21/06/2017 / Em: Clipping

 

Entenda quais são as mudanças no Enem 2017 (O Tempo – Cidades – 21/06/2017)

Cerca de 7,5 milhões de estudantes são esperados para realizar as provas nos dias 5 e 12 de novembro

As mudanças do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram definidas depois do resultado de uma consulta pública realizada com mais de 600 mil pessoas, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2017, pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A principal alteração foi feita nos dias da aplicação das provas, que serão realizadas em dois domingos seguidos (em 5 e 12 de novembro neste ano), e não mais em um único fim de semana, como antigamente. Essa medida favorece aqueles candidatos que por motivos religiosos não podem fazer nenhuma atividade produtiva até o início da noite de sábado. De acordo com o MEC, eles acessavam o local da prova no mesmo horário dos demais, mas só começavam a responder as questões às 19h. No ano passado, 76 mil pessoas esperaram mais de 5 horas para iniciarem os testes. Para atender ao desejo da maioria dos indivíduos que participou da pesquisa, a redação será realizada não mais no segundo dia de aplicações dos testes, mas no primeiro, acompanhada das disciplinas de linguagens, códigos e ciências humanas e suas tecnologias. Os candidatos terão 5h30 para finalizar as questões. Na semana seguinte, as perguntas a serem respondidas serão sobre matemática e ciências da natureza e suas tecnologias, com 4h30 de duração. “Para mim, as mudanças deste ano foram positivas. Por ser em dois domingos, acredito que dá para fazer uma revisão a mais nos conteúdos, principalmente na última data, em que são focadas as matérias de exatas”, afirma o estudante Leonardo Rodrigues, 20.

Alteração. Para proporcionar aos vestibulandos a realidade encontrada no dia do exame, alguns centros de ensino se adequaram ao novo momento. “O nosso preparatório fez adaptações: aplicamos o simulado no mesmo formato da prova do Enem, em dois domingos, com o mesmo horário de início, tempo de duração e ordem das disciplinas. Além disso, estamos trabalhando a ansiedade e o emocional dos alunos, reconhecendo o espaço de uma semana entre as provas. O nosso intuito é treiná-los e garantir maior tranquilidade para um bom desempenho nos dias de prova”, destaca o professor de geografia da Rede Chromos de Ensino, Lindemberg Gusmão.

Novidades. Até o ano passado, os candidatos recebiam o cartão de resposta separado da prova e faziam a identificação com a cor do respectivo teste. Agora, eles receberão ambos identificados com nome e número de inscrição. “O estudante vai se sentir extremamente confortável por poder realizar a prova identificada, devido ao reforço da segurança”, ressalta a presidente do Inep, Maria Inês Fini. Outra mudança é que, a partir de agora, o Enem deixa de certificar o ensino médio, o que volta a ser feito pelo Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos (Encceja). Além disso, um novo recurso de acessibilidade começa a ser oferecido em caráter de experiência. Os participantes surdos ou deficientes auditivos poderão participar de aplicação experimental de um dispositivo em vídeo contendo questões traduzidas em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Outra alteração é em relação ao tempo adicional, que não poderá mais ser solicitado na hora da prova, mas apenas no ato da inscrição. A inclusão da opção “outra condição específica” também é novidade e contemplará participantes que não se enquadram nos requisitos necessários ao atendimento especializado, mas precisam de algum recurso para a prova, considerando um rol de doenças. Para reduzir o número de faltas, aqueles que conseguiram inscrição gratuita em 2017 e não comparecerem à prova sem justificativa perderão o benefício no ano seguinte. O Inep estima a participação de 7,5 milhões de estudantes. O resultado das provas será divulgado em 19 de janeiro de 2018.

 


 

Aluno já migra no 6º ano para antigo supletivo (Isto É – Geral – 21/06/2017)

Mais alunos dos anos finais do ensino fundamental (do 6.º ao 9.º ano) migram para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do que os do ensino médio. Dados inéditos, divulgados nessa terça-feira, 20, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que 2,7% dos estudantes – mais de 344,5 mil – ainda no fundamental saíram do ensino regular entre os anos de 2014 e 2015. No ensino médio, a proporção é menor, de 1,9% – 157,7 mil dos alunos. Para cursar o EJA, é preciso ter 15 anos completos para se matricular no ensino fundamental e 18 anos, para o ensino médio. Na maioria das escolas, essa etapa – que substituiu o supletivo – ocorre no período noturno e tem uma carga horária menor. “São estudantes que foram reprovados muitas vezes já no início da educação básica e estão em defasagem. As escolas não conseguem lidar com as dificuldades, educacionais e sociais, e ele acaba indo para o EJA, o que é muito equivocado”, diz César Callegari, integrante do Conselho Nacional de Educação. A procura pelo EJA já no fundamental chega a 5% dos estudantes de Estados como Alagoas, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará. Além dessa migração, nessa etapa o Brasil perde 5,4% dos alunos, que desistem de estudar. “Os números de jovens que deixam de estudar ou procuram o EJA já nessa etapa mostram um abismo. São jovens que não têm perspectiva de terminar nem o ensino médio. É uma situação enfrentada pela população mais pobre e que é naturalizada”, diz Priscila Cruz, diretora executiva do Movimento Todos pela Educação. Os dados mostram que, no 6.º ano do fundamental (o primeiro da etapa), 14,4% dos estudantes são reprovados. O porcentual tem queda, mas volta a subir no 1.º ano do ensino médio, quando 15,2% reprovam.

