22/09/2010 / Em: Clipping

 


Para especialistas, faculdade deve atender às necessidades do mercado  (UOL – Educação – 21/09/10)

Para os especialistas em educação, reunidos nesta segunda-feira no debate ‘A Capacidade do Brasil – O Papel da Educação’, promovido pela BBC Brasil e pela rádio CBN, o Brasil precisa melhorar a qualidade das universidades e fazer com que seus cursos atendam às necessidades do mercado. Segundo eles, o país forma hoje muito mais profissionais nas áreas de humanidades do que na de exatas, em um momento em que há uma grande procura por engenheiros e técnicos para alavancar o investimento principalmente na área de infraestrutura. A diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, lembrou que o Brasil precisa urgentemente de mais médicos, engenheiros e profissionais na área técnica. “É isso que vai melhorar a qualidade de vida do país. Se não tomarmos essa decisão e fizermos um trabalho estratégico de formação nessas áreas – inclusive de mais professores de matemática e ciência na educação básica – a gente não dá esse salto e vai para o auto-engano.” Segundo Becskeházy, a tendência no ensino superior em favor da área de humanas resulta em uma ampliação do número de estudantes nas universidades, mas isso não se reflete em aumento da capacidade técnica e de inovação do país. “Não temos mais lugar para tanto psicólogo e sociólogo. Depois, eles ficam criando matérias no ensino médio para empregar essas pessoas.”



Unicamp também planeja mudanças para cursos de graduação  (IG – Educação – 21/09/10)

A Universidade de Campinas (Unicamp) também planeja aumentar a multidisciplinaridade, como a Universidade de São Paulo (USP) pretende com mudanças nas diretrizes anunciadas ontem. Um grupo de trabalho que há um ano e meio estuda um núcleo básico na área de Ciências Exatas entregou um relatório de propostas no mês passado que agora é analisado pela pró-reitoria de Graduação. “É uma tendência haver mais disciplinas comuns, para uma formação mais integral, em vez da especialização precoce. O mercado de trabalho pede isso”, diz o pró-reitor Marcelo Knobel. As sugestões agora serão avaliadas pelas comissões e depois passarão pelos coordenadores dos cursos. A mudança ainda deve levar ao menos um ano.

Debatedores temem fim do sistema de avaliações do ensino no País  (IG – Educação – 21/09/10)

Participantes do debate “A Capacidade do Brasil – O Papel da Educação”, promovido pela BBC Brasil e pela rádio CBN, alertaram para o risco de o novo governo abandonar o sistema de avaliações nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “A educação no Brasil deve continuar evoluindo, mas corremos o risco de ter um retrocesso com o novo governo no que diz respeito a avaliações baseadas em dados, como aconteceu no início do governo Lula”, disse o economista Narcio de Menezes Filho, professor da FEA-USP e do Insper. “Antes da criação desses exames, pensávamos que nossa educação podia até ser boa, porque não havia dados disponíveis para compará-la a outros países. Ficava todo mundo no vazio.” Para Ilona Becskehzy, diretora-executiva da Fundação Lemann, “é de suma importância que a gente tenha sistemas de avaliação para acompanhar as políticas de ensino”. Ela teme que esses exames possam facilmente virar alvo de ataques políticos. Mozart Neves Ramos, da ONG Todos pela Educação, também ressaltou a importância das provas, mas lembrou que essa é uma implementação recente. “Por isso mesmo, ainda não sabemos usar completamente os dados das avaliações. Precisamos disseminar esses dados.” Os especialistas disseram que outro sinal de alerta para qual os novos governantes devem se atentar é o problema do inchaço do currículo no Ensino Básico. Ilona criticou os “penduricalhos na grade curricular”, ou seja, a inserção de matérias extras, como filosofia. Para Menezes, primeiro é preciso investir nas matérias básicas: “Em matemática, por exemplo. No ranking de 55 países do índice Pisa, o Brasil ficou em 52º.” “No Congresso, todo dia tem alguém propondo uma nova disciplina”, reclama Ramos. “A última foi de educação no trânsito.”



