27/11/2012 / Em: Clipping

 


Para pesquisador, ‘college’ é melhor que as cotas  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/11/12)

Para Renato Pedrosa, coordenador do Grupo de Estudos em Ensino Superior da Unicamp, o”college” é melhor que o tradicional sistema de cotas, pois permite que o aluno se prepare para a graduação. (ANDRESSA TAFFAREL)

Folha – O que o sr. acha do modelo de “college”?

Renato Pedrosa – É um modelo mais complexo, mas uma ideia boa, pois [a universidade] estaria mais próxima das escolas públicas.

É um sistema melhor que as cotas que temos hoje?

Sim, pois alguns [alunos de escola pública que ingressam pelas cotas tradicionais] têm deficiências bem difíceis de serem compensadas ao longo de um curso tradicional. No ‘college’, ele poderia se preparar.

Qual a melhor seleção?

Sou a favor do Enem, mas associado a outros critérios, como ter estudantes de todas as escolas.

Disciplinas devem ser aproveitadas depois, diz docente  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/11/12)

Para a professora do Departamento de Ciência Política da USP Elizabeth Balbachevsky, as disciplinas cursadas durante o “college” devem ser consideradas na formação posterior”. (AT)

Folha – Como vê a proposta?


Elizabeth Balbachevsky
– É um modelo testado internacionalmente e que tem apresentado bastante resultado. Mas na Universidade da Califórnia (EUA), por exemplo, esses dois anos de ‘college’ são abatidos do tempo de formação posterior. Seria importante que na iniciativa brasileira houvesse algo parecido; se não o aproveitamento do curso todo, pelo menos de matérias.

Teria problema o ‘college’ ser semipresencial?

Tem que ser presencial. Esses alunos precisam de um atendimento muito especial, um acompanhamento quase tutorial, não só de professores como também de um corpo de auxiliares.

As cotas paulistas  (Folha de S.Paulo – Opinião – 27/11/12)

Hélio Schwartsman

Embora as informações ainda estejam meio nebulosas, tudo indica que as universidades públicas paulistas irão propor um sistema de cotas sociais e raciais não muito diferente do modelo federal, que assegura 50% das vagas para os beneficiários do programa. Pessoalmente, não gosto da ideia de levantar a carta racial -podemos obter mais ou menos o mesmo efeito lidando só com as mais objetivas categorias de renda- e tenho dúvidas quanto ao tamanho do naco a ser reservado, mas não acredito que adotar cotas signifique necessariamente a morte da meritocracia. Universidades desempenham um duplo papel em suas relações com a população. Elas se tornaram a principal mola de ascensão social do mundo moderno e também têm a missão de formar os quadros que estarão à disposição da sociedade em todas as áreas, da medicina ao magistério. Esses objetivos não convergem naturalmente. Para fazer justiça em relação ao primeiro, é necessário favorecer os mais pobres, cujo rendimento acadêmico tende a ser pior. Já para atender ao segundo, é preciso recrutar sempre os intelectualmente mais preparados, ignorando sua origem. Nenhum dos dois lados pode reclamar direitos naturais a uma vaga na universidade. Para começar, a missão precípua dessas instituições é cultivar o conhecimento, não acabar com a pobreza. Além disso, não podemos nos esquecer de que o tal do mérito é, em larga medida, fruto da loteria genética, ou seja, encerra algo de aleatório, exatamente como a pobreza. Gostemos ou não, estamos, em última instância, lidando com uma espécie de sorteio cósmico. O dilema não tem solução pacífica. A menos que se decida fechar os olhos para uma das metas, só o que se pode fazer é caminhar sobre uma corda bamba, evitando que os ganhos em um dos lados comprometam o equilíbrio da balança. Acho improvável que a resposta a esse problema complexo seja um linear 50%.

USP, Unicamp e Unesp preparam adoção de cotas  (Folha Online – Educação – 27/11/12)

USP, Unesp e Unicamp preparam um programa conjunto para aumentar o número de estudantes de escolas públicas em seus cursos. A proposta prevê selecionar os melhores alunos da rede para fazer curso semipresencial de dois anos. Ao final, eles poderão disputar até 50% das vagas nos cursos tradicionais das universidades –a política de cotas é inédita nas universidades estaduais paulistas. A medida passou a ser desenvolvida após pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que disse aos dirigentes universitários que eles não poderiam ficar indiferentes ao programa de cotas em curso nas escolas federais. A ideia inicial dos reitores, segundo a Folha apurou com professores, apresenta diferenças ao implementado nas federais, onde o estudante de escola pública, já ao sair do ensino médio, tem acesso às vagas reservadas. No projeto paulista, estudantes de escolas públicas serão selecionados via Enem ou Saresp para o curso superior genérico e semipresencial. Oferecido pela Univesp (universidade estadual virtual), esse curso dará direito a um diploma superior, que poderá ser usado, por exemplo, em concursos públicos. Esses formados poderão, então, disputar vagas reservadas apenas a eles nas graduações tradicionais das universidades e das Fatecs. As notas no curso semipresencial serão usadas na seleção para as graduações.

