30/06/2017 / Em: Clipping

 

Mudanças no ENEM: o que muda? (Veja – Educação – 30/06/2017)

Se for bem implementada, a separação dos exames do Ensino Médio em Enem, Saeb e Encejja pode abrir espaço para importantes mudanças no futuro.

O Ministério da Educação acaba de anunciar “aprimoramentos” nos exames do Ensino Médio, como o conhecido ENEM; o SAEB, nome fantasia da Prova Brasil; e o ENCCEJA, o exame supletivo. O assunto interessa a alunos (e responsáveis por alunos) de escolas públicas e privadas, mas, se for bem conduzido, pode interessar a todo o país. O exame supletivo voltará a ser realizado de forma separada, e, possivelmente, o nível de exigência será menor. Ele se aplica sobretudo às pessoas que queiram terminar o Ensino Médio e que tenham menor probabilidade de ingressar ou concluir cursos superiores, especialmente de primeira linha. Isso pode afetar positivamente alunos de escolas públicas e privadas, especialmente os que não tiveram boas oportunidades no passado. A outra mudança refere-se à Prova Brasil, que, a partir de agora, será aplicada a todos os alunos das escolas públicas de Ensino Médio, sendo, possivelmente, já alinhada com a Base Nacional Curricular Comum. Isso permitirá fazer estudos mais precisos sobre a evolução da qualidade das escolas. No ENEM nada muda, exceto que ele deixa de valer como exame de validação do curso médio. Se for bem realizada, a implementação dessas ideias abre espaço para importantes mudanças no futuro. Uma delas é separar a aferição da qualidade do Ensino Médio – que deve assegurar competências básicas para todos – da seleção do vestibular, que precisa ser muito mais rigorosa. Além disso, abre espaço para diversificar o ENEM. Aí está uma oportunidade – resta saber se será bem aproveitada.

 


 

Coletivo cobra representatividade negra na universidade e pede cota racial na UEM (Paraná Portal – Cidades – 29/06/2017)

O Coletivo Yalodê-Badá (da juventude negra de Maringá) e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (Neiab/UEM) desenvolveram uma petição online para a criação de cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá. O assunto é considerado uma espécie de tabu na instituição de ensino e já foi discutido em outras oportunidades, em 2001, 2002 e 2008. Segundo a UEM, dos 15.798 inscritos no Vestibular de Verão 2016, 470 eram negros – 246 eram cotistas e 224 não cotistas. Foram aprovados três cotistas e 12 não cotistas. No documento que embasa o abaixo-assinado, o coletivo reforça a ideia do racismo estrutural na sociedade. “A importância da representatividade negra nos espaços de disputa social e política é urgente, para, além de outras questões, desmitificar a ideia que há uma Europa no sul do Brasil”, diz o texto. “Mesmo sendo a maioria no Brasil, a população negra é muito pequena na academia. E por quê? Porque o racismo institucional impede a mobilidade social e o acesso da população negra a esses espaços”, afirma o documento. A universidade faz reserva de 15% das vagas – no Vestibular de Inverno 2017, que será realizado de 16 a 18 de julho, são ofertadas 1.492 em 69 cursos de graduação – para o Programa de Avaliação Seriado (PAS) mais 20% são para cotas sociais, em que o candidato precisa ter cursado todas as séries dos ensinos fundamental e médio em escola da rede pública e seja proveniente de grupo familiar cuja renda bruta mensal per capita não exceda 1,5 salário mínimo. Um censo de 2011 apontou que dos cerca de 14 mil alunos da universidade na época, 205 eram negros. Segundo Paulo Vitor Palma Navasconi, integrante do Coletivo Yalodê-Badá e do Neiab, desde a última segunda-feira, quando a petição foi colocada na internet, foram conseguidas mil assinaturas. A intenção é chegar a 5 mil. “Ano passado, a reitoria nos informou que uma discussão sobre cota racial seria possível com a entrega de um abaixo-assinado”, disse. A UEM informou que “todas as demandas da comunidade em geral são consideradas importantes e legítimas pela atual gestão e havendo amparo legal são encaminhadas para as instâncias competentes e que as políticas institucionais são deliberadas nos conselhos superiores”.

