28/07/2015 / Em: Clipping

 

Reserva de vagas promove a inclusão no ensino superior   (Ministério da Educação –  27/07/15)

Às vésperas de completar três anos, a Lei de Cotas (12.711), de 29 de agosto de 2012, garante a reserva de vagas em todas as universidades e institutos federais do país para estudantes que cursaram ensino médio em escolas públicas. Já neste segundo processo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2015, as instituições destinaram pelo menos 37,5% de suas vagas para as cotas, e a previsão é de que esse percentual suba para 50% até 2016. Esses foram alguns dos números discutidos na reunião de acompanhamento da Lei de Cotas, realizada nesta segunda-feira, 27, no Ministério da Educação, pela Comissão consultiva da sociedade civil sobre a política de reserva de vagas nas instituições federais de educação superior, criada para contribuir com a implementação da Lei 12.1711 e elaborar propostas de ações que promovam a concretização das reservas. Apenas um ano após a entrada em vigor da lei, 32% das vagas já foram ocupadas por cotistas nas universidades federais, número ainda maior nos institutos de ciência e tecnologia, que reservaram 44,2% das vagas a estudantes oriundos da rede pública. “Nosso papel histórico, desde que virou o século, é fazer com que a história do Brasil não coincida mais pela opressão, e sim pela liberdade. É fazer que possamos ter orgulho de nosso país sem limitações”, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, presente ao evento. Segundo Jesualdo Pereira Farias, titular da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, os dados demonstram que nos últimos 13 anos o país saiu de um quadro de extrema exclusão no ensino superior. 


Juarez Tadeu de Paula Xavier, 55

‘É uma cicatriz que incomoda’, diz docente alvo de racismo na Unesp (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 27/07/15)

Professor do curso de jornalismo da Unesp de Bauru (a 329 km de SP) e militante do movimento negro, Juarez Tadeu de Paula Xavier, 55, foi um dos alvos das ofensas racistas escritas num banheiro masculino da universidade. As inscrições diziam: “Unesp cheia de macacos fedidos”, “Juarez macaco” e “Negras fedem”. A instituição investiga a ação e lançará campanha em sua rádio contra a discriminação racial.  Sou militante do movimento negro, por isso não me coloco como vítima. Nos espaços políticos, sempre enfrentei a questão racial, mas é a primeira vez que vejo “Juarez macaco” escrito na parede.  Duas coisas me marcaram nesse episódio: a reação da minha filha e de uma faxineira da Unesp, uma mulher negra que teve de limpar as pichações. É triste ver uma senhora numa condição subalterna limpando uma ofensa feita a ela num banheiro. Ela ficou revoltada, com os olhos marejados. Isso me tocou mais do que as ofensas, porque não é uma questão pessoal. Não é o Juarez. Tenho uma filha de 16 anos que ficou sabendo do caso pelas redes sociais. O nome dela é Bolají [pronuncia-se “Boladi”], porque ela é iniciada numa tradição africana, iorubá. Seu nome significa “aquela que nasceu com honra”.  Não gostaria que ela tivesse entrado em contato com isso pelas redes sociais, mas ela está de férias em São Paulo. Ela fez uma postagem com uma certa revolta, achando um absurdo. Você reage, mas é uma cicatriz que fica ali coçando, que incomoda. No comentário dela percebi isso. Ela é uma menina muito corajosa.