instituições particulares. Nesses casos, deixar de fazer o Enem pode significar sair atrás na disputa por uma vaga. O Blog do Fovest responde a perguntas de leitores sobre o novo exame. Basta enviá-las para o fovest@uol.com.br.