22/02/2018 / Em: Clipping

 

Primeiro lugar em medicina da Unicamp ficou surpreso com resultado: ‘Vi e não falei pra ninguém’ (G1 – Campinas e Região – 22/02/2018)

João Victor Santos, de Salvador (BA), superou 30.676 concorrentes na Universidade Estadual de Campinas. Aprovado também na USP, onde ficou na 8ª colocação, jovem optou por estudar na capital.

 

Com 19 anos e em seu primeiro vestibular “para valer”, João Victor Almeida Oliveira Santos, de Salvador (BA), desbancou 30.676 concorrentes para ser o número 1 de medicina da Unicamp em 2018. O feito, garante, deixou-o surpreso. “Quando a universidade liberou a classificação, fiquei meio confuso. Eu vi e não falei pra ninguém, mas fiquei muito feliz.” Mesmo dizendo que se surpreendeu com a classificação, o desempenho de Santos no processo seletivo da Universidade Estadual de Campinas está longe de ser um “golpe de sorte”. O estudante também foi aprovado para medicina na USP, em oitavo lugar, e optou por estudar na capital, onde tem familiares e vai dividir um apartamento com um amigo, aprovado em direito na Fuvest. De acordo com a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp, neste ano foram 30.677 candidatos em medicina, uma relação de uma vaga para cada 278 estudantes. Números superiores ao da USP, com 16.967 candidatos para 125 vagas.

A escolha por medicina

João Victor conta que começou a se preparar para o vestibular desde o primeiro ano do ensino médio. Estudante do Colégio Militar de Salvador (BA), o jovem revela que esteve indeciso sobre o futuro meses antes do processo seletivo. “Estava muito em dúvida. Pensei em ir pro exterior tentar algo na área de pesquisa, mas tive a oportunidade de participar da seletiva internacional de biologia e foi ali que eu me decidi pela medicina. Vi que não me identificava tanto com a área de pesquisa”, conta. Nos últimos dois anos, o estudante conciliou o ensino regular com o cursinho. A dedicação nos estudos, segredo para obter tantos resultados expressivos, obrigaram o jovem a abrir mão de alguns prazeres da adolescência. “Eu gosto muito de esporte, praticava futebol e handebol, mas tive de parar para me dedicar aos estudos. Mas não deixei toda a vida de lado. Eu namoro e sempre que dava, saia aos finais de semana”, avisa.

Opção pela USP

Apesar de contar que a mãe ainda tenta dissuadi-lo da ideia trocar a casa em Salvador por São Paulo, João Victor está na procura por um espaço onde morar na capital paulista. Mesmo com o desempenho excepcional na Unicamp, escolheu estudar na USP por questões pessoais. “Tenho familiares em São Paulo, e também tenho um amigo que passou em direito da USP. Estamos procurando um apartamento para dividir”, explica.

 

História de sucesso: jovem passa em 5 vestibulares dos mais concorridos (G1 –  22/02/2018)

Atílio decidiu cursar matemática na FGV. Só na Olimpíada Brasileira de Matemática das escolas públicas, ele soma cinco ouros.

 

Um estudante paulista teve um desempenho impressionante em vestibulares dificílimos na área de exatas. Uma conquista multiplicada por 40. É a quantidade de medalhas de um campeão. “Prata em 2015, ouro em 2016, e tem mais uma de ouro que eu ganhei ano passado, que eu vou receber este ano”.  O saldo dessa conta é pra lá de positivo. Só na Olimpíada Brasileira de Matemática das escolas públicas, o Atílio soma cinco ouros. O incentivo veio do pai, que é professor de matemática. A história do seu Antônio inspirou o filho, de 18 anos. “Fiz faculdade à noite e trabalhando de pedreiro durante o dia. Então, no começo, era puxado. Chegava da faculdade meia-noite, 1h. Às 7h tinha que começar na construção civil”, conta Antônio Pellegrino. O estudante, de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, calculou direitinho os passos para realizar um sonho. Para isso, teve que dobrar a dedicação. “Eu estudava aqui na escola das 7h ao meio-dia, cinco horas por dia e, à tarde, eu estudava em casa, no mínimo duas horas por tarde”, conta Atílio. Tanto esforço deu resultado. Atílio prestou cinco dos vestibulares mais concorridos do país: fez provas para entrar na USP, Unesp, Unicamp, Universidade Federal de São Carlos e ainda Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Passou em todas. Isso porque nem fez cursinho. Enquanto muitos candidatos sofrem para conseguir uma vaga numa dessas universidades, o Atílio teve o privilégio de poder escolher onde vai estudar. Esse “problema” foi fácil de resolver. Atílio decidiu cursar matemática na FGV. “Se eu tivesse escolhido uma outra universidade, eu iria sair da minha cidade, não teria garantida a moradia nem a bolsa. E lá no Rio de Janeiro eu tenho garantido a moradia e a bolsa”. Na escola pública onde estudou, o reconhecimento de quem ajudou Atílio a descobrir a fórmula do sucesso. “Tem foco, perseverança, eu acho que muitas palavras definem esse menino. Ele é um menino de ouro mesmo”, diz a vice-diretora Maria Ângela Fantinato.

 

 


Brasil encara a batalha para prosperar no ensino médio (El País – Brasil – 22/02/2018).

Embora falte consenso em torno da reforma sancionada no ano passado, especialistas apontam que a flexibilização de um modelo rígido é um passo fundamental para superar o gargalo que exclui 60% dos estudantes em idade escolar do caminho para a universidade.

 

A ideia de que é preciso melhorar o acesso à educação no Brasil é praticamente unânime em todas as esferas sociais. Ninguém se atreveria a dizer o contrário, diante da realidade excludente que coloca o país nas últimas posições de rankings mundiais de investimento em educação. Num dos mais recentes, divulgado no ano passado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil era o penúltimo entre 36 países, ficando à frente apenas do México. Nesse quesito, um dos gargalos mais vistosos é a falta de políticas de retenção no ensino médio, cuja evasão chega a 60%. Em outras palavras, a cada dez alunos que se matriculam no ensino médio no país, apenas quatro concluem o curso. Dados do Censo Escolar do IBGE de 2015 mostram que as matrículas diminuíram em todas as etapas do ensino, menos na creche. O ensino médio teve, entre 2014 e 2015, a maior queda desde 2010. O número de estudantes recuou 2,7%, passando de 8,3 milhões para 8,1 milhões. A busca de caminhos para melhorar essa estatística tem sido uma constante e a reforma do ensino médio vem responder a isso. Antes de virar lei em 2017, ela passou por um longo caminho de discussões. O projeto de lei original, de 2012, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT/MG), foi discutido em diversas audiências públicas e reuniões com diversos setores da sociedade e debatido minuciosamente pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação – CONSED – Leia mais.