29/11/2012 / Em: Clipping

 


Apenas 35,8% dos jovens pretos ou pardos estão no ensino superior   (Globo.Com – G1 Vestibular – 29/11/12)

O índice de jovens pretos e pardos de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior aumentou em dez anos, passando de 10,2% em 2001 para 35,8% em 2011, mas a maioria ainda está fora da escolaridade ideal, no ensino médio (45,2%) ou no fundamental (11,8%). Este índice de 35,8% ainda é uma proporção baixa se comparada à dos estudantes jovens brancos, que subiu de 39,6% em 2001 para 65,7% em 2011. Os dados integram o estudo “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2012”, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado nesta quarta-feira (28). A base de dados do estudo foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente a 2011.



Os vestibulares e a nomenclatura (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 29/11/12)

Pasquale Cipro Neto
Acaba de ser realizada a primeira fase da Fuvest 2013. A banca incluiu algumas questões que, mais uma vez, trazem à luz uma velha discussão: deve-se ou não se deve ensinar gramática na escola? Deve-se ou não se deve abordar a nomenclatura técnica, específica, quando o assunto é a língua materna? Posto isso, vamos ver uma das questões da última prova da Fuvest, realizada domingo passado. O texto de apoio é um excerto (“O Samba”) de “Til”, obra de José de Alencar, publicada em 1872: “À direita do terreiro, adumbra-se (delineia-se, esboça-se) na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (…) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que, não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco”. Vamos ao enunciado de uma das questões: “Na composição do texto, foram usados, reiteradamente: I. sujeitos pospostos; II. Termos que intensificam a ideia de movimento; III. verbos no presente histórico”. Em seguida, a banca pede ao candidato que aponte o que é correto em relação a essas afirmações. E então, caro leitor? A julgar por essa e por outras (inúmeras) questões da Fuvest, da Unesp, da Unicamp e de muitas instituições, não erra o professor que aborda (com equilíbrio) a nomenclatura específica nas aulas de língua materna. Passemos para a resolução da questão. O que é o sujeito posposto? Se “posposto” significa “posto depois”, o sujeito posposto é aquele que vem depois do verbo, o que se vê em “adumbra-se na escuridão um maciço de construções” (o sujeito é “um maciço de construções”), em “dançam os pretos o samba” (“os pretos”), em “É aí o quartel ou quadrado da fazenda” (“o quartel ou quadrado da fazenda”), em “tem um grande pátio cercado de senzalas” (“um grande pátio cercado de senzalas”) e em “Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio” (“esse desesperado saracoteio”). A ideia de movimento é de fato intensificada por termos ou expressões como “trêmulos”, “frenesi”, “saracoteio”, “estremece”, “pula”, “sacode”, “gira”, “bamboleia” etc. Por fim, vale lembrar que o presente histórico é o presente que se emprega com valor de pretérito, o que se vê em todos os verbos que se referem aos protagonistas (os que dançam o samba). Como se vê, as três afirmações são corretas. Particularmente, prefiro outro tipo de abordagem. No caso do tempo verbal predominante, por exemplo, gosto mais da ideia de perguntar aos candidatos que efeito provoca o emprego do presente histórico (atualizar ou tornar mais vivos os fatos relatados, como se ocorressem diante do leitor, num palco armado à sua frente). A Fuvest sabe fazer bem esse tipo de questão, já visto em provas anteriores dessa instituição. É isso.

Acesso de negro à faculdade cresce, mas é inferior ao de branco em 2001  (Folha de S.Paulo – Cotidiano – 29/11/12)

Dez anos não foram suficientes para anular o abismo que separa brancos de pretos e pardos no ensino superior. O índice de pessoas de 18 a 24 anos pretas e pardas (classificação usada pelo IBGE) com acesso à universidade subiu de 10,2% para 35,8% em 2011. Esse percentual, porém, é inferior ao de brancos matriculados em cursos superiores em 2001 (39,6%). A proporção de jovens brancos na faculdade aumentou para 65,7% em 2011. “O número de pretos e pardos mais que triplicou. Foi um salto bastante significativo, embora a desigualdade de cor persista”, diz Ana Lúcia Sabóia, gerente do IBGE. No total, a proporção de jovens de 18 a 24 anos na faculdade foi de 27% para 51,3%. O IBGE também constatou queda na defasagem escolar entre jovens de 15 a 17 anos (ensino médio): 51,8% estão na série certa para a sua idade, ante 37,3% em 2001. Cresceu o acesso à creche e à pré-escola, chegando a 20,8% das crianças de 0 a 3 anos e 77,4% das de 4 a 5 anos em 2011, respectivamente -eram 10,6% e 55% em 2001.