28/02/2011 / Em: Clipping

 


Nova forma de ingresso e educação na universidade  (O Estado de S.Paulo – Espaço Aberto – 28/02/11)

Baseado no mérito e no esforco pessoal, vestibular em e teve um papel importante na seleçao dos alunos a universidade pública. .A tualmente, porém, não ha dúvida de que esse modelo padece de problemas sérios. Grande número de estudantes, principalmente aqueles oriundos das escolas publicas, potencialmente aptos para o curso superior em boas universidades, sao excluídos de uma competição equitativa, ou nem mesmo se candidatam, porque os mecanismos de preparação para esses exames competitivos sao claramente determinados pelas condições sócio economicas. Neste ano, paralelamente ao vestibular tradicional, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) dá início a uma nova forma de selecionar alunos que hoje sao excluídos ou tem chance reduzida no sistema tradicional de seleção, sem abdicar do mérito acadêmico: o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS), que, sem prejuízo da forma tradicional de seleção de alunos da Unicamp –que e o vestibular –, cria 120 novas vagas, destinadas exclusivamente aos alunos que mais se destacaram na sua formação escolar nas escolas públicas de Campinas. Nessa primeira experiência, o critério utilizado foi a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No futuro, outras formas de avaliar a formação continuada do estudante poderão ser adotadas. Por exemplo, a nota obtida ao longo dos três anos do ensino médio, que vários dados apontam como talvez o melhor fator preditivo do desempenho do estudante na universidade. É importante ressaltar que somente o primeiro ou os dois primeiros alunos de cada escola sao classificados, assegurando que todas as escolas públicas de Campinas sejam representadas. Trata-se de um programa-piloto e, conforme os resultados que apresentar, o número de vagas do ProFIS poderá ser ampliado nos próximos anos. Dados recentes indicam que mais da  metade das escolas públicas de ensino médio da cidade não tem nenhum de seus alunos entre os matriculados na Unicamp. Além de testar uma nova forma de ingresso na universidade pública de qualidade, o Profis visa a oferecer aos estudantes uma visão geral do conhecimento universitário, antes de eles se decidirem por uma carreira específica. Assim, o programa prevê que, durante dois anos, os estudantes cursarão disciplinas de caráter amplo, em todas as áreas do conhecimento: cursos especialmente organizados para que, além da formação cultural e científica se preparem para escolher a sua área específica de formação acadêmica e profissional. Após esses dois anos iniciais, eles escolherão um dos cursos já existentes na Unicamp, e o preenchimento das vagas será realizado com base no seu desempenho nas disciplinas obrigatórias que compõem o programa. Não se trata, portanto, de uma mera proposta de aumento de vagas, tampouco de uma forma de reduzir a competitividade, mas sim de criar um novo modelo de seleção para alunos de graduação e de experimentar uma nova resposta a um dos principais desafios apresentados a universidade contemporânea: formar jovens dotados de cultura ampla e espírito científico, capazes de realizar julgamentos críticos e independentes e preparados para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho. A formação geral na universidade e um tópico cada vez mais reconhecido em todo o mundo e também no Brasil como extremamente importante em nosso tempo, em que as principais riquezas dos países são a extensão do conhecimento e a capacidade de inovação tecnológica. Oferecer formação geral no nivel universitário, não é uma necessidade decorrente apenas das alterações no perfil das escolas de ensino médio, mas também do fato de que o conteúdo crescente das diversas áreas do conhecimento não pode ser acomodado dentro de um programa tradicional de graduação profissionalizante de quatro ou cinco anos. Da forma como se estrutura o ensino superior hoje em nosso país, a escolha definitiva do curso e feita, muitas vezes, sem uma visão mais ampla dos vários campos do conhecimento e até mesmo daquele selecionado. O resultado é que os formandos das universidades terminam por se verem imersos no competitivo mercado de trabalho com 21 ou 22 anos, sem possibilidade de ampliar seus conhecimentos para além de disciplinas técnicas de seu curso. Nao surpreende, portanto, que muitos utilizem os conhecimentos adquiridos na universidade para exercer uma profissão outra, diferente da sua área de formação técnica: vários dados disponíveis mostram que aproximadamente metade dos profissionais regulamentados não atua em sua área de formação. Ou seja, a exigência de uma precoce definição profissional produz um efeito curioso: a universidade termina por ser, sobesse ponto de vista, uma maneira pouco eficiente de oferecer formação não especializada para  mais de metade dos egressos. É certo que a resolução dos problemas do ensino superior no País depende da implantação de eficientes políticas públicas, que devem incluir, além do incremento na qualidade do ensino médio, a expansão e a diversificação do ensino superior público. Tambem é certo, no entanto, que cabe à universidade apresentar soluções conceituais para o enfrentamento das graves questões da educação pública no Brasil. Esse é o escopo do ProFIS. Por meio dele, a Unicamp, sem abrir mão do critério de mérito acadêmico, acaba de criar um curso inovador, que explora novos métodos de acesso à universidade e busca proporcionar a formação geral e qualificada indispensável para a atuação de profissionais capazes de raciocínio independente e crítico, dotados de responsabilidade técnica, ética e social e com conhecimentos adequados para contribuir para o progresso da sociedade brasileira neste século.



Calouros visitam asilo de idosos no trote da Unicamp (UOL – Vestibular – 25/02/11)

Pelo menos 230 calouros da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) participaram, nesta sexta (25), do último dia do Trote da Cidadania Para o Consumo Consciente, que além de palestras sobre voluntariado teve visita a cinco entidades beneficentes. Divididos em grupos, a novidade deste ano ficou por conta da visita a um asilo de idosos, o Lar Evangélico Alice de Oliveira, no bairro São Bernardo. Cerca de 50 alunos conversaram com as 19 senhoras da casa, tocaram violão, cantaram e até promoveram um bingo. As outras quatro instituições que os demais grupos conheceram eram voltadas pares a crianças, assim como nos anos anteriores. Dos 39 cursos, 37 participam das atividades solidárias do trote da cidadania, que está no oitavo ano consecutivo. Em 2011, as atividades começaram na terça-feira e cada dia era dividido para contemplar determinados cursos.  A estimativa é que mil novos estudantes tenham participado durante os quatro dias do evento. Nenhum dos novatos é obrigado a participar, de acordo com uma das coordenadoras do trote Amanda Osteno Lino, 21 anos, estudante de Química. Os organizadores apenas passam nas salas e convidam os calouros. No entanto, a exceção foi para quem preferiu assistir aula ou voltar para casa. “Que quintal florido”, disse Ester Morelli Ricardo, 84, ao se deparar com uma grande roda formada pelos estudantes que estavam sentados no chão enquanto um dos colegas tocava violão. Dona Ester pediu música e cantou junto.