Censo mostra que 11% dos alunos do ensino médio deixaram a escola em 2014 e 2015 (Isto É – Geral – 20/06/2017)

A evasão escolar no ensino médio chegou a 11% do total de alunos no período de 2014 a 2015. Segundo dados inéditos do Censo Escolar, divulgados hoje (20), na 1ª série do ensino médio 12,7% dos alunos deixaram a escola no período e na 2ª série a evasão foi de 12,1%. O 9º ano do ensino fundamental teve 7,7% de evasão e na 3ª série do ensino médio a taxa foi de 6,7%. A evasão é maior nas escolas rurais, em todas as etapas de ensino. O Pará tem a mais alta taxa de evasão em todas as etapas de ensino, chegando a 16% no ensino médio. Os indicadores de fluxo escolar na educação básica foram divulgados, pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação. O censo apontou também que a migração para a Educação de Jovens e Adultos é mais expressiva ao final do ensino fundamental, quando chega a 3,2% e 3,1%, no 7º e 8º ano, respectivamente. Em relação à rede de ensino, a migração é maior na rede municipal nos anos finais do ensino fundamental, quando alcança uma taxa de 3,8%. Já no ensino médio, a migração é mais expressiva na rede estadual de ensino, com 2,2%.

 


Meio período é pouco (O Regional – Opinião – 21/06/2017)

O mundo hoje precisa se empreendedores, criadores e pessoas polivalentes. Só que a escola, como instituição imprescindível, nem sempre consegue acompanhar o ritmo das mutações da ciência e da tecnologia. Todos já perceberam que as aulas prelecionais, monologais e teóricas não atraem infância e juventude plugada nas redes sociais e com circuitaria neuronal inteiramente digital. Por isso é que surge a urgência de oferecer às jovens oportunidades de aproveitamento muito mais consistente de seus estudos, do que a mera obtenção de diplomas. De que vale um diploma, se ele não habilitar o diplomado a obter satisfação pessoal resultante de poder exercer a profissão desejada? O saber é sempre gratificante, mas as pessoas precisam subsistir com a obtenção de recursos gerados por seu trabalho. E o trabalho hoje requer especialistas em áreas que nem sempre estão na cogitação da escola. O estudo precisa ser uma vocação permanente para todos os humanos. Não é por outra razão que a Constituição da República erige a educação como direito de todos e dever do Estado, da família e da sociedade. A grande maioria do alunado ainda está no regime dos cursos regulares, com meio período de aulas. Mas isso é pouco. Já está comprovado que o ensino integral – o dia todo na escola – oferece resultados muito tangíveis em eficiência. Supera em muito o meio período. Enquanto não é possível a ampliação do ensino integral para atender à totalidade da Rede Pública, o importante é que as famílias se compenetrem de que é de relevância extrema oferecer ao aluno a chance de um contraturno. De preferência um ensino técnico, pois esse aprendizado concomitante habilitará o aluno a terminar o ensino regular com uma profissão garantidora de seu futuro. Apenas 18% dos brasileiros que concluem o Ensino Médio chegam à Universidade. Enquanto isso, os técnicos nas áreas mais disputadas percebem salários muito maiores do que os portadores de nível superior. O ensino técnico dispõe de milhares de vagas atraentes, seja na educação pública, as ETECs de São Paulo, uma iniciativa vitoriosa, seja no sistema S – SESI, SENAI, SENAC, SENAR – seja na área privada ou como contribuição do Terceiro Setor. Tal concepção ganha reforço com a implementação do Projeto MEDIOTEC, verdadeiro catalizador do novo Ensino Médio, para a disponibilização de vagas aos alunos da Rede Pública interessados em fazer, simultaneamente, o curso regular e o curso técnico. É o momento de famílias e sociedade participarem também, orientando os jovens para que saibam escolher aquela atividade mais prazerosa, a qual passarão a exercer durante as próximas décadas e que trará, além do indispensável sustento próprio e familiar, uma insubstituível satisfação pessoal. Em síntese, meio período é insuficiente. É muito pouco. Vamos preencher o outro turno com estudos que multipliquem nossas perspectivas para o amanhã.

 


Evasão no ensino médio alcança 11% do total de alunos, apontam dados do Censo Escolar (G1 – Educação – 20/06/2017)

Percentual é maior no primeiro ano do ensino médio (12,7%). Entre os estados, o Pará tem a maior taxa de abandono, com 16%.

