24/08/2015 / Em: Clipping

 


Cursos de medicina sem estrutura crescem e chegam a custar R$ 7 mil   (Globo.Com – G1 Vestibular – 23/08/15)

Que médicos estão sendo formados pelas faculdades de medicina? Um levantamento inédito do Conselho Federal de Medicina mostrou que elas viraram um balcão de negócios. A qualidade do ensino fica em segundo plano. O Fantástico percorreu o país e encontrou escolas sem nenhuma estrutura para formar um médico. E até estudantes atendendo pacientes sozinhos, sem a supervisão de professores. Não é Natal, nem réveillon. Mas a rodoviária da pequena Mineiros, no interior de Goiás, está lotada. É fim de julho e quem chega com as malas são todos jovens, com uma mesma expectativa. O objetivo é um só: fazer vestibular para medicina. Mais de três mil alunos vieram de longe pro vestibular da faculdade particular Fama. Há dois anos, Marcela tenta entrar em medicina. Já encarou mais de vinte vestibulares. E quando soube de um curso novo em Goiás, ficou animada e viajou 1.200 quilômetros. O vestibular é só o primeiro passo de uma longa carreira. Mas o que esses estudantes podem encontrar pela frente está longe de ser um sonho. Um estudo inédito do Conselho Federal de Medicina fez uma radiografia do ensino médico no Brasil. E expôs uma realidade preocupante: o número de faculdades disparou nos últimos anos. São instituições em sua maioria particulares, com mensalidades muito altas, que chegam a R$ 11 mil. Só que preço nem sempre quer dizer qualidade. “Lamentavelmente hoje virou um balcão de negócios a abertura de cursos médicos. Isso é triste. A medicina brasileira está em decadência”, afirma José Hiram Gallo, conselheiro do Conselho Federal de Medicina. Na nova faculdade de Mineiros, as salas de aula e os laboratórios já estão prontos. Os bonecos de plástico estão no lugar. Mas falta o espaço para a formação prática. Os últimos dois anos do curso de medicina são dedicados ao estágio, chamado de internato. “Fundamentalmente a medicina precisa de campo de prática, os alunos precisam ser levados para as enfermarias”, Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina. Internato é diferente de residência, que vem depois da formatura, como especialização. O MEC exige que, para cada vaga do curso de medicina, deve haver um mínimo de cinco leitos do SUS, ou conveniados, para o internato. A Fama abriu 200 vagas. Portanto seriam necessários mil leitos. Mas no lugar do futuro hospital universitário, por enquanto, só tem mato. No lugar onde serão os consultórios, também. E onde será construído um campus exclusivo pra faculdade de medicina, só se vê terra. A rede pública da região também não comportaria os alunos. Só tem 379 leitos. Faltariam mais de 600 leitos para cumprir a exigência do MEC. O diretor da faculdade garante que fez convênios para ter todos os mil leitos. Para atingir a cota, a faculdade promete vagas de estágio em Goiânia, a mais de 400 quilômetros de distância.



Ensino médio não precisa de matérias estanques, diz secretário de Educação  (Folha Online – Educação – 22/08/15)

A intenção do governo Geraldo Alckmin (PSDB) de flexibilizar o currículo do ensino médio da rede pública paulista não trará uma mudança profunda na grade curricular, segundo o secretário de Educação, Herman Voorwald. De acordo com ele, porém, a carga horária de algumas disciplinas poderá ser reduzida, já que o aluno, segundo o plano, poderá priorizar as áreas de seu maior interesse. “Eu preciso dar a esse menino o entendimento de que a sua formação não deve ser estanque, com uma disciplina estanque, com uma carga horária definida”, disse. O projeto para dar início a esse processo de mudança foi encaminhado à Assembleia. Críticos, como o sindicato dos professores, dizem que disciplinas como matemática e português podem ficar esvaziadas nesse novo processo.  A seguir, trecho da entrevista à Folha, na quarta (19).

Experiência no SUS elevará nota de cursos de medicina  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 24/08/15)

O governo quer aumentar a nota de cursos de medicina que tiverem maior número de professores com experiência de trabalho no SUS.  A atuação docente na rede pública é um dos novos indicadores que devem ser levados em conta na avaliação das escolas médicas no país, segundo proposta dos ministérios da Educação e Saúde. As medidas irão compor o chamado “conceito de curso”, avaliação da qualidade das graduações definida por equipes técnicas do governo após visita in loco, e cujas notas variam entre 1 e 5. Pela proposta, cursos nos quais 50% do grupo de professores têm, no mínimo, cinco anos de experiência de trabalho no SUS ganham nota máxima neste quesito. Já aqueles em que menos de 20% dos docentes têm essa experiência levariam a nota mais baixa, 1. Caso houver menos de 30%, a nota é 2, e assim sucessivamente. Elaborado pelo Inep (instituto do MEC), as mudanças no “instrumento de avaliação de cursos de graduação” passarão por consulta pública. A ideia é receber sugestões até o início do próximo mês e verificar os novos critérios de qualidade já em 2016, ano em que todos os cursos da área de saúde –como odontologia, farmácia e nutrição– passarão pelo pente fino do governo federal. Hoje a visita in loco ocorre apenas em cursos com nota insuficiente (1 e 2). Somente de medicina, são 214 graduações avaliadas, segundo dados mais recentes, de 2013. A área, no entanto, vive uma expansão acelerada de vagas desde o lançamento do programa Mais Médicos –o que tem gerado polêmica sobre a qualidade das futuras escolas médicas.

NOVOS INDICADORES

Ao todo, foram incluídos 15 novos indicadores em um total de 60 que serão usados para se verificar a qualidade do curso em instituições públicas e privadas. Entre eles, além da experiência docente, estão a quantidade de atividades práticas ao longo da formação e o formato do estágio. A nota pode ser maior se até metade da carga horária do estágio ocorrer em medicina da família e urgências –onde o médico atua principalmente em unidades básicas de saúde e pronto-socorro. Outro indicador é que, quanto melhor a inserção do estudante e a condição da rede de saúde –seja pela organização do trabalho, seja pela infraestrutura–, melhor o desempenho do curso. Alunos de medicina também devem ter no currículo aulas de “segurança do paciente”, que visa evitar erros médicos e de prescrição. Algumas alterações, no entanto, são propostas para todas as graduações da área de saúde. Entre elas está a “responsabilidade social”.  Esse item pretende analisar a relevância do ensino, de forma que os alunos tenham atenção especial, por exemplo, para as doenças mais prevalentes na comunidade ou região e seu impacto sobre os indicadores de saúde.

MUDANÇAS
Segundo o Ministério da Saúde, as “adequações” foram necessárias após mudanças nas diretrizes curriculares de medicina em 2014. O currículo foi alterado na esteira da lei do Mais Médicos, que previa, entre outras coisas, a realização de uma avaliação dos estudantes a cada dois anos. O presidente da Abem (Associação Brasileira de Educação Médica), Sigisfredo Brenelli, vê com ressalvas alguns dos novos itens. “O fato de trabalhar por cinco anos no SUS não qualifica alguém para ser um bom professor”, afirma.  Para Brenelli, a inclusão do indicador não pode diminuir a importância de outros fatores já avaliados, como a exigência de docentes com títulos de mestrado e doutorado, por exemplo.