Ensino de graduação, o lado oculto da Lua  (O Estado de S.Paulo – Espaço Aberto – 22/09/10)

O Brasil tem atualmente cerca de 5 milhões de estudantes matriculados no ensino de graduação(presencial), o que equivale a 24% dos jovens de 18 a 24 anos Do País. A meta do governo federal é de 30% para 2012, mas recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que no ritmo atual só seria alcançada em 2020. Desse contingente, 75% estão em instituições privadas e 25% nas públicas. O País tem despendido grande esforço na expansão do sistema como um todo, o que é atestado pelo aumento das vagas à taxa média anual de 6% entre 2002 e 2008. Há outros aspectos positivos, como os incentivos no vestibular aos estudantes egressos da escola pública, a tendência à diversificação (as matrículas em educação tecnológica e em educação a distância têm evoluído em ritmo acelerado ) e o movimento de interiorização do ensino superior.Mas há acidentes de percurso que são riscos inerentes a todo processo de crescimento acelerado e pouco planejado.O  mais sério é o fato de quase 50% dos 3 milhões de vagas oferecidas em 2008 não terem sido preenchidas. O gritante desequilíbrio entre oferta e demanda decorre, sobretudo, da baixa produtividade do ensino médio, das dificuldades com os custos das mensalidades e da concentração dessa oferta em cursos de baixa qualidade ou desinteressantes. Também, quem sabe, de fatores menos tangíveis, como o desencanto dos jovens com o ensino superior em geral. Além da qualidade, o desempenho global do ensino de graduação no Brasil deve ser também avaliado por indicadores quantitativos. Nesse particular, os dados disponíveis do Censo da Educação Superior 2008, do MEC, indicam que o maior dos flagelos da educação, a evasão escolar, continua a fazer incontáveis vítimas também nesse nível do ensino no País. A taxa média de evasão no ensino de graduação, calculada para cursos com duração de quatro anos, é de 43% – sendo 45% nas instituições privadas, 39% nas municipais, 36% nas estaduais e 33% nas federais – e abrange o contingente de alunos que abandonaram seus cursos,foram desligados ou não os concluíram no prazo previsto. Esse é um panorama geral e é certo que existe uma enorme diversidade de situações que dependem do desempenho específico de cada instituição e do seu respectivo universo de cursos. Mas, como em todo processo desse gênero, há determinados padrões que podem ser observados. Os levantamentos indicam, por exemplo, que, salvo as exceções de praxe, a esmagadora maioria dos alunos não conclui seus cursos nos prazos estipulados pelas normas e é alta a porcentagem dos que permanecem formalmente matriculados por oito anos ou mais em cursos de quatro anos. Afinal, pouquíssimas universidades dispõem do mecanismo conhecido por jubilamento, isto é, o desligamento de alunos com baixíssimo desempenho acadêmico, e são raros os casos da sua efetiva aplicação. Vagas resultantes da evasão são, em geral, oferecidas aos interessados em se transferir de uma instituição privada para uma pública, por exemplo, mas esse é mais um paliativo para uma grave doença crônica. A título de simulação, tome se um hipotético curso com duração de quatro anos, uma quantidade constante de vagas e que ele seja monitorado ao longo de dez anos. Caso a diferença entre o número de concluintes e o de ingressantes (vestibular mais transferências) varie em cada ano em torno de 40%, essa será sua taxa média de evasão e o dado crítico para a sua avaliação. Um fator que dificulta ampliar o conhecimento a respeito do problema é que somente um reduzido grupo de universidades (todas elas públicas) realiza levantamentos detalhados e periódicos sobre o desempenho dos seus cursos de graduação e os põem à disposição nos seus portais da internet. Além disso, são raros e pontuais os estudos relativos a esse tema. Por isso, são bemvindas as iniciativas do TCU e da Controladoria- Geral da União (CGU), que desde 2007 fazem auditorias de gestão nas universidades federais,nas quais aplicam um índice de eficiência que avalia o desempenho dessas instituições,especificamente em seus cursos de graduação. Está demonstrado, por exemplo, que existem elevados níveis de evasão em universidades e cursos tanto do topo quanto da base da pirâmide dos rankings internacionais. Há casos extremos, como os de institutos com padrão internacional de excelência em pesquisa e pós-graduação, mas que formam a cada ano apenas um terço dos seus alunos ingressantes na graduação. Além disso, já se sabe que a maior parte da evasão por abandono ocorre nos dois primeiros semestres dos cursos; que nas grandes universidades esses índices são maiores nas áreas de Exatas (mais altos nas Engenharias e na Física), seguidas pelas Humanidades (mais altos nas licenciaturas) e pelas Biológicas (mais baixos na Medicina); e que, em sua maioria, os alunos dão como causas mais relevantes a carência de recursos financeiros, a decepção com a qualidade dos cursos e o seu despreparo em face do alto nível de exigência em determinadas disciplinas. Em suma, o ensino de graduação no Brasil está em crise. Sabemos que é dever dos governos, do Legislativo e do Judiciário fiscalizar, avaliar e traçar estratégias e programas para a educação nacional. No caso em tela, entretanto, a maior parcela de responsabilidade cabe às universidades e, sobretudo, às públicas. Afinal, se elas são autônomas para definir suas prioridades e gerir seus cursos, por outro lado, mantidas que são com recursos públicos, devem submeter-se a avaliações externas e têm obrigação de apresentar padrões de excelência também nessa área.

PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO
DE GEOGRAFIA DA USP,
AUTOR DE CINCO LIVROS, É UM DOS
IDEALIZADORES DO CENTRO DE
BIOTECNOLOGIA DA AMAZÔNIA

MEC revisa graduações e reduz variedade de cursos de Engenharia  (O Estado de S.Paulo – Vida& – 22/09/10)

Revisão dos cursos de graduação feita pelo Ministério da Educação (MEC) reduzirá a variedade dos cursos de Engenharia oferecidos pelas universidades e faculdades do País. Atualmente há mais de 200 nomes diferentes de cursos, alguns bastante especializados, como Engenharia de Automação Empresarial e Engenharia de Petróleo e Gás. O processo de revisão está em andamento e, por enquanto, o número de cursos caiu para 53. A mudança está provocando polêmica entre o ministério, especialista e representante de instituições de ensino superior, que afirmam não terem sido consultados. Eles acusam o ministério de querer engessar o mercado. “Concordamos que há um exagero no número de cursos criados e muitos realmente não justificam ter um novo nome, mas a forma como isso aconteceu está errada”, diz o presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), João Sérgio Cordeiro. Cordeiro diz que os avanços tecnológicos, cada vez mais rápidos, criam novas profissões e exigem a abertura de cursos. “As universidades precisam ter agilidade para acompanhar essa evolução. Além disso, há casos em que a diferenciação é necessária e isso não foi considerado, e outros ainda em que a intervenção fere a legislação. Quem fez esse trabalho não entende do mercado”, completa. Responsável pela Secretaria de Ensino Superior do MEC (Sesu), Maria Paula Dallari Bucci contesta a afirmação. “Eles estão desatualizados. Houve uma consulta pública e dela tiramos uma lista que foi usada como subsídio para o cadastro do e-MEC”, rebate. O e-MEC é um sistema eletrônico de cadastramento dos cursos que foi implementado em 2007 e é, atualmente, o único acesso para cadastros dos cursos de graduação no País. A lista de engenharias que está hoje no e-MEC conta com 53 tipos diferentes de cursos. Constam no cadastro, considerando todas as instituições do Brasil, 1,3 mil cursos de Engenharia. Segundo Maria Paula, a mudança facilitará também a avaliação dos cursos. “Muitas instituições usam um nome novo para fugir do Enade e escapar da avaliação.” O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos alunos de cursos de graduação. O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Alvaro Prata, concorda. “A revisão é necessária. Precisamos padronizar e ter uma referência. Muitas instituições privadas têm usado esse artifício para evitar um comprometimento com o sistema de avaliações”, afirma. “Desse jeito, não há como averiguar a qualificação desses cursos.” Mas, por outro lado, as universidades devem ter asssegurado o direito de inovar, argumenta Prata. “Qual engenharia queremos para o futuro? É essencial que as instituições reconhecidas não percam a capacidade de inovação, pois elas precisam agregar os valores da modernidade.”

 Organização e concorrência.