Um levantamento inédito do governo federal revela que 12,7% e 12,1% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, respectivamente, abandonaram os estudos entre os anos de 2014 e 2015, de acordo com o Censo Escolar. Ainda de acordo com a análise, o 9º ano do ensino fundamental tem a terceira maior taxa de evasão, 7,7%, seguido pela 3ª série do ensino médio, com 6,7%. Considerando todas as séries do ensino médio, a evasão chega a 11% do total de alunos nessa etapa de ensino. Os dados inéditos integram um conjunto de indicadores divulgados pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Educação (MEC). A análise foi feita, de acordo com o governo, com base em uma metodologia de acompanhamento longitudinal da trajetória dos estudantes. “A evasão é maior nas escolas rurais, em todas as etapas de ensino. O Pará tem a mais alta taxa de evasão em todas as etapas de ensino, chegando a 16% no ensino médio”, informou o Inep em nota. Os dados foram revelados nesta terça-feira (20) durante o “Seminário 10 Anos de Metodologia de Coleta de Dados Individualizada dos Censos Educacionais”.

Evasão por redes

A evasão total de 11% no ensino médio é o retrato da situação na média das redes. Se considerada apenas a evasão na rede particular, ela é de 3,6%, seguida de 5,6% na rede federal, 9,4% na municipal e de 12,2% na rede estadual (que é a principal ofertante da etapa). No levantamento 2007/2008, a evasão era de 14,4%, mantendo trajetória de queda até 2013/2014, quando atingiu 10,8%.

 


Quais os desafios do ensino médio no Brasil, segundo a diretora de educação da OCDE (Nexo – Entrevista – 20/06/2017)

Elizabeth Fordham afirma que acesso, flexibilidade e qualidade estão no centro desse debate

O presidente Michel Temer (PMDB) sancionou, no dia 16 de fevereiro de 2017, a Medida Provisória que institui a reforma nacional do ensino médio. A mudança será implementada pelos Estados, de forma gradual. Ela prevê o aumento da carga horária para os alunos (o objetivo é chegar ao ensino integral), a reformulação do currículo (com a divisão por áreas de ensino) e sua flexibilização: a ideia é que os estudantes façam as disciplinas básicas e possam adaptar o currículo à área que pretendem seguir ou têm mais afinidade. Os estudantes terão apenas algumas disciplinas obrigatórias: matemática, português, educação física, artes, filosofia e sociologia. As duas últimas estavam de fora do texto anterior, mas acabaram incluídas na votação do texto no Congresso após reações negativas. Em tramitação desde 2013, como projeto de lei elaborado por uma comissão especial de deputados, a reforma foi acelerada pelo governo Temer com a edição a Medida Provisória em setembro de 2016, que passa a valer assim que é publicada, restando ao Congresso apenas confirmá-la ou rejeitá-la. A justificativa do ministro da Educação, Mendonça Filho, foi de que há uma “necessidade urgente de mudar a arquitetura legal desta etapa da educação básica” motivada, principalmente, pelos maus resultados dos estudantes no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Conselheira sênior e diretora de educação da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a inglesa Elizabeth Fordham esteve em São Paulo para o seminário internacional “Desafios Curriculares do Ensino Médio”, promovido pelo Instituto Unibanco entre 21 e 22 de junho. A OCDE  é uma entidade internacional que atua na produção de estudos sobre a economia internacional e, em especial, a respeito situação de seus 34 países-membros, em diversas áreas como educação, combate à corrupção e governança com foco no livre mercado. Fordham falou ao Nexo sobre desafios da reforma e da educação na última etapa do ensino básico, destacando a importância da qualidade e relevância do conteúdo oferecido para fazer valer as horas a mais no dia letivo e o interesse dos alunos pelo aprendizado:

Quais princípios guiam a OCDE no aconselhamento de reformas educacionais em diferentes países?

ELIZABETH FORDHAM Acho que o que distingue a abordagem da OCDE com relação à educação – que, como você sabe, é um campo que tende a ser ideológico, polarizado e politizado – é se basear em provas e pesquisa. São evidências sobre os países onde nós trabalhamos, seu estágio de desenvolvimento, necessidades do mercado de trabalho, fatores contextuais, e também de outros países, sobre o que funciona na área para a qual estamos olhando. Coletamos muitos dados diferentes, quantitativos e qualitativos, sobre os fatores correlatos ao sucesso no sistema educacional, em termos de justiça e qualidade.

Que resultado vocês procuram?

ELIZABETH FORDHAM  A perspectiva da OCDE é sempre que a educação, quando funciona bem, é um passo importante para uma vida melhor, individualmente, e para um futuro melhor para o país. Vemos a educação como uma forma de empoderamento para os indivíduos e uma alavanca de desenvolvimento para o país.

Como você vê as políticas nacionais brasileiras voltadas para a educação básica?

ELIZABETH FORDHAM  Acho que quando se olha para o Brasil em comparação com outros países de nível similar em renda e desenvolvimento, ele se destaca, frequentemente, como uma história de sucesso. É um país que ampliou o número de estudantes que se beneficiam do sistema educacional e os resultados de aprendizagem dos alunos. Também é apontado como exemplo de eficácia nas políticas em vários aspectos, seja na avaliação dos estudantes ou em medidas de redução da desigualdade. Em muitos sentidos, quando se olha para o Brasil em comparação com a América Latina ou a outros países em desenvolvimento, ele é uma história de sucesso. Quando se olha da perspectiva da OCDE, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Isso é empolgante para o Brasil, que traça publicamente o objetivo de ser parte da OCDE, o que é um sinal de que se trata de um país de grandes aspirações para seu povo e sua economia. É um país que mostrou progressos grandes e mais rápidos do que muitos dos seus vizinhos, mas o fosso em relação aos membros da OCDE permanece. Ao longo dos últimos dez a quinze anos houve uma mudança notável em termos da prioridade política dada à educação, isso é perceptível no aumento dos investimentos nessa área.

