20/10/2008 / Em: Clipping

 


20/10/2008

 


Lei autoriza ensino médio a distância em SP


FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

Uma nova legislação educacional em SP, publicada na sexta-feira, permitirá que escolas de ensino médio do Estado ofereceram até 20% da carga horária na modalidade a distância.

A deliberação foi aprovada pelo Conselho Estadual de Educação e homologada pela titular da área do governo José Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães de Castro.

A alternativa pode ser utilizada tanto por escolas particulares quanto estaduais. Para a rede privada, cabe a cada colégio a decisão; para a pública, depende de uma determinação da Secretaria da Educação.

A norma entrou em vigor já na sexta-feira, com a homologação no “Diário Oficial”.

A legislação determina que as escolas ofereçam, ao menos, 800 horas letivas ao ano. Pela deliberação do conselho, até 160 horas poderão ser feitas pelos alunos a distância.

A intenção, afirma o órgão, é “chamar a atenção para uma metodologia que pode e deve ser estimulada para promover a melhor aprendizagem”.

Segundo o presidente do conselho, Arthur Fonseca Filho, antes, as escolas que pretendessem utilizar o método tinham de pedir, uma a uma, a autorização. “Nenhuma fez tal pedido, até porque a lei não era muito clara. Agora, as escolas já estão autorizadas.”

A Secretaria da Educação informou que a atual gestão não pretende implementar a mudança na sua rede. Já o Sieeesp (sindicato das escolas particulares do Estado) disse que ainda analisará o dispositivo.

Para o presidente da Câmara Básica do Conselho Nacional de Educação, Cesar Callegari, “o ensino a distância não é necessariamente ruim, mas a norma abre a chance de escolas buscarem só corte de custos, em detrimento da qualidade”.



19/10/2008

Unicamp estuda mudança no vestibular

Processo seletivo pode voltar a ter testes de múltipla escolha e não mais questões dissertativas

Fabiano Ormaneze
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
fabiano.ormaneze@rac.com.br

Ao que tudo indica, os vestibulandos que, em novembro, vão tentar uma vaga na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) serão os últimos a realizar a prova no formato dissertativo, adotado pela instituição há 21 anos. A partir do processo seletivo de 2010, a universidade poderá utilizar, na primeira fase, a forma de testes de múltipla escolha, conforme apurou a reportagem da

Agência Anhangüera de Notícias (AAN). Apesar de não confirmar a alteração, que ainda não foi votada pela Câmara Deliberativa do Vestibular, o reitor José Tadeu Jorge disse que “há na instituição muita gente convencida de que esse seria o melhor modelo”.

Na mesma linha, o diretor da Comissão Permanente do Vestibular da Unicamp (Comvest), Leandro Tessler, disse que sua última ação no cargo, que termina em abril do próximo ano, “será a modernização do vestibular, para torná-lo mais adequado ao nosso tempo”. Uma comissão também já foi formada com esse objetivo.

A alteração tem razões pedagógicas, econômicas e logísticas. Implantado na época em que Paulo Renato (ex-ministro da Educação) era reitor da Unicamp, o atual modelo — com provas dissertativas nas duas fases — é anterior à Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), promulgados em 1996 e que apontam os objetivos e as características da educação no País. Quando passou a ter avaliações discursivas, o vestibular da Unicamp foi considerado uma inovação aos padrões brasileiros de acesso à universidade, até então focados na memorização de fórmulas e informações.

“Hoje, a formação do estudante é muito mais interdisciplinar. A prova da Unicamp consegue fazer isso dentro de cada disciplina, mas não como um todo”, afirmou Tessler. No modelo atual, a primeira fase é composta de uma redação e 12 questões, duas de cada disciplina: matemática, física, química, biologia, história e geografia. Na segunda etapa, com duração de quatro dias, além dessas matérias, o aluno responde a questões de língua portuguesa, literatura e inglês.

