12/07/2006 / Em: Releases

 

Em meio à discussão levantada pelos projetos de lei para instituir cotas e o Estatuto da Igualdade Racial, resultados do PAAIS apontam alternativa

Em tempos de discussão no Congresso Nacional sobre cotas e sobre a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) da Unicamp, através de resultados recentes, apresenta-se como uma alternativa eficaz, sem reserva de vagas, às cotas propostas para universidades. Nesse ano, 32% dos estudantes matriculados na Unicamp são egressos de escolas públicas, número maior do que a demanda desses estudantes, que representaram 31,3% dos inscritos no Vestibular. Além disso, o acompanhamento dos estudantes beneficiados pelo PAAIS em seu primeiro ano de Unicamp revelou que o desempenho deles foi melhor do que o dos demais alunos, na maioria dos cursos.

O PAAIS é um programa de ação afirmativa sem cotas. O programa, aprovado pelo Conselho Universitário (Consu) da Unicamp em 2004, prevê que estudantes que tenham cursado todo o ensino médio na rede pública brasileira recebam automaticamente 30 pontos a mais na nota final do Vestibular. Candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas também podem ter, além dos 30 pontos adicionais, mais 10 pontos acrescidos à nota final. A pontuação extra equivale em média a xx% da nota.

Desde a implantação do PAAIS, no Vestibular 2005, o número de estudantes de escolas públicas aumentou em 39 dos 56 cursos da Unicamp. Em alguns cursos, a quantidade de alunos egressos de escolas públicas mais do que dobrou em 2006. É o caso de Midialogia (um dos mais concorridos da Unicamp, com 39 candidatos por vaga). Em 2005, 10% dos matriculados em Midialogia eram estudantes vindos de escolas públicas, já em 2006, eles representaram 33% dos matriculados. Além de Midialogia, a participação de matriculados vindos de escolas públicas, em comparação com a média dos estudantes ingressantes nos Vestibulares de 2004 e 2005, dobrou em mais 6 cursos: Ciências Sociais (Integral), História, Letras (Licenciatura), Medicina (Famerp), Medicina (Unicamp) e Música (Licenciatura).

A inclusão também se mostrou eficaz no recorte étnico do programa (pretos, pardos e indígenas).  No Vestibular 2004 – um ano antes da implantação do PAAIS, 11,6% dos matriculados se autodeclararam pretos, pardos e indígenas. Porcentagem que subiu para 14,7% no Vestibular 2006.

Desempenho
O desempenho dos ingressantes de escolas públicas na Unicamp no ano letivo de 2005 foi melhor do que dos demais alunos em 31 dos 56 cursos, inclusive em alguns dos mais concorridos, como Medicina, por exemplo.