A reforma do ensino médio no Brasil estende o número de horas dos alunos na escola e torna o currículo mais flexível. Quais são as vantagens e desvantagens que podem ser encaradas no processo de implementação?

ELIZABETH FORDHAM Em primeiro lugar, as duas medidas que você identificou na pergunta – estender o número de horas e instituir uma flexibilidade maior – são medidas que a OCDE recomendou ao Brasil para melhorar a educação. Em termos de desafios de implementação, quando se fala em ampliar o dia letivo, eu acho que a chave é certificar-se de que essas horas adicionais sejam usadas para um aprendizado de qualidade, e que haja ênfase em garantir tempo o suficiente para que o aluno domine habilidades básicas e essenciais. Muitos estudantes têm conhecimentos muito fracos de disciplinas que são a base do aprendizado. Acho que a decisão de estender o número de horas é positiva, mas seu efeito só será também positivo se esse tempo extra for bem usado e se o ensino for de boa qualidade. Quanto à flexibilidade [do currículo], essa é a direção da mudança tomada pela maioria dos países da OCDE, por introduzir muito mais escolhas para os estudantes. Isso é importante tanto por conta do que sabemos sobre como aprendemos como porque a educação precisa preparar estudantes para uma ampla gama de escolhas de vida e de carreira. Uma das críticas feitas ao modelo anterior do ensino médio é que ele era altamente uniforme e voltado para preparar uma elite para a universidade, e não para uma variedade maior de futuros. A introdução da escolha é muito positiva, mas administrar isso vai ser um desafio e manejar a força de trabalho dos professores para entregar um currículo mais amplo será uma questão, em termos de garantir que haja professores suficientes para cada área, mas também da perspectiva da eficácia: sempre há um impasse entre [oferecer] escolhas para os estudantes e a eficiência do sistema [educacional]. A forma como se administra a força de trabalho dos professores para que estudantes de todas as partes do país tenham acesso às mesmas possibilidades de escolha será um desafio.

Qual a importância da participação de especialistas, gestores, professores, pais e alunos na elaboração e implementação da reforma?

ELIZABETH FORDHAM Sua primeira pergunta foi sobre boas práticas e eu acho que um denominador comum básico de uma boa reforma é que ela seja inclusiva, envolvendo consultas. Mas acho particularmente importante ter um processo inclusivo não só em termos da implementação, mas também no design das políticas – essa é uma faixa etária em que os estudantes sabem o que querem e precisam ser ouvidos. Se olharmos para alguns dos fatores que estão minando o ensino nessa etapa, contribuindo para as altas taxas de evasão, eles têm a ver com o fato de que nem os pais nem os alunos veem valor nesse sistema, e por isso é particularmente importante, se você quiser melhorar essas taxas no país, explicar para a comunidade por que isso importa. E não se trata só de se conectar com professores, pais e alunos, mas com o setor produtivo. Um dos maiores brechas do sistema educacional brasileiro no ensino médio é o baixo desenvolvimento do ensino técnico e a escassez de oferta de instituições técnicas de alta qualidade, que vão ajudar os estudantes a obterem bons empregos.

Instituições de ensino público no Brasil enfrentam problemas de infraestrutura e sua qualidade não é uniforme. É possível que uma reforma de âmbito nacional seja bem sucedida nesse contexto?