Custo

Do ponto de vista econômico, o vestibular da Unicamp é considerado o mais caro do País e grande parte do ônus está na correção das provas. Cada questão é corrigida por dois avaliadores e os resultados da primeira fase precisam estar prontos em um mês. “Esse é um modelo que funcionava bem quando o vestibular foi implantado e tínhamos cerca de 20 mil inscritos. Com o aumento do número de vestibulandos, fica difícil manter também a homogeneidade das correções”, disse o reitor.

A partir do vestibular deste ano, passam a entrar na disputa, além das 2.830 vagas oferecidas em Campinas e na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), que também integra o vestibular da Unicamp, outras 380 no campus de Limeira, recém-inaugurado. Planejado para receber, por ano, mil alunos em 16 cursos quando estiver em pleno funcionamento, esse é mais um indício de que o número de vestibulandos não pare de crescer. Nos últimos processos seletivos, a universidade já chegou a registrar aumento de até 8% na quantidade de inscritos de um ano para o outro.

Isenções

Em 2007, segundo Tessler, o vestibular da Unicamp praticamente já consumiu todo o valor arrecadado com as inscrições: foram cerca de 45 mil pagantes, cada um desembolsando R$ 105,00, um total aproximado de R$ 4,7 milhões. Nos últimos anos, o custeio está ficando cada vez mais difícil em razão das políticas de isenção.

Desde 2004, se inscrevem gratuitamente cerca de 6 mil vestibulandos que comprovem ser carentes, sejam funcionários da universidade ou que tenham interesse nos cursos de licenciatura no período noturno. Neste ano, a Unicamp também precisou conceder outras 340 isenções de 50% a estudantes que se declararam carentes, depois da aprovação de uma lei estadual em dezembro do ano passado que implantou o benefício em todas as instituições estaduais de Ensino Superior. “Está ficando cada vez mais difícil manter o atual modelo”, ponderou Tessler.

Cotuca

O Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), cuja gestão e administração estão sob responsabilidade da Unicamp, já mudou seu vestibulinho. Direcionados a estudantes que queiram fazer o Ensino Médio integrado a um curso técnico, a partir deste ano, o exame será composto por questões de múltipla escolha e de uma redação. Até no passado, as provas eram dissertativas e não havia produção de texto.

Número de vagas cresce 17% com o novo campus

Na lista das melhores instituições de Ensino Superior do mundo, de acordo com critérios internacionais como a quantidade de publicação de pesquisas, a qualificação do corpo docente e o número de patentes, a Unicamp oferece no vestibular deste ano um aumento de 17% no número de vagas em relação ao ano passado. Isso porque o governo do Estado inaugurou, em setembro deste ano, o novo campus, em Limeira (a 60 quilômetros de Campinas), com capacidade para acomodar 16 cursos. Oito deles já começarão a ser oferecidos no ano que vem.

No vestibular deste ano, estão em disputa novas 418 vagas nos cursos nas áreas de gestão, engenharias e saúde. Com isso, a Unicamp será a primeira universidade do País a oferecer o curso de engenharia de manufatura, bastante comum em instituições da Europa e dos Estados Unidos. A área focaliza as condições necessárias para a produção de materiais em série. “Estamos oferecendo em Limeira cursos que não existem no campus de Campinas, que tenham aspecto interdisciplinar, que possam dar origem a pós-graduações e estejam focados nas necessidades da região”, disse o reitor da universidade, José Tadeu Jorge.

No novo campus, que custará, quando estiver completamente pronto, R$ 50 milhões, já está autorizado também o funcionamento das graduações em fisioterapia, produção cultural, restauro e conservação, além de terapia ocupacional. “Estão tramitando ainda a autorização dos cursos de design industrial, ciências da natureza, informática biomédica e psicologia”, detalhou Jorge. O novo campus deve estar totalmente pronto e em funcionamento quatro anos após a instalação de todas essas áreas.

