15/10/2014 / Em: Clipping

 


Provas já substituem livros por obras em música e vídeo   (Correio Popular – Cidades – 15/10/14)

A lista de obras obrigatórias para os vestibulares aos poucos vem deixando de ser composta apenas por livros. O conteúdo audiovisual também passou a integrar a relação a ser estudada pelos candidatos. Álbuns musicais consagrados, além de filmes e documentários, fazem parte do conteúdo cobrado em vestibulares de universidades como a Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e Faculdade Cásper Líbero. As mudanças poderão ser adotadas em outros vestibulares. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por exemplo, não descarta incorporaras mídias em vestibulares futuros. A lista de obras da UFRGS para o vestibular 2015 inclui livros de autores clássicos e bem conhecidos nos vestibulares, como o baiano Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Gregório de Matos, além de autores contemporâneos como Lya Luft e a portuguesa Lídia Jorge. A universidade, entretanto, inovou nesta edição ao cobrar o álbum Tropicalia ou panis et circensis, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes e outros artistas. A Cásper Líbero cobrará seis livros e quatro filmes, incluindo Corações e Mentes, de Peter Davis, sobre a guerra do Vietnã. Já a Uesb tem na lista três filmes e três livros. Um dos filmes é o documentário Garapa, do cineasta José Padilha, que retrata a seca e a fome no Nordeste. Charles Casemiro, professor de literatura e de artes visuais do cursinho Oficina do Estudante, considera as mudanças positivas e destaca que a Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e a Universidade de Brasília (UNB) já vêm cobrando conteúdos audiovisuais. “Poder tratar de todas essas artes e compará-las acaba elevando o discurso estético, histórico, permite abordar realidade social e a identidade de grupos”, disse. Para ele, o maior benefício da exigência é que, de maneira “forçada”, os estudantes serão levados ao cinema, ao teatro, ao museu, à história para compreender esses objetos e poder realizar a prova. O professor de língua portuguesa do Objetivo, Márcio Andrade, também considera a mudança positiva, já que leva o vestibulando a sair do campo do conhecimento cristalizado. “De uns anos para cá, muitos estudantes perderam um pouco da capacidade de fazer a ponte de sentidos entre os diferentes conhecimentos. Ficaram mais voltados ao tecnicismo da matéria e à relação mecânica do processo. E os vestibulares estão cobrando essa relação de sentido, a ponte interpessoal que existe entre todas as obras, sejam literárias, cinematográficas ou musicais. Porque o conhecimento não é cristalizado, mas flutuante. Transita de um conceito artístico para o outro”, afirmou. Sobre as obras escolhidas, Casemiro ressaltou que elas não são exatamente aquelas populares e comerciais. “Nesses casos, não se escolhe um filme por uma motivação popular, mas pela importância que a obra tem dentro do quadro da história da arte, pelo apelo teórico, que conduza a uma reflexão”, disse. “São obras que remetem a contextos sociais, políticos e econômicos. Não são obras gratuitas, têm teor, alicerce e se conectam claramente com contexto histórico”, acrescenta Andrade. Petrilson Pinheiro, coordenador acadêmico da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), considerou as mudanças interessantes e não descarta incorporar os conteúdos audiovisuais em listas futuras. “Acho que essas obras tentam dialogar com o que a gente vê na contemporaneidade. A gente constrói sentidos multi modalmente, não só a partir do texto escrito. Como o vestibular da Unicamp passou por grandes mudanças recentemente (a redação passou para segunda fase, o número de questões na primeira fase passou para 90), não fizemos nenhuma discussão para trazer mais mudanças nesse sentido. Mas acho interessante e quem sabe para um futuro próximo a Unicamp possa sim incorporar essas outras mídias”, completou. Os estudantes também veem com bons olhos a inclusão de conteúdos áudio visuais nos vestibulares. “Seria uma nova forma de interpretar uma obra de arte e de fixar conteúdos. Em uma obra literária você usa a sua imaginação e conhecimento para interpretar o conteúdo, dar forma aos personagens. Em um filme, além do conteúdo que a gente vai absorver, s personagens e o cenário irão nos ajudar a fazer associações, reacender a memória ”disse João Pedro Favara, de 17 anos, candidato a uma vaga de engenharia mecânica. “Acho que vai facilitar para o aluno, porque música, por exemplo, é mais acessível para a nossa geração”, disse Douglas Trassante, de 21 anos, que vai prestar medicina. “Acho que ajuda a trazer o conteúdo para a nossa realidade e nos ajuda a relacionar conteúdos”, afirmou Amanda Antonioli, de 17 anos, que vai prestar engenharia química.