ELIZABETH FORDHAM Sim,  acho que o Brasil mostrou a capacidade de adaptação de um país que é um dos mais diversos no mundo, que enfrenta uma variedade de desafios por ser um país desigual. Com políticas cuidadosamente desenhadas, sim, é possível, o que significa não ser uma solução simples. Em muitos países, para viabilizar a flexibilidade do currículo, houve parcerias entre escolas e o terceiro setor, com universidades e outros provedores de educação para ampliar a capacidade existente; nesse estágio de ensino, recursos digitais também podem fazer uma diferença valiosa na expansão do acesso a uma amplitude maior de escolhas. Há cerca de uma década, Portugal tinha a mesma taxa de participação [da população na força de trabalho] que o Brasil. Hoje essa taxa é quase universal e os resultados de aprendizagem seguem melhorando e o país  – que mesmo sendo menor [que o Brasil], enfrenta desigualdades significativas – mostrou ser possível progredir em um curto período de tempo.  a estratégia mais eficaz para o ensino médio é melhorar a qualidade dessas bases do aprendizado nos primeiros anos de escola Alguns países da OCDE superaram recentemente desafios semelhantes aos brasileiros, que  consistem basicamente em tornar a educação no ensino médio mais relevante, inclusiva para um grupo de estudantes mais diverso. A Irlanda é um outro exemplo. Acho que um dos fatores por trás do sucesso desses países é assegurar que estudantes tenham as bases para o aprendizado quando chegam ao ensino médio. A melhor estratégia para melhorar o ensino médio é melhorar a qualidade dessas bases, nos primeiros anos, especialmente identificando estudantes que estão enfrentando dificuldades no início e apoiando-os para que tenham uma transição melhor para o ensino fundamental e médio. o foco da reforma não é esse, mas o ensino técnico precisará de mais ênfase para se tornar eficaz Outro ponto é melhorar de fato a qualidade e relevância do ensino técnico. Nos últimos dez anos, o ensino técnico de um país como Portugal cresceu 40%, precisamos de uma expansão como essa no Brasil. Na perspectiva comparativa da OCDE, o que salta aos olhos sobre o Brasil é o subdesenvolvimento da oferta de ensino técnico.  No Brasil, escolas técnicas atraem bons estudantes e obtêm bons resultados, mas a maioria deles na verdade segue para a educação superior em vez de continuarem o treinamento ou irem para o mercado de trabalho. Então o foco do desenvolvimento do ensino técnico no Brasil precisa ser torná-lo uma alavanca dos estudantes dessa faixa etária para um emprego. A OCDE trabalhou em cerca de 50 países no desenvolvimento de um sistema de ensino técnico e as características qualitativas que surgem disso são determinantes para mostrar a eficácia: ele dá aos estudantes uma experiência relevante para o mercado de trabalho, habilidades melhores e aos empregadores, confiança. Os benefícios são múltiplos. Sei que o foco da reforma não é esse, mas é algo que precisará de mais ênfase para tornar o ensino técnico eficaz.

Uma das críticas feitas à reforma é a diferenciação entre quem receberia uma formação técnica e quem receberia uma formação acadêmica, intelectual. Você acha que isso faz sentido?

ELIZABETH FORDHAM  Esse risco é grande, mas não é o problema nesse momento. Um dos pontos fortes do ensino técnico que vocês têm hoje é fornecer uma base acadêmica relativamente rigorosa. Mas o risco é sempre – por várias razões, como a escassez de professores – que a educação acadêmica não seja central em escolas técnicas. o ensino técnico também precisa entregar qualidade nessas disciplinas centrais do currículo convencional Mas o que é extremamente importante é consolidar as habilidades básicas para o aprendizado – a maioria dos alunos de 15 e 16 tem capacidade muito fraca de leitura e escrita. Não importa em qual sistema o aluno estiver, técnico ou não, é central que seja colocada forte ênfase em melhorar o português e a matemática. E isso significa que o ensino técnico também precisa entregar qualidade nessas disciplinas centrais do currículo convencional porque caso contrário, o estudante pode conseguir um emprego amanhã, mas daqui a cinco anos, se algo mudar, ele não será capaz de aprender a fazer outra coisa porque não tem as ferramentas fundamentais para “aprender a aprender”.

Há mais de 1,7 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola no Brasil. A maioria deles são pretos ou pardos, pobres e/ou da zona rural. Como a falta de educação formal impacta a trajetória do jovem? Como transformar a escola em um local mais atraente e capaz de reter esses jovens?

ELIZABETH FORDHAM Se a educação no ensino médio quiser ser inclusiva, vai precisar de uma abordagem diferente para chegar aos estudantes que estão completamente fora do sistema educacional, que estão nas comunidades marginalizadas e aqueles que deixaram a escola tendo aprendido muito pouco. A experiência dos países da OCDE, onde essas comunidades existem, embora não sejam tão grandes quanto no Brasil, mostra que isso exige um enfoque muito mais forte na relevância e na aplicação prática [do conteúdo ensinado], além de prover instrução de diferentes maneiras, como no ambiente de trabalho e pelo ensino noturno, que precisa melhorar muito sua qualidade [no Brasil]. Não há como atingir a universalidade do acesso sem melhorar a qualidade, caso contrário não será atrativo frequentar a escola Mas também é preciso trabalhar na construção da demanda de um nível mais alto de educação por parte dos jovens, e isso nos leva de volta à qualidade e relevância dos cursos oferecidos. Não há como atingir a universalidade [do acesso] sem melhorar a qualidade, caso contrário não será atrativo [frequentar a escola]. A questão de ampliar a formalização no mercado de trabalho está além do meu escopo, mas quanto mais reconhecidas forem as habilidades, em termos de garantirem empregos melhores, maior o incentivo para continuar estudando.

Você participou de uma reforma educacional semelhante na Indonésia, um país tão populoso quanto o Brasil. Qual a comparação possível entre os dois casos?

ELIZABETH FORDHAM  Comparar os dois países é interessante porque, como você disse, eles têm o mesmo tamanho e, de certa forma, uma diversidade territorial parecida. O Brasil tem sido muito mais bem sucedido em termos de reduzir desigualdades. Claro que sempre se pode melhorar, mas o Brasil foi bem sucedido no papel do governo federal no tratamento da desigualdade e no aproveitamento da diversidade de um sistema federativo, em termos de adaptar o ensino às diferentes regiões. É esse o benefício de um sistema como esse, que tanto o Brasil quanto a Indonésia têm. Mas o que o Brasil fez e a Indonésia não é dar aos Estados o papel de equalizar, com sua economia, as diversidades, garantindo porém um forte papel distributivo para o governo federal, que também fornece normas comuns na educação, como um padrão nacional de currículo [a Base Nacional Comum], o que garante que todos os estudantes tenham a mesma oportunidade de acesso, mesmo que não exatamente a mesma entrega ou programa.