(FO/AAN)

Influência no perfil do aluno divide pedagogos

Para uns, alteração incentiva“decoreba”; outros acreditam em prova diferenciada

A dúvida que fica entre estudantes, professores e vestibulandos sobre uma mudança no vestibular da Unicamp é se a instituição continuaria a selecionar o mesmo perfil de universitários e se essa mudança seria vantajosa. Quem já passou pelo vestibular ou tentará uma vaga neste ano tem opiniões divididas, o que também ocorre com professores e coordenadores de cursinhos preparatórios.

André Bellinati, coordenador pedagógico da Cooperativa do Saber, especializada em preparar estudantes para a Unicamp, acredita que a alteração deve valorizar o aluno que privilegia o “armazenamento de informações, como na maioria dos vestibulares do País”. Atualmente, segundo Bellinati, a Unicamp preza, principalmente, o relacionamento entre os dados e dá condições para que o aluno que tenha conhecimentos gerais sobre os assuntos desenvolva um raciocínio sobre o que está sendo cobrado. “Toda a preparação para a prova precisará se readequar. Será necessário motivar nos alunos o desenvolvimento de rotinas de memorização”, avaliou sobre uma possível volta dos testes.

A orientadora pedagógica do Colégio Objetivo tem uma opinião diferente. Maria Francisca de Mello acredita que a Unicamp deverá criar uma prova objetiva diferenciada dos demais vestibulares, o que vai permitir selecionar o aluno que considera ideal. “A forma objetiva diminuiria a angústia dos alunos. Os resultados sairiam mais rápidos e o vestibulando teria um gabarito para comparar suas respostas e, assim, se organizar melhor para a segunda fase.” Maria Francisca considera que, no novo modelo, a prova seria direta, sem rodeios ou as tradicionais pegadinhas feitas para testar a atenção do candidato nos detalhes em exames de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Estadual Paulista (Unesp).

O coordenador da Comvest, Leandro Tessler, garante que a mudança não alteraria o perfil do ingressante. “Teríamos uma prova próxima do que hoje é o Enem

(Exame Nacional do Ensino Médio)”, afirmou. O mesmo raciocínio tem a professora Ângela Dauch, do Anglo Vestibulares. De acordo com ela, o modelo adotado pela Unicamp deverá ser marcado por questões com foco em testar habilidades, como entender e explicar gráficos e figuras, interpretar resultados de experimentos, analisar textos da imprensa e compreender diagramas e esquemas explicativos. “Tanto numa prova de múltipla escolha, como no atual modelo, é possível valorizar o candidato que se mantém informado e com visão crítica”, disse Ângela.

O reitor José Tadeu Jorge diz que a alteração não mudaria o perfil do estudante. “Se continuarmos a aprovar para a segunda fase até oito candidatos por vaga, que é um dos critérios hoje, não haverá diferença. Não corremos o risco de eliminar na primeira etapa alguém que teria passado na prova dissertativa”, afirmou. Segundo ele, somente se a nota de corte fosse muito alta, a universidade correria o risco de selecionar alunos que tenham priorizado a memorização de informações, a tradicional “decoreba”.

(FO/AAN)

REAÇÕES
O que pensam alunos e vestibulandos

Priscila Travassos
Aluna do curso de estatística

“Prefiro o estilo atual. A prova dissertativa é melhor. O aluno tem a oportunidade de se expressar.”

Bruno Alvares Leite
Aluno de engenharia agrícola

“A prova objetiva é mais fácil e isso não mudaria o perfil do aluno. Quem está preparado se sairia bem nos dois modelos. Quem passa na Unicamp, geralmente, entra também na USP e na Unesp.”

Marcelo Shinyu Mekaro
Vestibulando

“Seria um ganho uma prova objetiva. Teríamos o gabarito e isso facilita a preparação para a segunda fase. Por outro lado, o aluno perderia a possibilidade de se expressar.”

Giuliana Amaulf Pinto
Aluna de engenharia agrícola

“O ingresso à universidade seria mais fácil com uma prova objetiva. O teste é mais rápido para ser respondido. No atual modelo, nem sempre dá tempo de resolver tudo.”