Unicamp terá lista própria a partir do ano que vem   (Correio Popular – Cidades – 15/10/14)

A prova de literatura do vestibular da Unicamp terá um programa próprio de leituras a partir de 2015. Há oito edições alista de obras estava unificada com a Fuvest. Coma bibliografia própria, a Unicamp passa a exigir a leitura de 12 obras, em vez das nove atuais. Seis obras da lista atual estão mantidas na lista do Vestibular 2016. De acordo com a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), a renovação das obras que compõem a lista será sempre parcial, e deve acontecer anualmente, em um ritmo que possa permitir o planejamento do professor e, ao mesmo tempo, acompanhar a dinâmica própria do sistema de ensino. Para o vestibular deste ano, a lista unificada com a Fuvest está mantida. Petrilson Pinheiro, coordenador acadêmico da Comvest, explica que a lista para o Vestibular 2016 contemplou alguns livros distribuídos pelo governo federal nas escolas públicas, com a ideia de facilitar o acesso aos candidatos, e algumas das obras são de domínio público. A lista própria será composta de obras de diferentes gêneros e extensões, podendo incluir romances, coletâneas de poemas e peças teatrais, mas também textos curtos, como contos, crônicas, peças de oratória ou de crítica, a fim de levar o vestibulando a ampliar o seu campo de estudos sem sobrecarregá-lo no volume de leituras.

Programa de leituras para o Vestibulares 2016 da Unicamp  (Correio Popular – Cidades – 15/10/14)

Poesia
✔ Carlos Drummond de
Andrade, Sentimento do Mundo
✔ Luís de Camões, Sonetos Contos
✔ Clarice Lispector, “Amor”, do
livro Laços de Família
✔ Guimarães Rosa, “A Hora e a
vez de Augusto Matraga” do
livro Sagarana
✔ Monteiro Lobato, “Negrinha”,
do livro Negrinha.

Teatro
✔ Osman Lins, Lisbela e o
Prisioneiro.

Romance
✔ Almeida Garret, Viagens na
Minha Terra
✔ Aluísio Azevedo, O Cortiço
✔ Jorge Amado, Capitães da
Areia
✔ José de Alencar, Til
✔ Machado de Assis, Memórias
Póstumas de Brás Cubas.
✔ Mia Couto, Terra Sonâmbula



‘Educação é importante demais para ficar só com o professor’, diz Jailson   (Globo.Com – G1 – Vestibular- 15/10/14)

