26/09/2008 / Em: Clipping

 


Cotas para afrodescendente em universidades públicas é bem aceita, indica pesquisa  (Globo On Line – Educação – 25/09/08

Em vigor há cinco anos, as cotas para alunos afrodescendentes nas universidades públicas não acirraram nenhum tipo de relação social no ambiente acadêmico. Nas universidade onde existem ações afirmativas, 62% dos alunos aprovam a medida e acham que a universidade esta até mais “cordial” que a própria sociedade. A avaliação é do relatório de Monitoramento das Políticas de Ação Afirmativa, divulgado pela PUC-Rio, nesta quarta-feira.  Segundo o levantamento, a maior parte dos alunos entrevistados avaliou como boa a relação entre os colegas oriundos de ações afirmativas (57,5%), com os outros alunos, em geral, (60,4%), com professores (67%) e funcionários da escola (64,4%).  As opiniões ficaram um pouco divididas quando a pergunta era sobre o tratamento dado a negros e brancos na universidade. Cerca de 40% respondeu que às vezes existe tratamento diferenciado e outros 43,6% contaram que nunca ou quase nunca há desigualdade. A divergência, no entanto, apareceu quando os alunos foram perguntados sobre as formas como negros e brancos são tratados na sociedade. A maior parte (46,7%) disse que sempre ou quase sempre há diferenciação e outros 47,6 % informaram que isso ocorre às vezes.  Para uma das coordenadoras da pesquisa, a antropóloga Elielma Machado, o monitoramento esclarece que os alunos percebem mais racismo fora do que dentro das faculdades.  “Eles tendem a ver mais (racismo) na sociedade que na faculdade. Em outras pesquisas também vimos que os casos mais comuns de racismo acontecem em comércio, shoppings ou mesmo na rua. Realmente, na universidade não aparecem tantas queixas de racismo” afirmou.  Para fazer o Monitoramento, foram ouvidas cerca de 2,5 mil alunos de diversas raças em dez universidades públicas do país que adotam algum tipo de ação afirmativa como as cotas.



Poucos negros na universidade  (Diário de Pernambuco – Vida Urbana – 26/09/08)

Aos 20 anos, a universitária Simone Bispo está matriculada no 1º período do curso de ciências ambientais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Dos 35 alunos da classe, apenas quatro são negros ou pardos. Para estar entre eles, Simone “ralou”. Trocou um expediente de trabalho diário por uma bolsa de estudos numa escola particular. E assim tornou-se um dos poucos negros a assegurar vaga no ensino superior do país. A pernambucana representa a exceção dos números divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Segundo o IBGE, as desigualdades de acesso entre brancos e negros às universidades aumentaram de 1997 a 2007. A região Nordeste apresenta os piores índices nacionais e Pernambuco segue a tendência regional.  De acordo com o estudo, 58% dos brancos de 18 a 24 anos estão na faculdade. Contra 25% dos negros ou pardos. No Nordeste, os resultados são alarmantes. Apenas um em cada cinco estudantes negros oupardos cursam o ensino superior. O abismo racial observado no ano passado é superior ao registrado em 1997, quando um a cada dez brancos (9,6%) possuia nível superior completo. Essa proporção era de nada menos que um para cada 50 (2,2%) entre os de cor negra e parda. No estado, 10,1% dos brancos com mais de 25 anos têm diploma, contra 3,1% dos negros. Em Recife, a situação é um pouco melhor. Cerca de 16% dos brancos são formados contra 4,6% dos negros/pardos. “O que mais chama a atenção é que a situação do país continua a mesma por anos seguidos. A distância entre negros e brancos permanece igual ou pior”, analisou o pesquisador José Luís Petruccelli, um dos responsáveis pelo estudo do IBGE.

Conselheira de ONG crê que resultados surjam em 10 anos

O pesquisador acredita que os números recentes põem em dúvida a eficácia das políticas afirmativas adotada por 60 instituições de ensino superior no Brasil. Entre elas a adoção do sistema de cotas. “A maioria dos estudantes do país estuda em faculdades particulares. E, se pegarmos os dados recentes, percebemos que a maioria dos jovens de baixa renda são negros. Então eles não têm condições de pagar mensalidades. Como as cotas nas universidades públicas são pequenas e o ProUni (programa federal que dá bolsas de estudos a alunos carentes) atinge uma parcela pequena, percebemos essa crescente disparidade entre negros e brancos”, justificou Petruccelli.  A conselheira da ONG pernambucana Observatório Negro, Ana Paula Maravalho, discorda. “Os resultados das cotas devem aparecer nos próximos dez anos. A primeira universidade a implantar o sistema no Brasil fez isso em 2003. Não é possível mudar um cenário de 200 anos de desigualdades raciais em menos de dez. Sem as cotas, a política universalista vai causar abismos entre brancos e negros ainda maiores. Em todos os setores da vida, não apenas na educação”, opinou.  Cotas – Não existem cotas raciais nas universidades pernambucanas. Tanto UFPE quanto Universidade de Pernambuco (UPE) oferecem benefícios apenas aos alunos oriundos da rede pública. Sejam eles de qualquer cor. Apesar dos apelos de alguns movimentos sociais, a pró-reitora acadêmica da UFPE, Ana Cabral, afirmou que a instituição não pensa em adotar cotas raciais. “A cor da pele, não necessariamente, diz a raça da pessoa. Quando incluimos os alunos de escolas públicas, através de bônus de 10% nas notas do vestibular, englobamos um universo maior de pessoas beneficiadas”, explicou.