Ana Carolina Mora
Vestibulanda

“Prefiro a prova dissertativa. É muito mais abrangente e mais tranqüila. A prova de múltipla escolha é muito mais cansativa, pois geralmente tem mais questões.”

Vinícius Birsenek de Mora
Vestibulando

“A prova dissertativa é um diferencial. A Unicamp perderia muito com a mudança, deixaria de testar a capacidade do aluno em mostrar o que sabe sobre um assunto.”




19/10/2008

Unicamp estuda mudança na prova do vestibular
Processo seletivo pode voltar a ter testes de múltipla escolha e não mais questões dissertativas.

Ao que tudo indica, os vestibulandos que, em novembro, vão tentar uma vaga na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) serão os últimos a realizar a prova no formato dissertativo, adotado pela instituição há 21 anos. A partir do processo seletivo de 2010, a universidade poderá utilizar, na primeira fase, a forma de testes de múltipla escolha, conforme apurou a reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN). Apesar de não confirmar a alteração, que ainda não foi votada pela Câmara Deliberativa do Vestibular, o reitor José Tadeu Jorge disse que “há na instituição muita gente convencida de que esse seria o melhor modelo”.

Na mesma linha, o diretor da Comissão Permanente do Vestibular da Unicamp (Comvest), Leandro Tessler, disse que sua última ação no cargo, que termina em abril do próximo ano, “será a modernização do vestibular, para torná-lo mais adequado ao nosso tempo”. Uma comissão também já foi formada com esse objetivo.

A alteração tem razões pedagógicas, econômicas e logísticas. Implantado na época em que Paulo Renato (ex-ministro da Educação) era reitor da Unicamp, o atual modelo — com provas dissertativas nas duas fases — é anterior à Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), promulgados em 1996 e que apontam os objetivos e as características da educação no País. Quando passou a ter avaliações discursivas, o vestibular da Unicamp foi considerado uma inovação aos padrões brasileiros de acesso à universidade, até então focados na memorização de fórmulas e informações.

“Hoje, a formação do estudante é muito mais interdisciplinar. A prova da Unicamp consegue fazer isso dentro de cada disciplina, mas não como um todo”, afirmou Tessler. No modelo atual, a primeira fase é composta de uma redação e 12 questões, duas de cada disciplina: matemática, física, química, biologia, história e geografia. Na segunda etapa, com duração de quatro dias, além dessas matérias, o aluno responde a questões de língua portuguesa, literatura e inglês.



18/10/2008

A universidade e as novas tecnologias

João Grandino Rodas

Nunca antes o conceito de universidade, surgido na Europa no século 12, enfrentou tamanho desafio. Estão em xeque seus pressupostos básicos: localização, temporalidade e limitação de vagas. De per si, as invenções da imprensa, do rádio e da televisão não tiveram o condão de mudar, fundamentalmente, o conceito em tela. O uso integrado de variadas mídias, possibilitado pelo uso conjunto de tecnologias de comunicação e informação, contudo, vem permitindo uma revolução na educação, em razão de romper com as fronteiras de tempo e de espaço.

O impacto da utilização do referido conjunto de tecnologias pode ser sentido na sociedade, nos métodos de ensino, no aluno, no professor e na universidade. Para a sociedade o benefício é dúplice: os cursos semipresenciais e não-presenciais propiciam aumento considerável do número de pessoas com acesso à educação – um mesmo curso pode ser seguido tanto em escala nacional quanto global. Opera-se a democratização da educação ao permitir que pessoas sem possibilidades de freqüentar regularmente cursos presenciais possam ser incorporadas à escola. Além disso, facilita-se a educação continuada.

No que tange aos métodos, o professor deixa de ser o ponto central, tornando-se partícipe de equipe multidisciplinar (pedagogo, designer, roteirista, programador e apresentador), cujo objetivo é a eficácia do processo ensino-aprendizagem. Por outro lado, cada espécie de curso requer o desenvolvimento de metodologias adequadas. Curso que utilize a televisão deve ser interativo, a ponto de possibilitar a comunicação reversa do aluno. Já os que utilizam a internet necessitam de ferramentas de interatividade para a comunicação síncrona ou assíncrona entre professor e aluno.