 


Estudantes pedem adoção de cotas na Fuvest (Guia do Estudante – Universidades – 29/06/2017)

Atualmente, a USP adota o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, como alternativa de entrada ao vestibular tradicional

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) favoráveis à adoção do sistema de cotas fizeram nesta quarta-feira (28) um ato em frente à Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) para pressionar a direção da universidade a votar a proposta feita pelo Núcleo de Consciência Negra da USP e protocolada no Conselho de Graduação da USP (CoG) no último dia 18 de maio e que pede a reserva de vagas para estudantes de escolas públicas. A proposta pede a garantia de reserva de 50% das vagas para alunos do ensino médio pública, dos quais 16,25% para candidatos do ensino médio público independentemente de etnia e renda; 16,25% para candidatos do ensino médio público independentemente de etnia, mas com renda familiar per capita inferior a um salário mínimo e meio; 17,5% para candidatos pretos, pardos e indígenas que tenham estudado em escolas públicas. Atualmente, a USP adota o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, como alternativa de entrada ao vestibular tradicional. Segundo os ativistas, o Sisu permite que, em alguns cursos, haja reserva de vagas para alunos de escolas públicas, negros e indígenas. Mas a seleção abrange no máximo 30% das vagas oferecidas e não assegura que todos os cursos tenham vagas reservadas. “Algumas unidades destinaram só 20% ou 15% das vagas para o Sisu. Outras unidades só abriram vagas para o Sisu em ampla concorrência, como a Escola Politécnica, onde, por consequência, o percentual de ingressantes de escola pública caiu de 22% para 13%, de 2016 para 2017”, disse Thatiane Lima Gomes, da Gestão no Núcleo de Consciência Negra da USP. No último dia 30 de maio, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou a implementação de cotas sociais e raciais para o ingresso na universidade, deixando a USP como a única estadual paulista a não adotar cotas no seu principal vestibular, a Fuvest. “Todo ano, no primeiro semestre, é momento de mobilização por cotas e, neste ano, inspirados pela Unicamp, atualizamos o projeto e protocolamos. Em 2015 também protocolamos, mas ele não entrou em discussão naquele momento. A USP usa saídas alternativas que não resolvem a baixa quantidade de negros e de alunos de escola pública”, disse Thatiane. Segundo ela, é preciso lembrar que a USP é uma universidade pública e, por isso, é importante ampliar o acesso à população de baixa renda. “É sabido que a USP é uma universidade branca, elitista. É preciso dar representatividade à população que não está na universidade. Sabemos que 80% da população estuda em escola pública e na USP a maior parte é oriunda do ensino privado.”

 


Flexibilização do Ensino Médio: ainda há mais perguntas do que respostas (Nova Escola – Conteúdo – 29/06/2017)

Ainda sem caminhos definidos, estados realizam audiências públicas e estudos para entender a demanda e como superar o desafio dos itinerários formativos

Quatro meses após a aprovação da reforma do Ensino Médio, professores, escolas e até mesmo parte do poder público ainda têm muitas dúvidas sobre o novo modelo. Reunidas em São Paulo para o debate “Desafios Curriculares do Ensino Médio: implementação e flexibilização”, realizado pelo Instituto Unibanco, as secretarias estaduais de Educação mostraram o que têm feito sobre a reforma e os problemas que devem ser enfrentados para que ela aconteça de fato. No entanto, alguns pontos ainda são uma incógnita até mesmo para esses atores. Os estados já lançaram ações para avançar nessa discussão e planejar como se dará a reforma. Grupos de estudo e de trabalho foram formados para questões como desenhar uma proposta curricular flexível (uma das principais características do novo modelo), conhecer melhor o perfil socioeconômico de cada região de forma a compreender a oferta e demanda dos jovens e estabelecer parcerias de assistências técnicas com institutos e organizações privadas. Os planejamentos mudam de acordo com a realidade de cada estado, mas preveem organização de arranjos entre escolas, formação inicial e continuada do corpo docente e gestores, novas formas de contratação de professores, apoio técnico para revisão dos currículos e implementação do novo modelo. As discussões, porém, ficam limitadas pelas incertezas em alguns pontos. Confira os principais:

