23/09/2010 / Em: Clipping

 


Reitor admite discutir inclusão e sistema de cotas (O Estado de S. Paulo – Educação – 23/09/2010)

Felipe Mortara, Do Estadão.Edu – O Estado de S.Paulo

O reitor da Universidade de São Paulo, João Grandino Rodas, afirmou ontem, em entrevista ao Estado, que a partir do início de novembro o Conselho Universitário da USP se reunirá para discutir inclusão social e sistema de cotas.
Esse é um dos temas que serão debatidos de forma permanente nas reuniões, assim como plano de carreira para funcionários e a estrutura do poder para eleições dentro da universidade.
Esta é a primeira vez que a USP acena com a possibilidade de repensar o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), que dá bônus na nota do vestibular para alunos vindos de escola pública. “Não quero criar uma comissão, nomear pessoas. Quero que seja algo mais espontâneo, que surja do próprio conselho”, afirmou Rodas.



MEC reduz variedade de cursos de engenharia (Portal G1 – Vestibular – 23/09/2010)

Atualmente, há mais de 200 nomes diferentes de cursos.
Mudança causa polêmica entre ministério, especialistas e instituições.

Revisão dos cursos de graduação feita pelo Ministério da Educação (MEC) reduzirá a variedade dos cursos de engenharia oferecidos pelas universidades e faculdades do país. Atualmente, há mais de 200 nomes diferentes de cursos, alguns bastante especializados, como engenharia de automação empresarial e engenharia de petróleo e gás. O processo de revisão está em andamento e, por enquanto, o número de cursos caiu para 53.

A mudança está provocando polêmica entre o ministério, especialistas e representantes de instituições de ensino superior, que afirmam não terem sido consultados. Eles acusam o ministério de querer engessar o mercado. “Concordamos que há um exagero no número de cursos criados e muitos realmente não justificam ter um novo nome, mas a forma como isso aconteceu está errada”, diz o presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), João Sérgio Cordeiro.



Cotistas do ProUni têm desempenho superior aos não cotistas, diz Haddad (Agência Brasil – 23/09/10)

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (23), durante o 10º Encontro Nacional de Assuntos Estratégicos, que no Programa Universidade para Todos (ProUni) foi possível ver o acerto da política de cotas. “O ProUni é um modelo de cotas e vemos que a qualidade dos alunos não caiu. Pelo contrário, os alunos têm desempenho superior ao dos não cotistas”, afirmou. Haddad criticou a tese defendida pelos críticos das cotas, segundo os quais o sistema estimularia o conflito racial. “O conflito não aconteceu, pelo contrário, a diversidade se impôs, e nada melhor que brancos convivendo com negros. Conviver com a diferença é um elemento fundamental da educação. Se você não sabe conviver com a diferença, não está educado”, destacou. O ministro da Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo, salientou que um dos principais desafios para o próximo governo é o combate ao racismo. “O Estado brasileiro precisa superar o racismo. O mito da democracia racial sempre povoou os olhares de estudiosos e da inteligência nacional e apenas colaborou com a segregação”, disse Araújo. Segundo ele, o acesso à educação da população negra sobressai dentre as ações afirmativas. “Hoje 300 mil jovens pretos e pardos estão nas universidades brasileiras por meio do ProUni e mais 50 mil com os sistema de cotas das próprias universidades”, salientou. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, apontou o caráter estratégico da cultura para o desenvolvimento do país e destacou o aumento do orçamento da pasta, que passou de 0,2% (R$ 236 milhões) para 1,3% (R$ 2,5 milhões).



Enem substitui vestibular em 92 mil vagas de federais (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 23/09/10)

Mesmo com problemas como vazamento e adiamento, ocorridos após sua reformulação, no ano passado, a influência do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) não para de crescer.
Levantamento feito pela Folha nas 59 universidades federais e com dados dos 39 institutos federais mostra que mais de 92 mil vagas serão oferecidas exclusivamente com a nota do Enem, sem que o aluno precise fazer outras provas. A projeção é que, em 2011, essas instituições tenham ao todo 235 mil vagas, a serem preenchidas também por outros processos seletivos. A substituição total do vestibular pelo Enem ocorre de duas maneiras. Na primeira, majoritária, as universidades aderem a um sistema integrado que seleciona os alunos para cursos de todo o país, exclusivamente usando o Enem. Na segunda, as instituições fazem um ranking próprio da nota do Enem entre os candidatos. No ano passado, foram apenas 47 mil vagas oferecidas por este sistema integrado, chamado Sisu e criado pelo Ministério da Educação. “Se não tivesse ocorrido o vazamento, o Enem estaria ainda mais forte”, disse o consultor Rudá Ricci.

 MAIS VAGAS

Das 59 federais, 23 usarão o Enem como etapa única, mas todas vão utilizar a nota de alguma forma, por exemplo, pontuação na nota final. As que vão usar mais timidamente são as que optaram apenas para preencher vagas remanescentes, como UnB (Brasília) e Ufal (Alagoas). Como algumas universidades federais ainda definem a abertura de cursos para o próximo ano, o número de vagas disputadas por meio do Enem deve crescer. É o caso da UFABC (federal do ABC), que confirmou que 100% de suas vagas serão preenchidas pelo sistema integrado do MEC, mas ainda não definiu quantos postos terá em 2011. Em São Paulo, a principal adesão foi da UFSCar (federal de São Carlos). Em junho, o reitor Targino de Araújo Filho deu como motivo para abandonar a prova própria a perspectiva de poder abrir as portas da universidade para estudantes de todo o país.