O aluno torna-se o foco do processo de aprendizagem. Passa ele a ter maior autonomia para identificar suas necessidades e procurar as informações, com o intuito de refletir sobre elas, discuti-las e adaptá-las às suas necessidades. Daí ser imperioso, desde o ensino fundamental, cultivar no aluno maior espírito crítico e perspicácia. Relativamente às informações, elas passam a estar disponíveis em qualquer lugar e a qualquer hora, e não unicamente no momento em que o professor as apresenta. O aluno poderá obtê-las quando a elas se puder dedicar.

Deixa o professor de ser “fonte do saber”, que disponibiliza conteúdos a serem memorizados e replicados. Sua competência será mais bem aproveitada, por se tornar um orientador de estudos, que também motiva o discípulo, dissipa dúvidas e procede à avaliação. Cabe ao professor repartir com o aluno sua experiência, orientando-o na abordagem, avaliação e resolução de situações.

Deixa a universidade de depender das competências locais para o oferecimento de cursos, podendo, no estabelecimento deles, contar com competências existentes na esfera nacional e mesmo internacionalmente. Dessa maneira, poderá otimizar seus recursos, mormente os humanos, deles se servindo mesmo que dispersos no tempo e no espaço. Duas características serão imprescindíveis para a universidade:

Deve dispor de infra-estrutura, tecnologias modernas e metodologias adequadas para atender aos alunos onde quer que eles se encontrem, durante o tempo que precisem e consoante as suas necessidades. Tanto quanto de bons professores, a universidade, como nunca anteriormente, passa a necessitar de bibliotecas, inclusive e mormente de biblioteca digital, além de laboratórios apropriados;

necessita ser ágil para identificar as necessidades de conhecimento da sociedade, que variam no tempo e na localização, e oferecer cursos, fazendo-os evoluir conforme se modifiquem tais necessidades.

Por oito séculos o modelo de universidade se manteve praticamente o mesmo. De alguns anos a esta parte, o conjunto de tecnologias de informação e de educação acima mencionado começou a ser, pouco a pouco, utilizado por várias universidades estrangeiras e, mais timidamente, por algumas brasileiras. O que já começa a ser patente é a aceleração que vem sendo impressa, mormente por universidades alienígenas, nesse processo.

É possível antever que, em poucos anos, o panorama universitário global se modifique profundamente, a ponto de se tornar irreconhecível. A discussão que sempre houve sobre os métodos de ensino será canalizada, mais pragmaticamente, para determinadas finalidades.

O perfil do aluno tende a se modificar e um ensino básico adequado será importantíssimo. Sem ele não será possível navegar pelo mundo virtual ou semivirtual da aprendizagem. Persistindo a falta de ensino público básico de qualidade, aprofundar-se-á o fosso socioeducacional já existente.

Os professores continuarão a ser necessários, não o professor tradicional, mas o apto a certos desafios. Assim, reciclagem profunda e adaptações indispensáveis serão imprescindíveis para que os professores “à moda antiga” não fiquem inexoravelmente fora do mercado e os novos professores já se formem com as habilidades necessárias.

Finalmente, as instituições que não perceberem o sinal dos tempos e não empreenderem profunda reflexão e mudança estarão fadadas, inicialmente, ao ostracismo e, a médio prazo, à obsolescência e à nulificação. Espera-se que as universidades brasileiras não percam o momento, pois está em jogo, inclusive, a preservação da cultura nacional, a importância do Brasil no mundo e a capacidade de termos um País mais justo. Este último desiderato só será alcançado por meio de educação de qualidade acessível a todos neste país-continente.

João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito da USP, presidente do Tribunal Permanente de Resolução do Mercosul, ex-professor da Faculdade de Educação da USP (Didática, História da Educação e Educação Internacional), é membro do Conselho Diretor da Fulbright Commission