21/05/2013 / Em: Clipping

 


FCM se firma como polo de referência aos 50 anos  (Correio Popular – cidades – 21/05/13)

Os estudantes tomaram as poltronas do Teatro Municipal. No palco, o então reitor da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Barros de Ulhôa Cintra, lecionou a aula inaugural da então Faculdade de Medicina de Campinas. Passados 50 anos, completados ontem, a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (FCM) é um reconhecido polo gerador de conhecimento. São quase 2,3 mil estudantes de graduação e pós em medicina, enfermagem, fonoaudiologia e farmácia. Há cerca de mil projetos em andamento em 150 linhas de pesquisa, e um complexo formado por 94 laboratórios. Desde ontem e por toda a semana, uma programação especial de aniversário celebra a trajetória de uma instituição que forma especialistas de primeira linha, e ajudou a fazer de Campinas uma referência em Saúde. E quem olha para o passado se emociona de contar episódios protagonizados por jovens que enfrentaram anos dificílimos, quando a faculdade nem tinha sede própria, e o atendimento ambulatorial era improvisado. Um dos remanescentes da primeira turma é o médico Rogério Antunes Pereira Filho, de 70 anos. Lá em 1963, lembra, as aulas eram ministradas nos dois primeiros andares da Maternidade de Campinas, um prédio que estava em construção. Dois anos mais tarde, a faculdade firmou um convênio com a Santa Casa de Misericórdia, e para lá se transferiu. Mas a falta de espaço era nítida. Casas ao redor do hospital eram alugadas para acomodara turma.Aquele era um tempo de estudantes apaixonados, que faziam passeata na rua, exigiam que o ensino tivesse mais atenção. Demorou, masas faixas e o barulho surtiram efeito. Em meados da década de 80, a faculdade inaugurou suas dependências no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No mesmo complexo, nasceram o Hospital da Mulher, o Gastrocentro,o Hemocentro e o Hospital de Clínicas. E quem passou por tantos episódios, não se imagina longe de lá. O aposentado Pereira Filho, de 70 anos, ainda trabalha como professor voluntário. “Enquanto aguentarem o velhinho aqui, leciono. ”A saga histórica, aliás, tem episódios dignos de documentário. Os estudantes se aventuravam por estradas de terra—pouca gente tinha carro e o ônibus vivia encalhando na lama. Os alunos levavam à periferia os programas de medicina preventiva e integral.É como conta o Livro de Memórias, lançado há cinco anos por um grupo de 30 profissionais que se dedicou a catalogar documentos, fotos e colher depoimentos.

Campanha popular
A aula inaugural, em 20 de maio de 1963, foi a coroação de uma campanha pública. O cidadão campineiro queria formar seus próprios médicos. Luso Ventura, jornalista do Correio, foi uma espécie de porta-voz do movimento. Já no primeiro vestibular, o concurso atraiu 1.592 jovens do País todo—50 aprovados.



DEBATE: Pesquisa dá sustentação à política de cotas nas universidades?   (O Estado de S.Paulo – Educação – 19/05/13)

SIM

“Em um país tão desigual como o Brasil, as cotas dão oportunidades a pessoas que não teriam acesso à vantagem social que representa completar o ensino superior (com impactos imediatos e futuros), sem que sua implementação signifique – contrariamente ao que previam alguns – um atentado fatal ao nível médio de conhecimento dos alunos. O hiato de desempenho entre não cotistas e cotistas tem se revelado sistematicamente inferior a 10%, às vezes muito próximo de zero, como mostra a pesquisa da Unifesp. Quanto à discussão de critérios e de porcentual de vagas, não tenho resposta pronta. Precisamos de mais estudos e debates para fazer a sintonia fina, mesmo porque não há forma puramente ‘científica’ de se determinar isto. É uma decisão democrática que a sociedade deverá tomar em cada momento do tempo. Se o ‘preço a pagar’ por mais inclusão social e por um futuro de mais igualdade de oportunidades é que não cotistas se formem com 6,26 e cotistas com 5,84, como no caso da Medicina da Unifesp, esse não me parece ser um preço alto.”