SEM ADESÃO

A maior parte das instituições que não usaram o Enem de nenhuma forma no ano passado, mas que passam a utilizá-lo agora, alegaram falta de tempo hábil para terem participado da primeira edição do sistema integrado. Uma das universidades que apresentaram a justificativa foi a UFMG (de Minas), que passou a usar o exame como primeira fase de seu processo seletivo. O surgimento de novas vagas, seja pela criação de cursos em instituições que já aderiam ao Sisu seja pela criação de novas universidades -como Unilab e Ufopa (Oeste do Pará)- também ajudam a explicar o aumento desse número. Especialistas ouvidos pela Folha atribuem esse aumento ainda a razões políticas, como moeda de troca para liberação de verbas do Reuni (programa do governo federal que expande as universidades federais), e financeiras- porque é mais barato e simples “terceirizar” para o governo federal a organização e a execução do processo seletivo. Procurado, o Ministério da Educação não quis se pronunciar.

“Tendência é vestibular ser eliminado” (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 23/09/10)

Entre as universidades que aderiram parcialmente ao Enem, a UFMG (federal de Minas) é uma das maiores. Para o vestibular deste ano, a instituição teve mais de 70 mil inscritos para cerca de 6.000 vagas, porte semelhante ao da Unicamp. Em entrevista à Folha, o reitor da UFMG, Clélio Campolina, disse que a tendência é que, no futuro, o vestibular seja abolido.

Folha – Como foi que a universidade decidiu usar o Enem? Clélio Campolina – Primeiro, a UFMG não usou o Enem da vez passada porque não houve tempo legal. O nosso estatuto exige que o edital do vestibular tenha que ser divulgado com seis meses de antecedência. Mas nós avaliamos que o Enem é um grande avanço.

Em que sentido?

Todo país desenvolvido tem um exame nacional que faz uma avaliação do ensino médio. Todos nós sabemos que o ensino médio não está bom, que o ensino fundamental não está bom, mas não temos um critério de medida uniforme. Portanto, achamos que isso é um avanço em termos de avaliação do ensino médio, é uma democratização para o ingresso na universidade e a gente espera que, algum dia, o vestibular seja eliminado como critério de seleção para ingresso na universidade.

Na UFMG ou genericamente falando?

Estou falando genericamente. Acho que o país, em algum momento, vai ter que eliminar o vestibular. Isso não pode ser feito de imediato. A UFMG está adotando o Enem como critério da primeira etapa do vestibular. A segunda etapa ainda continua sendo o exame especifico da UFMG. Vamos avaliar os resultados do Enem para que a gente possa discutir medidas para o futuro.

Nesta semana a UFMG divulgou a relação candidato/vaga do vestibular 2011. Medicina tem mais de 54 candidatos por vaga. Para selecionar candidatos em carreiras concorridas, o Enem é uma ferramenta suficiente?

Isso [acabar com o vestibular] é para o futuro. Vamos ter que aperfeiçoar o Enem para que ele realmente forneça elementos suficientes para a seleção. Isso é o desejo de um processo a longo prazo.

O MEC incentivou a adesão de alguma forma?

É óbvio que o MEC estava desejoso que o Enem fosse utilizado. Se o exame não for aceito pela comunidade, ele não se legitima. Mas nós não tivemos nenhum benefício, não sofremos nenhuma pressão. Foi uma decisão soberana do nosso conselho universitário.

Enem se tornou o maior “vestibular” do Brasil (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 23/09/10)

O Enem passou a ser o maior “vestibular” do Brasil. E isso acontece mesmo com a enorme quantidade de erros e confusões ocorridas depois que o MEC anunciou o exame como seleção para vagas em universidades públicas. As cerca de 92 mil vagas oferecidas só com a nota do Enem representam dez vezes o que dispõe anualmente a USP, que tem o maior vestibular do país. Isso contando só as vagas do final do ano. Se somarmos o Sisu [seleção integrada de vagas em universidades públicas] no meio do ano e as bolsas distribuídas pelo ProUni, o número é ainda maior. Não é muito difícil entender os motivos de termos o dobro de vagas em relação ao ano passado. O governo federal abriu novas universidades neste ano e o Reuni, programa do MEC, criou mecanismos que fizeram com que as universidades antigas abrissem mais vagas, todas em cidades distantes de seu campus central. Além disso, a direção de várias federais está ligada ao ministério. Soma-se a tudo o voto de confiança que elas estão dando ao MEC. Quais são as consequências disso? A mais importante é colocar na pauta a questão da universidade pública. Todo ano, na época da seleção de alunos, temas como o número de vagas, o sistema de cotas e a qualidade do ensino estarão em discussão na imprensa e na sociedade. Para completar, o MEC passa a ter em suas mãos ferramentas para direcionar as políticas públicas de acesso ao ensino superior público e de reforma do ensino médio.

MATEUS PRADO cursou sociologia e políticas públicas na USP. É presidente nacional do Instituto Henfil, autor de livros didáticos e presta assessoria pedagógica sobre Enem para escolas particulares