28/09/2012 / Em: Clipping

 


Obra literária exigida pela Fuvest e Unicamp está em cartaz em teatro de São Paulo  (O Estado de S.Paulo – Educação – 27/09/12)

 Os candidatos de dois dos principais vestibulares de São Paulo, Fuvest e Unicamp, têm agora uma oportunidade a mais para revisar o conteúdo de literatura. Isso porque a obra Til, de José de Alencar, está em cartaz até novembro no teatro Bibi Ferreira. O texto, escrito em 1872, é um romance regionalista. De acordo com Carmen Sanches, responsável pela adaptação, a montagem da peça está bastante fiel ao livro. “Tivemos o cuidado de manter não só todas as informações do texto original, mas também a linguagem adotada na obra”, diz. Ainda assim, Carmen afirma que a peça é de mais fácil assimilação.



Médicos com o selo “60% de acertos”  (Folha de S.Paulo – Opinião – 28/09/12)

Seis anos depois de ingressarmos em uma das melhores faculdades de medicina do Estado, recebemos em julho deste ano a notícia de que um decreto do Cremesp, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, nos obrigaria a realizar um exame para podermos atuar como médicos. Vários especialistas defendem a prova. Ignoram, porém, os buracos de um teste nesses moldes. Como uma prova de múltipla escolha pode avaliar seis anos de contato vivo com a educação médica, com laboratórios de anatomia, visitas domiciliares a pacientes em bairros periféricos, plantões de 24 horas em prontos-socorros e consultas em ambulatórios especializados? Não há nada em uma prova assim que lembre a diversidade dos cenários de prática que vivemos diariamente durante o curso de medicina. No afã pela cura das deficiências na educação médica no Brasil, pela redução do número de erros médicos e dos males causados pela abertura de novas escolas, surge a panaceia do exame do Cremesp. Nós acreditamos que o nosso curso precise, sim, de avaliação externa, mas não por prescrição goela abaixo, com a fórmula amarga de um exame de habilitação ranqueador e punitivo. Vão dizer que os estudantes são sempre do contra. Ou que não gostamos de provas, que somos medrosos. Temos medo é de formas minimalistas e precipitadas de enxergar os problemas. A medicina é um curso eminentemente relacional, que mistura teoria e prática, multidimensional. Trata-se de uma carreira que nos impele à educação permanente e ao trabalho em equipe. Vamos acreditar que a sociedade terá as suas necessidades atendidas por médicos com um selo “60% de acertos”, tornando alunos reféns de exame? Em vez da pretensão de avaliar a formação de um estudante de medicina em um único plano, monocromático, seria mais plausível avaliar currículos, campos de prática, estrutura universitária e corpo docente. A prova só garantirá que os reprovados serão taxados pelos problemas causados por um processo de seis anos de déficits. Não somos críticos do exame por medo de não alcançarmos a nota mínima desejada, mas por contestarmos a falsa sensação de que ele cria segurança. A população terá as suas necessidades atendidas de melhor forma com um esforço de avaliação mais amplo, continuado e com várias dimensões. É preciso também garantir infraestruturas material e humana adequadas às escolas. Depois de seis anos de longos estudos, especialistas que sequer discutem nossos currículos nos obrigarão a fazer uma prova. Se as múltiplas escolhas da prova se tornaram a única escolha, não há como os alunos não se manifestarem contra.

FABRICIO DONIZETE DA COSTA, 24, e HENRIQUE SATER DE ANDRADE, 23, são estudantes do último ano do curso de medicina da Unicamp

‘Ação afirmativa melhora universidades’ (Folha de S.Paulo – Ciência+Saúde – 28/09/12)

Uma instituição pioneira em adotar políticas de ação afirmativa nos EUA está interessada no Brasil. Mary Sue Coleman, reitora da Universidade de Michigan, veio ao país nesta semana para discutir acordos de colaboração internacional. A bioquímica de 68 anos está visitando instituições brasileiras como a USP, a Unicamp e a UFRJ. À frente de uma universidade que tentou implementar um sistema de vestibular para favorecer negros, latinos e indígenas, a cientista se declara “fervorosa” defensora das políticas de inclusão. Ela falou à Folha por telefone antes de vir ao país.