Com a revisão dos nomes, o objetivo do governo é unificar a base de dados do e-MEC. A secretária do MEC diz que a unificação manterá a consistência dos cursos e limitará aventuras inconsequentes. “A instituição que não concordar com a exclusão do nome pode enviar uma contestação com uma justificativa para o uso de um novo nome. Se for consistente, aprovamos o novo nome”, explica. O cadastro atual do e-MEC lista as denominações já consolidadas. “As atualizações serão constantes a partir de agora.” Especialistas em ensino superior dividem opiniões sobre a reformulação. Para o consultor educacional Ryon Braga, a ideia do MEC é positiva. “O Brasil está na contramão em relação ao resto do mundo. No exterior, as graduações são generalistas, com tempo mais curto, não chegam a esse nível de profundidade. Temos uma cultura errada de um bacharelado que é muito especializado”, opina. “A revisão vai facilitar a vida dos estudantes e vestibulandos.” Já o consultor Carlos Monteiro pensa que a padronização vai minar a concorrência de mercado. “Se os nomes, currículos e laboratórios forem iguais, qual será o diferencial de um curso para o outro?”, questiona. “Vai facilitar a vida do MEC e complicar a das instituições.” Posição semelhante tem o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). “Criar um catálogo de cursos, como o MEC fez com os cursos tecnológicos, é engessar o mercado”, defende José Roberto Covac, do departamento jurídico do Semesp. “Isso fere a autonomia das universidades e restringe a criatividade das instituições.”

PARA LEMBRAR

Brasil sofre com escassez de engenheiros

Um levantamento feito pelo Estado revelou que, entre os 589 cursos autorizados pelo Ministério da Educação entre julho de 2008 e agosto de 2009, apenas 13% eram de Engenharia. Nem mesmo as novas universidades públicas colaboraram muito para o crescimento das vagas: entre os 283 cursos que estão sendo ofertados pelas 12 novas federais, apenas 52 são de Engenharia. Falta de profissionais para ensinar e o alto custo da criação de laboratórios inibe instituições privadas, que preferem se dedicar a áreas mais simples, como Pedagogia, Administração ou Direito.  Desde 2002, o número de vagas disponíveis em cursos de Engenharia cresceu 40%. Parece muito, mas o patamar de partida era baixo. Em 1991, enquanto Direito já tinha 35 mil vagas nos vestibulares, Engenharia mal passava de 5 mil. Hoje, todos os cursos de Engenharia no País somam pouco menos de 120 mil vagas, excluindo os tecnólogos.

GLOSSÁRIO

Credenciamento
Para iniciar as atividades, as instituições devem solicitar credenciamento ao MEC, feito a partir da análise documental e avaliação in loco.

Recredenciamento
Ao final de cada avaliação do Inep, as instituições devem solicitar a renovação do credenciamento junto ao MEC.

Autorização de abertura de cursos

Universidades e centros universitários são instituições autônomas e não precisam de autorização para abrir cursos (exceto de Medicina, Odontologia, Psicologia e Direito). As faculdades têm de requerer autorização.

Reconhecimento
Quando a primeira turma do curso faz de 50% a 75% da carga horária, a instituição deve pedir o reconhecimento.



‘Curso não pode ficar 30 anos com mesmo currículo’, diz reitor da USP  (Globo.com – G1 Vestibular – 21/09/10)

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, disse nesta terça-feira (21) ao G1 que a reavaliação dos cursos aprovada pelo Conselho Universitário será uma maneira modernizar e atualizar as opções de graduação oferecidas pela instituição. “Um curso, por exemplo, não pode ficar 30 anos com o mesmo currículo, a bibliografia tem de ser atualizada e também tem de haver uma adequação de estrutura”, disse Rodas. Em reunião no dia 14 de setembro, o Conselho Universitário da USP aprovou um documento que propõe a reavaliação dos cursos de graduação e prevê a reestruturação e revisão da oferta de cursos de baixa demanda e baixo impacto social. O texto mostra que a universidade decidiu brecar a expansão registrada nos últimos anos. A universidade aumentou em 40% o número de vagas e criou 85 cursos na última década, de acordo com o documento. Para Rodas, depois de um período de expansão tem de haver uma pausa para que se faça uma adequação, não só na questão pedagógica. “O que se pretende nos próximos anos é fazer uma adequação de estrutura, ou seja, de prédios, salas de aula, estrutura de biblioteca, serviços administrativos e auxílio à permanência estudantil para que fique adequado ao número de alunos”, afirmou.Segundo o reitor, cumprir esta fase é necessário para que haja novas ampliações.  “A USP tem de passar uma adaptação até para começar um novo ciclo de expansão. Uma nova expansão depende de cumprirmos este ciclo.”