Estados perdidos com tantas possibilidades

A flexibilização abre muitos caminhos para os estudantes do Ensino Médio. Além dos cinco percursos propostos à escolha do aluno (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional), há a possibilidade de misturá-los, já que não é obrigatório que as escolas ofereçam todos. A opção de Formação Técnica e Profissional abre outra infinidade de alternativas e cada unidade – independente da rede – pode optar pelo formato que cabe melhor dentro de sua realidade. Como alinhar tudo isso com a expectativa dos jovens sobre essa etapa de ensino? “Não tenho nenhum problema em dizer que todos nós estamos um tanto perdidos, porque a cada momento se abre uma nova possibilidade para o desenvolvimento dessa proposta e temos sempre a dúvida do que virá”, diz Júlio Gregório, Secretário de Educação e membro do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). O Distrito Federal estabeleceu uma parceria com o Insper para analisar as possíveis formas de implementação de um modelo que corresponda às expectativas dos estudantes.

Ausência da Base do Ensino Médio impede aprofundamento das discussões

Júlio também aponta a dificuldade de trabalhar com uma base curricular indefinida, já que devido à reforma, o documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE) apenas com a Educação Infantil e do Ensino Fundamental. “Nós podemos fazer uma discussão e depois vir a Base e o CNE dizer: não é nada disso”, justifica. A preocupação também apareceu na fala de César Callegari, presidente da Comissão da BNCC no órgão, sob a perspectiva da progressão. “Já alertamos sobre o problema de termos uma base nacional com proposta fatiada. É um grande problema pensar progressão quando não conseguimos enxergar ainda como é o final”, comenta. De acordo com ele, as etapas deveriam ter sido pensadas integralmente. O ponto é rebatido pelo secretário de Educação Básica, Rossieli Soares. A progressão teria sido também um desafio nas duas primeiras versões da Base, que contemplavam o Ensino Médio, já que se trata de um documento complexo e de construção coletiva. “É possível, sim, fazer uma análise daquilo que o Fundamental precisa contemplar. Depois podemos discutir qualquer adaptação necessária com a BNCC do Médio”, defende Rossieli.

A realidade de cidades com apenas uma escola

O ideal é que todas as escolas brasileiras pudessem oferecer os cinco percursos previstos para que os alunos pudessem escolher, de fato, a área em que desejam se aprofundar no Ensino Médio. O Ministério da Educação recomenda que cada escola oferte pelo menos dois. Alguns estados já adiantam que a realidade de determinados municípios permitirá apenas um. Isso não seria um problema tão grande se houvesse escolas próximas ofertando outros itinerários e com infraestrutura para receber outros alunos interessados. No entanto, estados como Rio Grande do Norte e o Pará mostram que o desafio é maior do que se pode imaginar. Dos 144 municípios paraenses, 57 têm somente uma única escola de Ensino Médio e 30 deles têm duas. Dos 167 potiguares, 135 contam com apenas uma escola. “Como pensar em itinerários e não em itinerário com 135 municípios com essa situação? Isso já sinaliza a dificuldade imensa de pensar a logística e o pedagógico em uma proposta”, diz Cláudia Santa Rosa, da Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte. Além disso, o Pará, por exemplo, tem um território de grandes dimensões (o estado ocupa 14,65% do Brasil), com cerca de 18% das matrículas do Ensino Médio em zona rural e áreas de difícil acesso. Em locais como Santa Catarina, a possibilidade de municípios próximos permitirem integração entre as redes é parte do planejamento.

Discutir ao invés de ir de acordo com as características do município

Olhar para as características socioeconômicas do município não é suficiente para atender às perspectivas dos estudantes. O caso do Pará, trazido por Ana Claudia Serruya Hage, secretária de Educação do estado, é um exemplo concreto. Uma região do estado que tem na pesca uma de suas principais atividades, o governo investiu em uma escola profissionalizante que incluía diferentes cursos com esse foco. “Sabe quantos alunos se inscreveram? Um. Porque ninguém quer o futuro do seu pai. Eles não querem estudar pesca, eles querem fazer outra coisa”, expõe Ana Claudia. “Nós estamos numa tendência de discutir primeiro, não levar nada pronto para o município, trabalhando audiência pública, pesquisa, para conseguir entender e aí tentar nesse meio colocar a discussão do financiamento”, conta.