Criado em uma favela do Rio, Jailson de Souza e Silva, 54 anos, foi o primeiro integrante da sua família a entrar na universidade. Ele é o caçula de cinco irmãos e viveu na comunidade da Mangueirinha (hoje um conjunto habitacional), em Brás de Pina, Zona Norte da cidade. Pelas bandas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se formou em geografia, sua origem causava estranheza. “Era o único aluno favelado, um ser exótico, recebia olhares enviesados. Um dia uma colega me falou: ‘queria tanto ir na sua casa, nunca entrei em uma favela’. Eu respondi: ‘ah, jura? Lá tem leão, girafa, zebra’. Ela ficou sem graça.” Jailson leciona há 32 anos, já foi docente no ensino fundamental e médio na rede particular e privada no Rio e há 23 é professor do curso de licenciatura em geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Fez mestrado e doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) sobre educação popular e pós-doutorado nos Estados Unidos. Autor de vários livros sobre educação, entre eles “Por que uns e não outros?”, sua tese de doutorado que traça a trajetória de estudantes da Maré que chegaram à universidade, e se tornou referência na área de desempenho escolar. Defensor de políticas públicas voltadas para a superação das desigualdades social, Jailson criou em 2001 o Observatório de Favelas, uma organização social que tem a missão de batalhar pela garantia desses direitos. Confira a seguir a entrevista parte do especial do G1 no Dia do Professor.

‘Não sou gênio’, diz brasileiro aluno na melhor universidade do mundo   (Globo.Com – G1 Vestibular – 14/10/14)

O Instituto de Tecnologia da Califórnia, também conhecido como “Caltech”, foi eleito pelo quarto ano consecutivo a melhor universidade do mundo, de acordo com o ranking divulgado no início do mês pelo Times Higher Education. O Caltech, que deixou para trás nomes famosos como Harvard, Oxford, Stanford e Cambridge, tem cinco estudantes brasileiros atualmente. A instituição é uma verdadeira “pequena notável” no meio acadêmico, contando com 2.181 alunos, sendo atualmente 977 de graduação e 1.204 de pós-graduação (incluindo mestrado, doutorado e pós-doutorado). São apenas três alunos para cada professor. O Caltech recebeu 6.625 inscrições para o processo seletivo da turma de 2018, o que representa mais de três vezes o número de alunos em todo o instituto. Dois dos cinco brasileiros que estudam na universidade contaram ao G1 como conseguiram uma vaga no Instituto, os esforços para acompanhar a puxada rotina de estudos e as dicas para quem deseja estudar no exterior. “O pessoal aqui é bem competitivo. Mas, se nós não fôssemos competitivos, não seríamos os primeiros do mundo”, diz Victor Venturi, de 19 anos, que considera o clima de disputa entre os alunos positivo para fazer o diferencial do Caltech. “Nós somos pessoas competitivas, mas numa ideia de competição saudável. A gente dá o melhor que a gente consegue, e temos ciência do que estamos fazendo”, explicou o jovem.



Hélio Schwartsman
Gargalo da educação   (Folha de S.Paulo – Opinião – 11/10/14)

Os economistas fazem constantes referências ao gargalo da infraestrutura. Não há dúvida de que o problema é real e cobra solução. Há, contudo, um outro gargalo que me parece ainda mais grave e que não vem recebendo a devida atenção. É o da educação. Reportagem de Érica Fraga publicada no domingo passado mostra que os  investimentos do governo no Fies, o programa de empréstimos subsidiados para quem cursa a educação superior, nonuplicaram entre 2010 e 2014, saltando de R$ 1 bilhão para R$ 9 bilhões. Em menor escala, o mesmo se deu com o ProUni, o programa de bolsas de estudo para alunos carentes, que teve suas verbas triplicadas entre 2005 e 2013. É certo que o Brasil precisa aumentar sua população diplomada. Aqui, só 13% dos adultos entre 25 e 64 anos são detentores de título universitário, contra uma média de 33% nos países desenvolvidos (OCDE). Não creio, porém, que a proposta, defendida por alguns especialistas, de oferecer juros menores a estudantes que se disponham a cursar carreiras em que o país tem interesse, como engenharia e medicina, vá dar certo. Não é só o governo que identificou a carência desses profissionais. A iniciativa privada também o fez e busca, às vezes desesperadamente, contratá-los, oferecendo bons salários. Se os alunos não respondem aos estímulos de mercado e optam por carreiras saturadas, como direito e administração, é provavelmente porque não se sentem capazes de enfrentar cursos mais técnicos como engenharia e medicina. E talvez tenham motivos para isso. Testes internacionais mostram que o desempenho acadêmico de nossos alunos do ensino médio é bem ruim e piora ainda mais em matemática e ciências. Receio que já estejamos enfrentando o gargalo imposto por um ensino básico deficiente, que não capacita o estudante seguir qualquer carreira, levando-o a preferir aquelas em que é mais fácil enrolar.