Discussão de cotas é antiga, mas enfrenta resistências  (Folha Online – Educação – 27/11/12)

As cotas vêm sendo discutidas desde meados da década passada nas universidades estaduais de São Paulo. Até agora, tem prevalecido o entendimento de que reservar vagas para um público específico fere o princípio da meritocracia. Ou seja, não necessariamente os mais bem preparados seriam os escolhidos para os cursos. Há o temor também de que aumentar a participação de estudantes com menos conhecimento dos conteúdos curriculares pode prejudicar os cursos de graduação. Mas a pressão de movimentos sociais já fez com que Unicamp e USP adotassem um projeto alternativo, que é o de dar bônus no vestibular para alunos de escolas públicas. As instituições têm comemorado os resultados.



Programa de formação da Unicamp inspira proposta de cotas das paulistas  (O Estado de S.Paulo – Educação – 27/11/12)

A proposta de adoção de cotas que os reitores das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) apresentarão ao governador Geraldo Alckmin nesta semana – revelada ontem pelo Estado em entrevista do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan -, tem, entre suas políticas, uma inspirada no programa da Unicamp que acolhe alunos da rede pública e dá um curso de formação geral antes da graduação. O Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis) existe há dois anos. As 120 vagas do curso são preenchidas pelos melhores alunos da rede pública, segundo seu desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cada uma das 95 escolas de Campinas tem direito a uma ou duas cadeiras. O Profis dura dois anos e dá certificado de curso sequencial de complementação de estudos. Com o documento, os alunos podem participar de concursos públicos que exijam somente formação em nível superior, mas são impedidos de fazer pós-graduação. A ideia da Unicamp é que os egressos do programa continuem os estudos em um dos 58 cursos que abrem vagas para o Profis, entre eles Medicina e Arquitetura – os mais concorridos do atual vestibular.

‘Rede pública não dá base para graduação’  (O Estado de S.Paulo – Educação – 27/11/12)

Aluno da primeira turma do Profis, Alessandro Vicente, de 22 anos, não vai se formar em janeiro, como a maioria de seus colegas. Ele terá de repetir algumas disciplinas, entre elas física, química, estatística e matemática. “São as mais puxadas”, diz Vicente, que ganhou vaga no programa por ter tirado a maior nota da Escola Estadual Hildebrando Siqueira no Enem de 2010. Na época, ele nem se inscreveu no vestibular da Unicamp. “Acho até que passaria, mas gostei da ideia do Profis. Hoje vejo que a escola não me deu base para entrar direto na graduação.” Quando concluir o curso, ele tentará vaga em Filosofia. Vicente afirma que atividades de reforço são essenciais para uma efetiva inclusão de alunos de escolas públicas na universidade.

Especialistas elogiam modelo sugerido  (O Estado de S.Paulo – Vida& – 27/11/12)

A proposta revelada ao Estado pelo reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, foi elogiada pelo sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets).Ele entende que o reforço educacional e a bolsa para manutenção dos alunos são necessários para que as cotas funcionem.“A discussão avança muito em relação à legislação federal, pela idéia de as universidades se envolverem na preparação dos alunos antes de eles entrarem na universidade e de dar um auxílio financeiro. Na lei federal falta justamente isso. Apenas criar uma cota não garante o sucesso”, afirma Schwartzman. “Mas tem de ver exatamente o que vai acontecer.” Já para o professor do programa de pós-graduação em Direitos Humanos da Faculdade de Direito da USP, Marcus Orione, a proposta é menos ousada que a prevista na Lei de Cotas, que rege as instituições federais. “Esse modelo de ‘college’ acaba por adiar a entrada desses estudantes no curso superior. E isso não faz nenhum sentido, considerando que essa população é mais fragilizada e está em situação mais emergencial, não pode perder tempo. ”Orione defende que essa formação adicional aconteça no decorrer do curso. “Procrastinar contamina o processo. Ou faz de verdade ou não faz.”Para dar vez e voz aos atendidos,acrescenta o pesquisador, o ideal seria que fossem à votação os dois projetos de lei apresentados pelos movimentos sociais.“Deviam ter preferência sobre o que vem de cima para baixo.”O professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarce afirma que a possível entrada da USP em um sistema de cotas ajudaria a corrigir distorções sociais,apesar de não eliminá-las completamente. “Isso vai fazer bem para a USP, vai arejá-la socialmente, o que é necessário. A USP é elitista e restringe o acesso a cursos mais concorridos. ”Jorge Werthein, presidente do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, também vê avanço.“A proposta estadual está dentro do espírito da Lei de Cotas, que considero importante,e ainda incorpora estratégias que ajudam o aluno.”