Folha – A sra. vem ao Brasil para discutir acordos de colaboração. Qual a importância de uma reitora se envolver nesse tipo de iniciativa?

Mary Sue Coleman
– Acreditamos que o engajamento global é um pilar da excelência. O conhecimento não tem fronteiras, e pessoas têm boas ideias em qualquer lugar do mundo. O que eu descobri ao longo do tempo é que, quando acompanho uma delegação -estive na África, na China e agora vou ao Brasil-, isso estimula todos os tipos de interesse no campus.

Que áreas de pesquisa a sra. considera interessantes para a colaboração com o Brasil?

Há várias. Já temos em andamento alguns trabalhos muito bons na área médica, interagindo com a Faculdade de Medicina da USP. Há trabalhos sobre câncer adrenal e tecnologias de reprodução e fertilização in vitro.
Estamos muito interessados também no programa brasileiro de banco de leite materno, que é avançado. Estamos começando a fazer isso aqui, e estou empolgada para aprender com aquilo que funcionou no Brasil.

A Universidade de Michigan está recebendo estudantes brasileiros do programa Ciência Sem Fronteiras. O programa traz alguma contrapartida interessante para vocês?

Acabamos de assinar um acordo bilateral para ampliar a participação no Ciência Sem Fronteiras. Acredito que é um investimento muito ousado e interessante por parte do governo e realmente admiro o que o Brasil está fazendo com relação a isso. Cerca de 25% dos nossos estudantes têm experiência internacional quando estão na graduação, e o que queremos fazer é elevar isso para 50%. Temos muitos estudantes interessados em obter essa experiência, sobretudo nas partes do mundo nas quais a economia está se desenvolvendo muito rápido, como o Brasil.

A sra. é reconhecida defensora das políticas de ação afirmativa, que estão sendo implantadas só agora no Brasil. Como isso vem funcionando em Michigan?

A Universidade de Michigan sempre esteve na linha de frente dessa batalha, e acreditamos fervorosamente nos benefícios da ação afirmativa. Pesquisas nessa área mostram que uma sala de aula diversificada -com pessoas vindas de diferentes contextos, classes sociais e etnias- é um ambiente educacional melhor. Além de os estudantes saírem preparados para trabalhar numa sociedade multicultural, é possível abrir a universidade para quem não tem acesso a ela. No entanto, o Estado de Michigan, infelizmente, passou uma emenda constitucional proibindo ações afirmativas. Não posso mais adotá-las aqui, mas outras universidades nos EUA podem. Mesmo assim, temos grandes programas de extensão e preparação para encorajar estudantes sub-representados, oriundos de diferentes contextos raciais, a virem para a universidade. Estou fascinada pelo debate em andamento no Brasil.



Desafios da Engenharia  (Super Vestibular – Meu Artigo – Set/2012)

O aumento de obras e demanda de engenheiros no momento em que o Brasil se encontra é muito grande, mas existe uma dúvida, será que os futuros profissionais da carreira estão tendo uma formação de qualidade e que consegue atender a demanda? Segundo a matéria publicada por Agnaldo Brito, colunista da Folha de SP, datada em 21 de junho de 2012, o diagnóstico da realidade nos 1.374 cursos no país mostra que a evasão nos cursos de engenharia é de 80%, dos 150 mil que ingressam no primeiro ano, 30 mil se formam. Apenas um em cada quatro possui formação adequada. Os perfis buscados pelos empregadores são os de um engenheiro que saiba aliar sua bagagem técnica aprendida na universidade com noções administrativas. As empresas sentem carência na formação do profissional de engenharia civil, essas vão desde a prática da profissão, passando pelo marketing e o relacionamento com o cliente, que são características que influenciam diretamente no desenvolvimento do trabalho. Os alunos não saem da universidade com essa parte humana do trabalho, principalmente pela falta de organização e atualização da grade curricular dos cursos.