 


Saiba como usar a nota do Enem para entrar na universidade (Portal Brasil – Educação – 20/06/2017)

Desempenho do estudante no exame pode garantir vaga em instituições renomadas de ensino, além de bolsas de estudo e financiamento estudantil

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a porta de entrada para estudantes que querem cursar o ensino superior em uma universidade pública ou em uma instituição de ensino particular. O mesmo vale para cursos técnicos voltados a alunos que já concluíram o ensino médio. Por meio da nota no exame, o estudante pode pleitear vagas em instituições públicas ou conseguir bolsas de estudo integrais e parciais em faculdades particulares, além do financiamento de mensalidades. A edição de 2017 do Exame Nacional do Ensino Médio teve mais de 7,6 milhões de inscrições. Neste ano, ao contrário das provas de edições anteriores, que ocorriam em um único fim de semana (no sábado e no domingo), o Enem será aplicado em dois domingos, nos dias 5 e 12 de novembro. Entre os beneficiados com a mudança estão os candidatos sabatistas, integrantes de religiões que guardam o sábado. Confira abaixo alguns programas do governo federal por meio dos quais, com a nota do Enem, o estudante pode ingressar no ensino superior ou técnico.

Sisu

O acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade em universidades e instituições públicas de ensino superior também pode ser obtido por meio do Enem. A nota do exame é critério de classificação para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Por meio do Sisu, instituições públicas de ensino superior oferecem vagas a candidatos participantes do Enem. Estudantes que fizeram o exame e não zeraram a redação podem se inscrever.

Prouni

Uma das opções para ingressar em um curso de ensino superior em instituições particulares é o Programa Universidade para Todos (Prouni), do Ministério da Educação. O Prouni oferece bolsas de estudo integrais e parciais (50% de desconto) a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior. Os descontos valem para cursos de graduação e cursos sequenciais de formação específica. Podem se inscrever candidatos sem diploma de curso superior que tenham participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com no mínimo 450 pontos na média das notas e que não tenham zerado a redação.

Fies

Outra opção, válida também para cursos de ensino superior de instituições particulares, é contratar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Por meio do programa, o MEC financia mensalidades de cursos superiores presenciais não gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo MEC. Os estudantes são considerados aptos para contratação do Fies com base nos resultados do Enem. Assim como no caso do Prouni, eles não podem ter zerado a redação e devem alcançar pelo menos 450 pontos na prova.

Pronatec

Além dos cursos de graduação, o Enem pode ser garantia de formação técnica após a conclusão do ensino médio. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferece cursos gratuitos em âmbito nacional. Uma das modalidades oferecidas é a de cursos técnicos subsequentes, voltados para alunos que já concluíram o Ensino Médio. No Pronatec, esses cursos são ofertados por meio do Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec) para quem fez o Enem e não zerou a redação.

 


 

Antes de tudo, entender o Enem para realizar a prova (Terra – Notícias – 20/06/2017)

Com certeza você já ouviu falar do Enem Para que isso fosse possível, o Enem , mas será que você sabe tudo sobre ele? Produzimos o Guia do Enem pra te dar aquela força e não restar mais nenhuma dúvida! Vem com a gente conhecer um pouco mais sobre o exame nacional que é superimportante pra você ingressar na faculdade, obter bolsas e financiamento estudantil, além de ajudar o país a medir e qualificar o conhecimento dos seus estudantes.

Afinal de contas, o que é o ENEM?

O ENEM, o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – é uma prova aplicada anualmente pelo MEC (Ministério da Educação), por meio do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Ele surgiu em 1998 com o objetivo de medir o desempenho escolar e acadêmico de estudantes no final do ensino médio. O exame é composto de 180 questões, divididos em 4 provas e uma redação.

Como são as provas?

O Enem é composto por quatro provas objetivas, com 45 questões (de múltipla escolha) cada, e uma redação.

Quando acontece?

No segundo semestre e é realizado em dois dias consecutivos, que variam de acordo com o ano.

O que o ENEM possibilita?

Com um bom desempenho no ENEM é possível:

– Ser selecionado para bolsas parciais ou integrais (Prouni);

– Obter financiamento de graduação (Fies);

– Complementar ou substituir os vestibulares (Sisu);

– Ingresso em universidades portuguesas.

Como participar?