Produção científica no Brasil fica menos concentrada em SP  (Folha de S.Paulo – Ciêncioa + Saúde – 13/10/14)

O percentual de pesquisas científicas publicadas pelas três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) em relação ao total dos estudos feitos no Brasil vem caindo, num movimento de desconcentração da produção acadêmica. Mas enquanto o índice de qualidade da produção estagnou na média do país, ele cresceu nessas três universidades, que hoje enfrentam problemas financeiros. Esse quadro é revelado por uma tabulação de dados da base Web of Science feita pela Fapesp (agência paulista de fomento à pesquisa) a pedido da Folha. Pelo menos 40% de toda a produção científica anual brasileira de 1993 a 2009 correspondeu às estaduais paulistas. Essa participação diminuiu a partir de 2010, chegando a 37% em 2012 e 2013. Essa queda se deve principalmente à criação de novas instituições de pesquisa no país. Desde o início do governo Lula, em 2003, foram inauguradas 18 das atuais 63 universidades federais, segundo Paulo Speller, secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação. Na média de toda a produção científica do Brasil, o indicador de qualidade, cuja base é a média de citações por artigo de cada instituição, era de 0,55 em 1981. Desde 2003, ele tem oscilado em torno de 0,69. Na Unesp, Unicamp e USP, esse índice de qualidade manteve a tendência de alta, chegando respectivamente a 0,67, 0,80 e 0,84. Mesmo assim, o desempenho é inferior ao dos países desenvolvidos, que têm números superiores a 1 para o chamado “impacto relativo à média mundial”.

VALORIZAÇÃO
O desempenho em quantidade e qualidade da Unesp, Unicamp e USP se deve em grande parte à tradição de valorização da pesquisa e ao ambiente favorável à competitividade na produção científica, segundo o físico Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp. As três paulistas têm pelo menos 95% de doutores. A lei estabelece que as universidades devem ter ao menos um terço de professores mestres ou doutores. Brito Cruz afirma também que as três estaduais têm acesso aos fundos da Fapesp, com os quais passam a ter o dobro dos recursos que já recebem de apoio à pesquisa pelo governo federal. Ele aponta ainda a diminuição da burocracia e a agilidade na alocação de recursos para a pesquisa graças ao modelo de gestão orçamentária e financeira estabelecido desde 1989, único no país baseado na autonomia universitária prevista pela Constituição.

PRESSÃO

De 2004 a 2013, o total de artigos científicos publicados no Brasil aumentou 137%. Esse crescimento foi maior que o de 98% observado na Unesp, Unicamp e USP no mesmo período. Pesquisadores ouvidos pela Folha destacaram que, nesses dez anos, o governo federal, principalmente por meio da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), aumentou seu investimento em projetos de pesquisa, mas, diferentemente da Fapesp, não evoluiu nas exigências de qualidade. “É uma pressão sem limites para publicar cada vez mais rápido em vasta quantidade”, afirma o biólogo Marcelo Hermes-Lima, da UnB (Universidade de Brasília). A Capes não atendeu aos questionamentos da reportagem, da mesma forma que o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Das estaduais paulistas, a Unesp foi a que mais cresceu em qualidade, apesar de ainda ter o menor índice das três. Seu impacto relativo à média mundial passou de 0,26 em 1981 para 0,67 em 2013. A receita, segundo a pró-reitora de Pesquisa Maria José Giannini, foi o foco da instituição no “aumento e na qualificação dos programas de pós-graduação e formação de recursos humanos competitivos”.