28/11/2014 / Em: Clipping

 


Escola tem de mudar para reduzir desigualdades sociais, indica Unesco   (IG – Educação – 27/11/14)

“Se a escola não mudar, vamos colaborar para o aumento das desigualdades sociais”, afirmou Francesc Pedró, chefe da Divisão de Políticas Educacionais da Unesco, durante a apresentação do estudo “Tecnologias para a Transformação da Educação” em São Paulo na última terça-feira (25). O estudo, que reúne estratégias para o uso da tecnologia, aponta a qualidade da educação com equidade como o desafio dos países da América Latina para os próximos anos. “Nos últimos 15 anos, tentamos garantir o acesso à educação. Agora precisamos pensar em como garantir o acesso com qualidade e equidade, para que a educação possa precisamente ajudar os estudantes a superar barreiras sociais”, afirma Pedró. “Vemos a tecnologia como uma janela de oportunidade.” Entre os 65 países avaliados no último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os estudantes de países da América Latina apareceram nas últimas posições. O Brasil ficou em 55° lugar no ranking de leitura, 58° no de matemática e 59° no de ciências. O Pisa mostrou ainda que 15,7% da variação de de performance entre estudantes brasileiros se deve a diferenças socioeconômicas.



Formação médica não pode tolerar abusos   (Folha de S.Paulo – Opinião – 28/11/14)

Antes de me tornar gestor público tive a honra de estudar e trabalhar na FMUSP (Faculdade de Medicina da USP). Nela aprendi o que é buscar a excelência e a obstinação de estar atualizado com o que de melhor se produz no mundo. Lá vivi o respeito ao paciente e o desejo de sempre lutar para oferecer a melhor qualidade de atendimento.  É inaceitável que as dependências dessa instituição possam abrigar episódios de abuso, incluindo denúncias de estupro, de incitação ao ódio e de desrespeito às pessoas. Confio na direção, no corpo docente e nos estudantes da FMUSP para que haja apuração e punição dos fatos corajosamente denunciados por futuros médicos e médicas.  Essa é a única atitude aceitável para reparar o direito de quem foi vítima desses absurdos, para promover o necessário resgate da imagem da instituição e para superar, de uma vez por todas, algumas das equivocadas tradições dentro de instituições formadoras da medicina.  Não é fácil ser médico. Exige desprendimento familiar, dedicação extra aos estudos e lidar com condições de trabalho nem sempre dignas. Aos 17 anos, quando iniciei o curso de medicina na Unicamp, um veterano me perguntou: “Tá pronto para entrar no Vietnã?”.



No “trote” violento da Medicina, lições de Freud e Foucault   (Carta Capital – Outras Palavras – 19/11/14)

Após uma onda de ódio e preconceito, ligado às eleições, nos deparamos com denúncias aterrorizantes, que seguem a linha da intolerância e demarcam o que sempre existiu – e que foi mantido no silêncio por anos, como algo inexistente. Na última terça-feira, 11/11, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realizou uma audiência sobre as denúncias feitas contra os universitários da Faculdade de Medicina da USP. Rompido o lacre da impunidade, tornaram-se públicos segredos sórdidos: assédios, estupros, preconceito e humilhação são as marcas principais. A universidade, que sempre soube das acusações, não se deu o trabalho de investigá-las, justificando a importância de “não manchar a imagem da instituição”¹. Diante disso, questiona-se: de que maneira esses alunos, que passaram por uma educação de qualidade e são tidos como a elite intelectual brasileira, chegaram a esse nível? Ou, então: de que modo ocorrerá o encontro do futuro médico com seu paciente, se o outro é visto como objeto de gozo?