– O candidato deve realizar a inscrição no ENEM Enem , de acordo com o período indicado pelo Inep. Todos devem pagar uma taxa de inscrição, com exceção dos estudantes que concluíram/concluirão o ensino médio em 2016 e estiverem matriculados em rede pública de ensino. É possível solicitar isenção de taxa se o estudante for membro de família de baixa renda ou estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Mudanças para 2017

Algumas mudanças estão previstas para o Enem de 2017. A fim de diminuir os custos de aplicação da prova, o candidato que prestar o Enem mais de três vezes com isenção de taxa perderá o direito à gratuidade na quarta tentativa. Além disso, não haverá mais certificação do ensino médio e não será mais aceita a participação de “treineiros” – a galera do primeiro e segundo ano do Ensino Médio que quer se preparar, buscando conhecer a lógica do exame antes de fazer a prova pra valer.  Esse pacote de alterações no Enem busca também diminuir o índice de abstenção, que 2016 chegou a 30%, o mais alto dos últimos 7 anos.

Quem pode participar?

Estudantes que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores. Se você já concluiu o ensino médio, já está no ensino superior ou até já concluiu a faculdade, pode fazer também. Não existe limite de idade para fazer a prova. O atendimento especializado é oferecido a: pessoas com baixa visão, cegueira, visão monocular, deficiência física, deficiência auditiva, surdez, deficiência intelectual (mental), surdo cegueira, dislexia, déficit de atenção, autismo, discalculia ou com outra condição especial. O atendimento específico é oferecido a: gestantes, lactantes, idosos, estudantes em classe hospitalar e sabatistas (pessoas que, por convicção religiosa, guardam o sábado).

Fez a inscrição e esqueceu alguma informação?

O cartão de confirmação de inscrição contém informações importantes. Você poderá acessá-lo no portal do Enem utilizando seu CPF e senha. Nele você encontra:

– Número de inscrição;

– Data, hora e local de realização das provas;

– Indicação do(s) atendimento(s) especializado(s) e/ou do(s) atendimento(s) específico(s), devidamente solicitado(s) no ato da inscrição, quando for o caso;

– Opção de língua estrangeira;

– Solicitação de certificação, quando for o caso.

Como a nota é calculada?

O TRI (Teoria da Resposta ao Item) é a maneira utilizada para calcular, através de análises que envolvem psicologia, estatística e informática. São dados pesos diferentes para cada questão, elas podem ser fáceis, medianas ou difíceis, e o teste é feito de forma a equilibrar a quantidade de questões para cada dificuldade. Sabemos que é complicado entender como funciona o cálculo das notas. Por isso, tentamos reunir alguns tópicos para explicar a TRI! Vamos por partes:

– A nota do Enem funciona como uma régua feita para medir o grau de conhecimento dos estudantes;

– O meio da régua marca o número 500, que corresponde à média de acertos dos estudantes do terceiro ano do Ensino Médio na prova de 2009;

– A régua é preenchida com intervalos de 100 pontos, tanto para mais quanto para menos, que são chamados de desvio-padrão;

– Cada área de conhecimento tem sua própria régua, já que o desempenho médio dos estudantes foi medido separadamente por área.

Como as questões são elaboradas?

As questões da prova são elaboradas com diferentes graus de dificuldade;

Cada uma ocupa um lugar naquela régua: algumas questões serão mais fáceis e ficam abaixo da média 500, outras são mais difíceis e ficam acima da média (600, 700, 800 pontos);

Se um estudante tem conhecimento na média em Matemática, é esperado que ele acerte as questões de 500 e erre as que estão acima dessa média.

Como o MEC define o nível de dificuldade de cada questão?

O MEC organiza um pré-teste, em que escolas de todo o Brasil participam;

Os estudantes respondem a questões que podem integrar o banco de dados do MEC;

Desse banco de dados saem as 180 questões que vão compor a prova do Enem;

A média que cada questão terá na prova (naquela mesma régua) depende do desempenho dos estudantes do pré-teste.

E a nota final do Exame?

A nota final do estudante no Enem leva em consideração a consistência das respostas;

Concluindo, um estudante pode acertar somente as questões com média 500, mas terá uma nota maior porque suas respostas são coerentes: ele é competente na média esperada;

Se um outro estudante acertou as questões de média 700, mas errou as de média 500, ele terá a nota reduzida por um cálculo de causalidade, pois o TRI entenderá o acerto nas questões mais difíceis como um chute.

 


 

Por cotas étnicas na USP, estudantes e ativistas fazem nova Virada Cultural (RBA – Educação – 20/06/2017)

Festival “Por que a USP não tem cotas?” espera grande presença de público – negro, periférico e alunos – para subverter a histórica exclusão social dentro da universidade

