27/01/2019 / Em: Clipping

 

A diversidade indígena chega à Unicamp (Pravda.ru – Cultura – 27/01/2019)

Com a realização do primeiro vestibular indígena, 68 estudantes de 23 etnias entram na graduação da Universidade de Campinas em 2019, sendo 36 deles do município de São Gabriel da Cachoeira (AM)

 

Tornar-se um linguista para pesquisar as línguas indígenas e deixá-las mais conhecidas é o sonho de Marinaldo Almeida Costa, de 28 anos, do povo Tukano, nascido em Pari-Cachoeira (Terra Indígena Alto Rio Negro), São Gabriel da Cachoeira (AM). Naldo, como é chamado, foi aprovado no primeiro vestibular indígena da Unicamp para o curso de Linguística. “Quero trabalhar para que as línguas indígenas tenham mais visibilidade. Vou correr atrás de parcerias como, por exemplo, com o Google Tradutor, para inserir línguas indígenas dentro do aplicativo. Assim, incentivamos mais pesquisadores a virem para essa área, indígenas e não indígenas. Pensando nas gerações futuras, meu maior sonho é tornar as línguas indígenas imortais”, contou Naldo, de 28 anos, lembrando que 2019 é o ano internacional das línguas indígenas, segundo a Unesco. Toda essa diversidade cultural está sendo celebrada pela Unicamp. Uma rede de acolhimento formada por funcionários, estudantes e professores receberá esses estudantes no próximo dia 20 de fevereiro, quando os calouros precisam efetuar as matrículas presenciais em Campinas. Até iniciarem seus estudos, os calouros ficarão hospedados nas casas desses voluntários e na sequência terão moradia nos alojamentos da universidade, assim como alimentação e bolsa auxílio. “O fato de termos 23 etnias aprovadas no primeiro vestibular indígena da Unicamp para nós é extremamente benéfico. Dentre outras coisas, a ideia de criar o vestibular indígena era o de ampliar a diversidade dos estudantes da Unicamp e sabemos que as realidades, os comportamentos, as tradições e culturas varia de etnia para etnia. Portanto, ter uma maior diversidade étnica também é uma oportunidade da gente conhecer as diferenciações. Nós aqui da universidade temos muito a aprender com os diferentes povos indígenas e é uma maneira, inclusive, de ajudar a romper os estereótipos que a população em geral possui em relação aos povos indígenas”, afirmou o professor José Alves de Freitas Neto, coordenador do vestibular. Um grupo de WhatsApp foi criado pelos calouros indígenas da Unicamp e as mobilizações, amizades e trocas virtuais já começaram. Organizações representativas dos povos indígenas e seus parceiros também estão colaborando na difusão dos resultados dos aprovados para as aldeias, muitas conectadas apenas pelo sistema de radiofonia. Além disso, a mobilização para custeio das passagens e preparação da viagem dos estudantes também está engajando as comunidades indígenas, suas organizações e apoiadores. O projeto Mawako, que reúne alguns estudantes da Unicamp, junto com ex-alunos do Colégio Santo Américo (SP), garantiu a logística de 10 estudantes. E o Instituto Bem te Vi, de São Paulo, já manifestou interesse em custear a viagem dos demais. Leia mais.