23/10/2014 / Em: Clipping

 


Número de inscritos negros no vestibular da Unesp cresce 12%   (O Estado de S.Paulo – Educação – 22/10/14)

Com 25% de vagas reservadas para cotistas no vestibular deste ano, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou aumento na proporção de alunos de escola pública, negros e indígenas que buscam uma vaga na instituição. O maior salto foi no número de inscritos negros (pretos e pardos), que subiu 12,2%, em relação ao ano passado. O aumento geral de inscrições foi de 1,6%.A Unesp foi a única universidade estadual de São Paulo a reservar vagas para alunos de escolas públicas, com respeito a proporções mínimas de negros e indígenas. Neste ano, 25% das matrículas, por curso, serão para cotistas – o equivalente a 1.870 vagas. Até 2018, esse porcentual será de 50%. Dos 101.014 inscritos no vestibular deste ano, 57.831 (57%) concorrerão pelo sistema de cotas. Os alunos de escola pública, independentemente da cor de pele, somam 40.992 inscritos (40,58% do total). Esse número é apenas 3,3% maior do que o montante do ano passado.



Quantas universidades você visitou antes de escolher a sua?   (Folha Online – Educação / Blog da Sabine – 23/10/14)

Já me fizeram essa pergunta algumas vezes: quantas universidades você visitou antes de escolher a instituição na qual estudou? No meu caso, assim como acontece com a maioria dos brasileiros, a resposta não tem rodeios: nenhuma. Fui estudar em uma universidade pública do interior de São Paulo sem saber o que o curso oferecia, como era o campus, quais eram as perspectivas de trabalho após formada e como a universidade estava colocada em relação às demais do país. Foi uma decisão completamente às escuras, com altíssima chance de dar errado. Por sorte, deu certo. Aqui nos Estados Unidos, onde estou nesse momento, um estudante de uma universidade de grande porte visita, em média, estima-se, de dez a 20 universidades antes de escolher onde estudar. Avalia tudo: o campus, a moradia estudantil, formas de financiamento (aqui todas as instituições são pagas) e até o perfil do egresso.Isso é importante porque cursos iguais podem ter focos completamente diferentes dependendo da instituição. Quer um exemplo? Os cursos de engenharia de Yale (Connecticut), Carnegie Mellon (Pitttsburgh) e Santa Clara (Califórnia), por exemplo, são completamente diferentes. O primeiro tem um foco mais executivo –saem de Yale grandes líderes de empresas  (e, de vez em quando, algum presidente dos EUA, como George W. Bush). Carnegie Mellon tende a formar aqueles que vão encabeçar pesquisa e desenvolvimento no setor privado. Já Santa Clara, sob o slogan “engenharia com uma missão”, tem um foco mais social e passagem obrigatória pelo Frugal Lab, que desenvolve projetos inovadores de baixo custo em países em desenvolvimento. São perfis de cursos completamente diferentes. Quem visita essas universidades acaba descobrindo isso. Durante a pesquisa que estou fazendo aqui nos EUA, encontrei alguns estudantes de ensino médio de passagem pelas universidades por onde andei para avaliar onde deveriam estudar. A maioria estava com os pais. Alguns tinham reuniões marcadas com professores e até com diretores de departamento das universidades. Faz parte da rotina desses profissionais conversar com os alunos em fase de tomada de decisão.



Escola pobre do Piauí tem 153 medalhas de matemática. Quer saber como?   (UOL – Educação – 23/10/14)

À primeira vista, parece que uma coisa não combina com a outra. Cocal dos Alves, cidade do interior do Piauí, está entre as 30 cidades com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. De 0 a 1, o município tem índice 0,498, na posição 5.535, entre 5.565 cidades. Ao mesmo tempo, Cocal dos Alves possui uma das mais premiadas escolas públicas do país, campeã em diversas olimpíadas do conhecimento e com inúmeras aprovações em vestibulares de universidades públicas do Piauí. A escola de ensino médio Augustinho Brandão foi considerada a instituição estadual com a maior média no Enem 2012 em todo o Estado — o resultado do Enem 2013 por escola ainda não foi divulgado. Como pode uma escola pública ter tantos casos de sucesso em olimpíadas e vestibulares em um local tão carente e desprovido de ajuda? Assim como tudo nesta história, a resposta é ao mesmo tempo simples e um tanto complexa. No caso da escola Augustinho Brandão bastou juntar um grupo de professores cheios de vontade de mudar uma cruel realidade social. “São 12 anos de estrada. Em 2003, éramos um grupo de jovens professores que simplesmente começou a trabalhar de maneira séria”, explica a atual diretora da escola, Aurilene Vieira Brito. Ao mesmo tempo que implantaram um trabalho intenso em sala de aula, eles foram atrás de qualificação e conhecimento para ensinar – e posteriormente cobrar – os alunos. Tudo isso, enquanto se viravam para lecionar em uma escola sem estrutura.