Um exame atrás do outro  (O Estado de S.Paulo – Educação – 27/11/12)

A prova da Fuvest, no último domingo, encerrou a etapa inicial de uma maratona. Ao todo, os estudantes que prestaram o Enem e também as primeiras fases de Unesp e Unicamp tiveram 25 horas para resolver 408 questões de múltipla escolha, além de escrever três redações. No Enem e na Unicamp, as protagonistas foram as redações. Se o exame nacional surpreendeu com um tema pouco debatido no País, a prova da universidade de Campinas pediu que os candidatos escrevessem um resumo e uma carta, gêneros bastante trabalhados no ensino médio. Já o vestibular da Unesp ficou marcado por, digamos, uma bobeira da banca. A cada cinco questões, as alternativas sempre eram diferentes e seguiam um padrão. Quem percebeu a brecha teve facilidade para gabaritar. A busca por vagas nas universidades paulistas recomeça em 16 e 17 de dezembro, com a segunda fase da Unesp. Fuvest e Unicamp fazem suas etapas dissertativas em janeiro.

Rotina de estudante  (O Estado de S.Paulo – Educação – 27/11/12)

Matheus Eisenmann: A paixão por carros foi o que guiou a escolha da profissão do aluno do 3º ano do Colégio São Luís. Matheus vai tentar uma vaga em Engenharia Mecânica em uma das três principais universidades do Estado e também na FEI. Apesar de cogitar estudar em qualquer uma das instituições, ele tem sua preferida: a Unicamp. “Por ter uma estrutura menor, imagino que lá terei a oportunidade de conhecer mais pessoas de cursos que não o meu”, afirma. “Acho que isso deve ser o mais interessante de uma vida universitária.” Mesmo tendo acertado pelo menos 2/3 de cada uma das provas anteriores, Matheus se disse nervoso na véspera da Fuvest. “Apesar de ter me preparado bem, a prova é sempre uma caixa de surpresas”, diz.



Universidades paulistas propõem cota social  (Correio Popular – Cidades – 27/11/12)

As três universidades públicas paulistas, Unicamp, USPe Unesp fecharam proposta que será apresentada nesta semana ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para a adoção de um programa de cotas que destinará 50% das vagas a alunos de escolas públicas a partir de 2016, com o objetivo de igualar os percentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff  para as universidades federais na lei nº 12711/2012, a Lei de Cotas.A afirmação é do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, membro do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp),que vinha discutindo o plano desde o início de outubro,quando o governador pediu a sua formulação, após a regulamentação da Lei de Cotas.“Estamos fazendo o mesmo que o governo federal, mas com mais qualidade.” Segundo ele, o documento será entregue ao governador pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo em exercício,Luiz Carlos Quadrelli. A reportagem solicitou entrevistas com os reitores da USP, João Grandino Rodas, e da Unicamp, Fernando Costa,que compõem o Cruesp com Durigan, mas não obteve resposta. A assessoria de imprensa da USP não confirmou as informações passadas por Durigan. A Unicamp, em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, resumiu-se a dizer que uma comissão criada pelo Cruesp discute uma proposta preliminar sobre inclusão social. Segundo o reitor da Unesp, o projeto de inclusão se baseará em dois pilares:qualidade, por meio de reforço no aprendizado, e permanência,com bolsas em torno de um salário mínimo para os alunos. O reforço poderia ser dado de duas formas. Uma delas é um curso preparatório anterior à entrada na universidade, de um ou dois anos, para o aperfeiçoamento em matérias que já são dadas no Ensino Médio, mas que já valeria como um curso de nível superior— como um “college”, no modelo americano. A outra é dar um reforço após a entrada na universidade. Quarenta por cento dos selecionados pelas cotas farão o curso anterior e 60% vão para a universidade diretamente após o vestibular, com a possibilidade de reforço paralelo, nas disciplinas em que o vestibulando tiver tirado nota baixa.