29/11/2010 / Em: Clipping

 


Questões a resolver na educação (Gazeta Online – Editorial – 28/11/2010)

O governo Dilma Rousseff terá pela frente desafios gigantescos em relação à educação. Nesta área, o Brasil consolidou avanços importantes nas últimas décadas, como a inclusão de mais de 90% das crianças e jovens nas escolas. Porém, ainda há muitas questões graves a serem resolvidas.

As dificuldades se apresentam desde o início do processo estudantil. De cada quatro alunos que ingressam no ensino fundamental, um deve patinar logo na primeira série. Nesta faixa, a taxa de reprovação, consequentemente de repetência, no Brasil é de 24,5%, uma das mais altas da América Latina e Caribe. É o que aponta pesquisa feita pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).



Cartografia negra (Correio do Povo – Opinião – 27/11/2010)

Juremir Machado da Silva

Fazer livros, num país onde se lê pouco, parece, às vezes, inútil. Felizmente existem abnegados que não desistem. A Secretaria da Justiça e Desenvolvimento Social do Estado, brilhantemente conduzida por meu amigo Fernando Schuler, lançou, durante a Semana da Consciência Negra, uma caixa com um material extraordinário: revista, pôsteres, DVDs e um livro, a segunda edição ampliada de “RS Negro – Cartografias Sobre a Produção do Conhecimento” (Edipucrs e governo do Estado), organizado por Gilberto Ferreira da Silva, José Antônio dos Santos e pelo nosso saudoso Luiz Carlos Cunha Carneiro, o Caio.

Saúde e cotas, duas visões de mundo (1) (Correio do Povo – Opinião – 21/11/2010)

1) Em primeiro lugar, a prevalência mediante cotas é vedada na Carta Magna brasileira (Constituição)…que tem em suas cláusulas pétreas, claro, explícito e insofismável preceito contra discriminação étnica e racial. Eu sei que leis
podem mudar….mas o fato é que a lei atual, lei essa que fundamenta o âmago do Estado brasileiro, é contrária a quaisquer tipos de discriminação..e enquanto uma lei estiver vigendo, ela deve ser cumprida;

2) Em entrevista do prof. da UFRGS, André Marenco, concedida à TV Câmara, fiquei abismado com a profusão de incongruências abissais e inconsistências oceânicas de um mestre universitário. Dizia ele que quando um candidarto preenche o formulário de inscrição no vestibular, cabe ao próprio candidato declarar sua etnia. Portanto, é uma auto-declaração, onde se pode livre e inverificavelmente marcar a opção que se deseja. Não há banca ou comitê que avalie a veracidade da informação prestada pelo vestibulando. Paralelamente ele disse que não há modo científico de se demonstrar que uma pessoa é ou não é de determinada raça. Simplesmente isso não pode ser feito do ponto de vista técnico.



Educação precária (Folha de S. Paulo – Editoriais – 28/11/2010)

Tem se tornado cada vez mais grave o problema da falta de professores em escolas da rede estadual paulista. É possível encontrar em São Paulo alunos que chegam a ficar até seis meses sem aulas de várias disciplinas.
São múltiplas as causas da escassez de docentes. Há desinteresse pela profissão, que perdeu prestígio social e oferece condições inadequadas de trabalho e baixos rendimentos. Apesar do crescimento recente no total de formandos em licenciaturas, persiste no Brasil um deficit de cerca de 100 mil docentes nas áreas de matemática e ciências.
A isso se soma um problema gerencial, de responsabilidade dos sucessivos governos estaduais. É crescente a dependência da rede de ensino paulista de professores temporários. Não sendo funcionários concursados do Estado, eles atendem às necessidades da Secretaria da Educação em escolas onde faltam docentes. Apesar da precariedade inerente à função, e da falta de vínculo com colégios e estudantes, esse contingente já representa 46% dos professores.