26/11/2013 / Em: Clipping

 


Vestibular é a chance para mudar de carreira   (Correio Popular – Cidades – 24/11/13)

Para muitos, o vestibular é uma oportunidade de iniciar a carreira, mas também é tempo de renovar e de começar de novo. Foi o que decidiu fazer Nayane Pertile, de 22 anos. Formada em teatro em uma escola de São Paulo e em plena atuação no mercado de trabalho na sua área de formação, ela decidiu deixar tudo de lado para ingressar no curso de medicina.O desejo já era latente desde o Ensino Médio, mas apenas depois de participar de uma atividade voluntária no Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac), durante a sua formação em teatro, ela decidiu seguir o sonho de fazer medicina. “Quando tive contato com trabalho dos médicos e o carinho que eles tinham com os pacientes que passam por momento difícil, pensei na grandeza da profissão e fiquei com aquilo guardado na cabeça. Trabalhei ainda um ano em tetro em São Paulo depois decidi falar com os meus pais que iria prestar medicina.” A reação de surpresa dos pais, num primeiro momento, foi seguida de apoio. “Relutaram num primeiro momento, mas depois em acolheram e me apoiam.  ”Ela ressalta a difícil escolha que os jovens têm que fazer quando saem do Ensino Médio. “Sair do colegial e decidir a profissão que você quer seguir é sempre muito complicado. Mas a vivência no teatro me trouxe muito conhecimento e amadurecimento para de fato ter um discernimento do que quero para a minha vida.”



Mercadante: “topo” das escolas públicas é melhor que particulares   (Terra – Vestibular – 25/11/13)

A partir de um panorama geral do desempenho das escolas na edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação realizou um recorte dos concluintes da rede pública equivalente ao total dos alunos da rede privada (215 mil). Segundo o ministro Aloizio Mercadante, é uma maneira de se precaver para a discussão sobre cotas para estudantes provenientes da rede pública nas universidades federais. Em três das cinco áreas analisadas pelo exame (Linguagens e Códigos, Ciências da Natureza e Redação), o desempenho dos chamados 215 mil melhores é superior aos dos alunos da rede privada. A média é puxada para cima especialmente pelas escolas federais, que representam apenas 1,22% da rede pública (que conta ainda com instituições estaduais e municipais). “O topo da escola pública é, em média, superior ao da escola privada. E o melhor padrão é o federal”, disse Mercadante.



Alunos da rede pública e privada têm queda no desempenho na redação do Enem   (Folha Online – Educação – 25/11/13)

A nota dos concluintes das redes pública e privada na redação do Enem piorou entre 2011 e 2012. No ano passado, a média dos estudantes de escolas particulares foi de 602,16 –a pontuação varia de 0 a 1000. Em 2011, essa nota média foi de 612. Entre os concluintes da rede pública, a nota na redação em 2011 foi de 512. Em 2012, quando o tema foi a imigração para o Brasil no século 21, a média foi de 495,54. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (25) pelo Ministério da Educação e consideram, assim como no ano passado, apenas as escolas em que mais de 50% dos alunos do 3º ano do ensino médio fizeram o exame. Com isso, o recorte abrange 60,7% do universo de escolas no país (11.239 de um total de 18.511).  O desempenho dos concluintes da rede privada apenas é inferior ao dos alunos na rede federal de ensino –os colégios de aplicação ou técnicos. “A média [das públicas] é sempre inferior ao setor privado. O que digo é que: você está pegando [um universo de] 2 milhões e no privado são 300 e poucos mil”, argumentou o ministro Aloizio Mercadante (Educação).  Ao todo, 2,03 milhões de concluintes do ensino médio estão no setor público, frente a 323 mil nas escolas particulares. Com base em tabela divulgada pelo Inep, responsável pelo Enem, Mercadante ponderou que se selecionados os 215,5 mil melhores alunos da rede pública, o desempenho desse grupo é superior à média do setor privado. “Quando olho os melhores do setor público, eles competem muito em igualdade de condições com o setor privado”, disse o ministro.

