1) Por que a Unicamp decidiu adotar o princípio das cotas étnico-raciais?

Após uma ampla discussão e mobilização, o Conselho Universitário aprovou a adoção de cotas étnico-raciais a partir do Vestibular de 2019 com o intuito de ter a representatividade da sociedade em seu interior. Outros programas de inclusão tinham ampliado a participação de estudantes de escola pública, mas não obtiveram o mesmo avanço em relação à população negra e indígena.

2) Quais outras ações afirmativas da Unicamp? Elas continuarão a existir?

Existe o PAAIS – Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social, desde 2004 e o ProFIS, desde 2011. Ambos os programas continuarão a existir. No caso do PAAIS, o Grupo de Trabalho (GT) Ingresso deve propor reformulações na política de bonificação.

3) A meta de 50% dos estudantes de escola pública continuará a existir? As cotas incidirão sobre elas ou será um número à parte?

O GT irá analisar as amplas possibilidades de fazer uma combinação de sistemas. Mas a Deliberação do Conselho Universitário (Consu) que acatou o princípio das cotas estabeleceu as metas de cumprir o princípio de ter os estudantes de escola pública, nesse universo, e também na ampla concorrência ter a implantação das cotas.

4) Além dos programas de inclusão (PAAIS, cotas e ProFIS), o que a Unicamp irá fazer para garantir a permanência dos estudantes?

A Unicamp já possui, através do Serviço de apoio ao Estudante (SAE), uma política de acompanhamento e de programas de bolsas para a permanência estudantil. Esses programas devem ser ampliados e integrados à nova realidade acadêmica a partir de 2019. Além das questões de permanência econômica, deve haver uma política sistemática de acompanhamento para o desenvolvimento da vida acadêmica de todos os estudantes, combatendo a repetência e a evasão, por exemplo.

5) Programas como cotas impactam a qualidade de ensino?

As experiências nas universidades que implantaram os sistemas parecidos indicam que não. Eventuais dificuldades de adaptação e de aprendizagem são comuns a todos os estudantes na passagem do ensino médio para o ensino superior. A Unicamp estará atenta e oferecerá uma série de programas que não comprometam o rendimento dos estudantes. A qualidade do ensino será ampliada se considerarmos que conviveremos num espaço mais plural, democrático e de respeito entre as diferentes pessoas.

6) Por que o mesmo GT-Acesso discutirá sobre a adoção do SiSU? O vestibular será substituído pelo ENEM?

A proposta é de remodelação para todas as formas de ingresso. Nesse sentido, a oferta de um percentual de vagas pelo SiSU é justificada pela abrangência nacional que o vestibular não alcança e pela oportunidade da Unicamp atrair os melhores candidatos onde quer que eles estejam.

O vestibular não será substituído, pois a Unicamp considera importante definir o perfil de estudantes que ela deseja e ter o próprio vestibular é uma forma de buscar esses candidatos.

7) Quais as principais mudanças que são esperadas para o PAAIS?

A primeira delas tem a ver com o desmembramento com a proposta das cotas (retira-se a bonificação aos candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas – PPI’s). Outras mudanças esperadas são a ampliação da inclusão social, como por exemplo, ao se estender a bonificação para estudantes que cursaram o ensino fundamental II na escola pública. O sistema de bonificação deve ser analisado, considerando-se os resultados dos últimos anos, e aperfeiçoado para que não haja grandes distorções.

8) Quando o GT começa os trabalhos e como a comunidade vai participar?

O GT será indicado até o dia 20/06 e terá um imenso trabalho pela frente, com dados, simulações e análises sobre as mudanças. No final de agosto, a proposta será apresentada e discutida por toda comunidade da Unicamp. As sugestões de aperfeiçoamento serão incorporadas à proposta que será encaminhada para a Câmara Deliberativa da Comvest, para a Comissão Central de Graduação e, por fim, ao Conselho Universitário.