25/06/2014 / Em: Clipping

 


Estudantes da USP protestam na Avenida Paulista a favor de cotas   (O Estado de S.Paulo – Educação – 24/06/14)

Pelo menos 150 estudantes da Universidade de São Paulo (USP), segundo a Polícia Militar,  fizeram um protesto na noite desta terça-feira, 24, a favor de cotas na instituição. O grupo caminhou do Museu de Arte de São Paulo (Masp) até a Praça Roosevelt, no centro da capital. Os organizadores do ato estimam que cerca de 600 pessoas estavam presentes. Policiais militares acompanham o ato em bicicletas. Os manifestantes se reuniram a partir das 17h no vão livre Masp e iniciaram a marcha quase uma hora e meia depois. Quando os manifestantes chegaram na esquina da Rua da Consolação com a a Rua Pedro Taques, houve um bate-boca com um grupo de motociclistas, que tentavam passar pela via interditada. A polícia precisou intervir. Por volta das 20h20, os manifestantes chegavam à Praça Roosevelt. Os estudantes marcaram novo protesto na próxima segunda-feira, 30, contra a situação ambiental do câmpus Leste da USP.  Com gritos, faixas e tambores, eles diziam que a USP é elitista e reivindicaram mais políticas de inclusão, como cotas no vestibular e reforço na assistência estudantil. “A quantidade de negros na USP ainda é muito pequena, bem abaixo do que poderia ser caso a universidade seguisse a lei federal de cotas”, afirmou Cristiane Alves Avelar, integrante do Núcleo de Consciência Negra da USP e aluna de Letras. 


 
SP – Estudantes e movimentos protestam por cotas na USP   (Caros Amigos – Cotidiano – 24/06/14)

Nesta terça-feira (24) no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), ocorre um ato que reivindica a instituição de cotas raciais e sociais na Universidade de São Paulo (USP). Em meio à greve dos professores contra o arrocho salarial, que já completa 28 dias, estudantes e movimentos sociais querem pressionar a implantação de política afirmativa que garanta a inserção de estudantes negros, pardos, indígenas, com deficiência, oriundos do sistema público de ensino e de baixa renda nas universidades paulistas. Entre as grandes instituições de educação estaduais, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) é a única a adotar cotas raciais e sociais, após aprovação do sistema em 2013. A USP não possuem reservas de vagas e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) adota um sistema no qual acrescenta pontos à nota de vestibular de estudantes vindos de escolas públicas e daqueles que se autodeclararem negros, pardos e indígenas. “A posição da direção destas universidades é retrógrada e se recusa a admitir a importância da democratização do acesso à universidade. Esquecem que elas são sustentadas com dinheiro público de todos os cidadãos, inclusive das famílias negras e pobres, que praticamente são impedidas de ingressar em seus cursos”, diz
comunicado do Núcleo de Consciência Negra da USP, assinado pelo professor Dennis de Oliveira e divulgado na internet para convocação do ato.


 
Gato por lebre   (Carta Capital –  Carta na Escola – Edição 87 – Junho 2014)

Por que fazer o Ensino M édio em uma escola particular? Se a resposta for obter aprendizagem suficiente para passar em vestibulares, grande parte das famílias pagantes  desperdiçou o alto investimento financeiro. A conclusão é de um estudo das notas médias das instituições no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012, feito pelo pesquisador Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP. A análise revela que metade dos alunos da rede privada têm desempenho equivalente àqueles que vêm da rede estadual de ensino. Segundo o levantamento, 98% dos alunos da rede pública de todo o Brasil alcançaram até 560 pontos – a média foi de 479,4. Já entre as instituições particulares, 52% dos alunos atingiram até 560 pontos, e a média foi um pouco maior, de 558,1 pontos.  “Famílias que fazem sacrifícios e pagam mensalidades com o propósito de ver os filhos na faculdade estão sendo enganadas, ao menos nesse ponto”, afirma o autor da pesquisa. A constatação fica mais alarmante quando comparada ao movimento de saída da classe média do ensino público para o privado. Nos últimos cinco anos, com a melhora geral no nível de renda das classes mais baixas, o total de matrículas na Educação Básica da rede pública caiu 3,8 milhões, enquanto cresceu 1,3 milhão na particular. “Muitos vão em busca de base para o Ensino Superior, mas é uma ingenuidade”, conclui Alavarse. O próprio recorte feito para chegar às notas médias é um claro indicativo de como o propósito dos estudantes de instituições privadas é a faculdade. Foram contabilizadas as escolas brasileiras que tinham mais de 50 alunos no último ano do Ensino Médio e, entre esses, mais da metade tenha prestado o exame. Instituições federais e municipais foram desconsideradas pela participação reduzida. Das 18,5 mil escolas estaduais do Brasil, sobraram apenas 5,9 mil que preenchiam as características buscadas, ou seja, em mais de dois terços a maioria dos alunos sequer faz o Enem.  



25% dos estudantes de medicina da USP fizeram vestibular ao menos quatro vezes   (Veja – Educação – 22/06/14)

Se a preparação para o vestibular significa ansiedade e noites mal dormidas, o sacrifício é ainda maior para quem tenta entrar em medicina na Universidade de São Paulo (USP). No processo seletivo encerrado no início deste ano, 84% dos futuros médicos não passaram na primeira tentativa — bem acima da média geral da USP, de 61%. Mais: quase 26% fizeram o vestibular quatro ou mais vezes antes da sonhada aprovação. Mariângela Alves conhece a prova da Fuvest, exame para ingresso na USP, quase tão bem quanto muitos professores de pré-vestibular. Hoje aluna de medicina da universidade, ela teve de enfrentar a prova cinco vezes. “A pior parte era ver os amigos passarem enquanto eu ficava para trás”, conta Mariângela, de 25 anos. “Mas as dificuldades até se apagam agora. Valeu a pena”, reconhece a jovem, que destaca o apoio dos pais e do namorado como principais estímulos para persistir no objetivo. Como vários outros candidatos de medicina, Mariângela chegou a trocar a opção de curso para encurtar o caminho até a faculdade. No segundo vestibular, optou por enfermagem e começou o curso na USP. “Voltei ao pré-vestibular no ano seguinte porque percebi que deveria correr atrás da minha vocação. Meu desempenho sempre esteve bem perto da nota de corte”, diz. Segundo ela, a experiência na faculdade também a ajudou para que tivesse mais foco nos estudos. Jessica Costa, de 20 anos, espera ter a mesma sorte de Mariângela. Embora a USP seja sua prioridade, a candidata também vai arriscar vestibulares de outras instituições públicas e privadas neste ano. “A pressão e a ansiedade, às vezes, pesam mais do que as dificuldades em algumas matérias”, avalia a estudante, que tenta a Fuvest pela quarta vez. “No segundo semestre, já começa a bater desespero em relação à prova e dá vontade de desistir”, afirma. A aluna, que até terminou um namoro para se dedicar aos livros, recorre a todos os artifícios na preparação: cantarola trechos das apostilas e escreve fórmulas na porta do guarda-roupa, para memorizar. Jessica sabe, porém, que não existe fórmula mágica para conquistar a vaga. “A experiência nos cursinhos me mostrou que compensa diminuir a quantidade de estudo, mas aumentar a qualidade”, diz ela, que sempre reserva algumas horas do fim de semana para relaxar.