MAPA DE ITENS
A partir da tarde de hoje, escolas públicas e privadas, além dos próprios alunos, podem consultar no site do Inep o detalhamento do desempenho no Enem 2012. Até aqui, o ministério divulgava a média geral dos alunos de um determinado colégio. “A média é influenciada pelos extremos. Agora, o gestor vê essa distribuição”, afirmou o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa. Para o MEC, essa será uma importante ferramenta pedagógica para os professores, com base no desempenho dos alunos, melhorarem o ensino em sala de aula. A intenção é disponibilizar esse mesmo mapa dos itens das edições anteriores do Enem.

ÁREAS DO CONHECIMENTO

Nas quatro áreas do conhecimento, os concluintes da rede privada apenas registraram melhora, entre 2011 e 2012, em ciências humanas –a pontuação em ciências da natureza ficou praticamente estável (540 em 2011, 541,28 na edição de 2012). Entre as públicas, houve melhora em duas áreas (ciências humanas e da natureza), com leve crescimento na área de matemática (de 493 pontos para 495,86). Ao mesmo tempo, houve queda na área de linguagens.

Perdemos feio para a Coréia   (Folha de S.Paulo – Opinião – 26/11/13)

Como exemplo de que estamos indo mal na competição por uma boa educação, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), na Associação Comercial do Rio de Janeiro, lembrou que, 40 anos atrás, tínhamos o mesmo número de patentes da Coreia do Sul. Hoje, a nação asiática produz 12 vezes mais patentes do que o Brasil –sinal de que o seu modelo de desenvolvimento, lastreado numa educação de qualidade, segue uma trajetória correta.  Em nosso caso, há uma preocupação dominante com o ensino superior, ao qual chegam cerca de dez de cada cem alunos que entram a cada ano no fundamental (de acordo com o IBGE). É muito pouco e com um nível altamente discutível.  As perdas ocorrem pelo caminho, com coisas incríveis como os percalços do nosso tumultuado ensino médio, concluído por 40% dos que nele ingressam. Trata-se de uma vergonhosa evasão.  Aliás, fatos estranhos acontecem nessa faixa etária, que é estrategicamente de fundamental importância. Veja-se o último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): uma ausência de mais de 2 milhões de inscritos nas provas realizadas, causando um prejuízo de R$ 60 milhões aos cofres do Ministério da Educação.  Até agora, ninguém deu uma explicação plausível para esse fenômeno. Terão os jovens perdido a esperança em nosso modelo educacional? Ou a antevisão de uma prometida prova mais difícil fez os alunos desistirem?  Tudo hoje se baseia no conhecimento. Temos, no país, mais de 260 milhões de telefones celulares, alguns deles criados lá fora, mas montados aqui. Se somos a sexta economia do mundo, já não seria hora de melhorar de posição em relação aos exames internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)? A prova de que as coisas não andam bem é o fato de ocuparmos a 53ª posição, perdendo para países de menor tradição cultural. A matemática é um bom exemplo dessa fraqueza. A secretária de Educação do município do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, no seminário da Associação Comercial, disse uma frase terrível: “O desastre do ensino médio começa no segundo segmento do ensino fundamental. Isso pode ser comprovado pelo fato de 65% dos formandos do nono ano não terem a menor noção do que se entende por porcentagem”. Como essa gente vai se preparar para questões mais complexas, exigidas pela sociedade do conhecimento? Chega-se sempre ao mesmo lugar-comum: se precisamos aperfeiçoar os mecanismos que nos levariam a melhorar a condição da educação no Brasil, o atual sistema, como disse o senador Cristovam Buarque, parece ultrapassado.  A formação dos professores, por exemplo, está totalmente invertida, pois os recursos humanos são colhidos nos estamentos mais baixos da sociedade.  Na Escandinávia, é o contrário. Os professores são escolhidos entre os melhores quadros, sendo a profissão altamente valorizada, inclusive financeiramente. Devemos atentar para isso.

ARNALDO NISKIER, 78, doutor em educação, é membro da Academia Brasileira de Letras, vice-presidente nacional do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e autor de “Educação Limpa”