A Universidade de São Paulo (USP) é a única instituição de ensino superior estadual que não possui cotas étnicas em seu vestibular. Segundo dados da Fuvest, em 2016 apenas 3,2% dos aprovados se declaravam negros e 0,2%, indígenas. Para reivindicar a inclusão dessas populações naquela que é considerada a mais importante universidade brasileira, é realizada hoje (20) e amanhã a 2ª Virada Cultural “Por que a USP não tem cotas?”. Segundo Laura Daltro, integrante do Núcleo de Consciência Negra e formada em Pedagogia na USP, a expectativa é lotar o espaço – este ano o festival será no chamado vão da História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) – também com pessoas que não sejam da USP. “É uma Virada que não é pensada para os universitários da USP, mas para a periferia. Se você olhar a line-up dá pra notar que são artistas famosos na periferia. A ideia é povoar a USP, nestes dois dias, como o povo preto”, diz a ativista. Entre os artistas confirmados estão Luana Hansen, Mc Soffia, As Bahias e a Cozinha Mineira, Preta Rara, Gíria Vermelha, GOG, Rap Plus Size, Odisséia das Flores e Negotinho, Brisa Flow, Nego Max e Síntese,  DJ RM e outros nomes. Nos dois dias, as apresentações começam às 17h. Na quinta-feira (22), será feito um ato durante reunião da Comissão de Graduação, que discutirá a aprovação das cotas nos vestibulares de 2018 e 2019. “A expectativa da reunião é positiva e esperamos que as cotas sejam aprovadas. A reitoria teve um recuo e se dispôs a colocar o tema dentro da reunião. Um ato bem cheio pode pressionar para discutir isso”, comenta Laura.  O ato será em frente ao prédio da nova Reitoria, às 12h. A primeira edição da Virada Cultural por cotas surgiu no ano passado para pressionar o cancelamento de uma reunião da comissão que votaria contra as cotas. A mobilização foi grande e o encontro não aconteceu.

Porque a USP não tem cotas?

Para Laura, a Universidade de São Paulo sempre promoveu a exclusão social, o elitismo e o racismo, desde sua criação. “A USP existe para cumprir um papel, de ser ‘a melhor’ universidade do país, de escolher quem tem o direito de se formar lá. É de lá que saem grandes nomes da política brasileira”, critica. “Na entrada da USP tem um pé de cana e um de café. Além da estátua do fundador, que era um escravocrata. Então, a entrada da universidade deixa claro que ela é racista”, acrescenta. Erickson Max, o Nego Max, ressalta que a adoção de cotas pela USP “não é um favor, mas é um pagamento de uma dívida histórica”. “A falta de espaço para os negros na universidade é reflexo do racismo que predomina no Brasil. Não é interessante para quem está no topo da pirâmide que a gente se liberte, por isso não querem que tenhamos o conhecimento. Há uma importância muito grande de o negro estar na universidade, porque um negro empoderado, com conhecimento não é engrenagem do sistema.” Para Hertz Dias, do Gíria Vermelha, a falta de políticas raciais na USP só legitima o extermínio de negros e indígenas no Brasil. “Vamos exigir que a universidade implante as cotas e deixe de ser ‘europeizada’. Vamos ocupar a USP.”


Convênio fortalece educação inclusiva no Ensino Médio do Estado (Portal do Governo SP – Notícias – 20/06/2017)

Parceria visa ampliar iniciativas de inclusão nas escolas e formação continuada de profissionais da educação na rede pública estadual

Um convênio assinado nesta terça-feira (20) pelo Governo do Estado com o Instituto Rodrigo Mendes, por intermédio das secretarias da Educação e dos Direitos da Pessoa com Deficiência, irá fortalecer o desenvolvimento da educação inclusiva no Ensino Médio.

A assinatura do convênio, no Memorial da América Latina, prevê a formação continuada de profissionais da rede pública do Estado e contou com a presença do governador Geraldo Alckmin. Na ocasião, foi lançado o curso “Ensino Médio inclusivo: construindo uma escola”, voltado para a valorização de projetos educacionais e a multiplicação de iniciativas locais nas escolas. O curso é semipresencial, com recursos de videoconferência produzidos pela Efap (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza”) e pela CGEB (Coordenadoria de Gestão da Educação Básica). Participam da etapa inicial do curso profissionais de 13 diretorias de ensino da capital da Secretaria de Estado da Educação. O conteúdo inclui o repasse de conhecimentos teóricos e práticos aos educadores sobre os direitos da pessoa com deficiência e a valorização da diversidade humana na prática educacional. Alckmin falou sobre o alcance da iniciativa. “Nós teremos 1.417 escolas incluídas nesse primeiro momento. Aperfeiçoamento, e não apenas aulas para os professores, mas ferramentas para que eles possam trabalhar com uma educação inclusiva e possam desenvolver todo o potencial dos nossos alunos, com e sem deficiência. É um trabalho importante. São Paulo na vanguarda, boa parceria com a sociedade civil organizada, através do Instituto Rodrigo Mendes”, afirmou. Pioneira no processo de inclusão escolar, a Secretaria da Educação conta hoje com mais de 60 mil alunos com algum tipo de deficiência matriculados na rede pública estadual de ensino. Para que eles tenham acesso ao conteúdo do currículo regular, os estudantes contam com scanner de voz para transformar texto em áudio, impressoras para ampliação de livros e máquinas de Braile, além de curso de inglês online e acessível, entre outros equipamentos.

Memorial

Alckmin aproveitou a oportunidade para visitar as obras de reconstrução do Auditório Simão Bolívar, do Memorial da América Latina, que foi destruído por um incêndio em 2013. A obra deve ser entregue em dezembro deste ano. “O novo auditório que será reinaugurado é muito mais moderno, com acessibilidade, melhor acústica, é um dos grandes e melhores auditórios do nosso país. Uma grande conquista”, disse o governador. O novo auditório terá característica de multiuso, com capacidade para a promoção de até 300 eventos por ano.