As escolhas não são só uma questão de democracia

A partir do ponto anterior, pode parecer que a solução para atender às expectativas dos alunos seja ouvi-los sobre isso e envolvê-los na decisão. Em parte, é verdade. No entanto, a estruturação dos itinerários passa por um outro impasse quando se trata dessa questão. “Hoje eles são alunos de determinada escola. Mas, no próximo ano ou daqui a dois anos, provavelmente já terão se formado. Como decidir para quem vem depois?”, questiona Cláudia Santa Rosa, da Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte. “É um debate que a gente precisa fazer para definir melhor o campo de participação dos estudantes, que é importantíssimo. Alterar a oferta de itinerários depois de um tempo precisa ser muito bem planejado, porque mexe com professor, com concursos, com convocação, com infraestrutura”, analisa.

 


 

Conheça as diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional (Via Carreira – Enem – 29/06/2017)

Descubra quais são as diferenças entre o Enem e os vestibulares tradicionais.

Você quer realizar o sonho de entrar na faculdade? Então saiba que o primeiro passo é conhecer as diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional. Somente entendendo o formato de cada prova é possível estudar corretamente e ter um bom desempenho. Quando chega o terceiro e último ano do ensino médio, a maioria dos estudantes entra em desespero. Eles querem ingressar no ensino superior a todo custo, por isso realizam não só o Enem, mas também os vestibulares de tantas outras universidades públicas e privadas.

Diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma avaliação que existe desde 1998. No entanto, em 2009, ele deixou de servir apenas para medir a qualidade da educação e passou a garantir o acesso ao ensino superior. Apesar do Enem permitir o acesso direto aos cursos de graduação, o vestibular não deixou de existir. Cada instituição de ensino superior, seja ela pública ou privada, tem liberdade para definir as formas de processo seletivo. Algumas utilizam apenas a nota do Enem para selecionar os seus alunos. Já outras adotam o exame apenas como uma fase da seleção. Com o passar dos anos, o Enem se tornou bem mais popular do que o vestibular. Até mesmo a Universidade de São Paulo (USP), que seleciona os seus alunos pela Fuvest, passou a reservar vagas exclusivas para o Enem. Hoje, mais de 140 instituições públicas de ensino superior utilizam o Enem como processo seletivo. Veja a seguir as principais diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional:

Entendendo o Enem

As diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional pesam no bolso.

Com a nota do Enem, o estudante disputa vagas em várias universidades. (Foto: Reprodução/Freepik)

O Enem é uma prova composta por 180 questões objetivas e uma redação. Sua aplicação ocorre em dois dias, para não deixar os candidatos tão cansados. A nota obtida no exame pode servir de porta de entrada para diversas universidades públicas, pois ela é usada como critério de seleção no Sisu. O desempenho no Enem também é levado em conta na distribuição de bolsas de estudo em universidades privadas por meio do Prouni. O conteúdo do Enem não costuma ser idêntico ao dos vestibulares tradicionais. O exame elaborado pelo INEP valoriza interpretação de texto, raciocínio lógico e interdisciplinaridade. Portanto, os alunos que apenas “decoram” os conceitos de cada disciplina não costumam ter um bom desempenho no Enem. O Enem não é corrigido da mesma forma do que os vestibulares tradicionais. O exame segue um método conhecido como Teoria de Resposta ao Item (TRI), que impede acertos por acaso (os famosos chutes).

Entendendo o vestibular tradicional

O vestibular tradicional é uma prova elaborada por cada universidade, podendo ser dividida em fases. Em geral, os alunos precisam se preparar para resolver questões objetivas e dissertativas. Prestar vestibulares tradicionais costuma sair muito mais caro, afinal, o estudante precisa pagar várias taxas de inscrição e, muitas vezes, se deslocar de uma cidade para outra para participar da prova.

O que é mais vantajoso?

Depois de conhecer as diferenças entre o Enem e o vestibular tradicional, o estudante precisa analisar os seus objetivos e suas condições financeiras para descobrir o que é mais vantajoso. Se ele deseja economizar e contar com maiores chances de ingressar no ensino superior, então o prestar o Enem é mais indicado. Por outro lado, se o estudante já tem em mente a universidade que deseja entrar, e essa instituição não usa o Enem, então o mais apropriado é prestar o vestibular. Vale lembrar, no entanto, que fazer a prova do Enem 2017 não garante o acesso à universidade. Em 2018, o candidato deve se inscrever nos programas educacionais do governo para concorrer uma das vagas.